5 Materials & methodology utilized
5.2 Methodology
5.2.6 Dynamic sorption experiments of potassium (K + ) with a SiO 2 ‒MnO 2 ‒diatomite composite
Esse evangelho foi encontrado juntamente com outros escritos na região da Nag- Hammadí, (ver Anexo) ao sul do rio Nilo, em 1945.
O evangelho de Filipe contém uma centena de fragmentos breves extraídos de várias obras, sendo algumas valentinianas136. Possivelmente o grego é a língua original da composição, na segunda metade do século III. O lugar de composição é desconhecido, mas pode ter sido na Síria, pelo fato de alguns fragmentos estarem escritos em siríaco. Os escritos coptas provavelmente são do século IV. É provável que o original grego não tenha subsistido, temos somente a tradução copta.137
135 Segundo Chilton, no século I não existem fontes que representem conflitos entre Pedro e Madalena. Eles
surgiram entre os séculos II e IV, por causa da disputa de autoridade que cada um representava. CHILTON, Bruce. Maria Madalena – biografia. Lisboa: Editorial Estampa, 2006. p. 153. Fiorenza completa essa hipótese afirmando que A Ordem Apostólica da Igreja traz evidências em que a disputa sobre o testemunho da ressurreição entre Maria Madalena e Pedro faz supor uma situação eclesial real; já que os dois tiveram autoridade apostólica em algumas comunidades até nos séculos III e IV. Nessa época autores patrísticos jogam a autoridade de Pedro contra Maria Madalena. FIORENZA, Elisabeth Schüssler. As origens cristãs a
partir da mulher. São Paulo: Ed. Paulinas, 1992. p. 77. Embora concordemos com a afirmação do século II,
mas não concordamos de que não há fonte do século I sobre esse debate. A leitura exegética de João 20 nos permite perceber o conflito já presente nesse relato.
136 Valentino era um mestre e líder cristão que desempenhava um papel ativo na Igreja de Roma. Apesar de
desempenhar um papel público no culto e no ensino dentro da comunidade cristã, ele se reunia com seus alunos, formando um grupo à parte; com o tempo foram banidos do cristianismo oficial. Desse grupo foram encontrados vários fragmentos que ficaram conhecidos como escritos valentinianos; “estão entre os mais notáveis remanescentes da literatura cristã antiga”. LAYTON, Bentley. As escrituras gnósticas. São Paulo: Loyola, 2002. p. 317-320.
137 ROBINSON, James M. A biblioteca de nag hammadí. São Paulo: Madras, 2006. p. 128-129.
Pela insistência nos sacramentos, existe a hipótese desse evangelho ser uma catequese. Ele é semelhante aos catecismos ortodoxos do século II ao século IV.138 Enquanto o evangelho de Tomé é semelhante aos evangelhos canônicos, no de Filipe, a fonte é totalmente diferente.
3.2.1 Maria Madalena no Evangelho de Filipe
No evangelho de Filipe, Maria Madalena representa a companheira de Cristo, encarnação da Sofia celeste.
Havia três que sempre andavam com o Mestre: Maria sua mãe, sua irmã e Madalena, aquela a quem era chamada de sua companheira. Sua irmã e sua mãe e sua companheira eram, cada uma, uma Maria.139 (59)
O evangelho afirma que o Senhor a amava mais do que todos os discípulos, e a beijava com freqüência na boca:
Assim como a Sabedoria é chamada de “infecunda”, ela é a mãe dos anjos. E a companheira de [...] Maria Madalena. [...amava] ela mais que a [todos] os discípulos, [e costumava] beijá-la [frequentemente] na sua [... (boca)]. O resto dos [discípulos...] Eles disseram a ele, “Por que tu a amas mais do que todos nós?” O Salvador respondeu e disse a eles, “Por que eu não vos amo como ela? Quando um cego e aquele que vê estão juntos na escuridão, eles não são diferentes um do outro. Quando vem a
138 KUNTZMANN, Raymond; DUBOIS, Jean-Daniel. Nag hammadi – o evangelho de Tomé. São Paulo: Ed.
Paulinas, 1990. p. 61. LAYTON, Bentley. As escrituras gnósticas. São Paulo: Loyola, 2002. p. 388. ROBINSON, James M. A biblioteca de nag hammadí. São Paulo: Madras, 2006. p. 128.
