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Begrensninger og anbefalinger til videre forskning

Como explicitado na seção 3 o primeiro exercício empírico foi realizado para a Região Metropolitana de Porto Alegre, onde esta região foi especificada como grupo de tratamento e a Região Metropolitana de Fortaleza foi usada como grupo de controle, o período observado foi de janeiro de 2014 a outubro de 2015, como período anterior a entrada do Uber, e de novembro de 2015 a abril de 2016 como período posterior a entrada do Uber.

O segundo exercício também sucedeu para a RMPA, entretanto, nesse caso os taxistas dessa região metropolitana foram selecionados como o grupo de tratamento e os trabalhadores autônomos da mesma região foram escolhidos como controle.

A tabela 2 revela os resultados econométricos obtidos a partir das equações 5, 6, 9 e 10 especificadas na seção de metodologia do trabalho. Nessa tabela encontram-se os resultados obtidos a partir dos exercícios econométricos propostos, a segunda e a quinta coluna apresentam os resultados da estimação de um modelo de regressão linear simples observando apenas os taxistas da RMPA, onde buscamos compreender como os controles selecionados explicam as duas variáveis dependentes estimadas nos modelos de diferenças em diferenças. Os resultados estão nas colunas com título Modelo 1.

As colunas 3 e 6 apresentam os resultados do primeiro exercício empírico feito para a RMPA, (intitulado na tabela por Modelo 2), já as colunas 4 e 7 apresentam os resultados da regressão feita no segundo exercício empírico realizado para a RMPA (Modelo3).

Observando as variáveis que caracterizam o indivíduo incluídas como controle, temos para as equações de horas trabalhadas no Modelo 1 que a maioria das variáveis apresentou significância a 5%. O coeficiente para taxistas negros apontou sinal positivo, indicando que negos trabalham mais horas, assim também como os taxistas do sexo masculino. A variável que revela a idade dos taxistas da RMPA apontou sinal negativo, sinalizando o que já era esperado, que quanto mais anos de idade menor a quantidade de horas trabalhadas.

Quanto as variáveis que refletem o nível de escolaridade dos taxistas da RMPA, apenas o nível superior indicou significância estatística, e exibiu um sinal negativo, ou seja, aqueles com nível superior tendem a trabalhar menos horas, o que pode evidenciar que quanto maior o grau de instrução do indivíduo menor a carga de horas trabalhadas por este.

43 Tabela 2 – Resultados Econométricos: Região Metropolitana de Porto Alegre

Variáveis Dependentes: Logaritmo natural do rendimento/hora e quantidade de horas trabalhadas

