No ambiente carregado de esperanças políticas que sucedeu à queda do Estado Novo, imediatamente após o fim do conflito mundial, foi a geração de 45, a que João Cabral pertence, que abriu o processo de julgamento do modernismo brasileiro, cujo impacto revolucionário havia cessado desde 30. No entanto, essa geração, que surgia contestando a revolução literária de 22, era herdeira das conquistas do próprio modernismo, que continuava moldando a fisionomia estilística de nossa literatura.
(Benedito Nunes)
No último número publicado da coluna “Posição e destino da literatura paraense”, tem-se uma única entrevista: a de Benedito Nunes. Isso demonstra que, no final do ano de 1947, depois de ter dado à estampa vários poemas, ele já é um autor reconhecido pelos seus pares em Belém. Mesmo porque, na maioria dos depoimentos concedidos, seu nome é citado por muitos, entre eles Bruno de Menezes, um dos poetas que começam o fazer literário na primeira geração modernista, passa pela segunda e chega à terceira geração ainda produzindo. Além de ser mencionado durante as entrevistas, também o é em sua apresentação por Peri Augusto:
Hoje publicamos a brilhante resposta do nosso jovem colaborador Benedito Nunes, um dos “novíssimos” da geração literária paraense. Não obstante os seus 18 anos de idade, Benedito Nunes é uma das expressões mais representativas do movimento intelectual que presentemente se registra entre nós (AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 11.25).
Em 1º de janeiro de 1948, Benedito Nunes publica a sua entrevista dando opinião sobre a geração moderna do Pará74. E o seu depoimento é
74
Naquela data, é também publicado o conto “As moscas”, de Mário Faustino, amigo de Benedito Nunes. Trata-se do primeiro texto de Faustino no Suplemento estudado. Em 25 de abril de 1948,
encarado, aqui, como o texto que o introduz na crítica literária, embora Nunes (1992, p. 21) só vá considerar a sua iniciação nessa área em 1952, com a publicação do artigo “A estreia de um poeta” (NUNES, 2º Volumes desta Tese, Anexos, item 6.5.2) no jornal Folha do Norte, sobre a obra O estranho (1952), de Max Martins. Esse artigo é um dos primeiros textos nunesianos publicados no corpo do referido jornal após o encerramento do “Arte Suplemento Literatura”, aqui estudado, enquanto encarte que recebe colaboração de Benedito Nunes.
Porém, antes do artigo “A estreia de um poeta”, Nunes publica o prefácio à obra de Max Martins, O estranho, que é um breve livro publicado de forma quase artesanal, uma brochura de 29 páginas, contendo vinte e três poemas, sendo os três últimos, dedicados ao luto pela morte de um pai, separados dos outros vinte pelo título “Elegias”, certamente em evocação às suas leituras de Rainer Maria Rilke, aspecto estrutural não verificado posteriormente na edição da CEJUP, organizada em Belém do Pará pelo próprio autor em 1992, sob o título Não para consolar: poemas reunidos 1952-1992. A capa não apresenta ilustração, constando apenas o título e o ano da publicação (1952) em algarismos romanos, sem indicação de editora e local. O verso da capa do livro estampa um texto curto, também não fazendo parte da aludida edição de 1992, de onde são retirados três poemas. Trata-se do supramencionado texto de Nunes, tido aqui como o seu primeiro prefácio. Esse traz informações biográficas de Max Martins e rápida observação sobre as composições desse bardo paraense75.
Em “A estreia de um poeta”, texto mais longo, Nunes dá notícia da publicação do livro O estranho, de Max Martins, apontando as dificuldades dos literatos do Pará para a publicação de seus livros e a relevância daquele vate no cenário da poesia brasileira e paraense. Reconhece a importância dessa produção e do poeta, bem como a admiração pelos versos de Max, bardo que já vem publicando em periódicos no Pará, especialmente no encarte aqui estudado,
ele publica o poema “1º Motivo da rosa”, que vem acompanhado de um ensaio de Francisco Paulo Mendes, o primeiro analista da obra de Mário Faustino, de quem, posteriormente, Nunes vem a ser também um dos estudiosos.
75
desde 194776. Não obstante, o crítico brasileiro aponta aspectos negativos dessa
obra.
