2.6 Descripción de la instalación
2.6.4 Sistema de detección, alarma y pulsadores
Os documentos dessa difusa revolução chamam-se “Suplemento da FOLHA DO NORTE, em Belém; “José” e as Edições Clã, no Ceará; “Nordeste”, em Recife; “Agora”, em Goiás; “Edifício e suas edições”, em Minas; “Magog”, “Fonte”, “A Época”, a futura “Orfeu” e os suplementos literários dos jornais do Distrito Federal; “Paralelas”, em São Paulo, como também a inesquecível “Clima” iniciadora dessa renovação e um nome que por isso não podemos esquecer “Joaquim”, no Paraná; “Uirapuru”, em Santa Catarina; a incomparável “Província de São Pedro”, no Rio Grande do Sul, e quem sabe quantos outros existem no desconhecimento deste crítico de província. Quem já teve oportunidade de folhear essas publicações e de tomar contato com os livros, com o pensamento das diversas províncias brasileiras, pode bem aquilatar da revolução que está se verificando.
(Wilson Martins) A Terceira Geração Modernista no Pará tem como principais mentores os jovens chamados “Novíssimos”, especialmente Haroldo Maranhão e seus colegas e amigos literatos do grupo da Academia dos Novos, que contribuem com leituras, discussões e produções de textos para o Suplemento da Folha do Norte, a exemplo de Benedito Nunes, que vai se empenhar em estudos, pesquisas, produções e discussões da poesia moderna, da filosofia e da arte em geral, o que contribui para sua formação erudita, possibilitando, anos depois, o seu reconhecimento dentro e fora do Brasil. Acrescente-se Mário Faustino, vindo do jornal A Província do Pará e toda uma legião de literatos que vêm da Segunda Geração, ou seja, da revista Terra Imatura e ainda alguns membros da primeira geração, isto é, da revista Belém Nova.
A Primeira e a Segunda Geração modernista do Pará ajudam o grupo dos “Novíssimos” na consolidação do Modernismo naquele Estado. Os jovens literatos que vêm da Academia dos Novos gradualmente fazem-se presentes nesse periódico desde o seu início até o seu encerramento, já demonstrando ali que são verdadeiros artistas e estudiosos de literatura e de arte. Isto porque a
maioria deles, depois que o jornal sai de circulação, continua suas vidas como poetas, romancistas, contistas, críticos e Professores de literatura, como ocorre com Benedito Nunes.
Assim, Nunes inicia uma nova fase de vida literária como poeta modernista40, fase relevante para esta Tese pela materialidade das produções do intelectual paraense, que começa a publicar seus poemas e outros textos no Suplemento em questão, a partir do ano de 1946, num momento em que vários críticos do Centro-Sul já estão avaliando o Modernismo no Brasil41 e outros já se encontram emitindo juízo de valor a respeito dos novos poetas que são chamados depois de “Geração de 1945”. Esse fato é reconhecido, anos depois, por Nunes, como negativo para sua formação:
Nós perdemos a Semana, e essa perda foi negativa, porque nós tínhamos um fundo acadêmico terrível, parnasiano, ao
40
Benedito Nunes, em entrevista, posteriormente afirma: “A minha entrada no modernismo foi pra valer” (NOBRE; REGO, 2000, p. 73). Ainda, em entrevista para esta pesquisadora, em 2008, Nunes declara: “Esse jornal foi singular para mim. Enfim, para todos nós: eu, Haroldo Maranhão, Max Martins não éramos modernistas. Só depois de 1945, mudamos. Mudamos mesmo. Mudamos completamente depois de 1945. Éramos órfãos. Nessa época, já tinha ocorrido um movimento modernista aqui em Belém com a revista Belém Nova, mas nós não sabíamos. Ficamos sabendo sobre o Modernismo pelo Francisco Paulo Mendes”. Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, item 10.1.