Horas Trabalhadas Rendimento/hora

Regressor Coeficiente Coeficiente

Modelo 1 Modelo2 Modelo 3 Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3

Branco 0.1381 -0.0423 0.0240 -0.1522 -0.0894 0.0355 (0.0998) (0.0435) (0.0270) (0.1284) (0.0578) (0.0312) Negro 0.2688** 0.0485 0.0026 -0.2790*** -0.1638 -0.0009 (0.1229) (0.0909) (0.0373) (0.1580) (0.1205) (0.0429) Homem 0.2559** 0.2113 0.1176* -0.3314** -0.3445** 0.1874* (0.1116) (0.1299) (0.0156) (0.1435) (0.1724) (0.0180) Chefe 0.0624 0.0743** 0.1018* 0.1120 0.2199* 0.2427* (0.0532) (0.0397) (0.0163) (0.0684) (0.0526) (0.0187) Porto Alegre/Metrópole* 0.0208 0.0132 -0.0523* 0.0110 -0.0275 0.0405* (0.0390) (0.0313) (0.0137) (0.0503) (0.0417) (0.0157) Idade -0.0037** -0.002 -0.0031* -0.0052** -0.0048* -0.0059* (0.0018) (0.0014) (0.0005) (0.0024) (0.0018) (0.0007) Ensino Fundamental -0.0581 -0.0148 0.0017 0.0395 0.0814 0.0523* (0.0541) (0.0393) (0.0175) (0.0700) (0.0523) (0.0200) Ensino Médio -0.0786 -0.0183 -0.0064 0.1153*** 0.0679 0.1235* (0.0539) (0.0366) (0.0165) (0.0697) (0.0486) (0.0189) Ensino Superior -0.3233** -0.259** -0.0631 0.3406** 0.1986 0.2361* (0.1455) (0.1544) (0.0314) (0.1872) (0.2049) (0.0361) Estabilidade 0.00005 0.0001 0.0004* 0.0004 0.0005** 0.0003* (0.0002) (0.0001) (0.00006) (0.0002) (0.0002) (0.0001) Tamanho da Família -0.025 -0.0056 0.0067 -0.0680* -0.0763* -0.0707* (0.0174) (0.0122) (0.005) (0.0223) (0.0162) (0.0057) Renda Familiar 0.0838** 0.0098 0.0553* 0.2862* 0.2561* 0.2307* (0.0375) (0.0124) (0.0058) (0.0484) (0.0165) (0.0067) (Renda Familiar)2 -0.0081** -0.0006 -0.0026* -0.0148* -0.0073* -0.0067* (0.0038) (0.0006) (0.0004) (0.0049) (0.0008) (0.0004) Tempo -0.0165 -0.09563 -0.0185 0.0437 0.0910 0.0182 (0.0425) (0.04728) (0.0151) (0.0546) (0.0628) (0.0173) Efeito Uber 0.1058 0.0036 -0.0589 -0.0077 (0.0717) (0.0684) (0.0951) (0.0781) Constante 3.7306* 3.939* 3.3925* 2.0422* 1.7042* 1.6145* (0.1859) (0.1567) (0.0465) (0.2394) (0.2080) (0.0535) Número de Observações 253 552 6161 253 552 6109

Fonte: Elaboração Própria. Dados da pesquisa.

Notas: Entre parênteses os erros-padrão. Níveis de significância: *1%, **5% e ***10%. A variável Porto Alegre/Metrópole, no Modelo 1 a tabela apresenta o resultado dos indivíduos que moram nos municípios das regiões metropolitanas e não nas capitais Porto Alegre e Fortaleza, no Modelo 2 a variável Porto Alegre designa aqueles indivíduos que moram na cidade de Porto Alegre.

Com relação a renda familiar dos taxistas da RMPA, temos que há uma relação positiva entre a renda familiar e a quantidade de horas de trabalho ofertada pelo taxistas,

porém com um impacto pequeno. O Modelo 3 apresentou um resultado semelhante, porém nesse modelo esse resultado caracteriza taxistas e autônomos da RMPA. O termo quadrático da renda familiar apresentou sinal negativo, evidenciando que a medida que a renda familiar cresce as horas trabalhadas aumentam porém de forma decrescente.

Observando as mesmas variáveis nas equações de horas trabalhadas nos Modelos 2 e 3 vemos que no Modelo 3 os trabalhadores (taxistas e autônomos) homens trabalham cerca de 12% mais horas que a mulheres. Se o indivíduo é chefe de família tende a trabalhar mais horas, tanto no Modelo 2 quanto no Modelo 3, sendo que no modelo 3 o chefe de família (autônomo ou taxista) tem um total de horas trabalhadas 10% maior do que os indivíduos que ocupam os demais componentes familiares.

Dado a localização da moradia do indivíduo os resultados do Modelo 3 mostraram que trabalhadores (taxistas e autônomos) que moram em municípios das regiões metropolitanas tendem a ofertar menos horas de trabalho, esse fato pode ser decorrente dado que o tempo de locomoção ao trabalho pode ser maior e assim levar a uma menor oferta de horas trabalhadas.

Assim como o Modelo 1, o Modelo 3 também indica que os indivíduos mais velhos trabalham menos horas durante a semana. No Modelo 2, bem como no Modelo 1, aqueles taxistas com nível superior apresentam menor quantidade de horas trabalhadas na semana.

Analisando as três regressões de rendimento temos que, no Modelo 1 o coeficiente referente a variável negro apresenta significância a 10% e sinal negativo, ou seja, caso o taxista seja negro o seu rendimento por hora é reduzido em aproximadamente 28% com relação ao não negro, o que pode evidenciar discriminação contra trabalhadores negros no mercado de trabalho de taxistas na RMPA. Assim como encontrado por Soares (2000), Campante, Crespo e Leite (2004) e De Oliveira Guimarães (2006) que analisaram características do mercado de trabalho no Brasil.

