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3 Building a pilot website for the Arctic Nature Index

3.1 Spatial areas

como sistemas abstratos inclusivos de toda a informação” (2010, p.58).

 

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No livro, este padrão é identificado com dois asteriscos (**). Esta convenção é utilizada por Alexander para aferir um valor ao padrão desenvolvido, no que se propunha a capturar as propriedades invariáveis de um problema. A nota anterior cita as críticas de G. Teyssot a este posicionamento. Segue a explicação do autor: “Nos padrões marcados com [**], acreditamos que tivemos sucesso ao definir uma verdadeira invariante […] uma propriedade comum a todas as maneira possíveis de resolver o problema apresentado. […] em tais casos o padrão descreva uma propriedade profunda e inevitável de um ambiente bem formado.” (Ibid, p.xvii)

você se sente dentro dela. Se a transição é abrupta demais, não há a sensação de chegada e o interior da edificação não consegue ser um espaço sagrado e protegido” (Ibid, p.549).

Quando as pessoas estão na rua, elas adotam uma espécie de ‘comportamento de rua’. Quando entram em casa, elas naturalmente querem se livrar deste ‘comportamento de rua’ e se adaptar completamente ao espírito mais íntimo apropriado a um lar. Contudo, parece provável que elas não conseguem fazê-lo se inexistir uma transição entre as duas esferas, a qual ajuda as pessoas a se livrar deste comportamento público. A transição deve efetivamente destruir o momento de introspecção, tensão e ‘distância’ adequado ao comportamento da rua antes que as pessoas consigam relaxar completamente (ALEXANDER et al, 2013, p.549-550).

Aos espaços de transição estão associados padrões de demarcações de entrada e famílias de entradas, em que se destacam as principais entradas. Nesta leitura, as unidades urbanas, em seus vários níveis, são tidas como identificáveis e definidas a partir da demarcação de suas entradas. Estas são percebidas em conjunto com os limites entre elementos da cidade58. A função destas entradas seria a de “marcar o ponto onde uma via cruza uma fronteira e ajudar na preservação dos limites” (Ibid, p.278). Seguindo este raciocínio, Alexander et al. afirmam que as entradas demarcadas passam a pertencer à categoria de entidades concretas, sendo que a recomendação para projeto é que transmitam e enfatizem a sensação de transição, se configurando como “ponto de partida para a circulação de pedestres” (Ibid, p.280). O padrão ainda está vinculado aos níveis legíveis de

      

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O entendimento de que os “limites geralmente estão na mente das pessoas” (Ibid, p.278) e que demarcações são formas de sinalização evidenciam uma aproximação com a leitura de K. Lynch.

circulação, que destacam a importância da orientação espacial e do ambiente legível: “bom ambiente é aquele fácil de entender, que não exige a atenção consciente” (Ibid, p.482). Os autores postulam a necessidade de um sistema hierárquico de níveis espaciais, ressaltando que cada nível deve ter sua consistência psicológica. Tendo em vista a relação entre público e privado, Alexander et al utilizam o conceito de gradiente de intimidade para sugerir que a distribuição dos espaços de um programa arquitetônico deveria ser proposta em “uma sequência que corresponda a seus graus de privacidade” (Ibid, p.610), de modo a evitar qualquer incômodo. Resumidamente, uma concepção hierárquica do arranjo dos ambientes de maior ou menor privacidade, que presume ainda um formalismo no convívio social que deveria ser, então, observado em projeto. O objetivo seria o de propiciar, neste arranjo em gradiente, “todas as sutilezas de interação social possíveis em uma edificação” (Ibid, p.610).

Estão associados uma série de outros padrões a este ambiente de entrada que se configura como espaço de transição, padrões claramente relacionados com a paisagem, com o sítio onde a arquitetura está implantada, como componentes de uma hierarquia de espaços abertos. O projeto poderá definir estes espaços intermediários sob a forma de um jardim parcialmente oculto ou um jardim protegido, ou ainda como um passeio com pérgola e verde, ou compondo um mosaico de luz e sombra, ou mesmo como espaço suporte para uma vista zen. Esta aproximação com a natureza exterior nos remete à ideia da edificação melhorando o sítio, indicando a necessidade de observar os padrões mais abrangentes, em que os espaços de transição possam estar contidos (ALEXANDER et al, 2013).