41 Álvaro Lins num texto de 19 outubro de 1947, no qual faz uma avaliação do Modernismo no
Brasil, assim se pronuncia: “Numa entrevista literária, em que se manifestava um poeta de vinte e poucos anos, excepcionalmente bem dotado, li mais uma vez a opinião, por muitos preferida, de que a geração do movimento modernista apenas descobrira o pitoresco do Brasil e não propriamente o Brasil. Parece-me que aí se encontra uma condenação injusta. É certo que, em rigor, os modernistas não descobriram o Brasil, mas a verdade é que se empenharam em ver e sentir a vida brasileira, descobrindo-lhe faces ignoradas ou pouco conhecidas do passado e do presente, reagindo contra a excessiva influência europeia, principalmente a da tradição portuguesa e a das incessantes correntes francesas, na busca de temas regionais e na procura de uma forma de expressão tanto quanto possível nacionalizada. Vistas hoje, quantas dessas obras – quase todas – nos parecem postiças nos seus excessos, superficiais, pretensiosas, ingênuas, simplesmente pitorescas! Vistas no seu tempo, porém, e levando em conta os padrões literários dominantes, contra os quais tinham de lutar os autores modernos, como se nos afiguram ricas de vivacidade nos seus transbordamentos, originais, oportunas, intensamente viva na sua fisionomia brasileira! O tempo, contudo, é implacável em matéria artística, não considerando circunstâncias acidentais e sim, apenas, os valores intrínsecos e permanentes das obras de arte. Isso explica que hoje tantas produções da geração modernista de 1922, em verso como em prosa, estejam fora do nosso gosto e excluídas do nosso interesse, amarelecidas, caducas, ultrapassadas, material mais de história literária do que da literatura, como acontece, aliás com todas as escolas e movimentos artísticos”. Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, item 12.8a.
qual ficamos grudados durante muito tempo com a Academia
dos Novos. E essa Academia prosperou. Lembro-me bem
que, antes de fundarmos a Academia, Haroldo Maranhão escreveu um artigo atacando a poesia moderna. Em 1945, Mário de Andrade morria e nós estávamos saindo da
Academia (Nunes, 2000, p. 75).
Pelo exposto, pode-se observar que no Pará: por um lado, Francisco Galvão com seu “O Manifesto da Beleza” radicalmente modernista; e Abguar Bastos com seus manifestos modernistas ufanistas/nacionalistas, “À Geração que Surge” e o “Manifesto aos Intelectuais Paraenses” (FLAMI-N‟-ASSÚ) respectivamente; por outro lado a resistência, por parte de alguns intelectuais atuantes na cultura local na década de 1920, e, posteriormente, às mudanças propostas pelos literatos francamente modernistas.
Nesse quadro, Wilson Martins (1986, p. 591-651)42 fazendo um balanço
da crítica literária do Modernismo no Brasil, reconhece que, de modo geral, aquela “chegará com grande atraso nesse movimento essencialmente crítico”, e destaca três fases de tal atividade, a saber: a) a Crítica Sociológica de 1922-1928, em que a primeira geração modernista faz do nacionalismo, em suas variadas manifestações, a pedra de toque da qualidade literária; b) a Crítica Social de 1930-
1940: devido ao amadurecimento no Brasil do processo de reforma institucional de
que as revoltas militares e literárias da década anterior são as manifestações simultâneas complementares e afins, a crítica literária passa a refletir essas absorventes preocupações, substituindo a sua escala “sociológica” de valores por uma escala “social” de valores; e c) a “Crítica Estética”: “a partir de 1945”, quando os críticos buscam um novo rumo para sua atividade, na base de um rigorismo conceitual e metodológico, de um conceito de autonomia do fenômeno literário e da possibilidade da sua abordagem crítica estética, visando mais aos elementos
42 Wilson Martins, um dos colaboradores do Suplemento em estudo, ali publica, de 13 de abril de
1947 a 4 de dezembro de 1949. Ver catalogação dos textos no 2º Volume desta Tese, Anexos, item 16.
intrínsecos e estruturais, isto é, à obra em si mesma e não às circunstâncias externas que a condicionam.
Segundo Wilson Martins (1986, p. 625), a “Critica Estética” é a “verdadeira crítica”43, em que o avaliador observa os “elementos intrínsecos das
obras”, só sendo possível essa crítica pelo “esgotamento natural da literatura pós-
modernista, a modificação da conjuntura social e o ensino universitário das letras, cada vez mais difundido”. Essas são as discussões que dão origem a muitos dos artigos publicados no Suplemento em estudo e, consequentemente, são absorvidas pelos literatos de Belém que iniciam suas carreiras no jornal aqui estudado, como Haroldo Maranhão, Max Martins e Benedito Nunes.
