pelo THST, é o resultado de um processo faseado de identificação, análise e avaliação de fatores de risco presentes nos locais de trabalho.
A metodologia Ergo@Office pretende ser uma metodologia integrada, que abranja todas as fases necessárias à prossecução da implementação de medidas preventivas eficazes e do controlo da sua eficácia ao longo do tempo de uma forma participativa, (embora se reconheça que as ferramentas que incluem as temáticas autoavaliadas têm tendência a ser sistematicamente enviesadas (Hansson et al., 2001, Nordander et al., 2012)), e que permita que todos os intervenientes, sejam eles os THST ou trabalhadores, contribuam com informações, o que resultará em ganhos que se crê poderão vir a compensar essas limitações.
Aquando da criação de novos instrumentos, ou da tradução de instrumentos existentes para outras línguas, é esperado que sejam apresentadas medidas de fidelidade, fiabilidade e validade. No essencial a fidelidade e a fiabilidade são conceitos equivalentes, dado tratar-se de versões alternativas da tradução para português do termo da língua inglesa reliability (Maroco e Garcia-Marques, 2006). De acordo com Bryman e Cramer (1992) a fidelidade de uma medida refere-se à sua consistência, e pode ser considerada nas vertentes externa (grau de consistência ao longo do tempo) e interna (esta existe apenas se cada escala
suficiente para a existência da validade, que diz respeito ao grau de precisão com que os conceitos são representados pelos enunciados específicos de um instrumento de medida (Murphy e Davidshofer,1988).
Dada a natureza transversal do estudo empírico patente nesta tese, não houve recolha de dados da mesma amostra em períodos diferentes, nem recolha de dados utilizando instrumentos diferentes para a recolha de dados sobre os mesmos constructos para a mesma amostra. Contudo, dos instrumentos que integram a ferramenta, aqueles de natureza mais subjetiva e que medem constructos (NMQ e COPSOQ) foram objeto, na sua génese, de análises de fiabilidade e de validade, o que contribuiu para a sua escolha para integrar a ferramenta Ergo@Office. Quanto aos outros instrumentos integrantes da ferramenta, nomeadamente os questionários para recolha de dados sociodemográficos e sobre o estilo de vida e a lista de verificação para guiar a análise de fatores de ergonomia física, não foram desenvolvidos ainda estudos para avaliar estas propriedades de fidelidade e validade. No caso dos questionários, a avaliação de fiabilidade, isto é, ajuizar se a recolha de dados estaria de acordo com a teoria existente, não foi considerada prioritária, dado que os dados recolhidos através destes instrumentos apenas servem para caracterizar a amostra. Quanto à lista de verificação, no domínio da fiabilidade, sendo esta preenchida por um investigador ou técnico, será necessário realizar futuramente estudos para avaliar a sua fiabilidade interavaliador.
No que à validade diz respeito, para os questionários sobre o estilo de vida e os dados sociodemográficos, não seria custoso encontrar uma medida alternativa independente, mas seria fastidioso para a amostra ter de responder a dois instrumentos muito semelhantes ao mesmo tempo para avaliar a validade daquilo que são instrumentos para recolha de dados essencialmente factuais e que não envolvem a transformação de constructos elaborados, não sendo assim de esperar que venham a apresentar reduzida validade. Para a lista de verificação dos fatores de ergonomia física, dado que esta se baseia em grande medida na avaliação objetiva de relações dimensionais, e de grandezas medidas fisicamente, para além da constatação da existência ou não de condições de trabalho de acordo com recomendações específicas, não foi estabelecida como prioridade, na realização do presente estudo, avaliar a validade da mesma através da utilização de um instrumento de medida independente no mesmo momento de aplicação. Contudo, considera-se o desenvolvimento futuro desta avaliação como pertinente, a par da avaliação da fiabilidade interavaliador deste instrumento.
A participação dos trabalhadores em todas as fases do processo desde a identificação dos riscos até à implementação de medidas preventivas, ou de análise e intervenção ergonómica, tem um valor imensurável para o sucesso e a eficácia da implementação das medidas preconizadas pelos técnicos nos planos de intervenção, assim como na racionalização de recursos financeiros.
Na Figura 7 expõe-se um diagrama com todas as fases que compõem a metodologia integrada Ergo@Office, assim como a identificação dos intervenientes em cada uma delas.
Figura 7: Diagrama das fases que compõem a metodologia Ergo@Office (THST=Técnico de higiene e segurança no trabalho; TRAB=Trabalhador)
Na primeira fase, designada por identificação de fatores de risco, o THST aplica a metodologia de identificação de fatores de risco Ergo@Office nos postos de trabalho do contexto laboral, e em seguida ministra formação aos trabalhadores cujos postos de trabalho foram estudados. Sugere-se que nesta fase sejam definidas prioridades para as intervenções, iniciando-se a formação aos trabalhadores e o restante processo de avaliação de riscos nos postos de trabalho que apresentaram um maior número de desadequações ergonómicas.
Esta formação tem como objetivo principal dotar os trabalhadores de competências ao nível da ergonomia que lhes permitam propor um plano de intervenção ergonómica para o seu posto de trabalho e vir a adotar uma atitude de prevenção e melhoria contínua, sendo deste modo a análise ergonómica do trabalho reconhecida como um meio para a formação profissional (Lacomblez e Vasconcelos, 2011). Concomitantemente, pretende-se sensibilizar os trabalhadores em relação aos fatores de risco a que estão expostos no seu local de trabalho, e às consequências nefastas desta exposição, mormente as lesões músculo- esqueléticas relacionadas com o trabalho, providenciando-lhes informações que lhes permitam adotar boas práticas de ergonomia no seu quotidiano laboral.
A estrutura pedagógica da formação, com a definição dos objetivos gerais e específicos, assim como a estrutura de conteúdos formativos pode ser analisada em pormenor no Anexo III.
Fase 2: Análise e