2. Innledning
2.6 Metode
1. Como as práticas discursivas da professora propiciam o engajamento discursivo do aluno?
No início desta aula em 29/09/05, os alunos dirigiram-se à sala de vídeo, pois estavam informados de que teriam uma aula gravada para uma pesquisa de Pós Graduação. Os alunos, ao entrarem na sala de vídeo, posicionaram-se em grupos, seguindo a disposição das cadeiras e mesas que estavam previamente arrumadas em grupos de quatro pessoas, porque havia ocorrido uma outra
atividade com outro professor naquele espaço. A professora posicionou-se à frente de todos os grupos e iniciou o trabalho da seguinte maneira:
• Ações discursivas que propiciam ED vistas pelo aspecto da interação:
Excerto 1: Iniciando a aula (recorte a pág. 88)
Pro(1) ... né pra vocês... é:: perceberem que além dos textos... da música... da gramática... nós temos outros meios ...
de trabalhar a língua inglesa também... Certo? Que nós vamos ver a partir de agora... tá? Vamos Silvia...
((comercial em vídeo, sendo apresentado))
Pro(2) Bom pessoal... é através desse videozinho que vocês viram aí O que que lembra... pra vocês... esse vídeo?
Excerto 2 : Mudança de atividade (recorte b pág. 90) Pro(122) Então... nós vamos trabalhar gente
Na realidade esse filmezinho que vocês viram da Pepsi foi uma introdução ao nosso trabalho que nós vamos fazer agora aqui em sala de aula...tá?
Referente a uma propaganda também É a concorrente da Pepsi
Qual é a concorrente da Pepsi?
Nestes dois excertos, a professora dirige-se aos alunos, colocando-se como a organizadora da aula, explicando o que vai acontecer, conforme aparece nos excertos Pro(1) (nós vamos ver a partir de agora), Pro(122) (nós vamos trabalhar), (nosso trabalho que nós vamos fazer agora aqui em sala de aula). Isso demonstra que ela tem um planejamento temático definido para aula e ela determina o momento Pro(1) (agora) e a seqüência das atividades Pro(122) (esse filmezinho ... foi uma introdução). Esta atitude de comando pode ser identificada na forma declarativa das sentenças, que denotam pelos verbos no modo indicativo, um apontamento do que será realizado. As atitudes de comando, direcionamento e orientação são reveladoras de uma relação assimétrica, porque a professora está no comando das ações que serão desenvolvidas em sala de aula e os outros participantes concordam com as regras.
Apesar de a professora estar usando o pronome “nós”, indicando um envolvimento dela e de todos os demais participantes presentes na aula, ela não modifica a sua atitude de organizadora e propõe ações para serem desenvolvidas pelos alunos. Esse caráter assimétrico nas relações entre professor e aluno, de certa forma já é esperado, visto que, o gênero aula é socialmente compreendido desta maneira.
A proposta expressa nos PCN em relação à assimetria é a de que o professor busque estratégias interacionais para tornar a aula menos assimétrica. A assimetria é um fenômeno que pode também ser identificada na análise dos turnos, observando a maneira como a professora gerencia a participação do aluno na aula.
Quadro 6: Sistema de turnos da primeira aula (29/09/05)
Participantes No. de turnos No. de palavras
Professora 213 3391
Alunos 228 688
Pesquisadora 43 545
TOTAL 484 4624
Com base em um levantamento quantitativo no sistema de turnos da fala, é possível verificar que na primeira aula gravada, a professora procurou manter a distribuição de turnos equilibrada entre ela (213 turnos) e os alunos (228 turnos), o que aponta para uma tentativa de construir uma aula dialogada com a participação verbal do aluno. Esta atitude revela uma intenção de engajar os alunos por meio da interação entre os participantes. A quantidade equilibrada dos turnos entre professora e alunos indica que, de certa forma, a professora compreende que para haver engajamento discursivo, o aluno precisa ter voz em sala de aula.
No entanto, apesar da distribuição dos turnos parecerem balanceadas, o número de palavras nos turnos tornou-se um elemento importante para comparar a participação discursiva dos interactantes. Conforme a tabela, os números demonstram uma desigualdade na produção discursiva. A professora dominou a interação em mais de 50% do número de palavras total do evento. Do total de
4624 palavras, a professora participou com 3391. O restante, 1233 palavras, foi dividido entre os alunos, que ficaram apenas com 688 tendo 228 turnos e a coordenadora-pesquisadora, cuja participação está explicada no capítulo anterior (pág.30). Este dado aponta que, nesta aula, a professora teve maior controle da organização textual oral da aula. Isso pode ser verificado também nos excertos seguintes.
