2 Salmon stock monitoring
2.4 Adult salmon counting
2.4.3 Sonar and video counts
O objetivo deste trabalho foi investigar a evolução da densidade (populacional e de massa) da população de shopping centers na economia brasileira no período de 1966 a 2008, analisando a relação entre essa evolução e as taxas de fundação e fracasso na população. Além da base teórica pesquisadas, os estudos empíricos sobre densidade populacional referenciados (CARROLL; HANNAN, 2000; BARRON; WEST; HANNAN, 1999; LOMI, 1995; BAUM, 1995; HANNAN et al., 1995) buscaram prover o embasamento necessário para atingir este objetivo. Desta forma, pretendeu-se testar os pressupostos da abordagem da dependência da densidade populacional da ecologia de empresas (CARROLL; HANNAN, 2000) em mais uma população ainda não testada na literatura, a população de shopping centers, e em um contexto diferente dos já analisados em trabalhos anteriores, a economia brasileira, colaborando, assim, com a construção da teoria (TSANG; KWAN, 1999). Esse objetivo foi plenamente atingido.
Os resultados obtidos pelos estimadores para os modelos de Yule e log-quadrático de Carroll e Hannan (2000) contribuem para a ampliar a validade externa e interna dos modelos de mensuração da relação entre a densidade e a taxa de fundação em populações de empresas propostos por Carrol e Hannan (2000) (TSANG; KWAN, 1999). Dessa forma, amplia-se a robustez dos modelos e contribui-se para o teste da base teórica da abordagem de dependência da densidade da ecologia de empresas. De maneira geral, pode-se dizer que os estimadores do modelo de Yule apresentaram relação mais forte com o PIB per capta, e parecem indicar mais fortemente a relação com a densidade populacional. Já os estimadores do modelo log- quadrático, que confirmaram parcialmente as hipóteses sobre densidade de massa, não apresentaram significância estatística com relação ao PIB per capta, mas parecem traduzir melhor o que preconiza a teoria de dependência de densidade de massa.
Observa-se que, mesmo se adotando a significância máxima de 10% para o teste de hipótese, a maior parte dos resultados referentes à densidade populacional teve significância de até 1%, denotando a confiabilidade dos estimadores. Aliado aos resultados do r2, pode-se dizer que houve bom ajustamento geral dos modelos e das análises de dados procedidas no presente trabalho (GUJARATI, 2000; CAMERON; TRIVEDI, 2005; HAIR JR. et. al, 2006; WOOLDRIDGE, 2006), o que corrobora para a validade interna dos modelos adotados (TSANG; KWAN, 1999).
Verificou-se que quanto maior a população de shopping centers, maior a taxa de fundação, esta crescendo a taxas negativas, confirmando a hipótese H1, tanto no modelo de Yule como no modelo log-quadrático. Essa confirmação ocorreu tanto em âmbito nacional como também nas macrorregiões brasileiras, exceto a região Norte, possivelmente pelo baixo número de observações.
A hipótese H2, quanto maior a densidade de massa total, menores as taxas de fundação na população de shopping centers, não pôde ser confirmada dentro das especificações de significância adotadas neste trabalho, embora os resultados apontem a tendência de influência direta e negativa. Essa não confirmação pode ter se dado pela própria especificação de significância adotada, que talvez pudesse ser flexibilizada em função dos dados de massa terem sido obtidos somente de maneira agregada junto à ABRASCE, sem o detalhamento da sua composição.
Verificou-se também que conforme o tamanho médio dos shopping centers aumenta, a taxa de novos entrantes se reduz, confirmando a Hipótese H3, ou seja, mesmo que a população apresente maior legitimidade, a competição entre os shoppings tende a ser mais desigual. Além disso, a adoção da ABL média para população de shopping centers ao longo do plano de observação, indicando o tamanho médio capaz de captar os efeitos das expansões individual de cada shopping center, como já abordado, pode ser insuficiente. Assim, seria necessário o levantamento da evolução individual de ABL de cada shopping center no plano de observação adotado para se obter resultados e análises mais consistentes.
Com relação às relações com a densidade de massa verificadas em H2 e H3, resgata-se ainda que Baum (1998) indicou resultados pouco confiáveis em estudos anteriores, pois dependendo do grupo estratégico que caracteriza a competição no qual a organização está inserida, não é possível aplicar nessa organização as inferências de toda uma indústria.
