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Rationally assessing the probative force of evidence

In document Rational Antitrust Analysis (sider 155-166)

5.2 Rational evidence assessment

5.2.3 Rationally assessing the probative force of evidence

Os ranchos têm seu auge no início do século XX, com a criação do Ameno Resedá, em 1907. Sua sede ficava no Catete e seus desfiles eram organizados em torno de um tema, o que era uma novidade. Em seu primeiro desfile, o rancho desfila com uma orquestra de vinte músicos que inclui instrumentos de sopro, com um repertório que traz trechos de óperas, como O Guarani, e um coro de vozes femininas. O escritor Jota Efegê relata em seu livro “Ameno Resedá: o rancho que foi escola” (1965) que o que chamou mais a atenção do público foi a apresentação de um tema, “Corte Egipciana”, em que se misturavam fantasias muito luxuosas à música sofisticada e erudita. Os jornais da época agora dando vivas aos ranchos como as formas mais civilizadas de um “verdadeiro Carnaval”, como haviam feito anteriormente com as sociedades, numa contraposição ao carnaval dito mais popular, como descreve trecho do Jornal do Commercio:

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de folguedo. São eles que, ao rugar dos seus pandeiros e tambores, vêm trazer ao centro da cidade todo esse álacre ruído sem o qual não teríamos um verdadeiro carnaval. (JORNAL DO COMMERCIO, 22 fev. 1909).

Em 1911, o Ameno Resedá é recebido pelo Presidente da República, Hermes da Fonseca, e seus convidados, nos jardins do Palácio Guanabara, com o enredo “A Corte de Belzebu”. Em 1913, sai com um tema que saúda a Conferência de Haia. O rancho traz uma comissão de frente que representa os ministros dos países, além de uma imitação da Caravela Santa Maria, com Cabral e seis navegantes, um mestre- sala e uma porta-bandeira. Ali estavam alguns dos elementos que mais tarde seriam incorporados às escolas de samba. Até 1941, o Ameno Resedá desfilará com muitos enredos diferentes.

Figura 14: Rancho Ameno Resedá, Corte de Belzebuth, 1911.

Fonte: EFEGÊ, 2009.

O papel dos ranchos é de extrema relevância, pois eles serão os mais importantes mediadores entre o que desejam as populações das classes mais baixas e a elite nacional da época. Pelos ranchos, a burguesia passa a aceitar as formas populares de brincar o Carnaval, criando espaço para que novos grupos e novas formas se imponham.

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Verdadeira ponte entre o Carnaval popular e aquele desejado pela burguesia, os ranchos estabeleceriam um elo entre duas festas que vinham se mantendo isoladas desde as tentativas de imposição do Carnaval burguês, nas primeiras décadas do século XIX. Ao articular cantos populares com trechos de óperas, fantasias sofisticadas com materiais singelos, alegorias imponentes com elaborações precárias, os ranchos conseguiram a proeza de falar à alma dos ricos e pobres [...]. Sua forma de desfile, com comissão de frente, grupos fantasiados, mestre-sala e porta-estandarte, será a base para a estruturação das escolas de samba, juntamente com o batuque, as danças e as baianas dos cordões. (FERREIRA, 2004, p. 305).

Nesse mesmo período, em paralelo, há também os cordões, grupos influenciados pelos cucumbis, que são cortejos de negros que saem para dançar nos dias de Carnaval. Ferreira aponta que, apesar desses grupos já existirem antes, seria só em 1868 que o Jornal do Commercio faria uma referência pela primeira vez a eles. Era a Sociedade Carnavalesca Quecumbi, que desfilava em cortejo com reis e rainhas de Congo, nobres e outros personagens, e cujo passeio percorria as ruas do Centro e terminava em frente ao Teatro de São Pedro de Alcântara, na Praça da Constituição (atual Praça Tiradentes). Mas as notícias sobre esses grupos eminentemente negros desaparecerem dos jornais por longo tempo, só voltando ao noticiário em 1886, com a saída do grupo Iniciadora Cucumbi, e, nos anos seguintes, de vários outros. A relação dos cucumbis com os cordões era imensa.

Como se pode entrever pelas poucas descrições disponíveis, a organização, os sons e a composição desses cucumbis carnavalescos do século XIX vão estabelecer forte relação com grupos de negros que seriam identificados com aquilo que, no início do século XX, seria a forma mais popular do Carnaval, chamada genericamente de cordão. (FERREIRA, 2004, p. 286).

