• No results found

4 Background

4.6 Perspectives for recycling and environmental remediation

A presença das mulheres no sepulcro é um tema controverso. A presença e o número das mulheres no sepulcro bem como o papel que elas desempenham nos relatos, provocam divisões diferenciadas entre os pesquisadores. Isso veremos a seguir.

Para Thompson,83

nos Evangelhos, a presença das mulheres como testemunhas, é uma forma de intensificar a importância delas. Além de revelar duas ou três discípulas mulheres, além de Maria Madalena, é possível refletir que o discurso sobre o encontro de Maria com o Cristo Ressuscitado é a história original e que os evangelhos sinóticos multiplicaram o número de mulheres participantes.

Essa afirmação é contestada por outros autores, entre eles Brown e Ashton,84 que afirmam a origem das narrativas da ressurreição tendo o grupo de mulheres e João unifica- as somente em uma: Maria Madalena. Sabemos da importância de Maria Madalena para a comunidade joanina, mas confiamos na hipótese de que Jesus tenha aparecido para um grupo de mulheres, até pelas circunstâncias da época.

Crossan85 emite opinião diferente sobre as narrativas joaninas da ressurreição. Ele defende a tese de que, na narrativa do sepultamento, túmulo e visão, há dois pontos de vista: primeiro, Marcos criou a descoberta do túmulo vazio pelas mulheres e a narrativa do sepultamento. Segundo, Mateus criou a narrativa da aparição de Jesus às mulheres para transformar o final negativo de Marcos, oferecendo um final mais positivo. E João copiou a versão de Mateus. Analisando os cinco evangelhos (os quatro canônicos e um apócrifo- Evangelho da Cruz) comprovou que são as mulheres as primeiras a encontrar o túmulo vazio. E o único que apresenta uma imagem negativa das mulheres é o Evangelho de Marcos, pelo fato de terem sido elas silenciadas e não contarem a ninguém sobre a ressurreição. Uma hipótese para a censura marcana é que ele tenha preferido calar e optado por não incluir as narrativas das aparições no seu evangelho.

83 THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press,

1995. p. 12-21; 63-64.

84 ASHTON, John. Understanding the fourth gospel. Oxford, Claredon Press. 1993. p. 505. BROWN,

Raymond Edward. El evangelio segun Juan. Madri: Ediciones Cristiandad, 1979. Vol. II. p. 1289.

O Evangelho de Marcos valoriza Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e José, e Salomé, dada a sua importância e autoridade na época, exatamente como Pedro, Tiago e João86. Concordamos com o autor ao defender que no Evangelho de João, Pedro, Maria Madalena e Tomé são líderes essenciais em comunidades distintas, assim como fora o discípulo Amado na comunidade joanina.

A aparição de Jesus ressuscitado a Maria Madalena em João 20 e o anúncio que faz aos discípulos, é uma completa criação Mateana; e ainda há três elementos mateanos em João 20,14-17. 1º A ordem e a promessa do túmulo vazio “Ide contar aos discípulos” Mt 28,10; 2º as mulheres “abraçaram-lhe os pés, prostrando-se diante dele” Mt 28,9b; só em Mateus elas podem abraçar Jesus e só em João que recebem a ordem para não tocá-lo. 3º um ponto importante é a missão: “Ide anunciar a meus irmãos” Mt 28,9-10. Para o autor, a aparição a Maria Madalena não tem base tradicional.87

Não concordamos com a posição de Crossan e defendemos a tese fundamentada em outros autores (Brown, Ashton)88 de que a aparição de Jesus a Maria Madalena faz parte da tradição, e de que João não dependeu de fontes sinóticas. Segundo Thompson89,

existe um acordo geral de que a narrativa do túmulo vazio do quarto evangelho contém história ou grupo de histórias pré- redacionais que surgiram a partir das tradições primitivas; e também há elementos comuns com os evangelhos sinóticos.

O retrato das mulheres na narrativa de Mateus parece ser apenas de observadoras passivas. Já no quarto evangelho, seus papéis mudam, pois elas se tornam evangelistas.

86

CROSSAN, John Dominic. O nascimento do cristianismo. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 584-593.

87CROSSAN, John Dominic. O nascimento do cristianismo. São Paulo: Paulinas, 2004. p. 584-593.

88 BROWN, Raymond Edward. El evangelio segun Juan. Madri: Ediciones Cristiandad, 1979. Vol. II. p.

1280-1282. ASHTON, John. Understanding the fourth gospel. Oxford, Claredon Press. 1993. p. 503.

89

THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press, 1995. p. 63-64.

Maria vai aos outros discípulos e diz: “Eu vi o Senhor”(20,18). Em todas as narrativas do túmulo vazio, Maria Madalena conduz as mulheres a anunciar a mensagem da ressurreição.90 Pelo fato de existirem algumas semelhanças entre os sinóticos e João, isso não quer dizer que João tenha sido totalmente influenciado por eles.

Existem estudos que afirmam que Maria Madalena era um membro proeminente da Igreja Cristã Primitiva, de modo que seria impossível eliminar o seu nome das narrativas da ressurreição. Sua influência espalhou-se e permaneceu em uma parte significante das narrativas no século terceiro. Sua importância na comunidade cristã explica a consistência dos escritos evangélicos em incluí-la em todos os discursos da crucificação, dos evangelhos sinóticos, do enterro, e do túmulo vazio.91

Conclusão

À luz dessa discussão podemos traçar alguns pontos que nos possibilitam uma aproximação da perícope:

1º – que a presença de mulheres como testemunha da ressurreição é um marco do cristianismo primitivo;

2º – que esse marco foi ganhando características teológicas importantes. O que explicaria que o número de mulheres que aparecem nos evangelhos mais antigos é reduzido a uma única mulher no Evangelho de João.

3º – que essa redução deve ser lida dentro dos marcos teológicos do Evangelho, o que relativiza discussões do tipo do ir ou não ir sozinha de madrugada ao sepulcro. O que está em jogo é a figura de Maria Madalena como uma liderança em oposição a outras lideranças. Essa é a perspectiva que vai direcionar o estudo da perícope.

90 THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press,

1995. p. 63-64.

91THOMPSON, Mary R. Mary of Magdala: Apostle and leader. New York and Mahwah, N.J.: Paulist Press,

2 A PERÍCOPE

João 20,1-18