Seguindo este pensamento, retrocedemos a um padrão que, necessariamente, seria considerado por antecipação, ou ao menos concomitante àquele dos espaços intermediários: a orientação solar para espaço externo. O projeto, em seguida, poderia avaliar a disposição das alas para luz natural e, na sequência, dispor dos elementos do programa que devem se beneficiar de uma melhor orientação, locar os espaços internos que devem se conectar ao exterior e, ainda, definir de que forma se darão os acessos. Este desdobramento nos leva a considerar as definições dos autores para espaço externo positivo.

Segundo Alexander et al, os espaços externos negativos são aqueles residuais e amorfos, sobras de área entre as edificações. De modo distinto, consideram que um espaço externo "é positivo quando apresenta uma forma distinta e bem-definida, tão definida quanto se fosse um recinto interno, e quando sua forma é tão importante quanto as formas das edificações que o circundam” (Ibid, p.518). O autor pressupõe que a leitura de figura e fundo de uma planta mostre os espaços externos positivos com um peso equivalente ao dos espaços construídos. De modo diverso, sobre o espaço externo negativo, simplesmente se destacam as figuras construídas numa leitura inequívoca. Mas a hipótese que é ressaltada, o padrão reconhecido, é o que indica que “as pessoas se sentem confortáveis em espaços ‘positivos’ e utilizam tais espaços; mas se sentem relativamente desconfortáveis em espaços ‘negativos’ e tendem a rejeitá-los” (Ibid, p.519-520). Para reforçar este ponto, são citados os

estudos de C. Sitte59, acerca das características morfológicas das praças europeias; e C. Cooper60, em um estudo sobre parques desenvolvido desde San Francisco. Estes trabalhos sugeriam que espaços externos com algum tipo de fechamento parcial seriam mais convidativos, deixariam as pessoas mais à vontade e com maior sensação de segurança. Estes espaços parcialmente protegidos estariam naturalmente postos como suporte para o projeto de espaços externos positivos, neste sentido observado. De modo diverso, para os espaços abertos negativos, Alexander orienta que, em projeto, é sempre possível "agregar pequenas edificações ou criar projeções nas edificações existentes ou em suas paredes de maneira que o espaço seja configurado e transformado em partes positivas” (Ibid, p.521).

Sob certo aspecto, o espaço externo positivo de Alexander é aquele mesmo espaço que J. Gehl61 irá relacionar como importante para a vida entre os edifícios. Este último chama a atenção para a importância dos detalhes projetuais, como, por exemplo, escadas para sentar, enquanto que o primeiro reforça que estes espaços agregam um grau de importância, em projeto, equivalente aquele dado aos espaços internos:

      

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Camillo Sitte, em City Planning Acccording to Artistic Principles, Random House, 1965. 60

Clare Cooper, em Open Space Study, San Francisco Urban Design Study, San Francisco City Planning Dept., 1969.

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Temos evidências empíricas que corroboram a importância desse contraste: aparentemente as pessoas gostam de estar nos espaços de transição entre os interiores e exteriores – e quando estes espaços são humanos, as pessoas se apegam a eles com persistência. (Ibid, p.753)

As bordas da edificação sugerem a relação entre interno e externo e, outra vez, aproximam os estudos de C. Alexander e J. Gehl, quando este desenvolve o conceito das bordas suaves em projeto. Aqui, se comenta o equívoco de considerar esta interface como uma simples divisa, sem qualquer espessura; e recomenda-se orientar com cuidado a edificação para o exterior, da mesma forma positiva em que estariam se direcionando os procedimentos para os espaços internos.

Quando é feita de maneira adequada, essa interface é uma zona de transição: ela aumenta a conexão entre o interior e o exterior, incentiva a formação de grupos de pessoas cruzando estes limites espaciais, encoraja os deslocamentos [...] e permite que atividades variadas surjam em torno ou dentro da própria zona de transição. (Ibid, p.754)62

Os autores consideram que as paredes externas devem ser lugares – em que coberturas se projetam, paredes se recortam e nichos se criam: “a edificação com uma fachada cheia de vida está conectada, ela faz parte da malha social, da cidade e da vida de todas as pessoas que moram no local ou passam por ali” (Ibid, p.753).

      

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A este respeito, Alexander et al. tecem uma crítica da arquitetura mecanicista, com suas divisas em lâminas “de aço e vidro” (Ibid, p.752) e sua falta de relacionamento com o ambiente externo.

