7. KONKLUSJON
7.1 A SPEKTER FOR VIDERE FORSKNING
Como anteriormente foi verificada, por algumas tentativas apresentadas de conceituação sobre o design industrial, pela ascensão da complexidade dos fenômenos socioculturais e técnico- econômicos, a atividade de projetar produtos tem aumentado proporcionalmente seu grau de responsabilidades, seja no campo da legislação ou do consumidor, quer seja do emprego da tecnologia, da ética, dentro outros aspectos.
A quantidade de informações e o domínio de conhecimentos exigidos extrapola o universo de uma única área ainda que determinados projetos, pelo nível de complexidade envolvida, sejam idealizados de modo individual, de modo bastante intuitivo e subjetivo. Isso parece ter existido desde os primórdios do processo de industrialização. Por essa razão, na literatura do design industrial, aparecem as inúmeras personalidades que marcaram determinados estilos, perfis, períodos ou tendências. O talento pessoal, particular e individual torna-se importante, principalmente, em projetos de baixa e média complexidade como é o caso de mobiliários, iluminação, utensílios, eletrodomésticos e outros, mas à medida que a complexidade do projeto aumenta o trabalho em equipe multidisciplinar se torna imprescindível.
Por outro lado, herdou-se um modelo cartesiano de pensamento científico que permanece na práxis de várias formações profissionais privilegiando a separação dos conhecimentos e o isolamento das áreas. Mas, percebe-se que esse modelo não atende aos novos tempos. Todavia, as áreas ainda estão despertando e têm passado pelo processo de construção de seus novos modos de atuação multi, inter, pluri ou transdisciplinar.
Destarte, os profissionais com conhecimento mercadológico, os engenheiros, os físicos, ou aqueles conhecedores do comportamento humano como antropólogos, psicólogos e sociólogos, dentre outros vinculados às diversas ciências, deverão estar integrados nas equipes de projeto e de desenvolvimento de produtos, uma vez que estarão fortalecendo a retirada do subjetivismo e da intuição individual, pulverizando as responsabilidades específicas ou técnicas entre cada envolvido, identifica Heskett (2008).
Muitas vezes, até mesmo temáticas identificadas por baixa complexidade escondem “armadilhas” cujos conhecimentos agregados de outras áreas seriam mais bem resolvidos com a inserção da atuação integrada e multidisciplinar das ciências básicas ou aplicadas, como ilustra a Figura 58.
Desde o início do século XX, os artefatos foram assumindo níveis de complexidade cada vez maiores por causa da evolução da modernidade, devido aos avanços tecnológicos, por exemplo, não somente por isso, mas obrigando aos designers industriais a contextualização dos artefatos dentro de cadeias e redes amplas, algo que Heskett (2008) classificou por sistemas. São os casos, por exemplo, dos sistemas de transporte, de telecomunicação, de modularidade, de bancos, dentre outros, e, nesse sentido, a exigência máxima de atuar em equipes multidisciplinares, uma vez que seria humana e profissionalmente impossível dominar a complexidade e ecletividade dos assuntos e dos sistemas envolvidos durante os projetos.
Figura 58: Dinâmica do processo de desenvolvimento técnico e científico
Fonte: Bunge (1980) apud NOJIMA (1997).
Um sistema pode ser definido como um grupo de elementos que interagem entre si, se interrelaciona ou são interdependentes e que formam, ou podem formar, uma entidade coletiva. HESKETT (2008, p.105).
Desse modo, a área projetual, em especial a de desenvolvimento de produtos, inerentemente se configura como interdisciplinar. Assim, principalmente os engenheiros e designers industriais precisam atuar integradamente.
Barroso Neto (1982), embora tenha produzido, há mais de três décadas, uma classificação acerca dos níveis de complexidade tecnológica envolvendo o desenvolvimento de produtos de modo integrado, ou seja, se para alguns aspectos a classificação encontra-se defasada, para outros permanece, no mínimo, ilustrativa. Naquela época, Barroso Neto não vislumbrou os produtos com necessidades da contemporaneidade como as de cunho high tech tais como todos aqueles produtos que utilizam chips e microchips eletrônicos além das novas aplicações com tecnologias digitais ou virtuais, amplamente empregadas em grande parte dos seguimentos industriais na atualidade, vide o Quadro 10.
Quadro 10: Grau de Complexidade Tecnológica.
Grau de Complexidade Tecnológica
Baixa Média Alta
Exemplos Artefatos de couro; Vestuário e acessórios; Cutelaria e talheres; Louças e ferragens; Mobiliário doméstico; Brinquedos; Embalagens.
