Também foi pedido aos professores de CFQ e aos alunos cegos que dessem a sua opinião quanto à importância que atribuíam às atividades laboratoriais para os alunos cegos (Tabela 31). Ao contrário do que seria de esperar nem todos os professores e alunos cegos referiram que as atividades laboratoriais são importantes para a aprendizagem das ciências. A parte prática das ciências é normalmente a mais fascinante na aprendizagem das ciências uma vez que os alunos têm a oportunidade de participar mais ativamente na aprendizagem. Esta componente prática das CFQ coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem já que este pode testar, comprovar e descobrir vários factos científicos passando a informação dos livros para as suas mãos. No entanto, uma minoria dos participantes é que classificou as atividades laboratoriais como pouco importantes ou nada importantes.
Três professores não classificaram, quanto à importância, as atividades laboratoriais para alunos cegos, uma vez que, não responderam à questão. Também um dos alunos cegos participantes no estudo não respondeu.
Tabela 31: Importância atribuída pelos professores de CFQ e pelos alunos cegos às atividades laboratoriais para os alunos cegos
N=11 N=8
Importância Professores Alunos
Muito importantes 2 1
Importantes 2 3
Tão importante como para os alunos normovisuais 1 -
Nada importantes 1 1
Pouco importantes 1 2
Não respondeu 3 1
Assim, dois professores e um aluno classificaram a participação nestas atividades como muito importante, conforme se pode ver nas seguintes transcrições de um professor e de um aluno:
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”Extremamente importante. Aliás ela adora, regra geral os miúdos adoram as aulas laboratoriais o que queriam era ter mais. Mas o aluno cego delira, adora, e qualquer coisa, “posso fazer?”P8 ”Acho importantíssimo. Importantíssimo, para mexer nas coisas”A2
Dois professores e três alunos classificaram como importantes as aulas laboratoriais para os alunos cegos, a título de exemplo um dos alunos referiu:
”Acho porque assim nós percebemos melhor, como é que funciona as coisas.”A4
”Acho que sim (é importante) Há muita gente cega que não participa, que nos laboratórios pronto, enfim. Desistem mesmo. Isto é como tudo, é por causa do professor, há professores assim e há professores que não são assim”A6
”Toda a gente sabe que a Química o que tem de melhor é o laboratório o que ela tem de melhor eu não consigo dar porque não há material laboratório específico para cegos a não ser que inventem um Erlenmeyer com o portanto a escala em Braille, também pode ser, era útil, porque ele nunca na vida vai poder fazer na experiência. Ácidos fortes, ele pode entornar. A cozinha é a Química. Se fizessem material com medições em Braille e os frascos, todo o material podia estar em Braille.” P1
Um dos professores fez questão de realçar que a importância é grande para todos os alunos, sejam cegos ou não, conforme se pode ver na seguinte transcrição:
”É a importância que tem para os outros, não estou a ver grande diferença. O uso de laboratório é mais complicado porque é preciso mostrar-lhe, os outros têm que ter cuidado mas ele tem que ter mais cuidado. O nosso laboratório também não é um laboratório perigoso, só tem as bancadas. O gás em cima das bancadas está fechado. É um laboratório simples. Os ingredientes não estão expostos. Um laboratório é igual para um cego como para todos os outros, no sentido de aprendizagem.”P5
” Integrar os alunos, eu acho que sim. E depois se lhe explicasse, a gente escrevia o que ele estava a dizer, mas há experiências, a parte da Química, muitas vezes é visual, que não há hipóteses, é complicado.”P9
Um professor e um aluno classificaram-nas como nada importantes conforme se pode ver no exemplo seguinte:
”Sei lá, acho que sim para quem vê, para quem não vê não servem para nada a menos que ajudem não é?”A1
Dois alunos e um professor referiram que na sua opinião estas atividades seriam pouco importantes, uma vez que os alunos têm dificuldades em participar ativamente conforme se pode ver nas seguintes declarações:
”Não tem (importância). Para um aluno cego não tem. Realizei em termos de material de laboratório, uma pessoa põe o material a frente e ele consegue com as mãos ver o material e identificar agora em termos de reações Químicas por mais que lhe diga, ocorreu isto ou aquilo é uma coisa tão abstrata que não vendo é impossível. A Química oferece dificuldades diferentes. Visualização principalmente. É muito difícil para um aluno destes manusear os materiais do laboratório. Muito complicado. O reforço poderá por vezes treinar e por vezes experimentar, observar ele nunca observa. Pode realizar, não observa o professor poderá explicar “ocorreu isto”. Observação é necessária numa atividade experimental”P2
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”Uhmm, pouco. Porque envolvia muita visão e muita experiencia também, visão e não sei se também envolvia tato. Porque envolvia mais visão, menos toque, menos tato, sobretudo tato. Porque audição ouvia, ouvia a explicação da professora e ouvia algumas das vezes o barulho da água, e às vezes também cheirava.”A7
”Nem por isso. Não. Mesmo que pegasse aquilo nunca poderia ver aquilo, cheirar sim. Mas é muito complicado”A8
O professor P1 pensa que a parte laboratorial pode ser a mais aliciante para os alunos, no entanto esta coloca problemas aos mesmos, como o perigo e falta de materiais adaptados. O professor P7 referiu que estas atividades foram importantes para motivar o aluno. Também o professor P8 refere que o aluno cego gostava muito de participar nas aulas práticas e por isso, o professor de CFQ considera-as muito importante. O professor P9 refere que as atividades são importantes para o aluno cego por uma questão de integração, já que, segundo o professor o aluno deve participar em tudo como os alunos normovisuais. No entanto refere que em alguns casos é muito difícil fazer estas atividades com um aluno cego
O professor P2 refere que as aulas laboratoriais não são importantes para o aluno cego, uma vez que, os conceitos são abstratos e é necessária a visão o que mostra falta de conhecimento das capacidades do aluno cego e ao mesmo tempo falta de conhecimento das adaptações que se podem fazer no laboratório para os alunos cegos em termos de materiais e dispositivos tecnológicos.
O aluno A1 refere que as aulas de laboratório não têm utilidade para o aluno cego se este não for apoiado. O aluno A6 refere que o laboratório é importante mas que o papel do professor é decisivo na realização destas atividades. Referiu que só no 9º ano de escolaridade é que realizou atividades laboratoriais uma vez que os seus professores anteriores não realizaram este tipo de atividades.
O aluno A7 pensa que estas atividades são pouco importantes para o aluno cego porque se suportam muito na visão. Também o aluno A8 é da mesma opinião porque nunca vai poder participar ativamente nelas. Esta opinião mostra que também o aluno cego tem pouca confiança nas suas capacidades e esta situação é devida talvez ao facto de ser colocado a realizar atividades que não estão adaptadas às suas necessidades.
Todos os outros alunos reconhecem de alguma forma importância nas aulas práticas de CFQ. O aluno A2 referiu que pensa que as atividades laboratoriais são importantíssimas. O aluno A3 referiu que as atividades laboratoriais são importantes. No entanto, acrescentou o facto de o aluno ter alguma memória visual ajudou o aluno
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nas aulas laboratoriais. O aluno A4 referiu que as atividades laboratoriais ajudam o aluno a perceber melhor o funcionamento das coisas.