Estes padrões identificáveis podem ser traduzidos graficamente, ou resumidos como componetes ou elementos do projeto arquitetônico. Considerando as tradições construtivas desde uma perspectiva histórica63, nota-se, perfeitamente, as soluções destes espaços intermediários – sob a forma de pórticos, galerias ou pátios –, sendo reproduzidas de forma sistemática. Na proposição de K. Djamel (2006-2007), temos uma iniciativa contemporânea de categorizar os espaços de transição, de tipificá-los. Para tanto, o autor utiliza como critério a análise do invólucro em sua relação com o volume do objeto arquitetônico. O autor esboça dez categorias(ver fig.07-08),das quais fazemos o seguinte resumo64:

Tipo 0 - Não há espaço de transição; a situação se caracteriza pela marcação de um limite entre espaço interno e externo.

      

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Optamos por não nos aprofundar em uma perspectiva histórica, pois isto não caberia nesta dissertação. De toda forma, os edifícios históricos fornecem ricos exemplos das soluções tradicionais, antecedentes dos espaços de transição contemporâneos, que podem ser consultados nos seguintes autores (entre outros): Friedrich BEHN, em Prehistoria e historia primitiva [espaços de transição nas tradições construtivas mais antigas]; C. J. BELOCH, em Historia de Grecia; J. SUMMERSON, em A

linguagem clássica da arquitetura; L. BENEVOLO, em História da cidade, [recurso à iconografia,

ilustrando os exemplos de antecedentes espaciais]; H. VELARDE, em Historia de la arquitectura. Sobre antecedentes brasileiros: L. COSTA, em A arquitetura dos jesuítas no Brasil [uma análise dos espaços mais antigos da arquitetura brasileira]; G. BAZIN, em A arquitetura religiosa barroca no

Brasil; N. G. REIS FILHO, em Lote Urbano e arquitetura no Brasil [evolução das relações entre

espaços públicos e privados na arquitetura civil brasileira]; e Y. BRUAND, em Arquitetura

contemporânea no Brasil.

 

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Adaptado do texto original (tradução livre).

Figura 07 - Categorias de espaços

transicionais [1-5] – entre-deux –

segundo proposta de K. Djamel (2006- 2007). Desenhos adaptados pelo autor, segundo os esquemas originais.

Tipo 1 - O invólucro estende-se ao exterior em saliência para criar um espaço exterior ao edifício.

Tipo 2 - O invólucro se desdobra para criar uma segunda pele ao redor do prédio, no que pode desenvolver um espaço externo.

Tipo 3 - O invólucro se desdobra para criar uma segunda pele ao redor do prédio, no que pode desenvolver um espaço interno.

Tipo 4 - Um espaço ao ar livre internalizado. Geralmente coberto, ele põe em cena um espaço de transição entre dois objetos.

Tipo 5 - O invólucro é empurrado para o limite do terreno para definir uma cena ou para proteção.

Tipo 6 – Uma lateral e o solo são considerados como envelopes [extensões da arquitetura], criando um espaço entre o interior e exterior.

Tipo 7 - Uma materialidade imprecisa cria um espaçamento entre o edifício e o lado de fora. Tipo 8 - O edifício é invisível. O envelope joga com a topografia para se fundir completamente com o sítio.

Tipo 9 - O edifício está refletido mais além pela água ou algum material reflexivo. A rua se torna o espaço entre-dois.

Tipo 10 - Um desnível cria um espaço intermediário entre o edifício e o exterior.65

      

65

Interpretação conforme desenho esquemático; consideramos haver erro no texto original da nossa consulta, ao descrever o esquema gráfico.

 

Figura 08 - Categorias de espaços

transicionais [6-10] – entre-deux –

segundo proposta de K. Djamel (2006- 2007). Desenhos adaptados pelo autor, segundo os esquemas originais.

Parece evidente que estas dez categorias não resumem todo o universo de variáveis possíveis para os espaços intermediários – não se trata de uma proposta conclusiva e nem tampouco é nossa pretensão, dentro deste trabalho, desenvolver um estudo orientado a estabelecer uma categorização geral destes espaços. Mas, de toda forma, os esquemas de Djamel nos servem como ponto de partida para verificar, abreviadamente, os desdobramentos que podem vir a se desenvolver em projeto66.