Componentes para construção; Estandes e divisórias; Utilidades domésticas; Equipamentos de mobiliário urbano;
Mobiliário técnico-profissional; Equipamentos de uso público;
Instrumentos musicais; Embalagens de segurança; Sistemas e equipamentos de Instrumentos ópticos; Equipamentos médico-hospitalares; Equipamentos de laboratório; Veículos e acessórios de transporte;
Veículos e acessórios de carga; Máquinas e implementos agrícolas;
Máquinas e ferramentas; Máquinas seriadas.
Filosofia
Ciência Básica Ciência Aplicada
Produção Circulação Serviço Técnica Ideologia Cosmovisão Problemas Teorias Problemas Instrumental Conhecimentos
Valores Fins Meios
Conhecimentos
Problemas Projetos
Planos
sinalização; Eletrodomésticos.
Características Trabalho individual e
personalizado Equipe mista Atuação multi e interdisciplinar
Fonte: Adaptado de Barroso Neto (1982).
Segundo este mesmo autor, a Baixa Complexidade Tecnológica se manifesta quando o projetista pode resolver individualmente a maioria dos problemas, chegando até ao projeto de um novo produto ou artefato industrial. A Média Complexidade Tecnológica, por sua vez, configura-se quando há uma exigência ao apelo aos profissionais de outras áreas para resolução de problemas específicos não incluídos em sua esfera de competência. E, em último estágio, a Alta Complexidade
Tecnológica caracteriza-se quando o projetista pode participar na resolução de apenas alguns
componentes do produto e de forma mais ampla na abordagem conceitual e metodológica, Barroso Neto (1982).
Além disso, o quadro de Barroso Neto (1982), intitulado Grau de Complexidade Tecnológica peca quando “engessa”, situando os produtos e os artefatos industriais, exclusivamente, em apenas um bloco quando, em verdade, pode estar oscilante entre os grupos de baixa, de média ou de alta complexidade tecnológica, de acordo com demais variantes e fatores: uma embalagem, pode fazer parte de qualquer um dos três níveis.
Neves (2009) ao abordar as questões interdisciplinares, ou seja, de interação entre as disciplinas ou entre as áreas do conhecimento humano empresta a Figura 59, extraída de Japiassú (1976), para que se façam algumas reflexões nesse momento.
Figura 59: Grau de interação entre as disciplinas
Fonte: Neves (2009); adaptada de Japiassú (1976).
A Figura 59, denominada de Grau de interação entre as disciplinas embora apresente uma linearidade esquemática, não implica que os fenômenos são encarados dessa forma. Isso quer ajudar apenas a compreender que as interações possuem ou mudam de níveis e até mesmo de hierarquias ou de profundidade de transformações como ilustra a Figura 60, também emprestada de Neves (2009) e de Japiassú (1976).
Figura 60: Definições de multi, pluri, inter e transdisciplinaridade.
Fonte: Neves (2009); adaptada de Japiassú (1976).
Uma classificação similar foi encontrada em Vasconcelos (2002). A diferença é que este autor acrescenta a forma pluri-auxiliar como sendo “a utilização de contribuições de um ou mais campos de saber para o domínio de um deles já existente, que se posiciona como campo receptor e coordenador dos demais; tendência ao imperialismo epistemológico”, Vasconcelos (2002, p.112), conforme a Figura 61.
Figura 61: Representação esquemática do modo pluri-auxiliar.
Fonte: Vasconcelos (2002)
O que seria um aspecto peculiar e vantajoso na área projetual levantado por alguns autores, o fato de ser, essencialmente, interdisciplinar, Bonsiepe (2011) alerta que pode ser um problema, pois por esse mesmo motivo, de estar um pouco e ao mesmo tempo em áreas distintas (humanas, artes e tecnologia), não possui um enquadramento científico e epistemológico tradicional do conhecimento de outras áreas melhores definidas. Destarte, por não pertencer aos requisitos formais da academia passa por “sofrimentos”, termo usado por Bonsiepe (2011), que prejudicaram a construção da sua teoria e da sua pesquisa enquanto área do conhecimento humano.
Outras formas de classificação ou de entendimento sobre as manifestações interdisciplinares foram apresentadas no Quadro 11 a partir das informações destacadas por Neves (2009).
Quadro 11: Outras formas de interdisciplinaridade. Tipo de
Interdisciplinaridade Conceituação
Interdisciplinaridade
heterogênea Quando ocorre o processo somatório de informações advindas de diferentes disciplinas;
Pseudo-
interdisciplinaridade Quando há união em torno de diversas tentativas de utilização de instrumentos conceituais e de análise para trabalhar em disciplinas muito diferentes entre si;
Interdisciplinaridade
auxiliar Quando uma disciplina recorre ocasionalmente ou de modo duradouro ao uso de metodologias de pesquisa próprias de outras áreas do conhecimento.