A teoria prevê que a trajetória evolutiva da população de shopping centers aponta para um processo de legitimação da população (BAUM, 1995), dado que aparentemente o patamar de estabilização ainda não foi atingido. A trajetória ascendente da curva de densidade populacional da indústria de shopping centers no Brasil remete à curva do recente trabalho sobre a evolução da densidade das emissoras de televisão nos Estados Unidos entre 1940 e 2000 (PERRETTI; NEGRO; LOMI, 2008). Embora o trabalho de Perretti, Negro e Lomi (2008) tenha como foco identificar os processos que motivaram o surgimento de novas formas organizacionais na população de emissoras de TV na fase inicial desta indústria, de 1940 a
1960, no âmbito populacional a evolução da densidade indicou que o pico de organizações ainda estava por ser atingido.
Considerando que a decisão de investimento em um empreendimento como um shopping center leva em conta aspectos competitivos e institucionais, este trabalho traz aos executivos do setor uma outra perspectiva para avaliação dos mercados, a da população de shopping centers. Aprofundar as análises que este trabalho realizou para cada macrorregião, segundo a metodologia adotada, pode trazer informações para contribuir nas tomadas de decisão de investimento em determinada região, considerando em suas estratégias a fase evolutiva da população.
Dadas as dificuldades em se obter dados longitudinais, seria interessante que a ABRASCE mantivesse uma base de dados categorizada conforme a metodologia adotada neste trabalho, para que futuros trabalhos possam verificar a continuidade da trajetória populacional aqui apresentada, de maneira mais detalhada. Seria um ótimo começo manter a elaboração do censo de shopping centers realizado em 2008 para os próximos anos. Uma base com as ABLs de cada shopping center ao longo do tempo, incluindo expansões, permitiria realizar um trabalho ponderando o tamanho de cada organização, como fez Barron (1999), ou ainda realizando essa ponderação em âmbitos regionais, como fez Lomi (1995) com os bancos italianos. Trabalhos como esses podem ampliar o entendimento de como o setor está evoluindo competitiva e institucionalmente. Os trabalhos sobre demografia que o IBGE vem realizando poderiam considerar a adoção dos conceitos apresentados por este trabalho, uma vez que a base de dados do CNAE permitiria estudos em maior abrangência. Como o BNDES, mantém políticas de estímulo ao setor de shopping center, espera-se que este trabalho contribua para a complementação das suas análises setoriais.
Uma dificuldade enfrentada no presente trabalho foi que a coleta de dados relacionados aos shopping centers se revelou mais complexa do que o esperado, pois obter os dados segundo o plano de observação (1966-2008) para a população delimitada de shopping centers no Brasil exigiu diversos contatos com a ABRASCE, além das reuniões já mencionadas, para categorização e validação dos dados obtidos. Embora já previsto por Carroll e Hannan (2000), as dificuldades de obtenção de dados confiáveis para estudos longitudinais, diversos dados tiveram que ser checados mais de uma vez junto à ABRASCE, em um processo no qual, dada a população de 377 shopping centers, consumiu bastante tempo deste trabalho.
Vale ressaltar as limitações deste trabalho. Do ponto de vista metodológico, a delimitação da população de shopping centers que, mesmo embasando os critérios da ABRASCE com o
referencial teórico, pode ter excluído empreendimentos supostamente aptos a compor a população deste estudo. A definição das variáveis de controle obedeceu mais a disponibilidade de dados para o período estudado do que a própria adequação ao presente trabalho. Em levantamentos no IBGE e no IPEA, por exemplo, não foi possível obter séries de PIBs per capta e consumo de energia elétrica no varejo em âmbito regional para o período de observações deste trabalho. Adotar o PIB em âmbito regional captura os efeitos econômicos na população, mas não necessariamente traduz o poder de compra dos consumidores, variável mais relacionada à capacidade de consumo. Mesmo outras variáveis que poderiam ser consideradas, como o controle do capital e faturamento dos shoppings, e expansão do crédito, por exemplo, não possuíam séries de dados disponíveis para o período de observações deste trabalho.
Uma perspectiva de evolução do presente trabalho seria, aproveitando os modelos econométricos aqui adotados, montar análises preditivas para o crescimento para a indústria brasileira de shopping centers, seja para o número total de shoppings como para as taxas de fundação estimadas. Pode-se ainda investigar aspectos relacionados à idade dos shopping centers na população delimitada, analisando os efeitos da inércia estrutural (HANNAN; FREEMAN, 2005) e da armadilha de competência (BAUM; INGRAM, 1998). Outra possibilidade é delimitar geograficamente uma região ou cidade densamente populada por shopping centers, e investigar aspectos da competição decorrentes do tamanho e localização física dos shopping centers, como fizeram Baum e Haveman (1997) com os hotéis em Manhattan.
Finalmente, espera-se que o aparente ineditismo deste trabalho na realidade brasileira ajude a provocar o surgimento de novos trabalhos similares, realizados em outras populações de empresas brasileiras, validando ainda mais os resultados aqui apresentados.
