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Some additional insight on probability and probative force

In document Rational Antitrust Analysis (sider 166-179)

5.2 Rational evidence assessment

5.2.4 Some additional insight on probability and probative force

O Carnaval das três primeiras décadas do século XX trouxera importantes transformações que poriam em ordem as categorias cada vez mais definidas diante da complexidade carnavalesca que havia até então. Grandes sociedades, corsos, ranchos, blocos e cordões pareciam denominações suficientes para acomodar todas

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as expressões carnavalescas no fim dos anos 1920. Essa organização tipológica levava a crer que havia se chegado a uma acomodação nas disputas carnavalescas. No entanto, é exatamente nesse período que uma nova forma de Carnaval toma de assalto a cidade e se torna a mais importante expressão do Carnaval brasileiro dali para a frente, constituindo “uma verdadeira síntese de manifestações carnavalescas anteriores”, segundo Rachel Soihet (1998, 155-156). Nasciam nos morros as escolas de samba.

O samba começara a ganhar visibilidade na imprensa desde o final dos anos 1920, e a despertar a atenção da elite interessada em aproximar-se da “cultura popular” a partir do movimento modernista. Os morros tinham passado a atrair a sua atenção e o samba transformara-se na expressão musical do país. Muitos dos que cantavam e tocavam nos grupos de samba faziam parte dos grupos carnavalescos, principalmente dos blocos e dos cordões, com seus instrumentos e ritmos. Um desses grupos era o bloco Velha Guarda do Morro da Mangueira.

Os jornais cariocas interessavam-se cada vez mais pelo tema, em busca de novos formatos para os seus concursos. Assim, em 1929, O Jornal patrocinaria uma enquete para saber qual o melhor samba daquele Carnaval, enquanto o jornal A Vanguarda promoveria uma disputa entre grupos de samba de três regiões da cidade – Osvaldo Cruz32, Mangueira33 e Estácio34 –, da qual o primeiro se tornaria vencedor, com samba de Heitor dos Prazeres. Este foi reconhecido como o primeiro concurso entre escolas de samba, apesar dos grupos ainda não terem esse nome. Em pouco tempo, foi sendo construída uma narrativa sobre o conceito de “tradição” em torno do ritmo, que destacava a vertente negra da folia carioca e fazia com que o samba e as manifestações negras deixassem de ser coadjuvantes para assumir o lugar de protagonistas do Carnaval.

O primeiro concurso entre as escolas ocorreu em 1932 e foi patrocinado pelo jornal Mundo Sportivo. Os sambas eram improvisados no momento do desfile, mas a prática foi mudando, aos poucos, com a criação do samba-enredo no ano seguinte, carnaval em que O Globo promoveu o que de fato é considerado o primeiro campeonato entre escolas de samba, com desfiles na Praça Onze. O desfile de 1933

32 Bairro das adjacências de Madureira, onde surgiram Portela e Império Serrano.

33 Morro perto do Maracanã, de onde saiu a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. 34 Bairro de ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul, nos arredores da Tijuca, onde foi criada a

primeira escola de samba, a Deixa Falar, e depois a Unidos de São Carlos, que mudaria para Estácio de Sá.

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despertaria o interesse do poder público, e já contaria com verba destinada aos sambistas pela prefeitura do Distrito Federal.

A Estação Primeira de Mangueira foi a vencedora do primeiro Campeonato de Escolas de Samba promovido pelo Globo, em 1933. Com uma comissão de frente vestida a rigor, a agremiação de Carlos Cachaça e Cartola apresentou o enredo “Uma segunda-feira do Bonfim, na Ribeira” e encantou as quase 40 mil pessoas que lotaram a Praça Onze para assistir à apresentação das escolas. (TARTAGLIA, 1933).

A partir daí a Praça Onze passa a atrair as atenções anteriormente voltadas exclusivamente à antiga Avenida Central. Inicia-se um processo de esgotamento dos ranchos e a abertura para essas novas formas de brincar o Carnaval que vinham desses subúrbios e dos morros da cidade.

