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Spørsmål nr. 122

In document Dokument nr. 15:1 (2000-2001) (sider 167-171)

importãncia dada ao tema pela administração da Petrobrás. Moggi

justifica sua atuação, ao descrever o processo de criação do Centro

de Pesquisas (Cenpes):

"Um esforço todo tinha que ser feito nesse sentido. Ora, isso

não se faz com meia dúzia de 'gatos pingados'. É preciso criar

uma massa crítica que dê continuidade ao esforço. É preciso

que haja um amparo, uma vivência. É preciso criar uma

comunicação de pensamento e um estímulo à busca desses

objetivos de avanço tecnológico. É necessário fixar esses obje­

tivos, que nào podem ser muitos, porque senão se dilui o

esforço. Há todo um pensamento por trás disso, que eu resumi

naquelas palavras que já disse: flexibilidade, comunicação e

participação. Nós utilizamos grupos· tarefa e adotamos a orga·

nização matricial, com grande flexibilidade, não só mental

como física, com a busca da proximidade, através de um estudo

em que os prédios tivessem disposição arquitetônica que obri·

gasse à proximidade, ou seja, a forma do circulo ou do polígono.

Tudo isso nos levou à concepção desse centro de pesquisa

flexível, que foge aos padrões dos grandes centros de pesquisa

monolíticos das grandes empresas, que nos mostraram como

não fazer. Tudo isso influencíou a criação do Cenpes."(Moggi,

Antonio Seabra. 1988, p. 191.)

As questões de fundo, entretanto, retornam sempre em sua entrevista. A necessidade de formação contínua de pessoal especia­ lizado e o modelo centralizador, protegido pelo caráter de segurança aacional dado ao empreendimento e por uma achninistração quase sempre chefiada por militares, tiveram seus custos. Moggi finaliza suas impressões sobre as conseqüências do centralismo administra­ tivo da enlpresa:

"O fato é que com o gigantismo que a empresa foi assumindo, houve uma necessidade do presidente delegar poderes, e ele delegou para os diretores. Os diretores é que não souberam, a meu ver, delegar via descendente. Aquela idéia de que a primeira linha realmente executiva da empresa é o nível das superintendências de departamentos ainda não foi implanta­ da in totum. Cada diretor ainda é o ditador da sua área e quer se preservar na sua função. Então, ele forma sua claque, sua estrutura de apoio, não só politicamente, atuando fora da Petrobrás, como internamente, botando em posições-chave hOlllens de sua exclusiva comiança ( ... ) Acho que há o que eu chanlo de repúblicas autônomas e independentes de cada diretor. Há os ducados. Cada diretor é o duque daquela área. E o rei reina, mas não governa. E cabe ao rei, como o maestro de uma orquestra, porque, senão, ela vai ter uma porção de

spallas, uma proção de prima-donas. Ninguém vai querer se acomodar, se harmonizar com o próximo. "(Moggi, Antonio Seabra. 1988. p. 121.)

Este é, aliás, um problema que se tornou mais grave ainda quando o governo perdeu a capacidade de gerador de estrat€gias, a partir de meados dos anos 80:

"Inicialmente a Petrobrás tomou como baluarte, como meta, como parâmetro para sua atuação a própria Lei nº 2.004. A lei, de certa forma, define o objeto da empresa. Não é nem objetivo, é objeto da empresa. Mas esses objetos são muito gerais. Então, o que se tentou fazer de lá para cá foi começar a expressar isso de uma maneira mais clara e que pennitisse ao administrador saber onde está pisando nesse imenso lago de areias movediças.

O governo se mostrou incapaz de fixar essa orientação, seja porque seus órgãos não conseguem defini-la, seja porque o próprio Ministério das Minas e Energia não tem isso muito

presente, seja ainda porque a Comissão Nacional de Energia não tem descido a este nível. Assim, a empresa acordou para esse fato e, já de uns dois anos para cá, vem tentando fIxar o que se chama de objetivos, metas, caminhos e o seu plano estratégico de atuação: quais são os seus objetivos estratégi­ cos, os seus objetivos táticos. Esse é um trabalho insano, que vem exigindo reuniões freqüentes de toda a cúpula superior da empresa e que proporcionou, ao final do ano, detenninados objetivos já com alguma clareza, pelo menos em três campos: no campo industrial, vale dizer, mais o parque de refinação e abastecimento do país; no campo da perfuração e produção de petróleo, sobretudo com ênfase no

off-sJwre;

e, fInalmente, no campo do desenvolvimento dos recursos humanos, julgado uma outra área extremamente sensível e ligada à eficiência da empresa. Se nós não substituirmos o pessoal que está se aposentando por outros igualmente ou até mais eficientes, a empresa vai começar a envelhecer e a cair, por falta de objeti­ vidade.· (Moggi, Antonio Seabra. 1988, p. 121.)

As entrevistas do Projeto Petrobrás permitem ainda o detalha­ mento destes aspectos em alguns setores de atividade da empresa, cumprindo neste caso um papel pioneiro no que tange à informação. Tomemos o caso, por exemplo, da entrevista de Carlos Walter Ma­ rinho Campos, chefe da Divisão de Exploração da Petrobrás e, posteriormente, diretor da empresa. Ela revela aspectos importantes da associação entre decisão gerencial em contextos de alta informa­ ção técnica, como é próprio da exploração de petróleo.

Em 1965, por exemplo, a Petrobrás sofreu um amplo processo de reorganização administrativa, sendo então criados os departamen­ tos. Nessa ocasião, as atividades de exploração foram colocadas sob a direção do Departamento de Exploração e Produção, que veio a ser quase sempre chefiado por um engenheiro. Carlos Walter analisa ° efeito desta reforma sobre as atividades de exploração:

isso que dizíamos: ele deu uma organização ao departa­ mento, mas - aí eu retomo o fio da meada -, devido a essa sua oposição, eu at.ribuo a esse fato, o departamento perdeu categoria de departamento e passou a ser divisão. Quando o

cIr. Pedro de Moura adoeceu, teve Um derrame cerebral ( ... ), veio o Franklin Andrade Gomes, j á passou a ser divisão.

Criou-se o Departamento de Exploração e Produção, a chefia ficou com o dr. Haroldo Ramos da Silva, hoje também aposen-

tado, e o Franklin Gomes ficou chefiando a divisão. Depois eu

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