4. EVALUERING AV LÆRERIKT 2002-2003
4.5 EFFEKTEVALUERING
4.5.3 Skolenivå
Para Nagado (2005), os animês possibilitaram o reconhecimento internacional dos mangás, apresentando a outros países a essência do desenho japonês e conquistaram boas audiências mundo afora. A origem dos animês é situada por Sato (2005) no começo do séc. XX. Inicialmente, as produções de animação eram de curta duração e retratavam fábulas tradicionais japonesas, como Momotaro (“O menino Pêssego”), de 1918. A busca pelo redução de custos e o material limitado influenciaram as produções de animação nos anos seguintes. Mesmo assim, inovações durante a década de 1920 permitiram o lançamento do primeiro desenho sonoro japonês, em 1930. Sete anos depois, foi lançado o primeiro desenho animado a cores. Já nessa época, o militarismo japonês controlava as produções artísticas do país, condenando técnicos e artistas discordantes do sistema ao ostracismo ou a prisão. As obras passaram a fazer propaganda dos militares e tinham caráter ultranacionalista. Apesar da censura e da imposição de temas, a animação japonesa evoluiu tecnicamente graças aos investimentos do governo.
Depois da Segunda Guerra Mundial, contudo, as animações anteriores ao conflito foram analisadas pelo Departamento de Propaganda das Forças de Ocupação. O objetivo era evitar a propagação dos antigos ideais militares japoneses. Dessa época restaram poucos registros dessas animações, conhecidas como “imagens em movimento”. O mesmo termo servia para definir as produções cinematográficas tradicionais. Foi somente por volta de 1950 que as animações japonesas foram denominadas animês. A palavra animê foi uma apropriação feita pelos japoneses do termo inglês animation. Nesse período, destacam-se as animações
Kujira (“A baleia”), de 1953 e Yurei (“O Navio Fantasma”). Em 1958 foi lançado o filme
Hakujaden (“A Lenda da Serpente Branca”) tido por muitos como o primeiro animê.
Produzido pelo estúdio Toei Dôga (atual Toei Animation), foi o primeiro longa-metragem em cores do pós-guerra e marcou o início da animação industrial no Japão.
A indústria dos animês, assim como a dos mangás, desenvolveu-se bastante graças ao esforço de Osamu Tezuka. Como visto na seção anterior, Tezuka inovou a linguagem dos quadrinhos levando para os desenhos técnicas do cinema. Já reconhecido como um grande artista, ele entrou para o estúdio Toei e lá ajudou a produzir um longa-metragem de animação. A experiência o levou a montar a própria produtora, a Mushi Productions, em 1961, responsável pelo lançamento do primeiro animê de êxito comercial para a televisão. Até aquele momento, os estúdios de animação não se arriscavam a produzir regularmente para esse veículo, por receio de fracassos comerciais, uma vez que ele parecia não ter se estabelecido ainda entre a sociedade japonesa. Em 1963, Tezuka lançou a série para TV
Tetsuwan Atomu (divulgado no Ocidente como “Astro Boy”), baseada no mangá de título
homônimo. A animação tornou-se um grande sucesso e estabeleceu a regularidade de exibição semanal de capítulos, seguida até hoje nas emissoras de TV.
Para pagar os custos da produção, Tezuka conseguiu o patrocínio de empresas que vendiam objetos licenciados dos personagens do mangá de Tetsuwan Atomu. Com a grande audiência do animê, o investimento se reverteu em lucro, o que levou a outros estúdios a também investirem nessa parceria. Sato (2007) afirma que essa prática permitiu a expansão da indústria dos animês,pois para produzir as animações eram necessários grandes investimentos. Um planejamento minucioso passou a ser feito entre a emissora, a produtora e as empresas de produtos licenciados, e as três partes custeavam a produção. Essa prática tornou-se regra dentro do mundo da animação japonesa. Os lucros obtidos são, portanto, resultado não só do próprio animê, mas também da venda de artigos e serviços que fazem referência a ele.