Interdisciplinaridade
compósita Quando se trata de solucionar complexos problemas sociais, reunindo várias especialidades, propondo a intervenção de equipes de especialistas de múltiplas disciplinas, cada uma dando a sua contribuição, mas resguardando a autonomia e a integridade de seus métodos;
Interdisciplinaridade
unificadora Quando ocorre a fusão a partir da integração de duas ou mais disciplinas, devido a proximidade bastante estreita do domínio de conhecimento e de uma metodologia de pesquisa.
Fonte: Adaptação de Neves (2009)
Esse é um problema corrente e atual na formação dos cursos de nível superior do país. No âmbito da área projetual os cursos, com raras exceções, apresentam uma estrutura curricular onde privilegia e proporciona um ambiente para a multi, pluri, inter ou transdisciplinaridade dentro do próprio curso, do mesmo departamento ou com outros da mesma instituição de ensino. Aquelas instituições de ensino que já ultrapassaram esta barreira sequer denominam “grade curricular” e, sim, “matriz curricular” ou outra denominação que associe a flexibilização, por entender que o termo “grade” transmite a impressão de algo fechado, imutável, sem relações e interferências outras ou externas.
O próprio Christopher Alexander, grande influenciador dos métodos projetuais, quando afirmava nos anos de 1950 e 1960 que a complexidade havia aumentado no mundo e, consequentemente, nos projetos dos produtos, conforme Bürdek (2010) quis dizer exatamente isso. Dificilmente, dentro da nova perspectiva mundial, área alguma pode ter a presunção de se sustentar sozinha ou isoladamente, principalmente, pela interligação e conexões entre os fenômenos da atualidade. A autossuficiência não cabe nas estruturas sociais, culturais, tecnológicas ou econômicas atuais e do futuro. A isto se inclui também a educação, em especial a educação projetual.
A abordagem interdisciplinar no design industrial não é uma tendência nova. Segundo Bonsiepe (2011) foi Tomás Maldonado que, na década de 1960, atribuiu o termo interdisciplinaridade, ao conjunto de eventos na Escola de Ulm, entre a realização de cursos e palestras com inúmeros profissionais convidados com formações diversificadas.
A questão reside no fato da área do design industrial, pelo menos no Brasil, geralmente, conduzida por artistas e arquitetos, ter se permitido acreditar que seria autossuficiente e não precisaria dos contributos das áreas tecnológicas ou das ciências exatas, por exemplo.
Fontoura (2011) também estabelece reflexões sobre a interdisciplinaridade do ensino no
design ao citar autores e pensadores como Behrens (2000), Capra (2001), Couto (1997), Fazenda
(1979, 1999), Gasset (1946), Instituto Paulo Freire (2011), Japiassu (1976), Morin (2002), Petraglia (1993) e Piaget (1973) tecendo uma linha de raciocínio na busca da compreensão do termo, da sua implementação e das barreiras nas áreas, em especial, no design. Para isso, na busca da promoção pela interdisciplinaridade sugere o autor atentar para os seguintes aspectos:
- legais – entre elas, as Diretrizes Curriculares Nacionais (CNE Res.
