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Stabil bosetting for barnefamilier på lang sikt

8. Fra hospits til varig bosetting

8.4. Stabil bosetting for barnefamilier på lang sikt

O ENFRENTAMENTO

Nasci em tempos rudes Aceitei contradições lutas e pedras como lições de vida E delas me sirvo Aprendi a viver Cora Coralina Uma vasta literatura9

Lazarus e Folkman (1984) afirmam que o enfrentamento é um processo orientado que se refere a esforços pessoais de constantes mudanças. Esses autores reconhecem que os pensamentos e comportamentos de enfrentamento se modificam no transcorrer do desenvolvimento da interação indivíduo e de seu contexto. Atribuem às modificações nos pensamentos e comportamentos de enfrentamento às mudanças do contexto ou às modificações nas avaliações cognitivo-afetivas efetuadas pelo indivíduo diante do contexto situacional.

foi gerada na tentativa de delinear estratégias de enfrentamento de problemas que confrontam os seres humanos. De acordo com Lazarus e Folkman (1984) as abordagens tradicionais de enfrentamento emergiram de duas literaturas separadas e distintas: a experimentação animal e a psicologia do ego na perspectiva psicanalítica.

Pargament (1997) apresenta conceitos de diferentes autores sobre o enfrentamento.

9 A literatura norte-americana utiliza o termo coping que significa “lidar com”, “enfrentar”, “adaptar-se” ou

“manejar”. Mantenho a palavra enfrentamento em português, em vez de coping, mas, fundamento-me nos conteúdos da literatura norte-americana.

• “Todo mecanismo utilizado por um indivíduo para conhecer o significado das ameaças à sua estabilidade psicológica e para permitir efetivo funcionamento do organismo”. (FRIEDMAN, CHODOFF, MASON, & HAMBURG, 1993, p. 616).

• “Dispositivo de regulamentação normal para as emergências de cada dia.” (MENNINGER, 1963, p. 146).

• “Propósito, escolha, flexibilidade, aderência para realidades intersubjetivas e lógicas, permite e aumenta as expressões afetivas”. (HAAN, 1977, p. 34).

• “Algum tipo de resposta que serve para prevenir, evitar, controlar distress emocional” (PEARLIN & SCHOOLER, 1978, p. 3).

• Esforços cognitivos e comportamentais constantemente transformáveis para conduzir demandas específicas internas e/ou externas que são avaliadas como sobrecarga ou excedendo os recursos da pessoa (LAZARUS & FOLKMAN, 1984, p. 141)

• “Comportamentos que são empregados para o propósito de reduzir tensão em face de estressores” (HOBFOOL, 1988, p. 16).

• “Processo de busca por significado em tempos de estresse.” (PARGAMENT, 1997, p. 90).

Para Pargament (1997), o enfrentamento é um processo de busca por significação. O conceito de enfrentamento, está relacionado a duas forças históricas: externas e internas. A força histórica externa refere-se às mudanças culturais que, no mundo ocidental, tornam a vida individual instável, imprevisível e estressante. A força interna relaciona-se às respostas humanas ao estresse. Estas respostas costumam ser vistas através de quatro perspectivas:

1- perspectiva de resposta intrapsíquica, de orientação psicanalista, que focaliza os mecanismos de defesa do ego;

2- perspectiva de resposta fisiológica, estudada por Selye (1976), que analisa respostas do organismo de reação de alarme, fase de resistência e fase de exaustão.

3- perspectiva de resposta psicológica que focaliza sintomas de irritabilidade, desordens do sono, ansiedade, depressão e transtornos psicossomáticos;

4- perspectiva de resposta social que relaciona a deteriorização social com altas taxas de crimes, saúde precária e desordens mentais.

Para estudar o enfrentamento é preciso, inicialmente, entender que as pessoas não são simplesmente determinadas por suas condições intrapsíquicas, biológicas, psicológicas e sociais.

Ele distingue algumas qualidades centrais que caracterizam o enfrentamento. A primeira qualidade é a de ser um processo transacional, um processo de troca entre a pessoa e a situação difícil, na qual a pessoa faz o melhor que pode para enfrentá-la. Outra qualidade do enfrentamento é ser multidimensional, ou seja, qualidade que envolve múltiplas dimensões humanas como: cognição, afeto, comportamento, e fisiologia. Uma terceira qualidade é a que envolve e entrelaça as diferentes camadas dos relacionamentos sociais: familiar, institucional, cultural e, comunitário, fornecendo suporte para os tempos de crise.

A quarta qualidade assinalada por Pargament, e a principal, é a visão do enfrentamento como possibilidade e escolha. Possibilidade significa que um problema pode ser antecipado, prevenido ou solucionado ou que alguma coisa boa pode ser encontrada mesmo em tempo de dificuldades, mas há também a possibilidade das dificuldades levarem ao desespero.

