As correlações com a variável referente à ‘percentagem de zonas corporais com queixas músculo-esqueléticas’ nos 12 meses anteriores à resposta para o género feminino, estão resumidas na Figura 19, onde se pode observar que existe uma correlação positiva moderada com as variáveis ‘sintomas depressivos’ (0,337) e ‘problemas em dormir’ (0,312) que, por sua vez apresentou uma correlação positiva forte a variável ‘burnout’ (0,531). No que respeita às correlações negativas moderadas, exibiu-as com as variáveis ‘saúde geral’ autoavaliada (- 0,390) e ‘recompensas’ (-0,303). Esta última apresentou correlações positivas fortes com as seguintes variáveis: ‘satisfação no trabalho’ (0,557), ‘justiça e respeito’ (0,563), ‘qualidade da chefia’ (0,506) e ‘apoio social dos superiores’ (0,556).
Figura 19: Correlações com a variável percentagem de zonas corporais com queixas músculo- esqueléticas nos 12 meses anteriores para o género feminino (QME=queixas músculo-esqueléticas nos 12 meses anteriores; ASC=apoio social dos colegas; ASS=apoio social dos superiores; BUR=burnout;
CFLT=compromisso face ao local de trabalho; CL=conflitos laborais; CST=comunidade social no trabalho; CV=confiança vertical; JR=justiça e respeito; PD=problemas em dormir; QC=qualidade da chefia; REC=recompensas; SAT=satisfação no trabalho; SD=sintomas depressivos; SG=saúde geral; STR=stress) Ao analisar as correlações das variáveis relativas a fatores da ergonomia com as referentes às da psicossociologia do local de trabalho, verificou-se que três se destacavam, nomeadamente a ‘postura’, o ‘arranjo espacial’ e o ‘mobiliário’. Iniciando a análise pela variável ‘postura’ (Figura 20) verificou-se que existiam correlações positivas moderadas com as variáveis ‘ferramentas de trabalho’ (0,352), ‘exigências emocionais’ (0,302) e as ‘exigências cognitivas’ (0,401) que, por sua vez apresentou uma correlação positiva forte com a variável ‘possibilidades de desenvolvimento’ (0,598).
Figura 20: Correlações com a variável postura para o género feminino (POS=postura; CFLT=compromisso face ao local de trabalho; EC=exigências cognitivas; EE=exigências emocionais; FT=ferramentas de trabalho; IT=influência no trabalho; POD=possibilidades de desenvolvimento)
No respeitante à variável arranjo espacial (Figura 21) verificou-se que existia uma correlação negativa moderada com a variável ‘influência no trabalho’ (-0,329) a qual, apresentou correlações positivas moderadas com as variáveis ‘justiça e respeito’ (0,323), ‘significado do trabalho’ (0,366), ‘previsibilidade’ (0,482) e ‘possibilidades de desenvolvimento’ (0,400).
Figura 21: Correlações com a variável arranjo espacial para o género feminino (AE=arranjo espacial; IT=influência no trabalho; JR=justiça e respeito; POD=possibilidades de desenvolvimento; PRE=previsibilidade; ST=significado do trabalho)
Por fim a variável ‘mobiliário’ (Figura 22) exibiu uma correlação negativa moderada com a variável ‘previsibilidade’ (-0,338), a qual apresentou correlações positivas fortes com as variáveis ‘justiça e respeito’ (0,610), ‘qualidade da chefia’ (0,560), ‘satisfação no trabalho’ (0,549), ‘recompensas’ (0,536) e ‘transparência do papel laboral desempenhado’ (0,507).
Figura 22: Correlações com a variável mobiliário para o género feminino (MOB=mobiliário; ASS=apoio social dos superiores; CL=conflitos laborais; CFLT=compromisso face ao local de trabalho; CV=confiança vertical; JR=justiça e respeito; PRE=previsibilidade; QC=qualidade da chefia; REC=recompensas; SAT=satisfação no trabalho; ST=significado do trabalho; TPLD=transparência do papel laboral desempenhado)
Na análise das queixas por segmentos anatómicos agrupados (Figura 23), identificou-se uma correlação negativa moderada entre as ‘queixas nos membros inferiores’ e a variável ‘saúde geral’ autoavaliada (-0,332) e correlações positivas moderadas entre o mesmo tipo de queixas com as variáveis ‘idade’ (0,315), ‘sintomas depressivos’ (0,476), ‘stress’ (0,396) e ‘burnout’ (0,341). As queixas nos membros superiores apresentaram correlações positivas moderadas com as ‘queixas nos membros inferiores’ (0,466) e a variável ‘problemas em dormir’ (0,334) e correlações da mesma intensidade mas com sentido inverso com as variáveis ‘recompensas’ (- 0,354) e ‘apoio social dos superiores’ (-0,330).