Assim, Nunes começa suas atividades no jornal bem em meio a essas discussões e mudanças na crítica literária brasileira, o que vai, em alguns pontos, beneficiá-lo ao se constatarem os assuntos abordados nos textos que são publicados no Suplemento em questão, pelos principais críticos de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Minas Gerais, inclusive por Professores Doutores da USP, como é o caso de Roger Bastide44 e Paul Arbousse-Bastide45, que
respectivamente publicam ensaios importantes para o aperfeiçoamento literário dos jovens paraenses, leitores do encarte dominical; e Otto Maria Carpeaux46, ao
43 A concepção contemporânea de crítica valoriza tanto os elementos imanentes da obra de arte
literária, quanto os elementos a ela transcendentes.
44 Antonio Candido, em seu livro Recortes, chama a atenção para a importância desse intelectual:
“No Brasil, Roger Bastide se interessou a fundo pela nossa arte e nossa literatura, tornando-se um crítico militante e um estudioso que pesou de maneira notável na interpretação de fatos, ideias e obras” (1993, p. 99). Roger Bastide é um dos colaboradores do Suplemento aqui estudado, de 6 de outubro de 1946 a 12 de junho de 1949, com publicações de ensaios importantes não só para a formação do Grupo dos Novíssimos do Pará, mas também para qualquer estudioso de literatura, a exemplo dos textos: “Crítica literária e crítica religiosa”, “Crítica 1946” e “Que é literatura?” Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, itens 12.24a e 12,24b..
45 Paul Arbousse-
Bastide publica três ensaios no periódico paraense em 1947, a saber: “Sobre a influência francesa” (01/06/1947), “Jean-Paul Sartre e a literatura interessada” (08/06/1947) e “Para quem escrevemos” (20/07/1947). Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, Item 12.36.
46
Bosi, no estudo “A crítica”, no qual traz críticos e livros de críticos da Literatura Modernista no Brasil, demonstra que Otto Maria Carpeaux (Viena, 1900 - Rio de Janeiro, 1978) é “um divisor de águas entre modos de ler menores e, não raro, provincianos, e uma consciência crítica poderosa da literatura como sistema enraizado na vida e na história da sociedade”, destacando sua formação cultural na Europa, nos cursos de “Doutorados em Matemática, Filosofia e Letras” (BOSI, 2000, p. 496). Carpeaux é um dos críticos que publicam bastante no Suplemento em foco, de 25 de maio de 1947 a 12 de março de 1950, somando um total de 49 artigos. Depois que o
qual Candido (2004, p. 98), é bom lembrar, se refere, pertinentemente, da seguinte maneira:
Otto Maria Carpeaux poderia ter sido o que quisesse: cientista, professor, crítico de arte, de música, ou de literatura, líder político, doutrinador. Por circunstância da vida teve de sair do seu país, a Áustria, acossado pelo nazismo, e no Brasil se tornou uma espécie de polígrafo, um herói civilizador, diria Roberto Schwarz (como Anatol Rosenfeld e Roger Bastide).
Essas informações passam a ser importantes para se entender, em termos de crítica literária, o autodidatismo de Benedito Nunes, que se forma em Direito, mas desde cedo se identifica com as letras, demonstrando o gosto pela leitura e a sensibilidade estética, tornando-se, posteriormente, Professor de Filosofia de uma instituição federal de nível superior do Pará e um estudioso da literatura moderna brasileira e estrangeira. Desse momento inicial da sua carreira nas letras ele recorda-se, afirmando que:
Alguns anos depois desse grito libertário, um dos nossos ilustres confrades, Haroldo Maranhão, fundou e dirigiu o “Suplemento Literário” da Folha do Norte. Mais moderno que modernista, esse antiprovinciano tablóide dominical instrumentou, difundindo tudo o que de melhor e mais novo se fazia na literatura e na arte do país e do estrangeiro, o esforço de atualização que cada qual começara a empreender por conta própria. E golpeou o isolamento que ilhava a produção local. Os primeiros poemas de O estranho foram surgindo nas páginas do Suplemento, onde líamos as últimas poesias de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, alternado-se com versos de Ruy Barata e Paulo Plínio Abreu, que nós, os então chamados “novos”, somados a um Cauby Cruz e a um Mário Faustino,
Suplemento sai de circulação, ele continua publicando no jornal A Província do Pará. Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, itens 12.34a e 12.34b.
que não haviam pertencido à Academia, tínhamos aprendido a admirar (NUNES, 1992, p. 17-18).