No tipo 1, identificamos a morfologia do beiral, da marquise, como temos também a caracterização do espaço do pórtico, do umbral. Dentre todos os tipos descritos, consideramos o que resume de maneira mais patente o caráter do espaço intermediário, o mais claramente distinguível. O autor cita como exemplos os projetos para o Palais des Congrés, em Lucerne, e para o Palais de Justice, em Nantes, ambos de autoria de J. Nouvel. Podemos estudar uma série de variáveis em projeto a partir deste tipo inicial, como

      

66

A discussão acerca do tipo em arquitetura é ampla e mereceria um espaço apropriado para desenvolvimento, o que não é o caso de nossa dissertação. De qualquer forma, ao tratar de tipo e variante, consideramos adequado citar G.C. Argan (2008), ressaltando sua afirmação de que as séries tipológicas se constituem da configuração das construções: “No processo de comparação e justaposição de formas individuais para determiner o ‘tipo’, são eliminadas as características particulares de cada prédio, permanecendo apenas aquelas que são comuns a todas as unidades da série. Portanto o ‘tipo’ se constitui pela redução de um complexo de variantes formais a forma básica comum (…) A forma básica deve ser entendida como a estrutura interior de uma forma ou como um princípio que contém a possibilidade de infinitas variações formais e modificações estruturais do ‘tipo’ em si. De fato, não é necessário demonstrar que, se a forma final de um edifício é uma variante de um ‘tipo’ deduzido de uma série formal anterior, o acréscimo de outra variante terá como consequência inevitável a determinação de uma mudança mais ou menos considerável do ‘tipo’ como um todo.” (ARGAN, 2008, p.270)

Figura 09 – Variações de espaços

transicionais [1.v1-1.v4]. Desenhos do autor.

por exemplo alterando o ângulo de inclinação da saliência sob a qual se define o espaço de transição, conforme o tipo 1.v1 (ver fig.09). Outra variação mostra que o embasamento do edifício pode ter um peso proporcionalmente menor que aquele do volume, que se estende (e, eventualmente, se verticaliza) sobre o espaço intermediário; a proporção variável entre estes volumes pode configurar uma série de novos tipos espaciais, como exemplificado em 1.v2 e 1.v3 (ver fig.09).

Com a suspensão total do volume, chegamos ao tipo 1.v4 (ver fig.09) cuja seção esquemática pode ser exemplificada pelo espaço proporcionado pelo vão do MASP, na arquitetura de L. B. Bardi. Fica claro, aqui, que uma tentativa de categorização não deixa de correr o risco de cometer omissões significativas; entendemos que esta variante define uma categoria à parte, especialmente representativa do projeto brasileiro moderno.

Nos tipos 2 e 3, Djamel deixa evidente seu enfoque no invólucro arquitetural, em seus desdobramentos que criam espaços intermediários, que podem ser exteriorizados ou interiorizados. Cita como exemplo a arquitetura de D. Perrault, no projeto do Théâtre Marinsky, em St Pétersbourg, representando o tipo 3. Para ambos os tipos, consideramos que a geometria do envoltório deverá ser determinante para a espacialidade dos intermédios, como podemos ver nas variáveis 3.v1 e 3.v2 (ver fig.10). No tipo 4, temos caracterizado o modelo de praça ou pátio, entre dois volumes distintos. Esta conexão entre objetos é esquematizada através de um elemento de cobertura. Um dos exemplos dados é o

Figura 10 – Variações de espaços transicionais [3.v1-4.v2]. Desenhos do autor.

do projeto do Pavilhão de Portugal, de A. Siza. Analisamos que uma primeira variante do tipo seria a simples eliminação da cobertura, conforme o esquema 4.v1 (ver fig.10). Este esquema também poderia ser interpretado como uma verdadeira comunicação com o espaço público. No esquema 4.v2 (ver fig.10), vemos uma variante, a partir da verticalização do volume proposto, em que temos um espaço intermediário descoberto, que fica inacessível desde o meio público. Considerando o tipo 5, temos um elemento vertical marcando o limite do terreno e se interpondo ao contato da arquitetura com a esfera pública. Proposto como um desdobramento do invólucro, possibilita um resultado em projeto como o da Fondation Cartier, de J. Nouvel. Todavia, o esquema do tipo 5 também pode ser interpretado de outra forma, num modelo de espaço de transição que se tornou bastante usual em nosso contexto, que é aquele espaço imediato ao edifício, porém isolado por painéis de fechamento, gradis ou muros. Desta forma, temos um espaço que guarda relação com o meio externo, de uso coletivo, porém de caráter privativo. Uma variante é a que propõe um elemento de cobertura neste espaço intermediário, conforme 5.v1 (ver fig.11). Verticalizando este esquema, chegamos à solução de varandas em pavimentos elevados, o que observamos em 5.v2 (ver fig.11).