Figura 23: Correlações com as variáveis percentagem de zonas corporais com queixas músculo- esqueléticas nos membros inferiores e superiores nos 12 meses anteriores para o género feminino (MI=membros inferiores; MS=membros superiores; ASS=apoio social dos superiores; BUR=burnout; ID=idade; PD=problemas em dormir; REC=recompensas; SD=sintomas depressivos; SG=saúde geral;
Na análise da matriz de correlações para o género feminino representada pela Tabela 20, identificaram-se correlações positivas fortes entre a variável ‘prática semanal de exercício físico’ e as variáveis ‘percentagem de zonas corporais nos membros superiores com queixas’ (0,713) e ‘percentagem de zonas corporais nos membros inferiores com queixas’ (0,526).
A variável ‘duração da semana de trabalho’ apresentou correlações negativas moderadas com as variáveis ‘percentagem de zonas corporais com queixas músculo-esqueléticas nos membros inferiores’ (-0,377) e ‘percentagem de zonas corporais com queixas músculo-esqueléticas na coluna vertebral’ (-0,383). Por outro lado, a variável ‘número de filhos menores de 16 anos’ e a variável ‘duração média diária do trabalho doméstico’ apresentaram uma correlação positiva moderada (0,398).
Tabela 20: Matriz de correlações com as variáveis percentagem de zonas corporais com queixas músculo-esqueléticas nos 12 meses anteriores para o género feminino (MS= membros superiores; MI=membros inferiores; COL=queixas na coluna; IMC=índice de massa corporal; DTD= duração média diária do trabalho doméstico; FIL=n.º de filhos menores de 16 anos; PEX=prática semanal de exercício físico; DST=duração da semana de trabalho)
Na matriz de correlações de Spearman para o género feminino respeitante à duração da utilização dos equipamentos eletrónicos, verificou-se a existência de uma correlação negativa forte entre a variável ‘duração da utilização da consola de jogos’ e, a variável ‘queixas na coluna dorsal’ (-0,775) e uma correlação da mesma intensidade mas com sentido inverso com a variável ‘queixas nos cotovelos’ (0,577).
Identificaram-se ainda correlações positivas moderadas entre a variável de ‘duração da utilização da consola de jogos’ e as variáveis ‘queixas nas ancas/coxas (0,378) e ‘queixas nos tornozelos/pés’ (0,378), identificou-se ainda uma correlação da mesma intensidade mas com sentido inverso com a variável ‘queixas na pernas/joelhos’ (-0,378)
Na matriz representada na Tabela 21, verificou-se a existência de correlações negativas moderadas entre a variável ‘duração da utilização do leitor de DVD’ e as ‘queixas na coluna cervical’ (-0,386) e entre a variável ‘duração da utilização do computador portátil’ e as ‘queixas na coluna dorsal’ (-0,315) por fim; tem-se uma correlação positiva moderada entre a variável ‘duração da utilização do telemóvel’ e as ‘queixas nos cotovelos’ (0,417).
MS MI COL IMC DTD FIL PEX DST
MS 1 MI 0,466 1 COL 0,240 0,296 1 IMC 0,227 0,236 0,217 1 DTD 0,152 0,168 0,072 0,089 1 FIL -0,093 -0,242 0,133 -0,187 0,398 1 PEX 0,713 0,526 0,422 0,132 -0,213 -0,291 1 DST -0,250 -0,377 -0,383 0,039 -0,258 -0,085 -0,428 1
Tabela 21: Matriz de correlações com as variáveis de duração de utilização de equipamentos eletrónicos para o género feminino (DDVD=duração de utilização do DVD; DTV= duração de utilização da TV; DPOR= duração de utilização do computador portátil; DPC= duração de utilização do PC; DCJ= duração de utilização da consola de jogos; DTEL= duração de utilização do telemóvel; QCC=queixas na coluna cervical; QOM= queixas no ombro; QCO= queixas no cotovelo; QPM= queixas no punho/mão; QCD= queixas na coluna dorsal; QCL= queixas na coluna lombar; QAC= queixas nas ancas/coxas; QPJ= queixas nas pernas/joelhos; QTP= queixas nos tornozelos/pés)
Ao analisar as variáveis referentes às queixas reportadas, identificaram-se correlações positivas moderadas entre a variável ‘queixas na coluna cervical’ e as variáveis ‘queixas na coluna dorsal’ (0,499), ‘queixas na coluna lombar’ (0,425) e ‘queixas nas pernas/joelhos’ (0,389).
O mesmo tipo de correlação foi identificado entre a variável ‘queixas na coluna dorsal’ e as variáveis ‘queixas na coluna lombar’ (0,441) e ‘queixas nas pernas/joelhos’ (0,355), assim como entre as variáveis ‘queixas no punho/mão’ e ‘queixas tornozelos/pés’ (0,306).