3 Dagens regelverk anvendt ved havstigning
3.3 Situasjonen hvor en øy oversvømmes helt eller delvis
O circuito turístico tem um papel importante no processo de desenvolvimento do turismo, no espaço rural da Microrregião de Viçosa, por causa de seu papel aglutinador. O fato de estar sendo conduzido por uma associação de proprietários rurais dos municípios envolvidos com o turismo tem possibilitado o seu desenvolvimento, ainda que em passos lentos, permitindo um melhor reordenamento das questões ligadas ao turismo nas propriedades rurais e dos demais envolvidos nesse processo.
Para os proprietários rurais, o circuito turístico tem um papel importante, nesse processo de desenvolvimento do turismo local. Entretanto, muitos não perceberam que ele é fruto de uma política pública de Estado para o setor turístico, e que suas ações estão atreladas a uma legislação específica, que o torna menos dinâmico, no sentido de ampliar as suas ações sobre a região do estudo.
Durante a etapa de coleta de dados, realizada entre os anos de 2007 e 2009, quando realizamos as entrevistas, os proprietários foram solicitados a falar sobre o papel do Circuito Turístico Serra de Minas, sendo levantadas duas questões gerais, que se desmembravam em outras (Anexo 1). A primeira visava saber a origem e a formação do Circuito Turístico Serras de Minas, e a segunda caracterizar o circuito turístico existente na região e sua influência no desenvolvimento do espaço rural local.
De acordo com a fala dos proprietários rurais envolvidos com o turismo, a necessidade de um circuito turístico surgiu de uma percepção coletiva de que, juntos, poderiam vencer os desafios que o turismo lhes impunha. Um proprietário justificou que, para ele, o circuito é um “povo que se junta para discutir sobre o assunto”, o que tem provocado novas formas e maneiras de perceberem o turismo, em suas propriedades.
Esse ajuntamento, na afirmativa de um proprietário, ocorreu para a formação do circuito, mas também significa o interesse comum de ampliar o turismo nas áreas e nas empresas envolvidas com o turismo existente na região. Hoje (2010), esse ajuntamento continua a ocorrer, mas no sentido de reuniões e assembléias dos associados ao circuito, o que nos permite afirmar que essa busca leva os proprietários para além da própria cerca, pois representa uma possibilidade de crescimento coletivo do circuito.
De maneira geral, o circuito e a propriedade não têm parceira entre eles ou com outras organizações, mas três proprietários justificaram que essa é uma forma de trazer melhorias para a região, para o circuito, ou, mesmo, para as propriedades. Dentre as respostas
apresentadas quando indagados sobre as melhorias que o circuito trouxe, pode ser citada que o grande benefício foi no sentido de trabalharem em conjunto, e que suas perspectivas com o circuito turístico são de “envolver mais e sempre melhorar”, justificando ainda que essa melhora tem que ser com um “bom atendimento e uma boa hospedagem”.
Pode-se afirmar que a origem e formação do Circuito Turístico Serras de Minas foi uma necessidade dos proprietários rurais do lugar, que estavam envolvidos com as atividades turísticas, em consonância com a política de Estado para o turismo. Este, agregando os municípios com características históricas e econômicas em comum, colocou, como principal atrativo, o Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, incluindo, num primeiro momento, a cidade de Muriaé e municípios menores que depois, foram desmembrados em outro circuito. Portanto, sua origem teve como objetivo a descentralização do processo turístico no estado, e foi incorporada pelas comunidades, existindo desde 2002.
Caracterizando o circuito turístico no qual estão inseridos, os proprietários argumentaram, de maneira geral, que ele foi e é muito bem vindo, pois permitiu uma direção ao turismo na região, ao mesmo tempo em que tem possibilitado levar às pessoas informações positivas sobre o turismo que existe na Microrregião. Entretanto, o Circuito tem feito essa divulgação de forma pouco dinâmica, faltando a ele um maior empenho nesse processo, o que vem resultando num fluxo turístico local pouco expressivo para as propriedades rurais envolvidas.
Ainda sobre o Circuito Turístico Serra de Minas, um proprietário apontou como sendo uma necessidade, pois, para ele, é “… uma forma de comunicação, integração, parceria, opção de cursos e união das pessoas envolvidas, local de troca de experiências”, caracterizando, portanto, como uma possibilidade de expansão do serviço oferecido.
A relação de parceria entre as propriedades rurais que integram o circuito turístico não são profundas; essa integração ocorre, mais especificamente, com a participação dos proprietários nas reuniões e nas discussões do circuito, no pagamento da taxa de adesão e da taxa de anuidade. No entanto, todos os proprietários têm direito a voz e voto nas reuniões do Circuito, cabendo a cada membro decidir se tem uma participação intensa e uma presença ativa.
