Atendendo aos dois objetivos gerais, complementares mas diferenciados, desta tese o tratamento de dados que foi realizado, destina-se a apoiar a prossecução dos objetivos específicos patentes na corrente teórica deste trabalho. A identificação dos fatores de risco de lesão músculo-esquelética por parte de técnicos de higiene e segurança no trabalho (THST) em atividade nas organizações, que é o que esta metodologia se destina a apoiar, conduz a um tratamento dos dados mais simples do que aquele que se descreve de seguida. No caso da aplicação direta por parte dos técnicos de HST, pretende-se na análise dos dados essencialmente identificar os casos mais prementes e priorizar a intervenção por postos de trabalho.
Após a realização do estudo empírico, os dados recolhidos através dos questionários e da lista de verificação foram introduzidos numa base de dados Microsoft Acess® criada para o efeito (Figura 6), com o objetivo de salvaguardar a sua integridade e auxiliar a verificação dos
questionários, foi realizada uma 2ª triagem com base no cálculo do IMC, em resultado da qual os funcionários com índice inferior a 18,5 Kg/m² ou superior a 40 Kg/m², correspondendo a magreza e obesidade de grau III respetivamente (DGS, 2012), foram excluídos da amostra. Esta decisão prende-se com o facto de a pessoa nessas condições poder sofrer de sintomatologias músculo-esqueléticas ou outras que estejam relacionadas com o seu peso, não sendo possível fazer uma análise exata da influência do trabalho no seu estado de saúde, pelo fato de a autora não possuir conhecimentos em medicina para o aferir.
Figura 6: Layout do menu inicial da base de dados com a designação preambular da metodologia
A base de dados foi exportada para o software SPSS (Statistical Package for the Social
Sciences®) versão 19.0 para Microsoft Windows®. Algumas das variáveis que foram
exportadas da base de dados eram qualitativas e estavam em formato de texto (string); no entanto, o SPSS só permite efetuar a análise estatística de dados quantitativos, por essa razão foi necessário proceder à transformação das mesmas para o formato numérico.
Nesta fase, procedeu-se à transformação das variáveis não numéricas em numéricas, através da atribuição de uma correspondência numérica à informação em formato string constante nessas variáveis. Após a conclusão desta primeira transformação, realizaram-se mais algumas operações que geraram novas variáveis através da transformação das variáveis numéricas existentes, conforme se enumera de seguida.
▪ Lista de verificação dos fatores de ergonomia física no trabalho com computador
◦ 2ª transformação: nas variáveis que reportavam respostas do tipo sim ou não, procedeu-se a uma contagem das ocorrências, isto é, contou-se o número de respostas que correspondiam a desadequações ergonómicas;
◦ 3ª transformação: computação das contagens para as agrupar de acordo com os 26 grupos de questões constantes da lista, seguindo-se nova computação para as agrupar em 15 itens conforme apresentado na Tabela 8;
Tabela 8: Designação das variáveis após a 3ª transformação, e respetivos conjuntos de questões e número total de questões agrupadas
Código Designação da Variável Grupo de Questões N.º Total de Questões
PE1 Postura 1 8
PE2 Cadeira de escritório 2 a 10 42
PE3 Formação 11 1
PE4 Secretária de trabalho 12 8
PE5 Porta-documentos 13 3
PE6 Teclado 14 4
PE7 Ecrã 15 7
PE8 Rato 16 4
PE9 Telefone 17 2
PE10 Arranjo espacial do escritório 18 6 PE11 Arranjo espacial do posto de trabalho 19 3 PE12 Iluminação 20 a 23 7
PE13 Ruído 24 1
PE14 Temperatura 25 1
PE15 Humidade 26 1
◦ 4ª transformação: Após o agrupamento das variáveis mencionado anteriormente, procedeu-se à sua computação de modo a transformar as contagens de desadequações ergonómicas, em percentagem de desadequações ergonómicas por grupo em função do número total de questões;
◦ 5ª transformação: as variáveis referidas na Tabela 8 foram agrupadas desta feita por temática (Tabela 9), ficando as variáveis finais com a informação respeitante à percentagem média de desadequações ergonómicas encontradas por temática para cada indivíduo. Foram estas as variáveis testadas no estudo da análise do coeficiente de correlação de Pearson, assim como no da regressão linear referidos no Capítulo 6;
As variáveis resultantes da 5ª transformação apresentadas na Tabela 9, foram as variáveis testadas no estudo da análise do coeficiente de correlação de Pearson, assim como no da regressão linear referidos no Capítulo 6.
