5. Diskusjon av hovedfunn
5.2 Skolens skjulte kanon
Depois de analisados os trinta textos, como propõem Dolz e Schneuwly (2011), observamos as características presentes na maioria deles e propusemos o modelo didático do gênero, considerando o nível de linguagem de nossos alunos de um 1ºano. Produzimos, também, um texto com base em informações de uma ficha técnica, como seria proposto para os alunos, do gênero em questão, pensando num 1º ano de Ensino Fundamental. Esse texto foi elaborado com o propósito de facilitar a leitura e entendimento das análises das produções - iniciais e finais dos alunos – que serão feitas a seguir.
Segue a ficha técnica usada como fonte de informações fidedignas:
QUADRO 5:Ficha técnica do Araçari-banana
FICHA TÉCNICA
FONTE: ZOOLOGIA GERALDO J. BARROS
NOME: ARAÇARI-BANANA
COMPRIMENTO: 35 A 39 CENTÍMETROS PESO: 156 A 169 GRAMAS
ONDE VIVE: EM REGIÕES MONTANHOSAS DA MATA ATLÂNTICA E EM
FLORESTAS ÚMIDAS.
ALIMENTAÇÃO: FRUTOS (PRINCIPALMENTE PALMITO) E INSETOS,
ALÉM DE OVOS E FILHOTES DE OUTRAS AVES.
COMENTÁRIOS: ESSA ESPÉCIE DE TUCANOS ESTÁ CADA VEZ MAIS
RARA POR CAUSA DA CAPTURA, DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES E DA DESTRUIÇÃO DE SEU HABITAT NATURAL.
(Texto adaptado de http://www.photoaves.com/aracari-banana)
O modelo de texto abaixo (esperado na produção dos alunos) foi feito com base nas informações da ficha técnica do araçari-banana (já apresentada acima), a mesma ave que
serviria de “motivação/pretexto” para os alunos realizarem suas primeiras produções e, também, as finais – objeto das análises feitas por nós. É importante lembrar que a sequência didática foi montada como parte de um projeto institucional que tem como tema “Aves da mata atlântica”, com o objetivo de conscientizar as pessoas a respeito da importância da preservação das mesmas.
Retomando: de acordo com Dolz, Schneuwly e Noverraz (2011), “na medida do possível, as sequências didáticas devem ser realizadas no âmbito de um projeto de classe, elaborado durante a apresentação da situação, pois este torna as atividades de aprendizagem significativas e pertinentes” (DOLZ, NOVERRAZ, SCHNEUWLY, 2011, p.85).
QUADRO 6: Texto produzido intencionalmente como modelo esperado na produção dos alunos
VOCÊ SABIA QUE O ARAÇARI-BANANA É UMA ESPÉCIE DE TUCANOS?
FONTE: ZOOLOGIA GERALDO J. BARROS
É ISSO MESMO! O ARAÇARI-BANANA É UMA ESPÉCIE DE TUCANOS QUE VIVE EM REGIÕES MONTANHOSAS DA MATA ATLÂNTICA E EM FLORESTAS ÚMIDAS DO BRASIL.
ESSA AVE PODE MEDIR DE 35 A 39 CENTÍMETROS E PESAR DE 156 A 169 GRAMAS.
ALIMENTA-SE DE FRUTOS (PRINCIPALMENTE PALMITO) E INSETOS, ALÉM DE OVOS E FILHOTES DE OUTRAS AVES.
ESSA ESPÉCIE DE TUCANOS ESTÁ CADA VEZ MAIS RARA POR CAUSA DA CAPTURA, DO TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES E DA DESTRUIÇÃO DE SEU HABITAT NATURAL.
(NOME DOS AUTORES)
Tendo como base o modelo acima, apresentaremos, agora, o que foi esperado da produção dos textos dos alunos, elencando, separadamente, as considerações a respeito das condições de produção dos textos e, depois, da infraestrutura geral, ou seja, do conteúdo temático, mecanismos de textualização e mecanismos enunciativos.
