5 Results and analysis
5.3 Combined effects of structural change and climate change
5.4.3 Social networks and collaboration
A Marcha para Jesus é outro elemento fundamental para a cons trução da marca Renascer em Cristo, atraindo um público aproximado de dois milhões de pessoas em uma grande passeata pelas ruas de São Paulo, em maio de 2005. Esse evento mostra a força que a Igreja Renascer tem para agregar centenas de outras igrejas e denominações nessa manifestação religiosa, incluindo a participação de políticos como prefeitos e governadores, e atraindo a atenção dos meios de comunicação de massa.
A Marcha para Jesus é um evento que ocorre todos os anos aqui no Brasil, a partir de 1993151, na cidade de São Paulo, como em outras cidades do Brasil. O evento é organizado pela Igreja Apostólica Renascer em Cristo, sob a liderança de Estevam Hernandes e de sua esposa Sônia Hernandes. A Marcha teve início em Londres, na Inglaterra, em 1987, pela iniciativa do pastor Roger Forster e dos cantores e compositores Graham Kendrick, Gerald Coates e Lynn Green. A intenção inicial dos organizadores era tirar a Igreja das quatro paredes e mostrar que ela estava viva e
presente na sociedade. Com o passar do tempo, o evento se estendeu por todos os continentes e passou a ser organizado pelo Movimento Pacifista Evangélico, AD 2000. Em 1989, mais de 45 localidades marcharam juntas em todo o Reino Unido, inclusive em Belfast (capital da Irlanda), onde seis mil católicos e protestantes se reuniram, num visível sinal de união. Neste dia, 200 mil cristãos estiveram unidos em toda a nação, fato que voltou a repetir em 1990 e 1991. Alguns anos depois a Marcha já se tornara um evento de proporções continentais, ocorrendo em toda Europa. Em 1992, por exemplo, a Marcha para Jesus já se tornava em um movimento mundial, chegando a outros países da América, África e Ásia.
No Brasil, a primeira edição ocorreu em 1993, levando cerca de 350 mil pessoas às ruas de São Paulo, com destino ao Vale do Anhangabaú, onde ocorreu um grande show gospel e foram arrecadadas mais de 15 toneladas de agasalhos. Em 1994, com o slogan "O Dia para Mudar o Mundo", o segundo evento já colocou o Brasil no topo da lista dos demais países participantes. Só na cidade de São Paulo foram 800 mil pessoas às ruas, que teve como destino a Praça da Paz, no parque do Ibirapuera, em São Paulo. O evento teve cobertura das pr incipais emissoras de rádio e TV do país, que tomaram conhecimento e noticiaram o evento. O show gospel na Praça da Paz contou com a presença de vários cantores evangélicos, entre eles: Cristina Mel, Kalebe, Adhemar de Campos e a Orquestra Filadélfia. Além deles, estavam presentes as bandas: Resgate, Banda Rara, Oficina G3, Katsbarnea, Fruto Sagrado e Kadoshi.
Em 1995, a cifra atingiu a marca de 1,2 milhão participantes somente na cidade de São Paulo. O evento começou no Campo de Marte e seguiu até concentrarem-se no Vale do Anhangabaú, com uma estrutura envolvendo 700 caravanas, 50 denominações evangélicas, 20 Trios Elétricos, e 4500 pessoas trabalhando na coordenação e segurança da Marcha. Na concentração ocorrida no Vale do Anhangabaú as pessoas ouviram as bandas gospel, testemunhos de artistas e atletas, bem como a mensagem de pastores e líderes de outras denominações. Em 1996, o slogan da Marcha era “Um Mundo a ser Conquistado”. Em São Paulo, o evento teve início na estação Luz do Metrô e seguiu pela Avenida Tiradentes, chegando até o local da concentração no Campo de Marte. A partir de 1996, a Marcha Para Jesus tornou-se parte do calendário oficial da cidade de São Paulo, graças a Lei nº 12.195 de 16/09/96.