No tipo 6, se analisamos apenas sob o ponto de vista esquemático, nos deparamos com uma situação semelhante àquela descrita no tipo 0 (ver fig.11), em que o volume construído contrasta com o espaço externo adjacente, com limites bem delineados. Contudo, Djamel faz uma distinção entre estes tipos, estabelecendo uma categoria à parte desde que o projeto se detenha na relação entre os planos do passeio e da fachada respectiva. De fato, o

Figura 11 – Variações de espaços

transicionais [5.v1; 5.v2; 0]. Desenhos do autor.

autor sugere que o tipo 6 traduziria uma situação paralela a do tipo 1, o que nos mostra um certo relativismo para a definição de categorias inequívocas. Fica clara a importância do detalhe e do trabalho em escala adequada para que o projeto, efetivamente, crie uma transição da arquitetura ao espaço público. Da mesma forma que as categorias anteriores, o tipo 6 também nos sugere o estudo de uma série de variações. A partir de diferentes situações de implantação da volumetria do edifício, podemos investigar os espaços gerados ao longo de fachadas que se desenvolvem, por exemplo, em configurações tendentes à concavidade ou à convexidade, conforme observamos em 6.v1 e 6.v2 (ver fig.12). No tipo 7, K. Djamel faz alusão a um espaço que se define [?] por características imprecisas, difusas, mas claramente associado ao invólucro do edifício. O exemplo a que se reporta é bastante sugestivo: o Blur Building, de Diller & Scofidio. Aqui, estamos além do umbral, estamos tratando da transição através da bruma, de atmosferas vaporosas, que podem ser geradas a partir do objeto arquitetônico. Para além da expressão literal que apreendemos do Blur Building, entendemos que se trata de uma área de influência direta da arquitetura, de caráter sensível ou reativo ao meio externo. Sua leitura, nos parece, é a do difuso, do relativo ou do errático. Em projeto, interpretamos que esta categoria pode se relacionar aos edifícios com partes móveis, como o Suíte Vollard (Curitiba), de Bruno de Franco, ou o Dynamic Tower (Dubai), de David Fisher. Neste último projeto fica evidente a imprecisão morfológica dos contornos da arquitetura, devido à movimentação autônoma dos andares pivotantes – ficando caracterizada uma situação em que temos um espaço reservado para o trânsito dos próprios componentes do objeto arquitetônico. Uma outra leitura possível desta zona imprecisa em torno do edifício seria a que verifica uma diversidade de usos e adaptações

Figura 12 – Variações de espaços

transicionais [6.v1; 6.v2]. Desenhos

do autor.

particulares nas diversas unidades de uma edificação a partir de suas bordas – como no caso corrente das torres residenciais, com varandas compondo as diversas unidades: o uso particular destes espaços intermediários, sua condição de abertura ou fechamento, definidas pelo usuário, são fatores que nos trazem esta imprecisão, esta relativização do espaço que relaciona arquitetura e meio exterior.

No tipo 8, nos é dado o esquema de uma praça, sobre um volume que se estende no subsolo. Há que considerar um fator de subjetividade na inserção deste espaço no seu entorno construído: se o edifício que o suporta está oculto, outras edificações poderão influenciar o uso deste espaço desde a superfície. Para que tenhamos realmente uma relação com o edifício enterrado, devemos pressupor aberturas para acessibilidade do nível inferior. Ou então, estudamos variantes em que parte desta arquitetura pode emergir, alterando o esquema compositivo, conforme 8.v1 (ver fig.13). No tipo 9, observamos uma categoria de aplicação bastante relativa, a depender da proporção entre os elementos da composição. Tratar da relação da arquitetura com uma superfície líquida depende da extensão desta última sua escala em projeto. Cabe avaliar o grau de interferência no espaço; se ele efetivamente se relaciona com um objeto arquitetônico específico. O autor se