Esperávamos que os alunos compreendessem o contexto de produção no qual estavam inseridos, que os mesmos eram os enunciadores/produtores dos textos, que os destinatários eram as pessoas que iriam ler aqueles textos, que os textos seriam produzidos em um local, em nosso caso, na própria escola e que seriam assunto de uma revista que seria distribuída na escola e que várias pessoas teriam acesso aos dados nela contidos. O objetivo da revista é mobilizar e conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação das aves no meio ambiente. Assim, estariam se apropriando do contexto físico da produção dos textos como agentes produtores que estão situados em tempo e espaço específicos, segundo Bronckart (2012).
Em relação às capacidades discursivas, mais precisamente, ao layout adequado às escolhas feitas no contexto de produção, esperávamos que os textos dos alunos fossem iniciados com uma pergunta retórica, iniciada por “você sabia que...” e que, nessa pergunta, os alunos contextualizassem o tema do texto. A ilustração que acompanha o título, como vimos acima, é também de primordial importância, já que complementa o assunto discutido, ilustrando-o. No primeiro parágrafo, seria interessante que os alunos contextualizassem/explicassem a pergunta ilustrada no título, e, depois, nos demais parágrafos, acrescentassem informações acerca do objeto, incrementando seus textos, com base nas informações da ficha técnica. Seria importante que o nome dos autores estivesse no fim do texto (no rodapé).
Ainda em relação à organização discursiva, esperávamos que estivesse presente o discurso interativo, pelo menos, no título do texto (verbos no presente do indicativo, uso de pronomes como você, dentre outros, que fazem com que o autor do texto converse com o leitor e esperávamos também, que o restante do texto fosse escrito prevalecendo o discurso teórico (verbos no presente do indicativo, sem interação do autor com o leitor), considerando que o discurso interativo também poderia aparecer, já que as crianças dessa idade já estão acostumadas com esse discurso nas suas comunicações (linguagem oral), ou seja, ele já faz parte dos conhecimentos prévios dos alunos. Segundo Bronckart (2012), os discursos mistos (o uso de dois ou mais discursos ao mesmo texto) aparecem, mais comumente, nas sequências argumentativas, injuntivas e, nesse caso, nas explicativas.
Deveria predominar o tipo de sequência explicativa, em que, primeiramente, é feita uma constatação inicial já problematizada no título, que é uma pergunta, e, em seguida, devem ser acrescentadas outras informações acerca do objeto. Já a avaliação, conclusão e resolução, às quais se refere Bronckart (2012), não serão trabalhadas com esses alunos nesse momento, pois, consideramos que nessa etapa (primeiro ano em processo de alfabetização), as crianças
apresentam muitas dificuldades em relação à construção de frases, por não ser uma questão simples para eles que ainda não compreendem a construção de duas orações no mesmo período, que é uma característica marcante da sequência explicativa, em que os conectivos é que trazem as marcas linguísticas da explicação (isto é, porque, com isso, quer dizer, o uso de dois pontos seguidos da explicação etc.). Por isso, também, não será trabalhada, com grande ênfase, a questão do uso de marcas linguísticas próprias da sequência explicativa, como as já citadas. Essas questões podem ser trabalhadas em anos subsequentes em que as crianças já dominam o sistema de escrita e já podem produzir textos, com maior autonomia. Consideramos que, nessa etapa estão aprendendo a elaborar textos que são constituídos por várias frases, o que já é bem difícil de ser apropriado pelas crianças.
Em relação aos mecanismos de textualização, que devem manter a coerência temática do texto, de acordo com Bronckart (2012), os alunos poderiam usar uma diversidade de conectivos como: advérbios, locuções adverbiais. Quanto à coesão nominal, poderiam empregar o uso de substantivos, adjetivos, pronomes pessoais, relativos, possessivos e demonstrativos. Quanto à coesão verbal, os verbos deveriam estar no presente do indicativo para que fosse também garantido o uso dos discursos teórico e interativo, dando um caráter de verdade às informações. Isso já poderia garantir, também, a modalização, pois esse tempo verbal caracteriza as informações como atemporais, dando um caráter de verdade científica. As vozes que deveriam predominar nesses textos seriam as da ciência por tratar de produção de texto a partir de fichas técnicas de aves, que são parte de um projeto sobre o meio ambiente, e cujo vocabulário traz informações, ou seja, termos técnicos (científicos) como peso, tamanho, dentre outros.
Apresentaremos, na próxima seção, a sequência didática elaborada.