Excerto 3: Leitura do comercial áudio visual da Pepsi (recorte a pág. 88) Pro(4) O que que ele está anunciando esse vídeo?
Alu(5) Refrigerante
Pro(6) Refrigerante... qual refrigerante? Alu(7) Pepsi
Pro(8) A Pepsi. Então é o que esse vídeo? Alu(9) É um comercial da Pepsi
Pro(10) É um comercial, uma propaganda da Pepsi Cola... certo? Então vocês reconheceram esse cenário aí?
Alu(11) Com certeza.
Pro(12) O que ele representava... na época esse cenário? Alu(13) Romanos
Alu(14) Gladiadores
Pro(15) Os gladiadores... certo? Eles representavam os gladiadores A arena... e a arena? É arena? Alu(16) Coliseu
Pro(17) Coliseu... isso mesmo... e as moças ali... as artistas... o que que elas representavam ali na música?
É possível identificar no excerto acima que os alunos acompanham a professora, porque respondem ao que está sendo solicitado. Entretanto, a quantidade de palavras no turno dos alunos indica que com apenas uma palavra nos turnos 5, 7, 13 e 14 (refrigerante), (Pepsi), (romanos), (gladiadores) a participação já está configurada. Os papéis dos interactantes tornam-se desiguais, confirmando os dados da tabela e a relação assimétrica já indicada.
Como o excerto 3 corresponde ao warm up da aula, é interessante observar, se a mesma prática discursiva ocorre em outros momentos, quando a professora realiza a leitura do texto do comercial escrito que é o foco principal da aula.
Excerto 4: Leitura do comercial da Coca-cola, publicado na revista Seventeen (recorte b pág. 90)
Pro(129) Deu? ((distribuindo as cópias))
Bom... diante da propaganda da Coca... que que vocês têm aí? Eu gostaria que vocês observassem
Cada um observando... Na SUA xerox da Coca-cola Virando aí ... a Coca
O que nos interessa aqui é a Coca... certo?
Qual o produto que foi... que está sendo anunciado aí? Alu(130) A Coca
Pro(131) A Coca-cola... certo?
Esse desenho que vocês têm aí da coca... tem três aí... o que aí gente? Três o que?
Alu(132) Três modelos
Pro(133) Três garotas aqui... né? Três jovens?... adultas?... velhas? O que são aqui?
Alu(134) jovens
Neste excerto, observo que não houve mudança no agir discursivo da professora em relação ao excerto 3 apresentado anteriormente e correspondente ao warm up. Naquele excerto, a professora buscava contextualizar o comercial do vídeo, trazendo elementos do conhecimento de mundo dos alunos. O foco da sua relação com o aluno continua o mesmo neste outro momento, mesmo realizando uma atividade diferente, ou seja, pergunta e resposta (P-R). Os pronomes interrogativos negritados do tipo: O que? e Qual? (Qual o produto que foi... que está sendo anunciado aí?), (Três o que?), (O que são aqui?) não abrem possibilidades de respostas argumentativas por parte dos alunos e reduzem sua participação em explicitar apenas o que está sendo solicitado nos turnos 130, 132, 134 (a coca), (três modelos), (jovens). Com esta reduzida produção discursiva se configuram os turnos dos alunos. Do total dos 228 turnos dos alunos na aula, 169 foram turnos com apenas uma ou duas palavras.
No turno 129, a professora pergunta sobre o produto que estava sendo anunciado no comercial extraído da revista. Ela já havia afirmado que o interesse dela naquela folha era apenas a Coca-cola. Então, a resposta do aluno a respeito do produto que estava sendo anunciado, já estava previamente respondida.
No turno 132, a professora afirma que havia três garotas no comercial e a seguir pergunta se são jovens, adultas ou velhas. Essas três possibilidades de resposta também reduzem as chances de uma ação discursiva mais elaborada por parte do aluno, pois ele terá que escolher apenas uma das três alternativas apresentadas (jovens, adultas ou velhas).
Neste excerto 4, a professora parece centralizar o desenvolvimento do tópico discursivo, o que significa dizer que ela realiza o chamado turno nuclear para Galembeck (2003). Os turnos dos alunos também têm caráter referencial por estarem contribuindo com informações para o tópico da conversação. No entanto, essas informações são direcionadas pela professora. Ela inicia com uma pergunta direcionada, o aluno responde com a informação requerida e ela reinicia com um novo questionamento da mesma natureza.