Curiosamente o Modelo 1 apresentou que taxistas homens tendem a ter rendimento por hora menor que as mulheres, esse fato vislumbra uma mudança nesse mercado, as mulheres são “preferidas” na hora da solicitação do serviço por motivos de segurança, uma hipótese é que mulheres (clientes) preferem taxistas do mesmo sexo o que pode fazer com que taxistas do sexo feminino tenham uma maior demanda de trabalho e assim mais corridas por hora e maior rendimento por hora.

Dados da Associação das Empresas de Táxis de Frota do Município de São Paulo revelaram que 5% dos táxis são dirigidos por mulheres na capital, em Porto Alegre dados do

45 Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintaxi) indicaram que o número de mulheres taxistas dobrou de 2015 para 2016.

Com relação a idade, quanto mais velho o taxista, vemos que menor o seu rendimento por hora trabalhada. Esse resultado é similar para os demais modelos, apresentando resultado estatisticamente significante e sinal negativo.

Os níveis de educação dos taxistas da RMPA revelaram que aqueles com nível médio tem rendimento por hora de aproximadamente 11% maior do que os taxistas com outros níveis de educação e aqueles com nível superior exibem rendimento por hora cerca de 34% maior que os taxistas sem educação ou com ensino fundamental e médio. O que pode demonstrar retornos positivos advindos da educação como foi constatado por Leal e Werlang (1991), Rocha (2012), Rodrigues (2010) e De Albuquerque e Mariano (2016).

Dado as características familiares os resultados demonstraram, para os três modelos, sinal negativo e significante para a variável tamanho da família, indicando que aqueles trabalhadores com famílias maiores tendem a ter um rendimento por hora menor.

Observou-se a partir dos resultados tabelados que quanto maior a renda familiar do taxista, maior o seu rendimento por hora, porém esse rendimento decresce a medida que a renda familiar aumenta. Os resultados são equivalentes nos três modelos estimados.

Os Modelos 2 e 3 apresentaram que taxistas (taxistas e autônomos no Modelo 3) que são chefes de suas famílias tem um rendimento por hora cerca de 20% maior do que o rendimento por hora dos demais componentes familiares.

Outro resultado encontrado é que o Modelo 3 indica que trabalhadores (taxistas e autônomos) que moram na cidade de Porto Alegre tendem a apresentar maior salário por hora do que os que residem nos demais municípios da região metropolitana.

A variável estabilidade no trabalho apresentou um impacto muito pequeno, porém estatisticamente significante e positivo nos Modelos 2 e 3, ou seja, aqueles trabalhadores com maior quantidade de meses trabalhando no mesmo posto de trabalho revelam rendimentos por hora maiores.

Como já mencionado, no modelo de diferenças em diferenças o resultado principal está no valor do coeficiente estimado para a variável Efeito Uber, esses valores são encontrados na tabela 2, abaixo do valor do coeficiente encontra-se entre parênteses as respectivas estimativas de erros-padrão.

O coeficiente estimado usando a variável rendimento por hora é negativo para ambos os modelos, porém não apresentou valor estatisticamente diferente de zero, assim não podemos inferir que o salário por hora dos taxistas tenha sofrido efeito negativo na Região

Metropolitana de Porto Alegre quando comparado a Região Metropolitana de Fortaleza ou aos trabalhadores autônomos da RMPA a partir do início das operações do aplicativo Uber.

O resultado encontrado para a variável horas trabalhadas foi diferente, apresentando um coeficiente positivo para os dois modelos. Esse resultado pode revelar que os taxistas da RMPA estão tendo que trabalhar mais horas por dia após a entrada do Uber, o que condiz com um dos resultados encontrados por Camerer, et al (1997), que afirma que quando os taxistas estão em dias de trabalho onde as corridas de táxis são mais escassas estes acabam por trabalhar mais horas de trabalho na busca por alcançar uma espécie de meta salarial pelo dia. Porém assim como na estimação com a variável rendimento por hora como variável dependente, os resultados não apresentaram significância estatística. Logo, para esses exercícios econométricos não encontramos para a RMPA evidência de ocorrência do Efeito Uber, seja sobre o rendimento dos taxistas ou sobre a quantidade de horas ofertada por esses trabalhadores.