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Allment om tilrådingane

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Todos os alunos foram questionados quanto à profissão que gostariam de ter no futuro. Registando-se os seus desejos na tabela 32. Conforme se pode analisar, nenhum dos alunos demonstra vontade em ter uma profissão relacionada com as ciências.

Tabela 32: Profissões desejadas pelos alunos cegos

N=8 Profissões/Áreas A1 A2 A3 A4 A5 A6 A7 A8 História e Geografia - - - X Tradução simultânea - - - X - Webdesiner ou telefonista - - - X - - Rececionista - - - - X - - - Humanidades/Letras X - X X - - - - Comunicação Social - X - - - -

Apenas um dos alunos referiu que gostaria de ser web designer, área relacionada com informática, que poderá estar próximo de uma área científica.

“Eu, eu gostava de, sempre tive ligado à área de informática. Como webdesigner, pronto, partes de informática mesmo. Ou telefonista no caso.”A6

“É assim, eu gostava de tirar um curso de rececionista. Trabalhar com computadores.”A5.

De seguida, deixam-se algumas transcrições que ilustram estas vontades de prosseguir carreiras ligada às humanidades e ciências sociais:

“Eu, eu gostava de, sempre tive ligado à área de informática. Como webdesigner, pronto, partes de informática mesmo. Ou telefonista no caso.”A6

“É assim, eu gostava de tirar um curso de rececionista. Trabalhar com computadores.”A5.

Quando os alunos não referiram profissões relacionadas com as ciências foram questionados de consideraram alguma vez uma carreira científica e se sim qual seria. Quatro dos oito alunos entrevistados nunca consideraram uma carreira científica enquanto outros quatro já haviam considerado essa possibilidade. Os alunos que nunca consideraram a escolha de uma carreira científica, foi pelas dificuldades sentidas na matemática. A título de exemplo um dos alunos referiu:

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“Ciências e Engenharia têm matemática. Se têm matemática, nem pensar” A8

Alguns alunos consideraram ser médicos e outro técnico de eletrónica. Mudaram de ideias porque achavam que a falta de visão iria ser uma limitação no exercício da profissão

Os alunos cegos foram ainda questionados se tinham conhecimento de alguma pessoa cega com uma carreira ligada às ciências ou engenharia. Quatro alunos cegos referiram conhecer alguém cego com uma carreira científica. Em caso afirmativo averiguou-se o que conheciam do seu trabalho. No entanto os alunos deram repostas evasivas como as seguintes:

“Conheço de ouvir falar nele. É um professor de matemática só que tem problemas de cegueira não perguntei como é que ficou a gostar de aquilo, não sei, aquilo não tem nada de interessante” A8

“Eu conheço um professor, quer dizer, eu acho que já está reformado, mas havia um professora que era o José, chamava-se José, que era de Chaves também, pronto, ele também estava ligado a essa área. Era de FQ também. Agora não me lembro se era FQ ou Ciências Naturais. “A6

“Só ouvi falar de um mas ainda não começou. Mas ela ainda anda no secundário. É aquela de Lisboa, por causa do cão. Aquela menina que recebeu o cão agora. Que deu na televisão, tal Sofia”A4

Também foi perguntado aos professores de CFQ a sua opinião acerca de um aluno cego prosseguir estudos numa área de ciências. Seis dos 11 professores de CFQ referiram que seria possível um aluno cego prosseguir estudos numa área científica. Cinco dos professores disseram que sim mas com algumas reservas. A dificuldade em dizer que sim está relacionada com as dificuldades dos alunos na área da matemática, o facto de precisarem de visão para realizar algumas tarefas ou porque pensam que o ensino não está preparado para assegurar as necessidades dos alunos. Assim sendo aqui ficam alguns exemplos de resposta:

“vê licenciados cegos na área das ciências? De ciências há? De certeza. Por esse mundo fora, por isso eu acredito que sim. Isto é tão bonito, tão apelativo que eu acho que sim, agora...o problema não é esse, o problema é que nós infelizmente não apostamos muito nisso e se calhar também não há software nem nada de apoios para esses alunos.”P9 “as vezes sou preconceituosa, porque a Ana, sempre que é laboratório a Ana delira mas, a Ana já me disse que queria ser Eng. Química, agora electricista, sempre que faz ela gosta e acha que é fácil, como é que a Ana poderá ser Eng. Química se ela a matemática ela tem as lacunas que tem. É mais pela matemática. Diz que quer ser técnica de electrónica, é mais sofisticado que electricista é possível? Se for possível eu acho óptimo, porque ela deve ser o que ela quer, como os outros, eu não sei se é possível, eu acho que como todos nos sabemos, os alunos cegos têm limitações não é? A nível de visão, é disso que eu estou a falar e por isso há coisas que eles não vão poder fazer mas é preconceito meu, não sei. Adorava que fosse, não sei se a vou encorajar, se a vou enganar, não quero. Quero que ela seja dentro do que for possível e não sei. Amanhã quer ser outra coisa mas ela gosta de ciências.”P8