As ações verbais da professora nos excertos 3 e 4 apontam o tipo de atividade que ela procura engajar os alunos: identificar e confirmar os ícones estampados no comercial do refrigerante. Isto é evidenciado nestas perguntas: Pro(129) (Qual o produto que foi... que está sendo anunciado aí?) e Pro(133) (Três jovens?... adultas?... velhas? O que são aqui?). Estes exemplos mostram que a ação verbal desenvolvida pela professora em relação aos alunos é a de realizar um levantamento dos elementos visuais do comercial com a ajuda deles, sem propor um questionamento sobre o significado dessas imagens e o motivo dessa escolha para o comercial. As perguntas não apontam para uma profundidade de leitura e permanecem apenas nessa identificação.
Ainda com relação ao tipo de interação proposta pela professora, podemos verificar em uma atividade de leitura do texto, qual o tipo de estratégia está sendo utilizada para engajar os alunos.
Excerto 5: Lendo o texto escrito (recorte c pág. 93) Pro(233) ...Anotem aí... certo?
Depois no Segundo parágrafo... vocês têm lá...
Clothes... grades... music... college... or... cars Coloquem aí no caderno de vocês
Então... voltando aqui pessoal
“The three girls present in the ad are happy... because they´re not thinking about…?”
Quais as palavrinhas aí ó:: Que que é three girls? Alu(234) Três garotas Pro(235) Então o que?
Alu(236) Três garotas apresentam... Pro(237) Na onde?
Alu(238) Na propaganda Pro(239) Que que é ad? Alu(240) Anúncio Pro(241) No anúncio Elas estão o que?
Elas estão mostrando no anúncio que elas estão... Alu(242) Felizes
Pro(243) Por que? They are not
Elas não estão o que? Alu(244) Pensando
Apesar da atividade neste excerto estar um pouco mais focada no texto escrito, observo que as ações verbais da professora não se alteram: ela elegeu o modelo (P-R) para envolver o aluno na aula. As escolhas do tipo de pergunta são as mesmas em relação aos excertos anteriores: O que? Qual?. Neste excerto foram apresentadas oito perguntas dirigidas aos alunos e seis delas são com os pronomes interrogativos acima referidos. Como conseqüência, o aluno apenas responde ao que está sendo exigido novamente com uma palavra nos turnos 240, 242, 244 (anúncio), (felizes), (pensando).
Considero que o modelo (P-R) estabelece uma interação com o aluno, faz com que os interlocutores se revezem nas tomadas de turnos; entretanto, devido ao tipo de pergunta utilizado nestes exemplos, verifico que não ocorre uma construção colaborativa do tópico discursivo. O aluno tem reagido às ações verbais da professora. Este tipo de pergunta também não indica que há uma tentativa de mudança no modelo de interação assimétrico institucionalizado nas relações entre professor e aluno. Desta forma, considero que este tipo de interação não estabelece o engajamento interacional que a proposta de ED procura estabelecer.
A tentativa de reformular as perguntas com a finalidade de fazer os participantes argumentarem, questionarem, validarem ou discordarem do discurso apresentado, seria uma opção para a reformulação desta aula.
Uma mudança nas perguntas também poderia significar uma modificação na estratégia de ensino-aprendizagem proposta pela professora, pois de acordo com o conceito de ZDP, seria necessário o professor partir de conceitos já adquiridos, propondo novos conceitos em situações desafiadoras com a finalidade de que o aluno aprenda pela interação.
Considerando o total dos 213 turnos da professora, 150 deles foram perguntas do tipo: O quê? ou Qual?. Isto representa 70% das ações discursivas. Dos 228 turnos dos alunos, 221 foram respostas de conteúdo informativo como conseqüência da pergunta direta, isto representa 97% das ações discursivas. O gráfico a seguir mostra tal fato.
Gráfico 1: Quantidade de perguntas da professora no total de turnos da aula Distribuição das perguntas no turno da professora
150; 70% 63; 30%
1 2 turnos com outras finalidades
Gráfico 2: Quantidade de respostas dos alunos no total de turnos da aula Distribuição das respostas no turno dos alunos
221; 97% 7; 3%
1 2 Quantidade de turnos com outras finalidades
Quantidade de turnos destinados a respostas dos alunos
Conforme apresentado no início deste capítulo (pág. 41), as ações discursivas da professora poderiam propiciar o engajamento discursivo do aluno por dois aspectos: um na perspectiva de se estabelecer uma interação e o outro como uma maneira de se promover uma discussão em que fosse possível construir significados. Assim, passo agora a apresentar outros excertos da aula que poderiam ser atitudes da professora com uma intenção de construir significados.