No processo de divulgação dos eventos turísticos no Circuito, observou-se que para os proprietários, ela ocorre de forma lenta e não satisfatória, encontrando-se muito no início, sendo necessário buscar outras formas e técnicas para que ela seja mais eficiente, possibilitando essa divulgação não apenas em nível local, mas também regional.
Observou-se que algumas propriedades que integram o circuito têm buscado uma parceria junto às prefeituras municipais e à EMATER, que tem representatividade em todos os municípios da Microrregião, visando a uma maior divulgação de seus serviços ou mesmo a uma tentativa de se ajudarem, ou, ainda, buscando mais apoio, inclusive do SEBRAE, possibilitando essa divulgação e integração.
A atuação do circuito frente à sociedade, ainda que tímida, tem possibilitado, lentamente, uma maior divulgação das propriedades, frente a outros circuitos ou, mesmo, a outros setores da economia, acreditando-se que possibilitará um desenvolvimento local a médio e longo prazo, pois o trabalho do circuito ainda está começando. Pode-se afirmar que isso é um resultado do ir além da própria cerca.
Analisando se o circuito trouxe melhorias para a propriedade e também à comunidade local, de acordo com um proprietário, o circuito turístico tem propiciado uma simbiose com outras empresas, pois possibilita a troca de experiências e conhecimentos, uma vez que a atividade turística não é o principal produto de sua propriedade.
Mesmo que apontando a existência dessa simbiose, na prática, a participação do circuito turístico no processo de desenvolvimento local trouxe poucos benefícios. Observa se, no entanto, que a comunidade já percebeu a importância da atividade turística, para alavancar a economia local, e tem contribuído para uma melhor recepção aos turistas principalmente em Araponga e Viçosa.
Entre as melhorias observadas, nas propriedades rurais, podemos apontar que: o circuito turístico possibilitou, inicialmente, a formação de uma associação com interesses comuns, na questão turística local; melhorou a auto-estima de alguns proprietários, que andavam desacreditados com a agricultura; exigiu uma maior participação dos membros familiares ligados ao turismo; ampliou a possibilidade de linhas de créditos, com a certificação do circuito; trouxe melhorias na infra-estrutura física das propriedades rurais, para melhor receber os turistas e, também, o reconhecimento do potencial turístico da região, entre outros.
Sobre as perspectivas dos proprietários rurais para com o circuito turístico, observamos, pelas suas falas, que elas são boas, mas que ainda se faz necessário um maior comprometimento dos associados em buscar alternativas e soluções para os pontos que são considerados fracos, no circuito.
Por último, um proprietário argumentou que o circuito deve ser visto como um impulsionador dos empreendimentos, pois, sem ele, não arriscaria a enveredar pelo turismo, sendo o motivo de investir na propriedade. Entretanto, justifica que poderia ser melhor, se
alguns associados „vestissem a camisa‟ do circuito, faltando, portanto, maior sensibilização por parte de alguns.
De maneira geral, os proprietários caracterizam o Circuito Turístico Serra de Minas e sua influência no desenvolvimento local como positiva, trazendo melhorias para seus empreendimentos, pois colabora na divulgação do lugar e mostra que os empreendedores do turismo não estão sozinhos ou isolados, que existe uma integração entre os membros, identificando que as melhorias aparecem com o uso do nome do circuito, pois fortalece as propriedades e contribui para o fortalecimento do lugar, inserindo as cidades da pesquisa, definitivamente, no desenvolvimento local.
Ao abordar a questão dos circuitos turísticos, teve-se como finalidade mostrar uma realidade que já é concreta, na Microrregião de Viçosa, e que vem permitindo, ainda que lentamente, a integração dos diversos atrativos, equipamentos e serviços de uma região, criando uma nova organização do espaço geográfico local, colocando, lado a lado, municípios que não possuem infra-estrutura, mas ricos em atrativos turísticos, e municípios com melhor estrutura, mas carentes desses atrativos.
Teoricamente, o circuito turístico apresenta-se democrático, pois possibilita essa integração, em forma de associação entre pequenos, médios e grandes municípios. Entretanto, deve-se ter o cuidado de definir o papel de cada um no circuito, pois é uma tendência natural que os pequenos sejam polarizados pelos que possuem maior infraestrutura, nesse sentido, a democracia sai enfraquecida, prevalecendo as vontades e decisões dos maiores.
Essa situação também acontece com os núcleos urbanos que são membros do circuito, e isso pode acabar resultando na perpetuação da dependência de recursos e serviços dos mais bem estruturados. A idéia do circuito turístico é, exatamente, evitar e reduzir esse descompasso entre eles, buscando uma forma de melhor compartilhar as funções e serviços que são oferecidos pelos membros do circuito, o que vem ocorrendo na área de estudo, por meio da dinamização dos serviços oferecidos pelos associados.