Os cordões não eram grupos homogêneos, como os ranchos. Muitos eram relacionados à violência, cujos registros em jornais relatam as tensões, como o episódio que noticiado em 11 de fevereiro de 1902 pelo Jornal do Commercio e que teve grande repercussão na mídia. Do embate entre os foliões do cordão Estrela dos Dois Diamantes e os do Flor de Primavera, acabariam resultando dois mortos. O episódio é detalhadamente descrito pelo historiador e memorialista Luís Edmundo (2003, p. 514-518), que conta como os foliões do Estrela dos Dois- Diamantes, que iam de bonde do Centro para Botafogo, acabaram surpreendidos de forma violenta pela turma do Filhos da Primavera, tocaiada, na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo. Na violenta briga, além dos muitos feridos, morrem dois componentes do cordão Estrela dos Dois Diamantes: Angelino Gonçalves, o Boi, e Jorge dos Santos. No dia seguinte, um grupo de cordões da cidade aparece para acompanhar o cortejo

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fúnebre, que vai sendo engrossado por inúmeros foliões, até acabar em um verdadeiro delírio carnavalesco no cemitério. Este é um fato emblemático, que ganhou as páginas dos jornais no início do século XX. Diversos outros conflitos foram registrados e também imprimiriam essa marca de violência e conflito aos cordões.

Mas havia outro tipo de cordões, compostos por homens, mulheres e crianças, que desfilavam com coreografias elevavam estandartes, como era o Flor da Lira de Bangu (1904) e o Flor de Santa Luzia (1905), por exemplo. Nos primeiros anos da década de 1910, alguns jornais já se referem a esses grupos de forma menos negativa, até que na década de 1930 os cordões já são “encarados não mais como grupos agressivos, mas sim como uma das mais fortes expressões da “alma brasileira”, tornando-se quase a essência do Carnaval popular (FERREIRA, 2004, p. 296). O escritor João do Rio (2007, p. 127) escreveria em sua crônica “Cordões”: “Os cordões são os núcleos irredutíveis da folia carioca, brotam como um fulgor mais vivo e são antes de tudo bem do povo, bem da terra, bem da alma encantadora e bárbara do Rio”.

Em relação às sociedades, os ranchos, blocos e cordões trazem a novidade de cantarem músicas próprias, embalados por instrumentos de percussão, sob o comando de um mestre e seu apito. Não têm carros alegóricos mas carregam estandartes. Para Ferreira (2005), cordões e blocos eram considerados termos genéricos até a década de 1910. Segundo ele, na década seguinte, intelectuais e imprensa começam a estudar e classificar em categorias essas manifestações, separando então os diversos grupos. Eneida de Moraes, ou simplesmente Eneida como ficou conhecida, foi a primeira autora que fez, de fato, uma extensa classificação e conceituação das diferentes manifestações carnavalescas, em seu livro “A história do carnaval carioca”, de 1957. Autores como ela e Rachel Soihet consideram ranchos como evoluções dos cordões, classificados como "cordões mais civilizados". Já Nelson da Nóbrega Fernandes argumenta que a própria Eneida reconheceu mais tarde linhas evolutivas diversas entre ambas as manifestações.30

Os ranchos começaram a decair na década de 1940, até desaparecerem gradualmente. O ano de 1941 marca o fim do Ameno Resedá, e para alguns cronistas da época, aí estava decretada a morte dos ranchos. O sistema de competição entre eles, criado em 1909 pelo Jornal do Brasil e vencido pelo Mamãe Lá Vou Eu, que

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desbancou o Ameno Resedá, é tido como uma das razões para o seu declínio, junto com as dificuldades financeiras enfrentadas que os levariam a se distanciar de suas tradições promovendo bailes e outros eventos. No entanto, há registros de ranchos ainda na década de 1950, como descreve Gonçalves:

Em 1957, a cronista Eneida enumerou 11 ranchos que desfilariam pela Avenida Rio Branco na segunda-feira de Carnaval: Aliados de Quintino, Inocentes de Catumbi, Unidos do Cunha, Unidos do Morro do Pinto, Unidos de Quintino, Resedá, Índios do Leme, Azulões da Torre, Aliança de Quintino, União dos Caçadores, Tomara que Chova. (MORAES, 1957 apud GONÇALVES, 2006, p. 75).

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