• Ações discursivas que propiciam ED como construção partilhada de significados
Pro(137) É nem sei se é uma danceteria aqui É parece ser... eu nem tinha reparado nisso... E::: No caso aqui gente... da Coca-cola
Vocês acham que... essa propaganda... ela está sendo dirigida mais Aos jovens ou aos adultos?
Alu(138) jovens
Pro(139) A população... jovem
Vocês acham que a Coca-cola é mais consumida pelos jovens do que pelos adultos? Alu(140) não
Alu(141) acho que também não
Alu(142) lá na casa do meu cunhado lá... é tudo velho... mas é só Coca Pro(143) Mas quando passa uma propaganda da Coca quem mais assiste? Alu(144) todos né professora
Alu(145) eu acho que é todos
Pro(146) mas chama mais atenção de quem? Alu(147) jovens
Neste excerto há uma tentativa de explorar o público-alvo para quem o comercial foi dirigido, revelando que a professora tem conhecimento sobre a necessidade de fazer os alunos perceberem que os textos em geral são sempre dirigidos a um público-alvo. Entretanto, o turno 139 e os outros que o seguem (Vocês acham que a Coca-cola é mais consumida pelos jovens do que pelos adultos?) revela que a professora não dispõe de dados para dizer se o público jovem ou adulto consome mais o refrigerante. Ela mesma não mostra em que dados se baseou para construir este tipo de pergunta. O comercial, simplesmente por estar em uma revista destinada a um público jovem, poderia ter se adaptado ao veículo em que foi publicado. Quando os alunos constroem respostas inesperadas, ou seja, fugindo do modelo esperado, da palavra correta que preenche as expectativas da professora, ela então procura reformular sua pergunta. Isso identificamos nos questionamentos 143, 146 da professora ( Mas quando passa uma propaganda da Coca quem mais assiste?), ( mas chama mais atenção de quem?).
Este fragmento é o único da aula em que a professora inicia uma tentativa de tratar de questões que envolvem uma concepção sociointeracional de linguagem. De acordo com o que foi citado no capítulo teórico, para se desmistificar o mundo multisemiótico do texto, os questionamentos deveriam desvendar as condições de produção do comercial, as marcas lingüísticas que o identificam ao público-alvo jovem, a construção das imagens e da marca do
produto historicamente construída, etc. Conforme apresentado no capítulo teórico, o conceito de dialogia compreende que existe uma relação dialógica da língua com a sociedade, a cultura, etc. A professora poderia ter abordado estas questões com o intuito de construírem significados. Assim, como as perguntas não foram formuladas nesse sentido, a tentativa de explorar os significados do texto, analisando o público-alvo não foi atingida.
Entretanto, creio que propor esta discussão com os alunos não é objetivo da professora, porque não está no seu plano de aula, conforme anexo pág. 83. Na seqüência da aula, a professora continua realizando a leitura escrita do texto. Os elementos textuais e discursivos não são explorados, negociados, construídos colaborativamente, eles apenas são reconhecidos, porque o ponto principal da aula - e do plano da professora - é a leitura e compreensão do texto escrito em língua inglesa, explicitado no plano de aula elaborado por ela.
No texto publicitário, o papel do discurso é central, porque juntamente com os elementos visuais vão seconstituir os elementos persuasivos para convencer o consumidor sobre a necessidade do uso daquele produto. Mas essa discussão não foi proposta. Vejamos um outro excerto em que a professora ainda trabalha com a leitura do texto.
Excerto 7: Trabalho com o texto em inglês (recorte b pág. 90) Pro(158) No caso aí gente
Elas estão preocupadas/ Olha o que diz o nosso texto Leiam o texto aí
Alu(159) ((alunos lendo e rindo))
Pes(160) O gente... então vamos lá pro texto
Pro(161) Fala.
Pes(162) “We are not thinking about guys today. Not even clothes-grades-music-college-or-cars. It just us.
I love days like this. Always makking
Good times better. Always.”
Pro(163) Always.
Sem vocês conhecerem muito a respeito do vocabulário que tem aqui na nossa... é propaganda... aqui...
Qual é a palavra que mais chamou atenção de vocês? Alu(164) Coca
Pro(165) Da Coca?
