4 EMPIRI & ANALYSE
4.3 Gjennomgang og analyse
4.3.3 Lisas tekst
Diversos autores como Bañados (2006), Gayol (2010), Luke, (2006), White (2003), Zhao (2003) inter alios, compartilham da mesma opinião de que a motivação desempenha papel relevante na aprendizagem de LEs e é um dos fatores preponderantes para que o aprendente siga sua jornada de aprendizagem online. Embora correndo o risco de recair no determinismo tecnológico, o simples uso do computador já é bastante motivante para os aprendentes acostumados a cursos presenciais tradicionais, talvez pela quebra de rotina que represente ou pelo apelo multimodal e inovação tecnológica que representam.
Ao apontar a implementação do uso de computadores nas salas de aula de LEs como um fator motivacional importante, Luke (2006) ratifica o consenso geral de que os alunos gostam muito de usar computadores e recursos da Internet e insiste na premissa de que a motivação é um dos maiores fatores influenciadores no processo de ensino-aprendizagem de LEs, mesmo reconhecendo a dificuldade de entender seu funcionamento e operacionalização. No entanto, sua observação se aplica mais diretamente aos cursos tradicionais ou híbridos por incorporarem o uso de computadores em suas práticas tradicionais. Por outro lado, ao referir- se de modo mais específico aos cursos de LEs online, Sampsom (2003, p. 104) afirma que
[t]oda aprendizagem requer um grau de motivação, autodisciplina e independência em benefício do aprendente, mas esses aspectos, embora discutíveis, são mais pertinentes no caso da aprendizagem a distância, onde o aluno é amplamente autodirigido e não supervisionado e deve cumprir a expectativa de ser mais autônomo.91
Brown, H. D. (2007, p. 86-87) descreve a hierarquia de necessidades de Maslow (1970) numa tentativa de demonstrar que na base de sua pirâmide estão às necessidades
91
No original: “All learning requires a degree of motivation, self-discipline, and independence on behalf of the learner, but these aspects are arguably more pertinent in the case of distance learning, where the student is largely self-directed and unsupervised, and expected to be more autonomous.”
físicas básicas e no topo, a autorrealização. Segundo essa teoria, o ser humano está sempre em busca de satisfação e encontra na autorrealização seu ápice. Maslow (1970 apud BROWN, H. D., 2007) classifica as necessidades humanas em cinco grupos: necessidades fisiológicas (alimento, água, ar, sexo, descanso...), necessidades de segurança (pessoal, ambiental, profissional...), necessidades afetivas, necessidades de estima (reconhecimento pessoal de nossas capacidades e reconhecimento por outros de nossa capacidade) e, finalmente, as necessidades de autorrealização, em que o indivíduo procura tornar-se aquilo que ele pode ser, ou seja, é a realização plena de seu potencial.
Brown, H. D. (2007) considera a contribuição de Maslow (1970) muito importante, pois sua teoria hierarquiza as necessidades, numa forma de garantir que as necessidades de níveis superiores somente podem ser atingidas após satisfeitas as necessidades de níveis inferiores, como por exemplo no caso de uma pessoa com fome, até que se satisfaça sua necessidade de alimento, essa pessoa não terá outra(s) motivação(ões). Por outro lado, essa mesma teoria, segundo Brown, H. D. (2007) permite entender que determinados procedimentos são fundamentais para garantir a motivação para a autorrealização, em outras palavras, muitas vezes o professor não percebe que uma atividade até mesmo rotineira satisfaz a necessidade básica, permitindo que o aprendente olhe para os níveis superiores e busque sua autorrealização na aprendizagem de LE.
Seguindo por outro caminho, há dois tipos de motivação que requerem uma distinção mais clara, quais sejam: a motivação extrínseca e a motivação intrínseca. A primeira baseia-se em um sistema de recompensas, i. e., o que o aprendente pode ganhar (ou deixar de perder) e se configura em uma recompensa que ele busca receber. Desta maneira, uma promoção no trabalho, uma promessa de viagem ao exterior, uma bolsa de estudos ou a participação em um programa de intercâmbio são exemplos de motivadores extrínsecos. No caso da motivação intrínseca, não há nada claro que a defina, como no caso das recompensas, pois a recompensa que o aprendente recebe é pessoal. Significa dizer que o fato de se perceber capaz de se comunicar em outra língua, ter prazer em estudar aspectos gramaticais ou valorizar o aprendizado cultural que a língua traz em si são variáveis que motivam intrínsecamente o aprendente.
