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O segundo exercício empírico foi realizado para a Região Metropolitana de Fortaleza, onde os taxistas da região foram inseridos no grupo de tratamento e todos os autônomos da RMF foram inseridos como grupo de controle. O motivo de não usamos outra Região Metropolitana como grupo de controle nesse exercício já foi explicitado na seção de metodologia e faz referência ao fato de que das Regiões Metropolitanas incluídas na PED, Fortaleza foi uma das últimas a receber o aplicativo Uber e ainda temos que só foi possível identificar o taxista na pesquisa para as Regiões Metropolitanas de Porto Alegre e Fortaleza. O período observado foi de janeiro de 2015 a abril de 2016 como período anterior a entrada do Uber e de maio de 2016 a setembro de 2016 como período posterior a entrada do Uber.

A tabela 3 revela os resultados econométricos obtidos a partir das equações 7, 8, 9 e 10 especificadas na seção de metodologia da dissertação. Nessa tabela encontram-se os resultados encontrados a partir da regressão, assim como no exercício feito para a Região Metropolitana de Porto Alegre, as colunas do Modelo 1 apresentam os resultados para a estimação de um modelo de regressão linear simples que usou as variáveis horas trabalhadas e um modelo minceriano com uma equação tendo o rendimento por hora como variável dependente, já as colunas intituladas como Modelo 2 apresentam os resultados da regressão do modelo de diferenças em diferenças.

47 Tabela 3 – Resultados Econométricos: Região Metropolitana de Fortaleza

Variáveis Dependentes: Logaritmo natural do rendimento/hora e quantidade de horas trabalhadas

Horas Trabalhadas Rendimento/hora

Regressor Coeficiente Coeficiente

Modelo 1 Modelo 2 Modelo 1 Modelo 2

Branco -0.0629 -0.0279*** 0.0009 0.0236 (0.0520) (0.0161) (0.0659) (0.0203) Negro 0.2381 0.0495 0.4054 0.0358 (0.3341) (0.0335) (0.4234) (0.0422) Homem **** - 0.1036* - 0.2944* - (0.0139) - (0.0175) Chefe 0.1637* 0.1179* 0.2298* 0.2615* (0.0564) (0.0146) (0.0714) (0.0184) Fortaleza -0.007 0.0157 0.0217 0.0272*** (0.0462) (0.0128) (0.0586) (0.0162) Idade 0.0029 -0.0007 -0.0067* -0.0119* (0.002) (0.0005) (0.0025) (0.0007) Ensino Fundamental 0.0813 -0.0042 0.0379 0.1457* (0.0602) (0.0159) (0.0764) (0.0200) Ensino Médio 0.0715 -0.0369** 0.07** 0.184* (0.0543) (0.0150) (0.0688) (0.0189) Ensino Superior -0.1654* -0.1022* 1.9664* 0.2245* (0.3323) (0.0378) (0.4212) (0.0475) Estabilidade -0.0003 0.0006* 0.0011* 0.0008* (0.0002) (0.00007) (0.0003) (0.00009) Táxi Próprio -0.1179*** -0.1144* -0.0045 -0.0686* (0.0639) (0.0189) (0.0810) (0.0241) Tamanho da Família -0.0201 -0.0075*** -0.0442** -0.0624* (0.0167) (0.0041) (0.0216) (0.0052) Renda Familiar -0.0182 0.055* 0.2615* 0.3175* (0.0187) (0.0052) (0.0231) (0.0066) (Renda Familiar)2 0.0008 -0.0019* -0.0076* -0.0087* (0.0009) (0.0003) (0.0011) (0.0004) Tempo -0.0548 0.0366 0.0540 0.0331 (0.0414) (0.0169) (0.0524) (0.0212 Efeito Uber -0.0231 0.0371 (0.0869) (0.1085) Constante 4.0503* 3.442* 1.2383* 1.2705* (0.1443) (0.0437) (0.1829) (0.0552) Número de observações 264 11071 264 10868

Fonte: Elaboração Própria. Dados da pesquisa.

Notas: Entre parênteses os erros-padrão. Níveis de significância: *1%, **5% e ***10%. ****A variável homem foi omitida no Modelo 1, pois todos os taxistas da base de dados da RMF eram do sexo masculino.

A regressão de horas trabalhadas revelou poucas variáveis com impactos estatisticamente significantes no Modelo 1, porém alguns resultados encontrados nessa estimação coincidem com os resultados encontrados para a RMPA.