nº05/2004), cargas horárias mínimas, integralização e duração de cursos (CNE Res. nº02/2007) e as determinações compulsórias de mudança de denominação dos bacharelados em Design (2010);
- estruturais – a inadequação de instalações, os acervos bibliográficos
insuficientes, a falta de laboratórios e oficinas e o acesso limitado às novas tecnologias de produção e educacionais;
- econômico-financeiras – as dificuldades na manutenção financeira do
sistema educacional, a não priorização e a falta de investimentos na área;
- de recursos humanos – a formação docente deficitária e a falta de
incentivo institucional a sua qualificação (5), as baixas remunerações e falta de planos de carreira, a relação professor/aluno inadequada e o preparo dos alunos ingressantes aquém do desejado para o ensino superior;
- acadêmico-administrativas – as organizações curriculares rígidas,
hierárquicas e com pré-requisitos, a oferta restrita de disciplinas nos sistemas e o predomínio de uma visão ainda conflituosa entre a promoção de produções teóricas e práticas nas escolas de Design; e
- contextuais – a falta de integração entre o mundo acadêmico e o
profissional. FONTOURA (2011, p.93-4)
Quanto ao fato da proximidade entre o design industrial e as engenharias Romer (2007) esclarece que, embora, ambas sejam disciplinas projetuais há uma diferença sutil entre elas: a primeira, mais qualitativa “visa aos fenômenos de uso e da funcionalidade de uso focando a integração de artefatos à cultura cotidiana”, Romer (2007, p.34); a segunda, “em suas diversas categorias visa ao conceito de eficiência física, acessível aos métodos das exatas, é quantitativa” (Idem),
Petroski (2008) estabelece algumas conceituações básicas sobre a engenharia:
[...] é a arte de rearranjar materiais e forças da natureza; [...] é um processo humano fundamental, que tem sido praticado desde os primórdios da civilização; [...] faz o projeto e o desenvolvimento de coisas que ainda não existem ou não estão disponíveis de forma adequada; é a arte do compromisso e sempre cabem melhorias no mundo real; [...] é também a arte da praticidade e os engenheiros sabem quando devem finalizar seus projetos para começar a fabricar ou construir. PETROSKI (2008, p.3-8). Cocian (s.d) contextualiza a engenharia do século XX e XXI classificando-a e desdobrando-a nas seguintes áreas de atuação: i) Engenharia de Agricultura (Agrícola e Agronômica); ii) Engenharia Ambiental; iii) Engenharia Biomédica (Eletromédica, Clínica, Biomecânica, Bioinformática, Bioengenharia); iv) Engenharia Civil (de Transportes, Cartográfica, de Estruturas, Oceanográfica, Sanitária, de Construção, Geotécnica, de Urbanização, de Fortificações); v) Engenharia Elétrica (Eletrônica, Eletromecânica, Mecatrônica, de Computadores hardware e software, Telemática, de Telecomunicações, de Automação e de Controle de Processos, Eletrotécnica, de Sistemas de Energia, Nuclear); vi) Engenharia Industrial (de Manufatura, de Produção); vii) Engenharia de Materiais (de Cerâmicas, de Madeiras, de Plásticos, Metalúrgica, de Minas, de Petróleo, Geológica); viii) Engenharia Mecânica (Automotiva, Aeroespacial, Aeronáutica, Naval); e, ix) Engenharia Química (de Alimentos, Têxtil, Bioquímica).
Bonsiepe (1997) citado por Romer (2007) encara como positiva a sugestão que a engenharia ao se aproximar do universo do design industrial poderia vencer o isolamento tecnológico
industrial que está imersa. Isso aponta também para o fato daqueles segmentos ou vertentes das áreas mais “duras” terem adotado em algum momento do passado a política da autossuficiência.
Dentre as Engenharias, retirando-se as exceções pontuais verificadas em contextos de implantação dos cursos, a que mais se aproxima de uma abordagem interdisciplinar, pela sua própria essência e construção do conceito é a Engenharia de Produção. Sem retirar-se a necessidade interdisciplinar implícita das demais engenharias, mas é na Engenharia de Produção, que se tem visto, no Brasil, um terreno mais apropriado e fértil para as inserções transdisciplinares estabelecidas por Neves (2009). Segundo a definição da Engenharia de Produção de Fleury (2008), em capítulo de livro organizado por Batalha (2008), pode-se verificar essa predisposição:
Trata do projeto, aperfeiçoamento e implantação de sistemas integrados de pessoas, materiais, informações, equipamentos e energia, para a produção de bens e serviços, de maneira econômica, respeitando os preceitos éticos e culturais, Batalha (2008, p.01).
Miguel et al (2010) exemplificam esquematizando com a Figura 62 o que a definição da Engenharia de Produção significa na prática.
Figura 62: O ciclo de produção de bens e serviços.
Fonte: Miguel et al (2010)
Nesse sentido, os autores Miguel et al (2010) demonstram como se dá o ciclo da produção do conhecimento na engenharia de produção, como ilustra a Figura 63.
Corroborando com Neves (2009), os tempos são outros. A área projetual necessita atuar de maneira transdisciplinar com outras áreas. A atividade de desenvolvimento de produtos e de artefatos industriais engloba questões pertinentes a várias ciências e campos do saber. Dependendo do problema projetual a ser resolvido, não necessariamente, permite-se apenas as engenharias com responsabilização técnica ou a publicidade com a contribuição mercadológica, mas outras áreas podem ser convidadas à projetação como a administração, a física, a pedagogia, a química, a fisioterapia, a veterinária, a medicina e, assim, por diante.
Tecnologia Métodos Transformação Escolha Materiais Equipamentos Energia Pessoas Informações Bens Serviços Critérios de desempenho Valor Mercado Avaliação e aperfeiçoamento
Figura 63: O ciclo da produção de novos conhecimentos na Engenharia de Produção.