Pargament afirma que “a resposta para a crise não é totalmente determinada, é, pelo menos, parcialmente escolhida” 10

Pargament (1997) afirma ainda que, o enfrentamento é um processo, portanto é variado e fluido, ele evolui e muda com o tempo. Dessa forma, nenhum modelo linear poderá capturar totalmente esse processo, o que faz com que ele exija a necessidade de abordagens dinâmicas para ser compreendido.

(PARGAMENT, 1997, p. 87). Isso significa que as pessoas nem sempre estão conscientes de suas escolhas, que nem todo enfrentamento é totalmente consciente, que algumas formas de lidar com os estressores podem ser aprendidas e outras, envolvem poucos processos conscientes. O fato é que o conceito de enfrentamento personifica a apreciação da capacidade de tomada de decisão pró-ativa e consciente em situações estressantes. Em um contexto geral, o conceito de enfrentamento, para Pargament, rejeita a noção de um determinismo psíquico e social.

O processo de enfrentamento está envolvido com a busca por significação e, Pargament (1997), acredita que as pessoas ao lidarem com eventos estressantes ou traumáticos, não estão totalmente indefesas nesta busca, pois possuem um sistema de orientação, uma estrutura geral de referência para lidar com momentos difíceis.

O sistema de orientação é uma maneira geral que temos de ver e lidar com o mundo. Ele consiste em hábitos, valores, relacionamentos, crenças generalizadas e personalidade. O sistema de orientação é uma estrutura de referência, uma moldura de si mesmo e do mundo que é usado para antecipar e trazer a termo os eventos da vida. Dependendo da característica desse sistema, pode ser um auxílio ou obstáculo no processo de enfrentamento, pois os sistemas de orientação não são feitos apenas de recursos que auxiliam, mas também de atributos inúteis. O sistema de orientação também é formado por qualidades cujos valores variam de situação para situação.

Para Pargament (1997), as pessoas procuram significado através de dois mecanismos que orientam o processo de enfrentamento: conservação e transformação de significados.

10 Pargament faz esta citação ao referir aos mecanismos de defesa preconizados por Freud os quais são

inconscientes. Não podem ser considerados estratégias de coping os mecanismos de defesa inconscientes e não- intencionais, como negação, deslocamento e regressão.

Eles representam o esforço do indivíduo para mudar ou para reter os significados, e estes esforços podem, ou não, ter sucesso no processo de enfrentamento.

O mecanismo de conservação é frequentemente a tendência inicial no enfrentamento e reflete a tendência básica humana para conservar significados. Quando uma situação apresenta um objeto significativo para uma pessoa, em risco, a primeira resposta é a tentativa de colocá-lo em segurança. As pessoas tentam conservar a significação até nas maiores condições de ameaças. Elas persistem na tentativa de proteger seus valores mesmo em situações desesperadoras, e isto pode dizer algo sobre a profundidade destes valores e sobre a tenacidade do espírito humano.

O mecanismo de transformação acontece quando os velhos hábitos e crenças não são mais suficientes para manter o significado. Esse processo pode ser doloroso, pois a mudança pode levar à ansiedade e ao descontentamento. Mas, em determinados momentos da vida, a busca por significado requer transformação de significado ao invés de sua conservação. As formas de transformação requerem um abandono de velhos valores e a descoberta de novos. Os esforços para transformá-los podem ser criativos, produtivos e até mesmo heróicos. Mas, nem todas as tentativas de transformação são construtivas. Algumas não resultam em mudanças e outras conduzem a derrotas.

Há estratégias de resistências ao sofrimento que se inserem no enfrentamento. Para Spilka et al, (2003), a avaliação cognitiva que fazemos dos fatos é um dos passos iniciais no processo de enfrentamento. Ela tem como referência o bem-estar do indivíduo. Os eventos tornam-se mais estressantes quando atingem o centro de valores pessoais. As pessoas podem responder de forma totalmente diferente ao mesmo evento. Um exemplo importante a esse respeito, apresentado por Pargament, é o do físico Stephen Hawking que, ao se deparar com o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, uma doença motora progressiva, que o levaria à total paralisia e eventualmente à morte. Muitos acreditariam nesta doença como uma terrível ameaça ao seu bem-estar. Hawking, no entanto, viu a doença de forma diferente: “minha doença deixou-me com a peça fundamental ao meu trabalho - meu cérebro”. Uma doença devastadora não destruiu o que era de significativo para ele, o cérebro e, assim, ele pode continuar suas investigações a respeito das origens do universo.

A avaliação secundária refere-se aos recursos disponíveis para enfrentar a situação estressante. Para Pargament (1997), as avaliações primárias e secundárias são muito importantes no processo de enfrentamento. O que faz uma experiência estressante não é apenas o evento em si, mas a avaliação primária da ameaça, os danos ou desafios que o evento

representa para os significados pessoais, e as avaliações secundárias dos recursos e encargos de que o indivíduo traz para o processo do enfrentamento.