O turismo, no espaço rural, não é percebido pelos municípios da Microrregião de Viçosa, membros do Circuito Turístico Serras de Minas, de maneira homogênea. Existem diferenças na forma de praticar as políticas públicas, entre as quatro cidades pesquisadas. Em Viçosa, o turismo já é uma realidade, contando até mesmo com uma Secretaria Municipal de Turismo, enquanto que Araponga, Guaraciaba e Paula Cândido, não possuem maiores reflexos na realidade local, o que, provavelmente, dificulta a inserção da atividade turística, realizada pelas propriedades rurais, no desenvolvimento do lugar.
O sistema de circuito turístico cria um elo entre os municípios membros, onde o desempenho de cada parte resulta em benefícios ou prejuízos para todos; isso ocorre porque há uma forte complementaridade entre os diversos produtos que são oferecidos, tendendo a resultar numa sinergia positiva entre os membros.
Para que um circuito turístico realmente funcione, em sua plenitude, tanto na área de estudo como em qualquer outro circuito, é necessário preparar-se ou adequar-se às necessidades que lhe são impostas, principalmente na questão da infra-estrutura que, no caso do Circuito Turístico Serras de Minas, ainda é carente em transporte, estradas de boa qualidade, sinalização, postos de informação turística, meio de hospedagem, tratamento de resíduos sólidos e líquidos, e outros.
Os circuitos turísticos, geridos de forma responsável, podem vir a contribuir com a redução do desemprego regional, favorecendo, também, a inclusão social, principalmente da população rural que no seu dia-a-dia, não tem grandes oportunidades de melhoria de vida; o turismo pode contribuir com essa captação de mão-de-obra local.
O Circuito Turístico Serras de Minas é uma amostra do que acontece na realidade da atividade turística, no espaço rural mineiro e, porque não dizer, brasileiro, onde estão disponíveis práticas de atividades rurais, esportivas e de lazer, como cavalgadas, trekking, corridas de aventura, excursionismo, camping, visitações, degustação de vinhos, cachaças e quitandas, além de práticas de terapias alternativas ou religiosas. Também podem ser presenciadas, no espaço rural, outras atividades. O que as delimita são as suas especificidades regionais, como por exemplo a distância dos centros maiores, a formação cultural e as tradições do lugar, a matéria-prima e os seus recursos naturais.
Para as pequenas cidades, agora envolvidas com atividades turísticas no espaço rural, o circuito turístico passou a ser visto como um meio de desenvolvimento econômico, criando uma oportunidade real de alavancar suas estagnadas economias por intermédio da integração e parceria com outros municípios membros, criando uma infra-estrutura coletiva que poderá resultar numa maior permanência do turista nessas localidades e, consequentemente, um maior aumento das rendas.
No aspecto turístico da área de estudo essa integração ainda se encontra no plano das discussões políticas entre os municípios membros. Entretanto, em outros setores, como por exemplo o da saúde, já ocorrem ações práticas, como a criação do Consórcio Regional de Saúde, formado para atender a população da microrregião em várias especialidades médicas, com sede em Viçosa. Esta é uma iniciativa pioneira entre os municípios membros e tende a se
espalhar por outros setores, sendo considerada como uma forma de amenizar as diferenças socioeconômicas entre os envolvidos.
A importância do circuito, para os proprietários, vem se apresentando de forma vital, pois o sentido de cooperação e parceria faz parte das ações que o próprio Circuito Turístico Serras de Minas vem tentando empregar entre os associados, desde o ano de sua certificação, em 2005, criando uma expectativa de ampliação de resultados.
Acreditamos que essa pareceria abre as cercas para o desenvolvimento do setor turístico na Microrregião de Viçosa e, consequentemente, para as propriedades rurais envolvidas, pois possibilita, não apenas a aquisição de informações e conhecimentos junto a órgãos técnicos e de consultoria, mas também, a troca de informações e produtos, contribuindo para a divulgação do próprio circuito. É o que vem ocorrendo, por exemplo, com a parceria entre o CTSM e a Fundação Arthur Bernardes - FUNARBE, que tem sua marca agregada à embalagem do doce de leite produzido pela UFV.
Apesar de sua importância para o desenvolvimento do setor turístico em Minas Gerais e até mesmo para a Microrregião de Viçosa, observamos que, dos cinquenta e oito circuitos turísticos originalmente criados pela SETUR, em 2003, quarenta e oito já foram certificados; os demais circuitos ainda não saíram do papel, seja por falta de interesse dos municípios ou associados, seja por falta de estímulo por parte dos envolvidos, ou mesmo porque algumas áreas consideradas turísticas não apresentam nenhuma vocação para essa finalidade.