Uma das observações importantes que Nunes faz sobre os poemas de tal livro diz respeito à relação das composições de Max com o movimento modernista brasileiro, mas destacando a diferença entre o poeta paraense e a geração de 1945, especificamente, aquela ligada ao formalismo e à revista “Orfeu”, que Nunes já vem criticando no artigo anterior intitulado “O anjo e a linha”, continuando sua crítica no texto “A estreia de um poeta” sobre o livro de Max Martins:
Tenho pela poesia de Max Martins uma admiração bem forte, conquanto saiba que ela é uma poesia ainda imperfeita e mesmo desorientada, pois não alcançou a sua forma peculiar de expressão. Admiro-o pela sua vivacidade, pelo seu tom espontâneo, irônico às vezes, e quase sempre confessional, e ainda por que essa poesia de O estranho não representa nenhuma tendência para o formalismo, o que impedirá que, no futuro, ingresse numa possível antologia “Orfeu”. Ninguém certamente poderá estabelecer sobre a poesia de Max Martins um juízo crítico definitivo.
Benedito Nunes faz uma crítica que aponta aspectos positivos e negativos do primeiro livro de Max Martins, mas já naquele momento inicial acredita nas potencialidades do poeta paraense, embora considere que Max, naquela época, se aproxima de uma poesia “anedótica”, com “desprezo formal”.
Contudo, ainda no artigo “A estreia de um poeta”, Nunes destaca a originalidade da poesia do livro de Max pela “visão humorística das coisas” de algumas composições.
Dessa forma, Nunes passa a analisar cada poema, apontando suas deficiências, demonstrando que existem muitos poemas fragmentários, a precisar de um burilamento, outros sem valor que justifique a sua presença no livro, a
76 Max Martins tem vários poemas publicados no
“Arte Suplemento Literatura” do jornal Folha do
Norte, sendo seu primeiro poema estampado no referido encarte “Nesta noite eu sou Deus”, de 23 de fevereiro de 1947, p. 2,
exemplo de “Branco branco”, poema que Martins retira da obra e não é selecionado para o livro de 1992.
Da edição dos vinte e três poemas de O estranho (1952), Nunes considera a segunda parte, constituída de três elegias, a mais importante, porque, segundo o crítico, é aí que está: “O melhor da poesia de Max Martins, e o que faz de O estranho uma bela estreia que afirma a vocação e o talento do autor”,
O texto de Nunes em foco é importante, pois reafirma o talento de um jovem crítico que não erra em suas avaliações porquanto Max Martins continua fazendo versos e é um dos principais poetas que surgem no Pará a partir de 1947. Como bem observa Benedito Nunes:
Esse livro modesto dá-nos o testemunho da poesia vigorosa e original de que ele será capaz e traz até nós a poesia vacilante, mas apaixonada, de um jovem inquieto, cujos versos, ainda imperfeitos, têm a força que falta a muitos poetas de sua geração para exprimir “o sentimento do mundo”.
Com o artigo “A estreia de um poeta”, Benedito Nunes se reconhece, de uma vez por todas, como crítico literário. Entretanto, verifica-se, através da presente pesquisa, que ele já vem fazendo crítica desde 1948, como se depreende da referida entrevista dada por Nunes e que se considera aqui como seu primeiro exercício crítico. Este exercício, por sinal, revela-se bastante genérico em termos de poesia brasileira, pois nele Nunes não relaciona seu discurso às produções modernas de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Ruy Barata, Paulo Plínio Abreu, Max Martins e outros poetas nacionais e locais, que, assim como ele próprio, aos domingos, vêm publicando, no Suplemento em foco, as suas composições.
Percebe-se, no seu depoimento, que Benedito Nunes não dialoga com os seus compatriotas, com os seus contemporâneos, como o fazem os modernistas de São Paulo, a exemplo de Oswald de Andrade em seu artigo “O
meu poeta futurista”, de 27 de maio de 1921. Nesse texto antológico, Oswald de Andrade estampa poemas de Mário de Andrade e de outros autores que ali figuram para reafirmar a importância da poesia moderna no Brasil.