Como foi visto na seção anterior, a partir da década de 60, um período de prosperidade e otimismo levou os japoneses a um ímpeto consumista. O aumento do consumo fez essa ser uma época perfeita para o surgimento da indústria de animê que é diretamente dependente da renda gerada a partir de publicidade e venda de produtos. No ano seguinte à estreia de
Tetsuwan Atomu, Tezuka firmou um contrato com a rede americana NBC, para veiculação da
série na televisão dos Estados Unidos, dando início a exportação das animações japonesas para o mundo.
Outros estúdios de animação começaram a produzir largamente para a televisão depois do sucesso da produtora de Tezuka. Um deles foi a Toei Animation, mencionada anteriormente como produtora de animações cinematográficas. Atualmente a Toei é a maior produtora de animês do Japão e detém os direitos sobre uma das séries animadas mais vistas no mundo: Dragon Ball Z. A Tokyo Movie Shinsha (TMS) também estabeleceu-se como um dos grandes estúdios de animação, ao transpor mangás para animês com inovações na técnica e na estética.
A partir da década de 1970, a animação tornou-se um dos pilares da indústria de entretenimento japonesa (SATO, 2007). As animações para cinema voltaram a ganhar destaque, e demonstraram técnicas de produção superiores aos desenhos para televisão. O resultado do alto nível dos filmes animados foram sucessos de bilheteria como as obras de Hayao Miyazaki. Um dos trabalhos de Miyazaki foi agraciado com o Oscar de melhor animação, em 2003. Outro sucesso da animação japonesa para o cinema foi o filme Akira,de 1988, baseado no mangá de Katsuhito Otomo.
Figura 5: O animê Akira fez muito sucesso no Ocidente
É interessante destacar que as animações de maior sucesso de audiência no Japão são, na maioria, as que retratam a família típica japonesa. O animê mais longevo da TV japonesa é
Sazae-san, no ar desde 1969. Outros desenhos com a mesma temática, como Chibi Maruko- chan e Crayon Shin-chan também permanecem em exibição com bons índices de audiência.
Curiosamente, porém, os animês com esse tema não foram os principais desenhos exportados para os países ocidentais. As séries de maior sucesso no exterior são, majoritariamente, as que exploram mundos fantásticos ou futuristas.
A fantasia está presente em séries como Sailor Moon e Cavaleiros do Zodíaco, cujos elementos essenciais são a concessão de poderes especiais a indivíduos comuns e a adoção de um alter ego heroico, com a missão de salvar a Terra das “forças do mal”. Outros desenhos com mundos fantásticos que se tornaram febre entre os jovens foram Naruto e Pokémon, lançados no final da década de 1990. São dois dos animês mais lucrativos comercialmente, porque contam com o suporte de jogos de videogame para seduzir um contingente de fãs composto,grande parte por crianças. Naruto conta a história de um garoto que deseja se tornar um grande ninja. Temos aí uma apropriação de uma arte desenvolvida durante o período feudal japonês, o ninjutsu (arte do procedimento secreto), que foi adaptado ao animê sob uma perspectiva menos realista e mais fantástica. Já Pokémon faz sucesso por trazer centenas de criaturas com poderes específicos que são treinadas para combate.
Quanto à temática futurista, ela fez sucesso com séries como Gundam e Yamato (“Patrulha Estelar”). Podem ser considerados animês que fazem apologia à ciência e à tecnologia avançada, porque trazem elementos como naves espaciais e robôs. Yamato atraiu grandes multidões ao ter uma versão lançada para o cinema e deu origem ao fenômeno conhecido como “otakismo” (SATO, 2007). Este tema será abordado na próxima seção, tendo em vista que o surgimento de fãs de animê e mangá autointitulados otakus contribuiu para a difusão da cultura pop japonesa no Brasil e no mundo.