Em 1999, o ponto de partida da Marcha para Jesus em São Paulo foi na Avenida Tiradentes, em frente à estação Luz do Metrô, seguindo em direção à Praça dos Heróis da Força Expedicionária, próximo ao Campo de Marte, zona norte da cidade. Estima-se que dois milhões de fiéis das mais diversificadas denominações evangélicas, no decorrer do dia percorreram os três quilômetros do trajeto marchando para Jesus. Neste evento houve a presença de aproximadamente 500 caravanas vindas de todo o Brasil e 15 Trios Elétricos de diversas igrejas evangélicas, com o slogan "Celebrando o Rei dos Reis". A Marcha Para Jesus contou com a presença de Collyn-Daye, pastor sul-africano que atualmente atua na Kensington Temple, em Londres, e a participação das mais expressivas bandas e cantores de música gospel. Marcaram presença as bandas: Renascer Praise, Soraya Moraes, Praise Machine, Código C, Oficina G3, Katsbarnea, Paulinho Makuko, RM6, Coral Renascer Praise, Aline Barros, Carlinhos Félix, Bateria Salmo 150, Patmus, Ronaldo Bezerra, Priscila Angel, Adhemar de Campos, entre outros. Em 2005, a 13ª edição da Marcha para Jesus iniciou na Avenida Doutor Arnaldo, em frente à estação Clínicas do Metrô, seguindo em direção à Avenida Paulista, até a altura da Alameda Campinas, onde foi montado um palco para a apresentação de 29 artistas de música gospel, entre eles: Mara Maravilha, Dj Alpiste, Resgate, Renascer Praise, Cassiane, Priscila Lisboa, Chris Duran, Marcelo Aguiar, entre outros. Além de São Paulo, a Marcha aconteceu também nas capitais do Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Amapá. Em São Paulo, além da participação de políticos ligados à Igreja Renascer, como o deputado estadual “Bispo” Geraldo Tenuta e a vereadora “Bispa” Lenice Lemos, o evento contou com a participação do prefeito José Serra. Esse evento teve a cobertura dos principais meios de comunicação tais como: TV Globo, TV Record, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário de São Paulo , Jornal Agora, além de sites da Internet e rádios de São Paulo. O local para o encontro não foi aleatório, pois, a Igreja estava inaugurando uma torre instalada em um prédio na região da Paulista de onde futuramente haverá transmissões da TV Gospel.
A respeito desse evento o jornal Folha de S. Paulo (27/05/05) registrou a seguinte matéria com a manchete “Evangélicos lotam Paulista no Corpus Christi”:
Em pleno dia de feriado católico, o de Corpus Christi (que celebra a Eucaristia), os evangélicos foram à luta. A retórica era de combate. Aparecia
nos discursos, nas camisetas, escrita nas faixas, em bandeiras: assim 2 milhões de fiéis, segundo dados da Polícia Militar, tomaram ontem a Paulista, na 13ª edição da Marcha para Jesus. Começava pelo nome e lema da manifestação: "Marcha para Jesus 2005, Marchando pela Conquista das Nações".
A alusão guerreira ressurgia no maior hit de vendas entre os camelôs: camisetas imitando traje militar camuflado, a R$ 10, com o dístico "Exército de Deus" ou "Aliste -se nas tropas de Jesus". Faixas de delegações hostilizavam o demônio, como a da zona norte: "Renascer Parada de Taipas: Marchando com pés apostólicos, detonando o inferno e conquistando a terra prometida."
O exército neopentecostal começou a desembarcar na Paulista às 10h, proveniente da avenida Dr. Arnaldo, próximo à estação Clínicas do metrô, rumo ao palco montado na Paulista, em frente ao prédio da Gazeta.
Apesar do rigor, o "povo de Deus", como os evangélicos se identificam, nem de longe lembrava os antigos crentes. Não se viam fiéis com Bíblias, as mulheres não tinham os cabelos compridos e as saias longas.
Em vez disso, o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Renascer em Cristo, que convocou a marcha, trajava jeans e boné preto, enquanto sua mulher, a bispa Sônia, chacoalhava em um jeans justo, ao som das bandas gospel que se alternaram no palco. Teve música sertaneja, reggae, samba, pagode, rock para louvar Jesus, uma das marcas fortes da Renascer.
A força da manifestação de ontem, além do número vistoso de 2 milhões de participantes, aparece na adesão das várias igrejas evangélicas. Nada menos do que 850 se fizeram representar oficialmente na marcha. A grande ausente, contudo, foi a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, espécie de "rival" da Renascer no campo do televangelismo. Ambas têm canais próprios de TV para cooptar novos fiéis.
Realizada três dias antes da Parada Gay, que acontecerá na Paulista no domingo, a marcha se comparava todo o tempo com a manifestação GLTB. E não conseguiu evitar umas alfinetadas. Para cortar caminho, muitos fiéis entraram pelo Conjunto Nacional, onde toparam com uma exposição de fotos de edições passadas da Parada Gay. No livro de visitas, um marchante escreveu: "Homossexuais idólatras assassinos, mentirosos e feiticeiros, não herdareis o reino dos céus."152
Como podemos ver, a Marcha para Jesus torna-se um elemento importante na construção da marca Renascer em Cristo, oferecendo uma maior visibilidade à Igreja perante a sociedade, políticos e meios de comunicação de massa.