5 Materials & methodology utilized
5.1 Materials
5.1.5 Soil and crop for the greenhouse experiment
Como vimos anteriormente houve uma quebra de coesão. A estrutura narrativa do texto é determinada pelas presenças de Maria Madalena, os dois discípulos, um (pequeno) diálogo entre Maria e os anjos, e por último o diálogo entre Maria e Jesus que lhe confia uma missão.
A quebra de coesão é abundante nesse texto. A ação começa quando no domingo ainda escuro, Maria Madalena vai ao sepulcro onde Jesus, dois dias antes, fora sepultado. Chegando lá encontra o sepulcro aberto; alguém retirou a pedra que o fechava.
3.3.1 A Inserção do Relato de Pedro e o Discípulo Amado
A partir do versículo 2, começa uma nova narrativa: Maria chega correndo onde estava Pedro e o discípulo predileto de Jesus (subentende-se que esse discípulo seja João), dizendo que o corpo de Jesus tinha sido retirado do túmulo e não sabemos onde o colocaram. Pedro se dirige ao sepulcro juntamente com o outro discípulo; este correu mais rápido do que Pedro e chegou primeiro, inclina-se e vê os lençóis no chão mas não entra. Pedro chega atrás dele entra, e observa os lençóis; o outro discípulo que chegou primeiro, entra, vê e crê. Eles não tinham entendido que as escrituras anunciavam que Jesus iria ressuscitar. E os dois voltaram para casa.
Os versículos 1 e 2 introduzem as duas perícopes: a corrida dos discípulos e a aparição a Maria. Os versículos de 11-13 formam a angelofania que são vestígios da tradição; e a ligação entre as duas histórias. Eles dão unidade e coerência às duas narrativas.
3.3.2 Maria Madalena Reaparece no Túmulo
No versículo 11, a narrativa retorna à pessoa de Maria Madalena, que está chorando, fora do sepulcro. Ainda chorando ela se inclina e olha dentro do sepulcro e vê dois anjos sentados, no local onde estava o corpo de Jesus. Ao ser indagada pelo motivo do choro a resposta dada é que não sabe onde o corpo de Jesus foi colocado. Ao ver Jesus ela o confunde com o jardineiro, querendo saber onde colocaram o corpo de Jesus. Ao ser chamada pelo nome ela O reconhece. Acontece um encontropessoal entre Jesus e Maria.
João 20,1-18 não pode ser considerado um texto coerente. São duas narrativas diferentes. Há uma inserção dos versículos de 2-10 dentro da perícope de Maria Madalena que originalmente, são os versículos de 1.11-18. A segunda narrativa apresenta coesão, existe uma ligação dos fatos. Enquanto que a primeira não tem ligação com a personagem
Maria Madalena. O versículo 2 foi inserido estrategicamente para fazer a junção entre as duas perícopes.
4 JOÃO 20 – UM CONFLITO DE AUTORIDADE
O nosso interesse nesse texto recai sobre a figura de Maria Madalena na comunidade joanina e os conflitos gerados com a liderança masculina. A intervenção redacional unindo duas tradições será abordada nessa perspectiva.
Podemos dividir o texto dessa maneira:
20,1-2: Introdução da ida de Maria Madalena ao sepulcro 20,2-10: Pedro e o Discípulo Amado vão ao sepulcro 20,11-18: aparição de Jesus a Maria Madalena
O tema da perícope original é o encontro de Jesus, vivo depois de sua morte, com Maria Madalena.
Diferentemente dos demais evangelhos, que narram o descobrimento feito pelas mulheres do sepulcro aberto e vazio, na manhã do domingo. João, nessa narrativa menciona apenas uma mulher: Maria Madalena. Ela é a única mulher que tem o nome citado nas quatro versões dos textos. João faz de Madalena a única testemunha da ressurreição. Embora para Schnackenburg,103 isso não é uma invenção joanina mas, da fonte usada por ele. Entendemos que essa construção representa o tipicamente joanino.