Ainda eram grupos chamados de blocos, considerados pitorescos, com seus sambas e batuques, mas que já atraiam a atenção pois, além do novo ritmo – o samba, que cada vez mais caía no gosto da população –, já haviam incorporado elementos visuais que lhes davam uma certa “opulência decorativa” e “originalidade” (FERREIRA, 2004, p. 342-343).

A Praça Onze se mantém como o lugar central das escolas de samba até 1941 quando começam as obras de construção da Avenida Presidente Vargas, inaugurada em 1944. Mesmo já oficializadas, ainda assim não seria permitido às escolas de samba desfilar na Avenida Rio Branco, ainda o palco principal da folia carnavalesca, e até 1948 os desfiles dessas agremiações trocariam de lugar e seriam realizados em diferentes locais. Em 1952, as apresentações começam a ser feitas em um tablado construído perto do Campo de Santana, na Avenida Presidente Vargas, mantendo-se neste local até 1956. Só a partir de 1957, as escolas de samba ocupariam pela primeira vez a Avenida Rio Branco, o “palco nobre” do Carnaval. Desse ano em diante, as escolas nunca mais deixaram de estar no lugar de maior destaque do Carnaval carioca, em uma ascensão meteórica.

2.2.2 Deixa Falar: a primeira escola de samba

Conhecida como a primeira escola de samba do Rio, a Deixa Falar na verdade era um bloco, criado no dia 12 de agosto de 1928, no bairro do Estácio de Sá, no entorno da Praça Onze. O nome escola de samba foi dado por Ismael Silva em referência à Escola Normal que havia no bairro, e foi aí que batizaram o bloco com o

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nome de “escola de samba” pois ele seria responsável por formar “professores do gênero”. Faziam parte do bloco sambistas muito conhecidos, como Heitor dos Prazeres, Bide, Mano Edgar, Mano Aurélio, Nilton Bastos, Armado Marçal, Baiaco, Brancura e Ismael Silva. A sede do bloco era a casa de cômodos que Ismael morava, na rua do Estácio, 27. A Deixa Falar na verdade nunca foi uma escola de samba, apesar de ter sido a origem desse termo. Só deixou de ser bloco em 1931 para tornar- se rancho e encerrou a breve carreira em 1933, integrando-se ao novo União do Estácio de Sá.

A turma de compositores e sambistas do Estácio foi pioneira na história das escolas de samba e na transformação dos chamados “compositores do morro” em grandes nomes da música nacional. E o que justifica a mudança de nomenclatura de bloco para o de escola de samba nas novas agremiações, segundo Vianna (2004, p.42-43), são as inovações introduzidas pelo Deixa Falar a partir de então e por meio dos seus organizadores no Carnaval carioca. São elas:

a) ao contrário dos blocos de sujos, espontâneos, mas considerados desordeiros, era um bloco de cordas, em que os integrantes desfilavam protegidos por uma grande corda, que restringia o acesso e diminuía o risco de confusões. Esses blocos de corda precisavam de autorização policial para desfilar;

b) tinha cores definidas, mais um traço de organização, e o vermelho e o branco foram as escolhidas por causa do time de futebol América, vizinho, e em homenagem ao bloco A União Faz a Força, de Mano Rubem, lendário compositor do Estácio que havia morrido aos 23 anos de tuberculose;

c) foi o primeiro a sair com surdo, invenção atribuída a Bide, irmão mais velho de Mano Rubem. Como não havia microfone, era difícil ouvir os cantores e eles tinham que improvisar versos nas segundas partes dos sambas, ficando os estribilhos para as segundas vozes do restante do bloco. O surdo servia para marcar a volta da segunda para a primeira parte, avisando ao coro que era sua vez de cantar de novo;

d) ao contrário dos ranchos que tinham muitos instrumentos de sopro, a Deixa Falar só tinha percussão, o que deu origem às baterias das escolas de samba;

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obrigatório para todas as escolas, exigência mantida até hoje.

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