Fonte: Miguel et al (2010)
Quando se propõe uma abordagem interdisciplinar, de forma alguma se está sugerindo a criação de uma ciência única, ou o abandono dos métodos próprios a cada ciência, o que se sugere é o reconhecimento de uma realidade complexa que, para ser entendida precisa se assumir uma visão holística de ciência. NEVES (2009, p.62).
Essa interação entre profissionais distintos, em busca da solução de problemas materiais, tem ocorrido com maior frequência no mundo do trabalho em algumas empresas, mas sem preparação qualificada anterior e repleta de “ruídos”. No entanto, acredita-se que essa prática deva ser treinada, inicialmente, durante a formação acadêmica, entre os acadêmicos de cursos diferentes, pois assim o crescimento intelecto-criativo será imensamente superior.
Como se vê, é tarefa das instituições de ensino estar alerta para o desafio da complexidade, que promove a integração das ciências, fazendo nascer as multi, inter e transdiciplinaridades. É preciso incitar os estudiosos do país à busca das teorias unificadoras. Cabe à universidade o desafio da colocação do homem como sujeito no processo globalizante, levando a considerar as ciências humanas na idealização do objeto tecnológico. Cabe ainda à universidade preparar-se para o desafio das mudanças, que determinam novas exigências históricas mundiais. NOJIMA (1997, p.73).
Bomfim (1978), em sua dissertação de mestrado, àquela época, já vislumbrava a interdisciplinaridade e integração do design industrial com outras áreas associadas à tecnologia e ao desenvolvimento de projetos, vide Figura 64. Tanto que esse estudo forneceu a base para a criação do currículo do curso de design industrial, da Universidade Federal de Campina Grande, e sua referida implantação no seio da área da tecnologia, conforme mencionado, anteriormente, no item
2.1.3 O caso do ensino em design industrial no Brasil.
Metodologia de Pesquisa Métodos Transformação Escolha Conhecimento Informações Equipamentos Recursos Novos conhecimentos Tese Dissertação Artigo Outros Critérios de enquadramento Valor Mercado Epistemiologia Criatividade Intuição Bom senso
Figura 64: Modelo de integração por intermédio do Desenvolvimento do Projeto
Fonte: Adaptado de Bomfim (1978)
Um estudo relevante na linha de aproximar áreas multidisciplinares foi publicado por Driver, Peralta e Moultrie (2011). No referido trabalho os autores relatam uma experiência acadêmica britânica entre a inserção dos designers industriais e cientistas pesquisadores das áreas da medicina, da bioquímica e da moda, durante o desenvolvimento de uma máscara de oxigênio, um sistema de manuseio de fluidos para testes em laboratório e a fabricação de um protótipo para aplicação na moda a partir de materiais multiestáveis.
Inicialmente, foi feita uma revisão teórica seguida da aplicação de instrumentos como entrevistas e do relato dos três estudos de caso. Os resultados foram surpreendentes quanto ao nível de contribuição que os designers industriais podem dar às outras áreas e outros profissionais. Os autores deram destaque ainda às potenciais barreiras e capacidades para essa colaboração. Além do auxílio à comercialização da tecnologia comprovou-se um impacto causado pelos designers industriais na investigação científica bem como quando inseridos mais cedo no processo podem melhorar a comunicação e a exploração de futuras aplicações.
Para Schneider (2010) existe um rigor metodológico natural na práxis do designer industrial: O fato de aprender a sistematizar as diversas variáveis envolvidas nos projetos e de percorrer os processos de modo controlado lhes concebe uma disciplina interna que favorece a comunicação entre áreas e saberes diferentes:
[...] Essa complexidade projetual está em seu objeto e em sua constituição interdisciplinar e transdisciplinar. Uma rede de muitas disciplinas científicas, das áreas das ciências humanas, sociais e da engenharia, disciplinas da indústria, comércio, administração e cultura, bem como a complexa multiplicidade de usuários, participam do processo projetual e da resolução comum de tarefas. A transdisciplinaridade requer comunicação e exige do desenho industral, sobretudo, uma disciplinaridade própria com respeito à precisão conceitual e ao rigor metodológico.” SCHNEIDER (2010, p.266)
Outro estudo bastante sintonizado com esta temática e a interação entre designers industriais e engenheiros foi publicado por Pei, Campbell e Evans (2010). Na pesquisa, os autores desenvolveram instrumentos metodológicos que facilitam a interação, a comunicação e a criação do conhecimento multidisciplinar compartilhado entre os designers industriais e os engenheiros durante o
Desenvolvimento de Novos Produtos (DPN), expressão mencionada pelos referidos autores.