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ANEXO 2 – Relação dos shopping centers por data de inauguração (FONTE: ABRASCE)
NOME DO SHOPPING INAUGURAÇÃO CIDADE UF
1 SHOPPING CENTER IGUATEMI SAO PAULO 28/11/66 SAO PAULO SP 2 SHOPPING CENTER LAPA‐SP 26/11/68 SAO PAULO SP 3 SHOPPING CENTER TRÊS 25/11/69 SAO PAULO SP 4 SHOPPING JOÃO PESSOA 04/12/70 PORTO ALEGRE RS 5 SHOPPING CONJUNTO NACIONAL 21/11/71 BRASILIA DF 6 COM‐TUR SHOPPING CENTER 13/10/73 LONDRINA PR 7 SHOPPING CENTER DA GÁVEA 01/01/75 RIO DE JANEIRO RJ 8 CONTINENTAL SHOPPING 01/10/75 SAO PAULO SP
9 SHOPPING IGUATEMI SALVADOR 05/12/75 SALVADOR BA
10 TOP CENTER SHOPPING 10/12/75 SAO PAULO SP 11 SHOPPING IBIRAPUERA 06/08/76 SAO PAULO SP 12 SHOPPING PANAMBY JARAGUA 25/04/77 SAO PAULO SP 13 BH SHOPPING 12/09/79 BELO HORIZINTE MG 14 SHOPPING NOVO BATEL 14/12/79 CURITIBA PR 15 SHOPPING ID (ex Venâncio 3000) 01/01/80 BRASILIA DF 16 ITANHANGA CENTER 01/01/80 RIO DE JANEIRO RJ 17 RIO SUL SHOPPING CENTER 29/04/80 RIO DE JANEIRO RJ 18 SHOPPING CENTER IGUATEMI CAMPINAS 06/05/80 CAMPINAS SP 19 SHOPPING METROPOLE 16/05/80 SAO BERNARDO SP
20 SHOPPING RECIFE 07/10/80 RECIFE PE
22 RIBEIRAOSHOPPING 05/05/81 RIBEIRAO PRETO SP
23 SHOPPING ELDORADO 10/09/81 SAO PAULO SP
24 FLAMBOYANT SHOPPING CENTER 16/10/81 GOIANIA GO
25 BARRASHOPPING 27/10/81 RIO DE JANEIRO RJ
26 SHOPPING CENTER IGUATEMI FORTALEZA 01/04/82 FORTALEZA CE
27 SHOPPING ITAGUACU 28/04/82 SAO JOSE SC 28 MORUMBISHOPPING 01/05/82 SAO PAULO SP 29 SAO CONRADO FASHION MALL 01/10/82 RIO DE JANEIRO RJ 30 Shopping Center Itália 30/11/82 CURITIBA PR 31 SHOPPING CENTER IGUATEMI PORTO ALEGRE 13/04/83 PORTO ALEGRE RS 32 MUELLER SHOPPING CENTER DE CURITIBA 01/09/83 CURITIBA PR 33 PARKSHOPPING 08/11/83 BRASILIA DF 34 RIO DESIGN LEBLON 30/11/83 RIO DE JANEIRO RJ 35 SHOPPING CENTER NORTE 07/04/84 SAO PAULO SP 36 CASASHOPPING 14/09/84 RIO DE JANEIRO RJ 37 SHOPPING CENTER DELLA GIUSTINA 01/11/84 CRISCIUMA PR 38 SHOPPING CENTER AGUAVERDE 01/11/84 CURITIBA PR 39 BAUHAUS SHOPPING CENTER 01/11/84 PETROPOLIS RJ
40 SHOPPING BAIXA DOS SAPATEIROS 01/01/85 SALVADOR BA
41 NITEROISHOPPING 06/11/85 NITEROI RJ
42 SHOPPING CENTER PIEDADE 20/11/85 SALVADOR BA
43 NORTESHOPPING 01/07/86 RIO DE JANEIRO RJ
44 PLAZA SHOPPING 02/10/86 NITEROI RJ
46 SHOPPING CENTER AMERICANAS‐P.PRUDENTE 01/11/86 PRESIDENTE PRUDENTE SP
47 CENTERVALE SHOPPING 28/05/87 SAO JOSE DOS CAMPOS SP
48 MIRAMAR SHOPPING CENTER 09/06/87 SANTOS SP
49 Lar Center 12/06/87 SAO PAULO SP
50 SHOPPING BARRA 17/11/87 SALVADOR BA
51 SHOPPING PIRACICABA 01/01/88 PIRACICABA SP