luz, então aquele que vê verá a luz, e aquele que é cego permanecerá na escuridão”.140 (63-64)
A palavra boca não existe no texto; se deduz que neste espaço fragmentado a palavra escrita fosse boca. No mundo mediterrâneo, o gesto de beijar na boca demonstrava confiança e intimidade familiar. O beijo, em hebraico, tem como significado comunicar o espírito. Maria Madalena recebia os ensinamentos do Mestre141. O beijo de Jesus em Maria constitui a prova de que ela pertence ao seu grupo mais próximo; não se trata de um beijo romântico como costuma ser interpretado.142
Para fugir das interpretações erotizadas do beijo é importante entender que no Evangelho de Filipe o casamento é inferior aos espíritos de luz.
O ser humano tem relações sexuais com o ser humano. O cavalo tem relações sexuais com o cavalo, o asno com o asno. Os membros de uma raça geralmente se associam com aqueles da mesma raça. Assim o espírito se mistura com o espírito, e o pensamento se associa com o pensamento, e a luz se divide [com a luz. Se tu] nasceste um ser humano, é o ser humano quem te amará. Se tu te tornas [um espírito], é o espírito que se unirá a ti. Se tu te tornas um pensamento, é o pensamento que se associará contigo. Se tu te tornas luz, é a luz que se dividirá contigo. Se tu te tornas um daqueles que pertencem às alturas, é àquele que pertence às alturas que te confortará. Se tu te tornas cavalo, ou asno, ou touro, ou ovelha ou outros animais que estão fora ou abaixo, então nem ser humano, nem espírito, nem pensamento, nem luz será capaz de te amar. Nem mesmo aqueles que pertencem às alturas, nem aqueles que estão
140 ROBINSON, James M. A biblioteca de nag hammadí. São Paulo: Madras, 2006. p. 134.
141 FARIA, Jacir de Freitas. As origens apócrifas do cristianismo – comentário aos evangelhos de Maria
Madalena e Tomé. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 55.
142 O beijo na boca desperta a imaginação. Escritores como Dan Brown buscam ver nesse texto uma prova de
que Jesus era casado com Maria Madalena. No Código da Vinci o autor ignora, por completo, o significado das relações corporais para o pensamento gnóstico.
dentro serão capazes de confortar-te, sendo que tu não fazes parte deles.143 (78-79)
Desse modo o beijo de Jesus e Maria no evangelho de Filipe é símbolo de uma relação espiritual, por isso ela é mais importante que os discípulos. Os perfeitos por meio do beijo, recebiam e transmitiam a semente pneumática, ou seja, o pneuma, o espírito. O beijo era sinal de amizade e de fraternidade entre os irmãos. Como transmissão do conhecimento os mestres costumavam beijar os seus discípulos na boca. Para os gnósticos a salvação era obtida pelo “ouvir”, ao escutar os ensinamentos da boca do mestre, esta mesma boca era utilizada para simbolizar a transmissão da verdade. O beijo gnóstico era um rito entre os crentes. Nos primeiros séculos era comum, os cristãos usarem o beijo como um ritual nas celebrações. Era uma maneira de comungar a mesma fé144.
(...) É por ser prometido ao lugar celestial que o homem [recebe] o alimento. [...] dele pela boca. [E assim] veio a palavra daquele lugar (dizendo) 58 que seriam alimentados pela boca e se tornariam perfeitos. Sendo ela através de um beijo que o Perfeito concebe e dá à luz. Por esse motivo, nós nos beijamos uns aos outros. Recebemos a concepção da graça que está no meio de nós.145 (58-59)