3 Teoretisk rammeverk
3.4 Sosiale medier og relasjonsbygging
A análise das produções plásticas foi norteada pela teoria e técnica da arte-terapia, sob a ótica de Païn e Jarreau (1996), do desenho da figura humana, Machover (1949), além de inferências da pesquisadora. Em Païn e Jarreau (1996) encontra-se que não se pode separar a qualidade da expressão do autor de uma produção plástica dos meios utilizados para sua configuração. Assim, diferenciam-se as técnicas da pintura, desenho e modelagem em argila, recursos oferecidos ao grupo de pesquisa para sua produção de sua imagem corporal. Na pintura, destaca-se sua qualidade fluída, sendo geralmente escolhida quando o autor está buscando movimentos mais amplos, denotando uma continência suficiente para suportar a não aderência e a dificuldade de definir contornos desta forma de expressão plástica.
106 Sobre a técnica do desenho, destaca-se sua apreensão a partir de uma leitura sobre a estrutura da inteligência que rege sua construção. A possibilidade de dar uma idade aos desenhos permite dizer a idade imaginária onde o sujeito se coloca. Uma qualidade diferencial do desenho é a prioridade da forma, estando mais próximo das aquisições da lógica, e, portanto, caracterizando-o como uma técnica mais „segura‟, associada ao relaxamento.
Por fim, em relação à modelagem em argila, ressalta-se que, em função de sua concretude, é uma técnica muito acessada por indivíduos que apresentam maior dificuldade de organização interna. No entanto, a manipulação direta deste material pode também induzir estados regressivos. Em relação ao fator movimento nas produções plásticas, destaca-se que o sujeito tende a projetar seu próprio corpo sobre as imagens que produz. Assim, a mesma motivação psicológica que provocaria sua própria rigidez se traduziria em imagens ausentes de movimentos.
A observação das produções permitiu algumas constatações preliminares. Em relação ao material utilizado, foi unânime a escolha pela técnica do desenho, sugerindo uma associação com sua qualidade de segurança, sendo uma técnica mais comumente dominada que a pintura ou a modelagem. No desenho de A., observou-se uma qualidade rudimentar e limitada, sugerindo a associação com uma idade mental regredida. Esta também é evidenciada em sua escrita, que parece remontar a estágios infantis do domínio psicomotor. Ressalta-se que A. apresentou dificuldades escolares desde pequeno, não conseguindo acompanhar seus pares. O corpo desenhado apresenta-se sem divisões internas, à semelhança da constituição em bloco, evidenciada em seu movimento. Este fator sugere a projeção inconsciente do próprio corpo. Outro aspecto foi o uso de cores quentes em todo o desenho, à exceção da expressão facial, retratada em cor fria, mas não se conseguiu chegar a uma elaboração significativa a este respeito. Por fim, a literatura, acima referenciada, indica que a ocupação da imagem no espaço da folha relaciona-se à capacidade de projeção do sujeito sobre seu meio ambiente. Deduz-se ser reduzido o espaço ocupado por A. em seu meio externo, dadas as proporções entre sua produção e a base utilizada. De fato, observa-se que A. possui um histórico clínico que evidencia a supresssão do seu desejo, condenando-o ao lugar de descarga do conflito parental.
Já M. foi autora de uma produção elaborada, rica em detalhes, denotando habilidade e cuidado. Os olhos enviezados em seu desenho parecem refletir sua própria dificuldade no contato, sendo-lhe difícil sustentar o olhar do outro. Esta característica também foi registrada
107 nas imagens posturais, que revelam o desvio do seu olhar, quando em postura frontal. Ressalta-se que na primeira sessão, por ocasião de um exercício relativo ao caminhar e ao encontro com o outro, foram experimentados contatos oculares, dos quais M. procurou esquivar-se sistematicamente. Em sessão verbal, esta relatou que lhe fora muito difícil participar da sessão. Portanto, conclui-se que a sua não continuidade na pesquisa pode estar relacionada a esta dificuldade inicial. Também a desproporção observada em sua imagem corporal foi registrada em sua obra, fortalecendo a inferência relativa à projeção inconsciente, (ou consciente) do corpo próprio. A posição central e simétrica que ocupou na base pode ser relacionada a um aspecto de resiliência, inferindo-se que, apesar de estar em meio a uma crise depressiva, ainda preserva sua capacidade de se colocar frente ao meio.
O desenho de F. parece corroborar a afirmação de que sujeitos hipercinéticos pintam personagens em atitudes dinâmicas, mas, imediatamente, anulam-nos por gestos compulsivos (Païn e Jarreau, 1996). Já a fragmentação apresentada em seu segundo desenho levaria à suposição de uma constituição psicótica, conforme as referências na literatura, (Machover, 1949). Entretando, contextualizada na sessão, esta produção parece referir-se, prioritariamente, ao comportamento desafiador e competitivo de F., no sentido de resistir a igualar-se aos demais, que desenharam uma figura de corpo inteiro. Ainda parece relacionar- se à sua preocupação com a própria aparência corporal, relativa ao desenvolvimento de seus músculos. Este caráter de competição também aparece em seu primeiro desenho de uma espécie de „pódium‟, no qual o vencedor prevalece sobre os demais. Por fim, nota-se a pintura dourada de seu sobrenome, como uma metáfora imagética que denuncia inteligência e criatividade, também evidenciadas em seus comentários espirituosos.
J. apresentou a maior diferenciação entre a primeira e segunda produção. Enquanto na primeira obra optou pela segurança da técnica do desenho, na segunda, ousou experimentar a fluidez da pintura. Também foi significativa a ampliação do espaço ocupado na base, sugerindo um progresso no sentido de projetar-se sobre seu meio. Consultando-se o percurso clínico de seu processo psicoterapêutico, de fato, evidenciou-se que J. vem se colocando de forma mais assertiva nos conflitos com seu pai. Por outra via, a representação de um cinto, na segunda obra, é relacionada ao bloqueio de impulsos sexuais. A qualidade estática que emana de sua produção, segundo Païn e Jarreau, (1996), seria a projeção de sua própria rigidez. Associada a este aspecto, ressalta-se a qualidade lenta e contida que J. imprime aos seus movimentos corporais.
108 Por fim, o desenho de R. seria o que mais se aproximaria de uma produção dita psicótica em função das transparências e borrões, caracterizados como projeções de uma deficiência em estabelecer os limites do corpo, Machover (1949). Contudo, novamente, a contextualização e particularização redirecionam o olhar em favor de uma relativização destes conteúdos. Um dado contraditório é a representação de uma linha, no segundo desenho, sobre a qual seu corpo se apóia, e que, na mesma autora, é referenciada como um indicador de integração corporal. Isto denotaria o enraizamento sobre uma base, ao invés do corpo solto no espaço representado na primeira produção. Assim, este aspecto poderia ser associado a uma progressão em seu quadro clínico. Também a ausência do cinto e a mudança para a representação de uma bermuda, ao invés da calça do primeiro desenho, denotariam uma maior flexibilidade quanto à vivência de sua sexualidade, Machover (1949). A posição mais centralizada ocupada na folha retrataria uma relação mais harmônica com seu ambiente.