4 EMPIRI & ANALYSE
4.3 Gjennomgang og analyse
4.3.2 Sofies tekst
Quando se trata de usar novas tecnologias, como no caso da aprendizagem online de LEs, o aprendente se depara com uma nova experiência, que no dizer de Fontaine e Chun (2010, p. 31) seria “uma ecologia nova ou em mutação”79, que leva o aprendente a enfrentar três grandes desafios, sendo o primeiro deles “lidar com as reações físicas e psicológicas a estranheza em si – ecochoque”. Esse choque com a nova realidade pode gerar sentimentos negativos que vão influenciar sua capacidade de adaptação à nova realidade e seu desempenho. O segundo desafio é desenvolver e implementar estratégias para executar com sucesso as tarefas essenciais à sobrevivência em um ambiente que ainda lhe causa estranheza e, finalmente, o terceiro desafio que consiste em manter a motivação para seguir em frente apesar da inevitável frustração, fadiga, ecochoque e baixo desempenho iniciais.
Para Fontaine e Chun (2010, p. 32) o senso de presença é o estado da mente no qual “estamos psicologicamente presentes na situação-tarefa imediata e conscientes da amplitude de suas características ecológicas”80. Quando as tarefas são rotineiras e habituais, esse senso de presença não é requerido, ou seja, o indivíduo não tem a necessidade de estar alerta o tempo todo, mas ao contrário, ele age mecanicamente. Por outro lado, quando “as novas ecologias não são familiares, devemos ficar alertas para uma espectro muito maior de
79
No original: “a new or changing ecology”
80
No original: “we are psychologically present in the immediate task situation and are broadly aware of a range of ecological characteristics of it”
caracteríticas ecológicas; não sabemos quais serão importantes. (...) Para sermos efetivos em terras estranhas, precisamos estar 100% envolvidos, 100% presentes!”81 (p.33).
A definição de senso de presença dada por Fontaine e Chun (2010) envolve a característica psicológica de estar em um local em particular. Neste caso, o meio não é relevante, mas a percepção de que o indivíduo tem de se encontrar em outro lugar como em um ambiente virtual, por meio de operação remota de instrumentos e máquinas ou algo semelhante. Essa definição de senso de presença se opõe ao termo presença social (SHORT; WILLIAMS e CHRISTIE, 1976 apud FONTAINE e CHUN, 2010, p. 35) que é definido como
uma qualidade subjetiva do meio de comunicação que reflete a capacidade de transmitir pistas sobre a expressão facial, direção do olhar, postura, vestimentas e outros indícios não verbais que são a chave da comunicação efetiva. (...) A presença social é percebida como a capacidade do meio em transmitir esses indícios (...) não implica necessariamente a experiência de estar verdadeiramente lá.82
Enquanto Fontaine e Chun (2010) referem-se ao estado de alerta que o aprendente ativa ao adentrar um novo ambiente de aprendizagem, denominando essa característica psicológica de sobrevivência como senso de presença, Gayol (2010, p. 209) define presença social como “a habilidade de projetar a personalidade social em uma comunidade”83; essa habilidade é fundamental para que se estabeleça um senso de comunidade.
Em outras palavras, a atitude ativa do aprendente, o envolvimento nas discussões, a interação com outros aprendentes online, aliadas à habilidade em dar pistas não verbais, tais como: o estado de humor ou reações a comentários em fóruns e salas de bate-papo, são elementos que irão delinear a presença online do aprendente e favorecer a construção do senso de comunidade à qual pertence.
Concordo com Garrison (2006) ao afirmar que as aulas presenciais em salas tradicionais de ensino/aprendizagem de LEs exigem do aprendente uma agilidade verbal, espontaneidade e confiança em se expressar que nem sempre é possível. Como nos cursos
online o aprendente possui mais tempo para reflexão, Garrison (2006, p. 25) relata que “[h]á
81 No original: “the new ecologies are unfamiliar, we must be aware of a much broader range of ecological
characteristics; we do not know which are going to be important. (…) To be effective in strange lands, we need to be nearly 100% involved, 100% present!”