Os taxistas chefes de suas famílias da RMF, assim como na RMPA tendem a trabalhar mais horas que os demais componentes da família. Esse resultado é similar para o Modelo 2.

Aqueles taxistas com nível superior trabalham menos horas por semana, os dois modelos estimados apresentam o mesmo resultado, a diferença é que no Modelo 2, a variável que revela os trabalhadores com nível médio, também demonstrou um resultado significante, revelando que os trabalhadores com nível médio também tendem a trabalhar menos horas, porém o impacto é menor se comparado com os indivíduos com nível superior e fundamental, sinalizando que quanto maior o nível educacional, menor a oferta de horas trabalhadas por esses trabalhadores.

Diferentemente dos modelos estimados para a RMPA, no modelo estimado para a RMF foi possível introduzir uma variável a mais, essa variável é uma dummy que possui valor um se o instrumento de trabalho é próprio e zero caso contrário, a variável foi incorporada ao modelo na tentativa de observar se o táxi que o taxista dirige é dele ou de outra pessoa. Essa variável apresentou um resultado estatisticamente significante nos dois modelos e sinal negativo, evidenciando que quando o táxi é próprio, a quantidade de horas trabalhada é menor.

Com relação as variáveis que compõem algumas características da família temos que no Modelo 2 quanto maior a família, menor a quantidade de horas trabalhadas, resultado similar ao encontrado para a RMPA.

A renda familiar apresentou sinal negativo no Modelo 1, porém não apresentou significância estatística. No Modelo 2 o sinal foi positivo e apresentou significância a 1%, evidenciando que quanto maior a renda familiar do taxista ou autônomo da RMF, maior a quantidade de horas trabalhadas.

As regressões de rendimento apresentaram resultados muito parecidos aos encontrados para a Região Metropolitana de Porto Alegre, porém com algumas diferenças, por exemplo, homens tendem a ter rendimento por hora cerca de 30% maior do que mulheres, o que difere dos resultados encontrados para os modelos 1 e 2 da RMPA mas, é similar ao encontrado no Modelo 3 que é idêntico ao exercício que gerou esse resultado para RMF.

Taxistas chefes de família apresentam um rendimento por hora aproximadamente 22% maior do que os que ocupam outra posição na família. O Modelo 2 demonstra que

49 aqueles trabalhadores que residem em Fortaleza apresentam rendimento por hora maior do que os que residem em alguma cidade da região metropolitana. Com relação a idade dos taxistas, aqueles com mais idade possuem rendimento por hora menor do que os mais jovens.

No Modelo 2 estimado todas as variáveis de nível educacional apresentaram significância estatística e sinal positivo o que sinaliza um efeito do nível educacional sobre o rendimento dos taxistas na RMF.

A variável táxi próprio apresentou um sinal negativo e é estatisticamente significante a 1%, revelando que aqueles taxistas que são donos dos veículos tem um rendimento por hora menor do que aqueles que não são proprietários.

Com relação as características familiares, taxistas com famílias maiores possuem rendimento por hora menor. Quanto maior a renda familiar, maior o rendimento por hora dos taxistas.

Para esse exercício econométrico não encontramos para a Região Metropolitana de Fortaleza evidência empírica de ocorrência do Efeito Uber sobre a quantidade de horas trabalhadas pelos taxistas ou sobre os seus salários por hora.

O coeficiente estimado usando a variável rendimento por hora é positivo, porém não apresentou valor estatisticamente diferente de zero, assim não podemos inferir que o rendimento por hora dos taxistas da RMF tenha sofrido efeito positivo quando comparado aos autônomos da mesma região no período a partir do inicio das operações do aplicativo Uber.

O resultado encontrado para a variável horas trabalhadas apresentou coeficiente negativo, porém esse resultado não obteve significância estatística. Assim, para esse exercício econométrico não encontramos para a Região Metropolitana de Fortaleza evidência empírica de ocorrência do Efeito Uber sobre a quantidade de horas trabalhadas pelos taxistas ou sobre os seus salários por hora.

Um resultado similar foi encontrado por Esteves (2015), porém este analisou um possível efeito do Uber sobre o número de corridas realizadas pelos taxistas das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Distrito Federal. Em seu trabalho não foram encontrados para nenhum dos casos estatísticas com o sinal esperado e estatisticamente significantes.