• No results found

Språksituasjonen ved Universitetet i Bergen

In document Både i pose og sekk (sider 25-30)

Todos os professores de CFQ referiram não ter conhecimentos quanto à grafia Braille da Física e da Química. A maior parte dos professores remeteu este assunto para o PA ou arranjou outras estratégias para não usar a simbologia. Assim, os professores referiram alterações para superar a dificuldade que tinham com a utilização do Braille. Um dos professores, o professor P1, sugeriu ao PA a utilização de outras letras em substituição das letras gregas que aparecem em algumas conexões matemáticas utilizadas na Física e na Química. Era sempre o PA a trabalhar com o aluno cego e também na produção de materiais que envolvessem a simbologia da Química e da Física Braille. Todos os alunos referiram que utilizaram em algum momento a simbologia da Química e da Física Braille nas aulas de CFQ.

”Por exemplo: ρ = m/V, coisas assim do género, com letras e ele tinha imensas dificuldades em colocar isto no papel, eu tinha-lhe sugerido em vez do ró, colocar um d, não é, embora

142

não seja a mesma coisa, porque para nós significa a densidade relativa e o ró densidade, mas pronto, fomos substituindo alguns caracteres, sobretudo aquelas fórmulas em que tinham letras gregas e fomos substituindo pelo abecedário que ele conhece e sempre com o apoio do PA em traduzir a linguagem da FQ para Braille.”P1

”era a PAque passava para o Braille, ela própria falava comigo em “como é que vou representar aqui?”. Sei lá, o CO2, ou nas moléculas orgânicas, açucares, proteínas, mais extensas ela perdia-se aí. Ela não fazia a molécula em Braille. Escolhíamos o exercício do livro onde estivesse representado no livro dele a molécula em Braille, em relevo e no teste dizia-lhe “É esta a molécula que eu quero que identifiques”. Eu dava o livro juntamente com o teste e ele ia consultando.”P5

Outra solução encontrada para resolverem os problemas com a simbologia da Química e da Física Braille foi o recurso a gravações áudio, como referiu o professor P7:

”A professora do ensino especial dizia se tiver alguma coisa dê-me que eu passo para Braille para ele, mas ela também tinha muito trabalho, também demorava muito tempo e ele demorava também muito tempo coitadito a ler e então alguns textos eu fazia assim, eu lia para ele, para o gravador em casa, e depois dava-lhe a cassete, depois ele ouvia em casa.”P7

Ou então procuravam o PA para qualquer dúvida nesta temática como explicou P10:

”Não conhecia a simbologia Braille, nem uma letra Braille. Hoje já sei algumas, ganhei mais eu com ele do que ele comigo.”P10

A utilização de gravações áudio são sugeridas por Camargo, Silva & Filho (2006), como uma alternativa ao registo Braille já que os alunos referem, no estudo realizado pelos autores, que o Braille é cansativo. Costa, Neve & Barone (2006), referem o mesmo problema que os participantes no estudo que é a falta de professores das ciências com formação para trabalhar com deficientes visuais o que poderia ajudar a diminuir estas dificuldades associadas ao uso da simbologia. E o problema dos professores do Ensino Especial também não terem formação em Ciências. Estas duas situações dificultam o trabalho de professores e alunos nas ciências.

Também se questionaram os alunos cegos quanto ao conhecimento da simbologia da Química e da Física Braille por parte dos seus professores de CFQ. Nenhum dos professores de CFQ dos alunos cegos entrevistados conhecia a representação simbólica da Física e da Química em Braille, não foi possível recolher as implicações do conhecimento da simbologia nas aprendizagens dos alunos. Assim, sendo os alunos referiram que quando tinham dúvidas procuravam o seu PA. Um dos alunos concluiu que o facto de nenhum dos seus dois professores de CFQ conhecer a simbologia era falta de interesse. Tal como se pode ver na seguinte afirmação:

”Não, ela não se preocupava com isso (Braille). E o professor também não, muito menos. “A1

143

A maior parte dos alunos cegos refere o facto dos seus professores de CFQ não conhecerem a grafia Braille associada à Física e à Química não os terá prejudicado já que, na sua escola, existia PA com conhecimentos nesta área. A título de exemplo um dos alunos referiu

”Ela (professor de CFQ) não tinha (conhecimentos de Braille). Não, não condicionava porque era assim. Achava fundamental a professora saber alguma informação mas não o exagero como saber Braille. Porque isso, pá, também é um bocado confuso. Qualquer dúvida, também tinha um PA disponível na escola.”A3

No entanto, um dos alunos referiu que também o seu PA manifestava dificuldades na simbologia da Química e da Física Braille dizendo:

” Sim( Tinha apoio na simbologia). Ajudou-me, quer dizer, também não podia ajudar muito a verdade seja dita. Ela não podia porque não sabia Braille. Portanto, à partida não podia. Mas ela também procurava ajuda junto do PA. O professor de apoio também não sabia representar, era um bocadinho para o chato.”A8

Assim, quando se perguntou aos alunos cegos se teriam recebido algum tipo de ajuda na grafia da Física e da Química por parte do seu professor de CFQ todos referiram que não.

4.3.4.2. Utilização da simbologia da Química e da Física Braille pelos alunos cegos

Todos os alunos cegos participantes no estudo referem que utilizam a simbologia da Química Física Braille na aprendizagem de conteúdos de CFQ e foi-lhes pedido que explicassem como a utilizavam (Tabela 26).

Tabela 26: Formas de utilização da simbologia da Química e da Física Braille por parte dos alunos cegos

N=8 Formas de utilização por parte dos alunos cegos f*

Usava na matemática e nas CFQ 5

Interpretação e escrita de fórmulas 3

Cinco alunos cegos referiram que usavam a simbologia na matemática e nas CFQ. A título de exemplo o aluno A1 referiu:

” Tinha que utilizar quando era naquelas coisas de matemáticas, eu também nunca fui boa a matemática, verdade seja dita, sei que 2 + 2 são 4 mas o resto não sei.”A1

Três dos alunos cegos referiram que esta simbologia lhes permitia a interpretação e escrita de fórmulas Químicas, conforme explicou o aluno A8:

”De vez em quando utilizava.(…). Não as fazia (as fórmulas Químicas), que a professora de CFQ disse para eu não a avançar aquela parte. Por exemplo, sei lá, mas cheguei a em vez de as fazer, ela metia-me a equação Química e eu interpretava-a, por exemplo, o que é que era o H20, isso toda a gente sabe, mas ter que explicar por exemplo, uma átomo de hidrogénio e 2 de oxigénio. É assim não é?”A8

144

É suposto que a simbologia da Química e da Física Braille seja aprendida quando se inicia a disciplina de CFQ, no sétimo ano de escolaridade. Se esta aprendizagem não for feita, a aprendizagem de alguns conteúdos vai ficar comprometida. Mais uma vez, a questão dos professores de apoio não terem conhecimentos na área das ciências pode explicar que os alunos cegos não dominem com facilidade a grafia da matemática, da Física e da Química. Também os professores de CFQ estão na mesma situação de desconhecimento quanto à grafia e por isso resta- lhes pensar em alternativas para ajudar os seus alunos. A conclusão que podemos tirar é que neste assunto os alunos têm pouco ou nenhum apoio da parte dos seus professores de CFQ e de apoio constituindo esta área, um problema para os alunos cegos participantes no estudo.

4.3.4.3. Dificuldades de utilização da simbologia da Química e da Física

In document Både i pose og sekk (sider 25-30)