82 No original: a subjective quality of the communication medium that reflects its capacity to transmit cues about
facial expression, direction of looking, posture, dress, and other nonverbal cues that are key to effective communication. (…) Social presence is a perceived capacity of the medium to convey these cues (…) not necessarily entail an experience of actually being there.”
evidência para sugerir que a aprendizagem online pode ter vantagem em apoiar a colaboração e a criação de um senso de comunidade”84, o que pressuponho ser possível, pois como o ambiente online não exige a mesma agilidade verbal do ambiente tradicional, o aprendente desfruta de tempo suficiente para elaborar suas ideias e se expressar com maior confiança no ambiente online, contribuindo para o fortalecimento de seu senso de pertencimento à comunidade de aprendizagem.
Mais adiante, Garrison (2006, p. 27) refere-se à presença social como condição sine
qua non para que se construa um senso de comunidade e presença cognitiva, apresentando o
argumento de que os “cursos que intencionalmente constroem um senso de comunidade e atividades colaborativas demonstrarão elevada presença social”85, mas para que isso ocorra,
as situações devem ser desenhadas para que os alunos tenham a oportunidade de interagir formal e informalmente com seus pares. (...) As orientações associadas a este princípio deveriam incluir o estabelecimento de confiança e de oportunidades de se conhecer outros participantes. O objetivo é estabelecer o conforto e o desejo de engajar-se colaborativamente na comunidade86. (p. 27)
Garrison (2006) refere-se à educação online de modo geral e, de modo específico, à educação superior a distância. Apesar da singularidade desses contextos, muitos dos princípios e orientações podem ser aplicados aos cursos online de LEs, principalmente no que concerne à presença social, ao papel do professor e ao planejamento do curso online. A orientação que Garrison (2006) preconiza ao valorizar o trabalho colaborativo e fomentar discussões críticas sobre determinado assunto pode ser aplicada aos cursos de LEs online com o objetivo de criar condições para que os aprendentes de LEs interajam entre si, criem os vínculos com a comunidade de aprendizagem necessários para a instalação de um senso de segurança que torna possível, até aos mais instrospectivos, manifestar suas ideias e participar mais ativamente via salas de bate-papo, fóruns, salas virtuais, e emails, só para citar algumas maneiras de estabelecer e manter a comunicação entre aprendentes e demais participantes do grupo.
84 No original: “There is evidence to suggest that online learning may in fact have an advantage in supporting
collaboration and creating a sense of community.”
85 No original: “courses that intentionally build a sense of community and collaborative activities will
demonstrate increased social presence.”
86 No original: “situations must be designed where students have an opportunity to interact formally and
informally with peers. (…) Guidelines associated with this principle would be to establish trust and opportunities to get to know other participants. The goal is to establish a comfort and willingness to collaboratively engage with the community.”
O professor ou tutor, como um dos membros da comunidade de aprendizagem online, também cumpre papel importantíssimo de incentivo à participação dos alunos. Não só sua participação é fundamental neste sentido, como os aprendentes, em geral, demandam maior atenção, interação e retorno por parte dos professores, conforme relatam Capra (2011), Moore (2009), Plana e Ballester (2009), Sampson (2003), Strambi e Bouvet (2003) inter alios. A necessidade de apoio e retorno que os aprendentes denotam pode levar à satisfação com o curso e, consequentemente, maior motivação pela experiência bem-sucedida de aprendizagem (RUDESTAM; SCHOENHOLTZ-READ, 2010; ZHANG; GOEL, 2011) ou à frustração (BAÑADOS, 2006; HARA; KLING, 1999).
O que mais diferencia a experiência de aprendizagem de LEs via Internet da experiência em salas de aulas tradicionais é o compartilhar de um mesmo espaço físico, ao mesmo tempo, com a possibilidade de interação imediata com seus pares e com o professor. No contexto tradicional face-a-face, os aprendentes podem observar o que é comunicado de modo não verbal e a percepção da dimensão afetiva é mais nítida como veremos no próximo item. Para minorar este aspecto impessoal dos cursos online, Russell (2005) propõe a utilização de aplicações que favoreçam a comunicação não-verbal, geralmente comuns nas aulas tradicionais e ausentes ou raras nos cursos online, pois dessa forma os aprendentes teriam acesso aos tons de voz, usos de gestos, a linguagem corporal e outras pistas não- verbais.