Por seu lado, Nunes (Apud AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 5.5.1) dialoga com autores universais de língua estrangeira, como Goethe, e afirma que a geração moderna tem um compromisso com a “liberdade humana”, embora não interesse constatar que o “homem é livre” e, sim, saber o que fazer dessa liberdade, ou como “suportar as consequências desse achado e, reafirmar as raízes heroicas da dignidade humana”, apoiando-se em Gide, para quem o artista deve buscar permanentemente a honestidade intelectual, assumindo-se em quanto tal em sua obra. Em seguida, traz a palavra arte, que “pode fornecer ao homem um conhecimento mais profundo da natureza humana”, para depois falar da poesia, afirmando que esta “se vê transformada em elemento de pesquisa, de penetração, quando o momento criador do artista consiste em procurar traduzir a sua „vivência‟, ligando-se ao mundo objetivo pelo que existe em si de permanente e essencial” (Idem, Ibdem). Essa percepção da poesia como “vivência”, sensível ao mundo objetivo, naquilo que é mais essencial da condição humana, vai ser uma constante no pensamento de Benedito Nunes.
Entendendo “o problema da liberdade humana” como atitude da “geração moderna”, Benedito Nunes envereda pelo caminho da reflexão filosófica, atitude que vai seguir nas suas análises posteriores, em que está incluída a liberdade poética. A liberdade humana é entendida como exercício das experiências vividas.
Pode-se reconhecer que Nunes considera a poesia moderna como reveladora do fato de que “cada poeta é uma poética”. No entanto, o seu discurso ainda aborda também a questão dos “modernos” versus “parnasianos”, porque no Pará, ainda persistia o Parnasianismo depois de quase vinte e seis anos da
Semana de Arte Moderna de 1922 e quando já estão consolidadas, em outras
partes do Brasil, duas gerações modernistas, o que não ocorre no Pará, mesmo com as publicações das revistas Belém Nova e Terra Imatura.
Muitos literatos paraenses, como Benedito Nunes, na época, parecem não perceber ainda que eles estão em uma terceira geração, ao chegar para colaborar no Suplemento em 1946, assim como não dão demonstração de que eles também são de uma geração diferente dos integrantes de Terra Imatura. Mas essa geração, em especial Benedito Nunes, chega ao término desse periódico com um conhecimento da literatura sedimentado, a ponto de criticar, de forma segura, a própria geração a que ele pertence no Pará, bem como a “geração de 45”.
Nunes, assim como os seus colegas que publicam crítica à geração parnasiana, também faz a sua, de uma forma mais moderada, considerando-se as críticas mordazes de Max Martins e Geraldo Palmeira. Ao mesmo tempo, ele julga que pode elevar o nível dos modernistas paraenses de então, constituídos pelos mesmos nomes aqui e agora citados, através de leituras, não de literatos brasileiros, mas, sim, de autores do exterior, como Chesterton, Joyce, André Gide e Goethe, autores esses por meio dos quais Nunes busca justificar a sua compreensão de poesia moderna:
A geração moderna começa tendo uma visão segura de seu destino e, o que realiza, orientada pelas suas próprias conquistas, não se prende, por certo, aos esforços de uma geração anterior. Com a passada geração paraense acontece ter sido, desde logo, uma geração malograda. Esteve à margem da vida humana profunda e por esta se desinteressou deliberadamente a fim de preservar um falso conceito de vida artística. Era partindo desse conceito que o artista desinteressado pela realidade da vida humana (pela normalidade da vida humana que Chesterton descobriu rica em surpresas e onde Joyce foi buscar o seu heroi), proclamava que “era necessário beber a grandes tragos na taça da quimera”. Em consequência, o que de fato realizaram, o que realizaram ainda os transnoitados de velha geração mostra-se de uma debilidade imperdoável, principalmente em poesia (Apud AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 5.5.1).
Nesse depoimento, em que também é criticado Remígio Fernandez, com palavras menos ofensivas, Nunes pontua seu pensamento a respeito da nova geração moderna em contraponto à geração parnasiana paraense. Tal geração moderna prioriza o sujeito e a liberdade de criação, questões estas que demonstram uma nova postura do poeta diante da vida cotidiana dos homens, o que muda também a questão estética empreendida por esses poetas modernos que não se prendem a artifícios da mimese pela mimese.