Assim é que o número inaugural do citado encarte literário, que surge em 5 de maio de 1946, estampando, na primeira página, a composição poemática de Manuel Bandeira, “Testamento47”, traz na terceira página o texto em prosa de
autoria de Benedito Nunes, João Silvério48, dividido em dois pequenos capítulos, a saber: “Menino Doente” e “Jaqueira”; constando a indicação “Capítulos de um Romance” ao final do texto. Em 1946, além do texto citado acima, Nunes dá à lume mais quatro49: Poema do solitário, Trecho da Conselheiro Furtado (também
poemas) e duas publicações, em forma de aforismos, ao iniciar a coluna
Confissões do solitário no Suplemento em causa.
O ano de 1947 é um dos quais Nunes mais publica. Entre janeiro e agosto, produz, em média, dois poemas a cada mês, depois para e só retoma em dezembro do mesmo ano, totalizando dezesseis números do Suplemento.
Aquele ano passa a ser de vital importância para a formação literária de Benedito Nunes. É em 1947 que ele é inserido no grupo que frequenta o “Café Central”, local onde se reúnem os literatos mais proeminentes de Belém do Pará, com os quais Nunes faz amizade. Entre eles estão Ruy Barata, Paulo Plínio Abreu, Rui Coutinho, Raymundo de Sousa Moura, Cléo Bernardo e Sylvio Braga, bem como o Professor Francisco Paulo Mendes50, que, embora não tenha sido
47 Manuel Bandeira escreve uma carta de agradecimento a Haroldo Maranhão pela publicação
desse poema e de sua foto no jornal em causa, pela passagem dos sessenta anos do bardo pernambucano. Ver a carta de Manuel Bandeira no 2º Volume, Anexos desta Tese, Item 12.
48 Todos os textos de Benedito Nunes, publicados no Suplemento em estudo, são coligidos,
digitados sob a nova ortografia brasileira e publicados no 2º Volume desta Tese, Anexos. As citações da primeira parte desta Tese, referentes aos textos do crítico paraense coligidos dos periódicos, são extraídas do 2º Volume da presente Tese, Anexos, itens 5 a 7 e 9.
49 Ver tabela com a quantidade de textos no 2º Volume desta Tese, Anexos, Item 2.
50 Benedito Nunes o relembra em Meu amigo Chico: fazedor de poetas, livro que ele organiza após
a morte de Francisco Paulo do Nascimento Mendes. Nunes, quando tem 12 anos, conhece esse professor, que lhe empresta o livro Os mitos gregos, de Gustav Schwab. Depois o reencontra no Café Central, aonde é levado por outro amigo: Haroldo Maranhão, que o apresenta aos poetas e críticos mais importantes, naquele momento, em Belém do Pará (NUNES, 2001, p. 15-16). Para esses amigos, anosmais tarde, Benedito Nunes faz introduções e prefácios de livros, como ocorre com publicações de Mário Faustino, Max Martins, Ruy Barata eHaroldo Maranhão.
seu mestre em sala de aula, é considerado como uma figura presente em sua formação literária. Em 2000, Nunes, ao ser perguntado se ele vê “uma linha de continuidade entre a geração de José Veríssimo e a sua”, responde:
Sim. Francisco Paulo Mendes era um autodidata, e era formado em Direito também. Foi ele quem começou a me ensinar literatura. Claro que hoje o MEC não deixaria que esse tipo de coisa acontecesse [risos]. Eu ensinei Filosofia porque, naquele tempo, o MEC tinha um concurso feito nos estados chamado Exame de Proficiência, e era isso que dava autorização para lecionar (Apud NOBRE; REGO, 2000, p. 72 ).
Esses literatos do “Café Central” escrevem no mesmo periódico e comungam das mesmas concepções literárias em consonância com o Modernismo. Posteriormente, chega ao grupo Mário Faustino. Este se torna um grande amigo de Benedito Nunes, tendo em vista, inclusive, as afinidades eletivas entre eles em termos de leituras. O próprio Nunes (2000, p. 39) concede um depoimento a respeito dessa amizade:
Conheci Mário Faustino em 1947, na primeira e única reunião da secção local da ABDE (Associação Brasileira de Escritores), que seu então presidente Haroldo Maranhão, também primeiro e único, conseguiu mobilizar (...). Não saberei dizer como se firmou entre nós o pacto da amizade. Na Belém de trezentos mil habitantes, pós-Segunda Guerra Mundial, havia, apesar do calor, clima para longas caminhadas a pé, para passeios nos velhos bondes, que seriam os últimos, ou nos novos ônibus, que então começaram a circular, e para demoradas conversas nas casas de um e de outro, que se prolongavam nos cafés, sobre livros que líamos. De caminhada em caminhada, de leitura em leitura, tornamo-nos íntimos, fraternais amigos: visitávamo-nos mutuamente sem hora marcada.
