Os dados selecionados e utilizados na pesquisa são provenientes do banco de dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego – PED que é realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação SEADE) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). Essa pesquisa corresponde a um levantamento de dados domiciliar contínuo e é realizada mensalmente desde 1984 quando iniciou na Região Metropolitana de São Paulo. Atualmente a pesquisa acontece nas Regiões Metropolitanas de Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e São Paulo, bem como no Distrito Federal.
A PED é uma pesquisa amostral domiciliar, os dados da referida pesquisa são obtidos via entrevista em unidades domiciliares selecionadas, o questionário da pesquisa é aplicado a todos os moradores dos domicílios selecionados. As respostas obtidas via questionário são codificadas numericamente e vão compor o bando de dados da PED, além desses dados coletados dentro do banco ainda há a disponibilidades de indicadores que trazem informações como a condição de atividade dos indivíduos, a posição na ocupação destes, assim como algumas características familiares, informações sobre rendimento, horas de trabalho pelos ocupados, quantidade de membros da família, informações sobre escolaridade entre outros indicadores.
Os microdados da PED foram escolhidos para a realização do trabalho, pois, além de fornecer dados que trazem características socioeconômicas do mercado de trabalho ainda nos permite a identificação da Classificação Brasileira de Ocupação – CBO, assim foi possível identificar exatamente os taxistas dentro dessa base de dados bem como também foi possível identificar a condição de trabalho do indivíduo, ou seja, se este é empregado,
33 autônomo, trabalha por conta própria, entre outros. Além disso, essa base de dados se enquadra na metodologia escolhida para analise visto que fornece micro dados para um intervalo de meses antes e depois do inicio da operação do aplicativo Uber nas Regiões Metropolitanas selecionadas.
A ideia inicial seria trabalhar com as bases de dados para o Distrito Federal e todas as Regiões Metropolitanas que abrangem a pesquisa, porém, a identificação da classificação CBO do taxista só foi possível nos bancos de dados referentes as Regiões Metropolitanas de Porto Alegre e Fortaleza o que restringiu a escolha das regiões analisadas no presente trabalho.
A partir das informações acima os dados extraídos da pesquisa são em nível de indivíduo e foram selecionados de acordo com o exercício empírico realizado. Para o exercício empírico onde RMF foi escolhida como grupo de tratamento, foram selecionados dentro da base de dados da Região Metropolitana de Fortaleza todos os taxistas, sendo estes em sua maioria autônomos e uma menor parte de taxistas empregados, bem como foi selecionado também todos os indivíduos ocupados autônomos (exceto os taxistas) ou trabalhadores por conta própria que foi usado como grupo de controle nesse exercício. O período selecionado corresponde aos meses de janeiro a dezembro de 2015 e janeiro a setembro de 2016. Ao todo a base inicial extraída para Fortaleza e sua Região Metropolitana consta de 110.691 observações para o período de referência.
Alguns filtros foram aplicados para atender os objetivos do trabalho proposto. Foram excluídos os indivíduos não ocupados, aqueles que não são nem taxistas e nem autônomos. Foram excluídos os que não declararam remuneração, cor, nível educacional e idade. Assim foram considerados apenas os indivíduos ocupados taxistas ou autônomos que trabalharam na semana de referência da pesquisa e que tem mais de 17 anos de idade. Após esses filtros restaram um total de 11.852 observações, sendo que desse total, 276 observações são referentes a taxistas que operam na Região Metropolitana de Fortaleza e 11.576 são de trabalhadores autônomos que trabalham nas mais variadas ocupações.
Para o segundo exercício empírico onde a Região Metropolitana de Porto Alegre é analisada como grupo de tratamento para o Efeito Uber e a Região Metropolitana de Fortaleza foi escolhido como controle foi agrupado as bases de dados para as Regiões Metropolitanas de Fortaleza e Porto Alegre, essa base inicial consta de 283.523 informações. O período de tempo que compõe a base de dados se refere aos meses de janeiro a dezembro de 2014, janeiro a dezembro de 2015 e janeiro a abril de 2016.
Foram excluídos dessa base de dados os indivíduos não ocupados, aqueles que não são taxistas, os que não declararam remuneração, cor, nível educacional e idade. Portanto foram mantidos apenas taxistas ocupados que trabalharam na semana da pesquisa, com idade acima de 17 anos. Ao final dos filtros permaneceu um total de 716 observações, das quais 362 são da Região Metropolitana de Porto Alegre e 354 são da Região Metropolitana de Fortaleza.
No terceiro exercício que foi feito também para a RMPA que selecionou os taxistas da região como grupo de tratado e os trabalhadores autônomos como grupo de controle, a base de dados inicial constava de 156.949 informações. O período de tempo que compõe a base vai de janeiro de 2014 a setembro de 2016. Foram excluídos da base de dados assim como nos demais exercícios os indivíduos que não são nem taxistas e nem trabalhadores autônomos, os que não estavam ocupados, os que não declararam remuneração , cor, nível educacional e idade.
Após os filtros a base de dados permaneceu com um total de 9.365 observações das quais 425 observações são de taxistas da RMPA e 8.940 são de trabalhadores autônomos em geral.