Nessa conjuntura, o rol de possibilidades que pode vir a motivar (ou frustrar) os aprendentes de LEs que optam pela modalidade online de aprendizagem é muito vasto. Ao mesmo tempo em que Luke (2006) ratifica o consenso geral de que os aprendentes se regozijam com o uso da tecnologia e sentem-se intrinsecamente motivados, outros
aprendentes não possuem o mesmo encantamento pelos computadores e podem se sentir desconfortáveis em uma aula que se apoie massivamente em recursos tecnológicos. (p. 31-32)
O relato de Plana (2009, p. 409), por exemplo, de que “a instrução online pode ser uma experiência de grande entusiasmo ou um pesadelo incrível”92 foi baseado em opiniões de aprendentes. Consequentemente, mais uma vez me apoio em Zhang e Gayol, (2011) para me referir às experiências anteriores como fatores internos que tanto podem motivar os alunos a desenvolver suas habilidades linguísticas online quanto afastá-los definitivamente dessa modalide.
Outros fatores internos, segundo Zhang e Gayol (2011), são: a) apelo às inovações tecnológicas; b) habilidade online; e c) atitude geral em relação à tecnologia. Tratados em conjunto, esses fatores favorecem um resultado de aprendizagem positivo e satisfatório, elevando o grau de motivação dos aprendentes e a probabilidade de eles tornarem a fazer algum curso online.
Os fatores externos propostos por Zhang e Gayol (2011) são: a) a facilidade de uso (do equipamento e dos recursos disponíveis no curso de LE online) e b) o suporte institucional, percebido como o apoio da equipe técnica responsável pelo curso online, assim como o apoio do professor e sua disponibilidade para tirar dúvidas e dar retorno sobre sua aprendizagem.
A qualidade do suporte institucional já foi discutida por outros autores (CABERO, 2006; HARA; KLING, 1999; MOORE, 2009; PLANA; BALLESTER, 2009) tanto do ponto de vista técnico, quanto a respeito da rapidez de resposta dos professores diante da demanda dos aprendentes online. Ao que se percebe, quanto maior a comunicação, o apoio institucional e o retorno dos professores, mais satisfeito e motivado se torna o aprendente.
De modo geral, há questões as mais diversas que de uma forma ou de outra influenciam a motivação dos aprendentes. Na verdade, dos aspectos já relatados nessa revisão da literatura, basicamente todos podem se tornar geradores de satisfação e motivação ou, ao contrário, determinar o fracasso na aprendizagem de LEs, elevar a ansiedade e a frustração ao longo do processo de ensino/aprendizagem online e, consequentemente, materializar o abandono do curso.
No capítulo a seguir, descrevo a metodologia adotada para narrar as trilhas de aprendizagem da jornada iniciada por um aprendente de LE (inglês) em ambiente online, suas
expectativas, anseios, motivações, frustrações e toda série de fatores que foram aqui revistos e outros que porventura venham a se somar nesta tentativa de demonstrar os cuidados com as pedras do caminho e revelar as epifanias93 da aprendizagem de LEs online.
93
Momentos de iluminação nos quais o aprendente percebe algo importante que revela uma face de seu processo de aprendizagem, como por exemplo, chegar à conclusão do uso correto de uma determinada estrutura gramatical ou emprego de uma palavra em um contexto menos comum.
CAPÍTULO III
INSTRUMENTOS DE APOIO À JORNADA: ASPECTOS METODOLÓGICOS DA INVESTIGAÇÃO
A pesquisa relatada nesta dissertação se configura como uma pesquisa qualitativa de caráter interpretativista, situada na área de Linguística Aplicada, dentro da subárea de ensino- aprendizagem de línguas, relatada por meio de um estudo de caso, cujo foco é a descrição dos processos de aprendizagem autônoma em ambiente online como uma alternativa ao ensino dito tradicional (presencial).