Spilka, Hood, Hunsberger e Gorsuch (2003) retratam a importância do controle no enfrentamento. O controle pode ser uma força poderosa de apoio construtivo no comportamento de enfrentamento. Há dois tipos básicos de controle: controle primário, ou seja “estar no controle”, ter a capacidade de mudar uma situação e controle secundário, ou seja ser capaz de efetuar mudanças em si mesmo. Para Pargament a fé pode desempenhar um papel importante no incentivo das formas primária e secundárias de controle, sendo a religião, uma forma de controle secundário, ou seja de mundança pessoal..

Os autores Rothbaum, Weisz, Snyder (1982) citados por Spilka, Hood, Hunsberger e Gorsuch (2003) assinalam três formas de controle secundário: controle interpretativo, controle preditivo e controle vicário11

No controle interpretativo, as pessoas, na busca de compreender eventos e para conseguir algum grau de controle sobre suas emoções, muitas vezes reinterpretam o que está acontecendo. Elas reinterpretam os eventos e tranformam uma situação aflitiva em uma situação menos perturbadora. Johnson e Spilka (1988), citados por Spilka ( 2003), citam o exemplo de um paciente com câncer que concluiu sua doença assim: “olhei para o câncer como um desvio de estrada mas não como um bloqueio na estrada”.

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Para Spilka, Hood, Hunsberger e Gorsuch ( 2003) a ideia de precognição fascina as pessoas e é um recurso de controle preditivo, pois garante às pessoas que as coisas vão dar certo no final. Eles dão o exemplo de um paciente com câncer que relata: “por causa da minha relação com Deus, eu tinha fé de que o câncer não tiraria a minha vida”(JOHNSON; SPILKA, 1988, p. 12). O controle preditivo fornece a confiança de que o futuro será bom. O elemento importante é a percepção do futuro, embora o que realmente ocorrerá seja independente desta aspiração.

Quando as pessoas sentem que não são capazes de lidar com os seus problemas, particularmente em casos de doença grave, quando a morte é uma possibilidade, frequentemente elas se voltam ao seu Deus e, indiretamente, a divindade se torna um apoio ou um substituto para os seus próprios esforços. É a forma de controle vicário. A pessoa tem forças para enfrentar a morte em potencial por meio de sua conexão divina.

Na dimensão existencial, as formas de enfrentamento estão direcionadas à capacidade humana de liberdade e responsabilidade, devido à dimensão espiritual. Para Frankl (2003), o

ser humano é capaz de viver e até de morrer quando tem um para quê, isto é, por seus ideais e valores. Nesse caso, valores são sentidos universais que se cristalizam em situações típicas, singulares, ou seja, não existe um sentido universal da vida, mas sim, sentidos singulares de situações individuais, ou seja, valores.

Por meio dos valores o homem responde à vida, encontrando o sentido e enfrentando o sofrimento. (FRANKL, 2010, 2005, 2003).

Nos valores criativos, o homem dá de si para o mundo, através de seu potencial criativo. Sua capacidade de autotranscendência manifesta-se em sua ação no mundo. Ao realizar valores de criação, como o trabalho, o homem manifesta a sua missão no mundo, realizando-se como ser único e insubstituível e, assim, descobrindo o sentido de sua existência. 12

Nos valores de experiência, Frankl postula a capacidade humana de abertura que se manifesta na dimensão de gratuidade. Enquanto que nos valores criativos há um dar-se, nos valores experienciais há um receber, ou seja, o homem acolhe as riquezas contidas no cosmos e no outro ser humano.

Herrera (2007) assinala que esse valor relaciona-se com o encantamento no contato com a natureza, na contemplação do belo, na riqueza do acolhimento no contato com o outro, na experiência do amor e nas variadas formas de meditação e contemplação que mediam o contato do homem com o suprapessoal. Para alcançar o sentido, se faz necessária uma abertura, uma disposição de si, que se dá na transcendência. A realização de valores de experiência indica o sentido de viver e o enfrentamento do sofrimento pela experiência de autotranscendência.

A última categoria de valores, os valores de atitude, ocorre em situações limites, imutáveis e são os que mais transformam a vida do homem. São situações extremas, não controláveis, que fazem com que o homem alcance a liberdade interior, e o ajudam a conseguir a maturidade plena. No experimentum crucis ele, apesar da dependência exterior, alcança a liberdade interior.

Para realizar os valores de atitude o homem conta com sua liberdade espiritual de tomar uma atitude perante um destino imutável. Herrera (2007) adita que a aceitação do sofrimento permite ao ser humano avançar rumo a um mundo silencioso e profundo de crescimento e de realizações interiores, no silêncio ante aquele ser, que para Frankl, é Deus:

12 Frankl (2003) argumenta que se o trabalho deixa de ser uma fonte de valores criativos, e se torna um trabalho

desumanizante, faz-se necessário dar uma resposta autotranscendente, que vá mais além do poder e do êxito, e vise o bem comum, uma resposta inspirada na liberdade humana de ser responsável.

“o companheiro íntimo dos diálogos mais íntimos”. A abertura do ser humano, graças à transcendência, permite que Deus se comunique com o ser humano gratuitamente e este responda estabelecendo-se, dessa forma, uma relação interpessoal.