Semelhante amizade lítero-pessoal entre os dois intelectuais, além de profunda, é citada por Lilia Silvestre Chaves (2004, p. 147) como duradoura e permanente, em Mário Faustino: uma biografia51:
A amizade com Benedito Nunes durou quinze anos, desde que se conheceram em 1947 até a morte de Mário Faustino em 1962, e grande parte dela os dois viveram na ausência, comunicando-se por escrito, Benedito Nunes em Belém e Mário Faustino, quando viajava ou quando passou a morar no Rio de Janeiro ou em Nova York. (...). A amizade entre Mário e Benedito jamais arrefeceu e iluminou a existência daquele que sobreviveu ao outro, mesmo para além da morte, pela lembrança e fidelidade a um nome.
Na ambiência cultural da capital do Pará, o “Arte Suplemento Literatura” exerce papel fundamental pela produção e divulgação dos autores locais, que estampam no encarte: poemas, capítulos de romance, crônicas, críticas literárias, entrevistas, traduções e ideias, bem como pela divulgação de textos de intelectuais do Centro-Sul do Brasil e do exterior, além de ser importante pelas relações estabelecidas entre esses jovens literatos que vão aperfeiçoar, também, suas leituras de poemas, de apreciação de obras de ficção, cinema, teatro, artes plásticas e filosóficas. Tal é o caso do ensaísta Benedito Nunes, que vai experimentar várias formas de arte e de estudos do pensamento reflexivo, até encontrar o seu lugar na crítica literária e na filosofia. Na verdade, numa publicação como a do periódico em questão, se expõe:
o espírito de um grupo de intelectuais, poetas e jovens sonhadores, ávidos de conhecimento, não apenas restrito ao
51 Sobre Mário Faustino, recomenda-se a leitura do livro Mário Faustino: uma biografia, publicado
em Belém pelos editores Secult; IAP; APL, da poeta e uma das estudiosas de Mário Faustino, Lilia Silvestre Chaves.
campo da literatura, mas exercendo o direito à pesquisa estética no campo da crítica de arte, nos moldes exercitados por Mário de Andrade (MAUÉS, 2002, p. 24).
O convívio com a leitura de textos dos poetas, romancistas e críticos de arte e de literatura modernos, inclusive com uma gama de entrevistas de intelectuais brasileiros e estrangeiros e dos próprios paraenses ou poetas radicados em Belém, no encarte jornalístico em causa, e a discussão, entre os seus redatores, sobre as novas ideias vigentes na literatura e na arte em geral, pois já corre a chamada terceira fase do Modernismo brasileiro, quando desponta o poeta João Cabral de Melo Neto; a verve perspicaz de leitor sensível às questões estéticas de Benedito Nunes; o encontro, em 1947, com Mário Faustino, que, como se refere Nunes (2000, p. 37-42.), vai ser um importante parceiro intelectual nas discussões e leituras de livros; tudo isso, certamente, contribui para a formação do crítico literário belenense, que escreve, ainda muito jovem, na mesma folha para a qual colaboram os mais renomados artistas literários e críticos do período.
Outro fato importante do ano de 1947 reside nas entrevistas dos poetas e críticos dos grupos “novos” e “novíssimos”52, que vão se unir cada vez mais,
nesse momento, em torno da poesia moderna, enfrentando os poetas e críticos parnasianos paraenses a que vão chamar de “velhos”.
Essas entrevistas, uma espécie de depoimentos, já que as perguntas propostas são dadas aos intelectuais, os quais escrevem seus textos e entregam ao articulista Peri Augusto, que, como um coordenador de mesa redonda, faz seus comentários numa pequena introdução e publica o texto na coluna intitulada “Posição e destino da literatura paraense”, são de fundamental importância para a consolidação do Modernismo no Pará. São essas entrevistas que vão acirrar os ânimos entre os poetas modernos e os parnasianos em Belém, após vinte e cinco anos da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, demonstrando que os
adeptos da estética parnasiana, no Pará, continuam produzindo seus poemas e não estão dispostos a reconhecer os poemas dos jovens modernistas paraenses