Nessa perícope podemos ler a comunidade joanina composta por três grupos de tradições: Maria Madalena, João e Pedro. Maria Madalena foi a primeira testemunha da ressurreição; João foi o primeiro a acreditar; depois da morte de Tiago, Pedro se destaca como líder entre eles. Contradizendo essa idéia de liderança, outros autores, entre eles
Brown e Beasley-Murray,104 consideram que a corrida entre Pedro e o Discípulo Amado, não é vista como competição nem rivalidade mas, uma forma de respeito a Pedro. Nesta narrativa o Discípulo Amado sobrepõe-se a Pedro, mas em nenhum momento o desrespeita.
A corrida dos dois discípulos é quase uma competição; Pedro é o chefe evidente em todo o momento, mas o outro discípulo é o predileto. Esteve à direita de Jesus na ceia, na morte está ao pé da cruz, corre mais depressa e é o primeiro a crer. O narrador anota o retorno dos discípulos para casa e abre o espaço para o encontro de Maria Madalena sozinha com Jesus. O discípulo amado não é nomeado. Sua espera para Pedro entrar primeiro no túmulo não é explicada. Talvez houvesse alguma preocupação para apresentar a primazia do amor do outro discípulo o qual Jesus amava. Supõe-se que há um paralelo entre a história de Maria Madalena e Jesus, e há um possível paralelo entre o discípulo amado (homem) e a discípula amada (mulher). Esse tipo de competição era conhecido na Igreja primitiva (1Coríntios) e nos evangelhos apócrifos. Tal competição esclarece o papel de Maria Madalena na Igreja primitiva. Pedro é o primeiro a inspecionar e entrar, mas é o outro discípulo (não nomeado) quem vê e crê. A corrida dos discípulos sustenta a hipótese de legitimar uma liderança apostólica. Existia a rivalidade e competição entre as lideranças apostólicas. Nos escritos joaninos há conflitos entre João, Pedro, Maria Madalena, Tomé e Filipe; os três últimos serão conhecidos como lideranças nos escritos gnósticos. Não é por acaso que a figura de Tomé seja apresentada de forma negativa; aquele que acredita, só tocando Jesus. João reconhece a liderança petrina, mas quem tem a autoridade de testemunhar a verdade sobre Jesus, é o Discípulo Amado. Perante Pedro, o Discípulo Amado é exaltado e o supera. Os conflitos surgidos entre eles, mais do que lutas de poder, é como é transmitida a fé cristã para a comunidade. Qual o rosto de Jesus que é mostrado aos seus seguidores? Sabemos que cada evangelista apresenta uma imagem de Jesus nas suas comunidades.105
104
BEASLEY-MURRAY, John George R. Comment – Mary Magdalene and two Disciples visit the Tomb of
Jesus. (20, 1-10). Word Biblical Commentary. Vol 36. Word Books, Texas, 1999. p. 370-378.
105 PAGELS, Elaine. Além de toda a crença – o evangelho desconhecido de Tomé. São Paulo: Objetiva, 2004.
p. 38-82. SCHÖKEL, Luís Alonso. Bíblia do Peregrino. São Paulo: Paulus, 2002. p. 2617. THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press, 1995. p. 69-70.
O evangelista coloca o Discípulo Amado em contraste com Pedro. Ao fazer isso ele está afirmando a superioridade do discipulado joanino sobre a da comunidade petrina. Mesmo Pedro sendo reabilitado no capítulo 21, o que vemos em outras passagens joaninas é o inverso. Ele nega ser discípulo de Jesus, na última ceia depende do Discípulo Amado para obter informações, ele não está aos pés da cruz, ele não é o primeiro a crer na ressurreição, e não reconhece o Senhor ressuscitado como faz o Discípulo Amado. Isso faz com que se conclua que os “cristãos joaninos, representados pelo Discípulo Amado, considerem-se claramente mais próximos de Jesus”. A disputa entre a liderança joanina e petrina é sobre a questão do discipulado.106
O outro conflito de autoridade é entre o Discípulo Amado e Maria Madalena. Isso abordaremos a seguir.