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“Por essa minha experiência eu acho que um curso com uma componente experimental eu vejo com dificuldade, embora por exemplo, um curso de artes prático, humanidades, ela tem acesso a muita documentação já. Não acho tão fácil para ela, mas não sei. Sim, sim, acho que é um desafio maior e exige um tipo de capacidades, capacidade de excelência maior por parte da criança.”P6

“É. É possível, com muita dificuldade, vai ter, vai ter alguns capítulos, algumas matérias em que eu não estou a ver como é que se poderá ultrapassar isso mas, é claro que acho, acho eu, que a esse nível há muito a desenvolver, a incluir e deveriam começar a dar formação aos professores.”P4

“Complicado. Eles? Muito complicado. Em termos matemáticos e Física e Química, manuseamento de materiais, em termos de matemática são as expressões matemáticas que são complicadas para os alunos, mas seria mais complicado a FQ. Em termos de engenharia, evidentemente que os problemas práticos não poderiam fazer nada, seria em termos de escritório. Não sei, mas a minha opinião é complicado.”P2

Um dos professores referiu que os alunos cegos não prosseguem estudos na área científica porque são conduzidos a seguir humanidades emitindo assim a sua opinião:

“São conduzidos pela sociedade e pelo governo. Pelos governos que não apostaram nestas. Se não dão, se eles não têm os meios não vale a pena estarem a tentarem ir para ali, será que as faculdades todas têm as mesmas, se calhar a Universidade do Minho têm, será que Vila Real tem as mesmas condições que a FEUP? Se calhar seria incapaz de considerar um invisual, e depois há uns números clausula de alunos que entram para o ensino superior que têm NEE, chegam lá mas que têm estes problemas de ou serem invisuais ou auditivos, físicos, mas depois lá dentro será que têm as condições? Eu aqui não vejo muitos cegos a trabalhar, vejo com défice cognitivo, muita gente, mas não vejo cegos, é muito raro.”P10

Em Portugal, os alunos cegos, são principalmente encaminhados para as áreas das humanidades e da música quando prosseguem estudos no Ensino Superior, tal como referiu P10, parecendo continuar a existir a ideia que os deficientes visuais não têm capacidade para aprender ciências e consequentemente prosseguir estudos nas áreas científicas. Esta ideia constitui uma barreira ao conhecimento já que a Química ajuda o Homem conhecer os fenómenos que o rodeiam aumentando assim, a sua consciência sobre o mundo (Pereira et al, 2009).

Como já foi referido as ciências oferecem obstáculos aos alunos cegos que por vezes são difíceis de transpor como a falta de materiais adaptados e conceitos muito dependentes da visão(Becck-Winchatz & Riccobono, 2007; Kumar & Stefanich, 2001 b). Para além disso, os pais e professores dos alunos cegos têm normalmente baixas expectativas quanto ao sucesso dos alunos nas disciplinas científicas (Becck-Winchatz & Riccobono, 2007, Sahin & Yorek, 2009). Assim, como os participantes no estudo que acreditam que um aluno pode prosseguir estudos numa área científica mas ao mesmo tempo partilharam os seus receios e dúvidas quanto ao sucesso dos alunos. A maior parte dos professores e alunos não tinha conhecimentos quanto à existências de cientistas cegos. A falta de modelos pode levar a que se pense que não é possível existir

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esta realidade. Tal como defende Supalo em diversos estudos algumas mudanças nas escolas como adaptações que tornam o laboratório de ciências acessível aos alunos cegos podem levar os alunos a gostarem de ciências, a prosseguir estudos em áreas científica e mais tarde terem carreiras nas áreas de ciências. A participação ativa dos alunos cegos na ciência leva a uma atitude mais positiva do aluno cego face à ciência e às expectativas dos professores podem ser maiores e assim aumentar o número de alunos cegos no ensino superior na área das ciências (Supalo & Mallouk, 2008 Supalo et al, 2009).

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