Tabela 9: Designação das variáveis após a 5ª transformação, e respetivo código das variáveis agrupadas
Designação da Variável Código das Variáveis Agrupadas
Postura PE1 Mobiliário PE2, PE4 e PE5
Formação PE3 Ferramentas de Trabalho PE6 a PE9
Arranjo Espacial PE10 e PE11 Condições Ambientais PE12 a PE15
▪ Questionário Nordic Musculoskeletal Questionnaire (NMQ)
◦ 2ª transformação: contou-se o número de respostas afirmativas que correspondiam à confirmação da existência de queixas músculo-esqueléticas nos vários períodos (12 meses e 7 dias anteriores) e do impedimento para desempenhar as atividades normais do quotidiano;
◦ 3ª transformação: Agruparam-se as variáveis, mencionadas na transformação anterior, em 3 zonas anatómicas designadamente, membros superiores (os ombros, as mãos/punhos e os cotovelos), coluna vertebral (colunas cervical, dorsal e lombar) e membros inferiores (as ancas/coxas, as pernas/joelhos e os pés/tornozelos); de modo a se proceder à sua computação transformando as contagens das queixas músculo- esqueléticas nos vários períodos (12 meses e 7 dias anteriores) e do impedimento para desempenhar as atividades normais do quotidiano, em percentagem de queixas e impedimento por zonas anatómicas em função do número total de questões em que os indivíduos reportaram a sua ocorrência;
◦ 4ª transformação: contaram-se as classificações de intensidade (leve, moderada, intensa e insuportável) do desconforto ou dor, das queixas músculo-esqueléticas reportadas nos 12 meses anteriores, sendo estas posteriormente agrupadas pelas mesmas zonas anatómicas referidas anteriormente;
◦ 5ª transformação: esta última transformação teve como objetivo reunir numa só variável toda a informação referente às queixas músculo-esqueléticas reportadas nos 12 meses anteriores. Foi então gerada uma variável que contém a percentagem total das queixas músculo-esqueléticas reportadas nos 12 meses anteriores, em relação a todas as zonas anatómicas.
As variáveis resultantes da 3ª transformação e da 5ª transformação referentes aos 12 meses anteriores, mormente a percentagem total de queixas nos membros superiores, percentagem
total de queixas nos membros inferiores, percentagem total de queixas na coluna; e a percentagem total de queixas músculo-esqueléticas respetivamente, foram utilizadas no estudo da análise do coeficiente de correlação de Pearson, assim como na regressão linear referidos no Capítulo 6.
As variáveis referentes à duração da execução de tarefas domésticas (lavar a loiça, lavar a roupa, cozinhar, limpar a casa, passar roupa a ferro e tarefas relacionadas com as crianças), foram agrupadas para cada indivíduo, tendo resultado numa variável que contém a duração média diária do tempo despendido com as tarefas domésticas, variável esta utilizada na análise do coeficiente de correlação de Pearson e na de regressão linear referidos no Capítulo 6.
As variáveis resultantes das respostas ao questionário COPSOQ, reportadas pelos sujeitos da amostra, sofreram duas transformações. Uma primeira consistiu no agrupamento das questões de modo a formarem as subescalas de avaliação, e a segunda no cálculo da média das respostas para cada uma das subescalas. Esta última transformação originou as variáveis utilizadas na análise das correlações de Pearson e na de regressão linear referidas no Capítulo 6.