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4.1 Undersøkelsesskolen og informantene

4.2.1 En kort presentasjon

4.2.2.2 Skjønnlitteraturundervisning

O conceito de cultura é apresentado em diversos estudos como termo complexo e multifacetado.

Kluckhohn e Kroeber (1952, citado por Viana 2003, p.37) verificaram que existem mais de trezentas definições para este conceito. Viana (2003) afirma que tal diversidade foi indicada também por Solinik (1991), Abbud (1995), e por Trifonovitch (1980), tendo o último apontado para a existência de quatrocentos e cinqüenta definições, as quais variam de acordo com o campo de estudos.

Com base nesses dados, é possível perceber a extensão do conceito. Apresentaremos neste item apenas algumas das concepções do termo.

Os termos cultura e civilização foram sintetizados por Edward Tylor (1832-1917) no vocábulo inglês Culture, que tomado em seu amplo sentido etnográfico é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade (Tyler, citado por Laraia, 1986, p.25).

Na Alemanha, o contraste entre “cultura” e “civilização” se origina em meados do século XVIII na polêmica entre o estrato da intelligencia alemã de classe média e a etiqueta da classe cortesã, superior e governante. No final do século XVII e no princípio do seguinte, já aparecem esses conceitos.

O termo germânico Kultur era utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente as realizações materiais de um povo (Laraia, 1986).

Podemos perceber na dicotomia ‘cultura’ e ‘civilização’ apresentada, a presença, de um lado, da espiritualidade, dos valores, da intelectualidade, do comportamento e das relações sociais como elementos fundadores do termo cultura, e das realizações de caráter material se referindo a civilização.

Limitaremos a utilização do termo em nosso estudo no sentido estabelecido por Thompson (1995), e corroborado por Viana (2003), por ser de característica abrangente, sintetizando as diferentes visões do conceito e por enfatizar em sua definição o caráter sócio- histórico do termo.

Thompson (1995, p.166) distingue quatro concepções de cultura: clássica, descritiva, simbólica e estrutural, correspondendo a última, à teoria por ele próprio postulada. A concepção clássica se refere ao uso tradicional do termo e às primeiras discussões sobre cultura entre filósofos e historiadores alemães nos séculos XVIII e XIX. Nessa perspectiva, cultura se refere a intelligencia, a um processo de desenvolvimento intelectual e espiritual, em contraposição a civilização, conforme já apresentado anteriormente. Na concepção descritiva, o autor evidencia a visão comum da cultura e das tarefas. A concepção descritiva de cultura estuda os fenômenos culturais de um grupo ou sociedade, sendo então definida como:

[...] o conjunto de crenças, costumes, idéias e valores, bem como os artefatos, objetos e instrumentos materiais, que são adquiridos pelos indivíduos enquanto membros de um grupo ou sociedade; e o estudo da cultura envolve em parte, a comparação, classificação e análise científica desses diversos fenômenos (op.cit, p. 173).

Nesse sentido, compreende-se a cultura como o conjunto de diversos itens da vida em geral de um povo. Todavia, o autor ainda considera esse conceito vago frente à sua amplitude e reconhece a necessidade de especificação adicional do método de análise. Ele reconhece a concepção simbólica do termo, compartilhando a idéia antropológica de Geertz (1989, citado por Thompson, 1995, p.174-176), que postula o uso dos símbolos na produção e troca de

expressões significativas (lingüísticas e não lingüísticas). Neste sentido, a concepção simbólica caracteriza a cultura de forma ampla e é definida como:

[...] o padrão de significados incorporados nas formas simbólicas, que incluem ações, manifestações verbais e objetos significativos de vários tipos, em virtude dos quais os indivíduos comunicam-se e partilham suas experiências, concepções e crenças (op.cit, p. 176).

Nessa perspectiva, a análise cultural tem como foco a elucidação dos padrões de significado e a explicação interpretativista dos significados incorporados às formas simbólicas.

Com base na concepção simbólica, Thompson (1995) propôs uma nova definição, com o objetivo de evitar as limitações e dificuldades que os conceitos anteriores ainda apresentavam. O autor busca, com a concepção estrutural de cultura, tanto a ênfase no caráter simbólico dos fenômenos culturais, como no fato de tais fenômenos estarem sempre inseridos em contextos sociais estruturados. Nessa concepção, os fenômenos culturais são entendidos como formas simbólicas em contextos estruturados e

[...] a análise cultural como o estudo das formas simbólicas - isto é, ações, objetos e expressões significativas de vários tipos - em relação a contextos e processos historicamente específicos e socialmente estruturados dentro dos quais, e por meio dos quais, essas formas simbólicas são produzidas, transmitidas e recebidas (Thompson, 1995, p. 181).

Com a concepção estrutural o autor pretende dar ênfase a um aspecto bastante interessante para o nosso trabalho, que é a inclusão dos contextos e dos processos históricos, nos quais as formas simbólicas são produzidas e/ou recebidas.

As formas simbólicas como fenômenos significativos são tanto produzidos como recebidos por pessoas situadas em contextos específicos e serão transmitidos, de alguma maneira, de produtor para receptor. Esse processo foi denominado e descrito pelo autor como a transmissão cultural das formas simbólicas (op.cit, p. 23). Sendo assim, tais configurações encontram acessibilidade ampliada no tempo e no espaço, podendo os produtores estarem

situados tanto espacial como temporalmente distante dos receptores. O meio técnico promoverá um determinado grau de fixação e a reprodução dependerá da natureza do meio.

A partir dos pressupostos teóricos de Thompson, reconhecemos dois aspectos relevantes no âmbito desta pesquisa: as crenças de alunos quanto à cultura-avo revelam uma interpretação historicamente construída das formas simbólicas, ações e objetos existentes em uma sociedade específica (alemã), que foram transmitidas em determinados momentos históricos para um outro contexto (dos alunos brasileiros) e se tornaram acessíveis para um número amplo de receptores. Tal pressuposto, associado ainda ao reconhecimento do ensino de LE como espaço conflituoso de encontro de culturas, aponta para a relevância de um ensino de LE que abarque os fenômenos culturais, promovendo reflexão crítica sobre o outro e sobre si mesmo.

Para melhor compreensão do complexo quadro do ensino de LE com foco no encontro de culturas, buscamos respaldo teórico nas teorias do ensino intercultural de línguas.