Ressalta-se, ainda, que boa parte dos circuitos turísticos já instalados funciona de forma precária, normalmente em salas emprestadas, com reduzidas verbas de custeio, com grande carência de material técnico e humano e outras questões negativas, como por exemplo a falta de apoio dos administradores públicos do lugar, que atrapalham o pleno desenvolvimento do circuito turístico.
Para os proprietários rurais que associaram suas fazendas junto ao circuito turístico, existe uma percepção sobre o papel que ele possui e sua importância no processo de desenvolvimento do turismo, principalmente para a Microrregião de Viçosa, sobretudo por ser uma alternativa de renda para os pequenos proprietários rurais.
Além da alternativa da renda, o papel do turismo nas propriedades envolvidas com ele, no espaço rural, extrapola o viés econômico, podendo ser uma forma de evitar o fluxo migratório da população jovem para as cidades maiores e também uma forma de inclusão social permitindo o acesso a oportunidades que parte da população carente não possui. Permite, por exemplo, a contratação de guias locais, contratação de empregados que trabalhem diretamente com o turista ou na prestação de serviços para eles, entre outras
funções. Essas são algumas alternativas que as propriedades rurais têm, para efetivar a mão- de-obra local.
Os circuitos turísticos são uma forma de política pública para o turismo idealizado dentro de um plano governamental e, como tal, traz consigo toda uma conotação político- ideológica, fruto de um segmento político que administra o país e o estado, refletindo-se diretamente, sobre o espaço onde está inserido e, também no modo de vida e no dia-a-dia das pessoas. Na região de estudo, esse processo ocorre com a valorização de um espaço rural que, durante décadas, foi relegado a um segundo plano, o que resultou na sua estagnação econômica e social, surgindo como uma oportunidade de retomar esse crescimento.
A atual política pública, para o turismo, é pautada num regionalismo que se faz presente em forma de circuitos turísticos; seu processo inicial de construção foi realizado ouvindo e interagindo com as bases locais. Na realidade, como afirmou Bolson, em 2004, a participação das bases veio como uma “quebra de paradigmas aos modelos tradicionais de administração centralizada”, mas veio, também, como uma mostra clara que o poder centralizado do Estado não é mais capaz de assumir, sozinho, uma responsabilidade que, historicamente, sempre esteve em suas mãos, delegando a terceiros o seu papel.
Acreditamos que o circuito possibilitou a concretização de uma prática que vinha ocorrendo, não apenas na região de estudo, mas em várias partes de Minas Gerais, onde o Estado realmente não chegava, acabando por assumir esse papel de idealizador e aglutinador de ações que, antes, eram de sua responsabilidade, construindo o seu espaço junto ao setor produtivo e à sociedade em geral, mas sem abrir mão de ações que o somente o Estado pode realizar.
Visando a uma boa atuação dos circuitos turísticos, as ações realizadas pelo Estado, aqui entendidas como ações políticas, são de fundamental importância para que ele busque priorizar a melhoria na infra-estrutura das cidades e, também, a melhoria das condições de vida da população local. São necessárias, também, ações que priorizem o uso dos recursos culturais e naturais que, no caso do turismo no espaço rural, são os principais atrativos e motivos das visitações.
Entre as várias ações que o Estado pode realizar para criar uma melhoria das condições de vida da população local, pode ser citada a questão da agricultura familiar, que no caso da Microrregião de Viçosa, onde há um predomínio de pequenas e médias propriedades, tende a auxiliar no processo de desenvolvimento local e na descentralização da renda, uma vez que iria contribuir com a organização da produtividade, gerando alternativas, ao produtor rural para ser protagonista do seu próprio desenvolvimento.
Em síntese, o turismo não pode se organizar e se desenvolver sem que haja um efetivo planejamento e definição dos objetivos a serem alcançados, pois, sendo um fenômeno cíclico, precisa ser constantemente repensando e rediscutido, entre os membros envolvidos, visando, principalmente à sua contínua adequação às necessidades que o próprio sistema lhe imputa. Nesse sentido, pode-se afirmar que os usos e apropriações do circuito turístico influenciam no desenvolvimento do espaço rural, estimulando um consumo diversificado dos serviços ofertados, em cada propriedade rural da microrregião.
Acreditamos que o circuito turístico possibilita, aos proprietários rurais, irem além das próprias cercas, na medida em que se encaixarem numa série de normas que lhes possibilite a organizar e planejar o seu investimento, considerando que, isoladamente, esse desenvolvimento tão esperado não virá, mas que, neste momento da história, o futuro para o turismo, no espaço rural, é a regionalização, por meio dos circuitos turísticos.
Procurando entender como esse circuito turístico se insere na Microrregião de Viçosa e consequentemente nas propriedades rurais locais, o próximo capítulo traz uma caracterização da área da pesquisa, apresentando, detalhadamente, as propriedades participantes do CTSM e envolvidas com o turismo no espaço rural.