Qual é o slogan que... fora a Coca Fora a palavra Coca-cola
Quando ele diz aqui
“Always making good times better… always.” ((silêncio))
Pro(166)Olhem aí na propaganda gente Não fiquem olhando pra mim...
Olha na propaganda e vê aí ((silêncio))
Pro(167) Ah.
Qual é o slogan da Coca-cola Segundo nossa propaganda aí? Alu(168) Always
Alu(169) A última né professora?
Pro(170) Tem alguma palavra aí que vocês conhecem da propaganda? Alu(171) tem
Pro(172) Qual? Alu(173) Always
Pro(174) Always... certo? Que quer dizer always? Certo? Que quer dizer always? ... Always Alu(175) Que quer dizer Karen? Alu(176) Não sei.
Neste fragmento, um dos poucos em que a professora trabalha a organização textual do comercial ao citar a palavra slogan. Apesar de apenas citar a palavra slogan, os alunos mostraram que possuem um conhecimento prévio sobre organização textual de comerciais, porque souberam identificar, conforme turno 169 (A última né professora?), que o slogan estava no final do texto. Seria interessante se a professora tivesse explorado com eles, como chegaram a essa conclusão, mesmo sem saberem explicar o que dizia o slogan. Ou até mesmo, discutirem se a posição do slogan no final é uma característica comum ao texto publicitário. Assim, ela estaria explorando a questão da organização textual com os alunos.
Conforme exposto pelos PCN - LE, o conhecimento textual, o conhecimento de mundo prepara o aluno para o engajamento discursivo, mas neste caso, não houve um aproveitamento desses conhecimentos que o aluno traz como consumidor, que tem e teve acesso a diversos textos publicitários direta ou
indiretamente, via televisão, rádio, revistas, outdoors, etc. A professora pela seqüência que dá às suas atividades parece estar apenas preocupada com o cumprimento do seu plano e com fazer questionamentos que apenas contribuem para a conclusão da sua atividade de leitura e entendimento das palavras em inglês.
No turno 166 em negrito (Olhem aí na propaganda gente...Não fiquem olhando pra mim...Olha na propaganda e vê aí), por exemplo, o questionamento da professora para saber qual era a palavra que aparecia com freqüência no slogan da Coca-cola, a fez criar um momento de tensão e embaraço com os alunos, ao enunciar “...não fiquem olhando pra mim, olha aí na propaganda e vê”. A questão não está clara, ela busca uma palavra, mas enuncia querer o slogan que ela mesma está repetindo. Porém os alunos conseguiram entender a mensagem e responder corretamente, apesar do clima de ansiedade causado, Alu(168)( Always).
Nesta primeira aula, conforme apresentado nos excertos e nos gráficos, o agir discursivo da professora parece não possibilitar o engajamento discursivo do aluno. Primeiramente, a aula atendeu parcialmente ao engajamento interacional, porque a professora cedeu o turno ao aluno, eles acompanharam as falas do interlocutor, no entanto, ela centralizou e direcionou a discussão, não permitindo a construção colaborativa do evento conversacional, conforme exposto por Marcuschi (1999). Segundo, porque a aula parece também não atender à proposta de engajamento como construção partilhada de significados, por não possibilitar ao aluno o envolvimento com a construção da linguagem apresentada no discurso publicitário, impossibilitando que ele construa sentido, interpretações, avaliações e significados sobre o que está sendo proposto com a leitura do gênero advertisement.
A proposta de engajamento discursivo considera que o ensino de língua inglesa possibilite a construção de uma consciência crítica do aluno, por intermédio de um conhecimento mínimo necessário da língua, da sua estrutura e da forma como ela se organiza textualmente (PCN – LE). Seria muito difícil desenvolver uma postura crítica em relação ao discurso em língua estrangeira, sem esses conhecimentos.
Este fato pode ser observado no turno 174 quando a professora pergunta o que quer dizer always (Always... certo?Que quer dizer always? Certo?Que quer dizer always? ... Always) e a aluna afirma que não sabe, conforme o turno 176 (Não sei). O fato dos alunos terem um conhecimento reduzido do léxico da língua alvo, faz com que, muitas vezes, as atividades desenvolvidas pelo professor em sala de aula tenham como foco apenas ampliar esse conhecimento do aluno. Conseqüentemente, o professor acaba deixando para um outro plano explorar os valores éticos, sociais intrínsecos aos textos e que poderiam possibilitar o engajamento discursivo do aluno.