Pela entrevista de Nunes, pode-se perceber o seu pensamento sobre o princípio de autonomia da arte, que, de certo modo, traduz os três fundamentos do movimento modernista feito por Mário de Andrade (1967, p. 234), isto é: o direito permanente à pesquisa estética, a atualização artística e a estabilização de uma consciência nacional criadora, diferentemente dos poetas parnasianos que, segundo Benedito Nunes (Apud AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 5.5.1), priorizam o objeto, cultuando a forma do poema, e por isso o trabalho artístico dos parnasianos é restrito às questões formais, prejudicando a poesia, enquanto essência do poema. Acrescenta ainda Nunes que à geração moderna, que também é a sua, assume uma postura diferenciada, em que o homem é a principal fonte de interesse, porque a arte, em particular, a poesia, deve ter profunda integração com a vida do homem:
O artista, especialmente o escritor, abandonou qualquer artifício como era aquele da “arte pela arte”, e pôs-se, resolutamente ao lado do homem. Ligando a atividade estética aos anseios e esperanças de um maior equilíbrio social e humano, conservamos essa ligação até onde não gere certos exageros como os romances ditos sociais e que, na verdade, não passam de socialistas... (Apud AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 5.5.1).
Vê-se que ele como que incorpora ao seu texto a concepção sartreana de artista, comprometido com as questões sociais – não socialistas -, porém
observando o equilíbrio de sua produção, de forma a não prejudicar o estético da obra:
(...) os novos, pelo sentimento poético e pela fé na vida, estavam convencidos de uma verdade super-humana da qual cada homem livre constituía o mais profundo testemunho. Tinham muitas coisas a ensinar aos velhos, sem dúvida, que ressentidos rejeitaram aprender com eles... (Apud AUGUSTO, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 5.5.1).
No final de 1948, Benedito Nunes entra para a Faculdade de Direito do Pará, iniciando o curso em 1949. Ainda em 1948, além de continuar colaborando no Suplemento literário aqui estudado, funda e dirige a revista Encontro, juntamente com Haroldo Maranhão e Mário Faustino. É sintomática a fundação dessa revista, a qual, já um tempo atrás, os jovens literatos do Pará desejam criar, enquanto órgão propiciador de um espaço para demonstração daquilo que eles pensam não só da poesia, do conto e do romance, mas também dos ficcionistas e ainda do suporte em que a literatura é veiculada. Agindo assim os intelectuais paraenses como que estabelecem um diálogo com os seus companheiros do Centro-Sul, a exemplo de Marques Rebelo. Este, na irreverente entrevista intitulada “O conto na literatura”, dada a Almeida Fischer, ao ser perguntado se “a literatura deve descer ao povo, ou este elevar-se até ela”, responde que:
No dia em que a literatura descer até o povo, ela estará liquidada. Para as ideias fáceis e acessíveis há os jornais. Não creio que nenhum escritor realmente de valor possa ficar satisfeito em ver sua literatura rebaixada a um vespertino formato tablóide... (Apud FISCHER, 2º Volume desta Tese, Anexo, item 11.5)
Em Belém, Benedito Nunes e os demais integrantes da Geração
mas também acompanham os debates literários divulgados no encarte jornalístico “Arte Suplemento Literatura”. Trata-se de discussões em torno do que está sendo publicado no Brasil, especialmente as questões da primeira e da segunda fases da literatura moderna nacional, bem como às relacionadas à “Geração de 1945” e à literatura do pós-guerra no exterior.
Tais literatos paraenses também desejam ver seus textos publicados em outros suportes, como revistas e livros, até que lançam a supracitada
Encontro, para a qual alguns dos literatos que vem de Terra Imatura e os
“Novíssimos”, como Benedito Nunes, passam a colaborar. Naquela revista, estampam poemas, ensaios, contos, tradução, crítica, entre outras composições literárias, manifestando-se agora, através da publicação Encontro, como uma agremiação coesa (Novos e Novíssimos), autodenominada “Geração de espírito”77:
Encontro, como exprime o próprio nome, é uma reunião dos
intelectuais paraenses de maior significação do momento. Esta revista não pretende ser uma antologia. É por isso mesmo que não apresentamos colaborações isoladas, representando apenas valores individuais, reunidos como que por acaso, sem ligação recíproca. Pelo contrário,
Encontro fará sentir, através delas, um esforço comum, que
caracteriza a existência de uma geração de espírito. Falando de um esforço comum não queremos significar que a criação individual deva ser submetida a fins previamente traçados; a
77 Benedito Nunes, em entrevista a Nobre e Rego em 2000, ao ser perguntado em que consiste tal
espírito comum, responde: “Esse espírito comum era o cultivo dos mesmos autores, poetas e filósofos, muitos dos quais Mendes apontou para nós. Ele dizia: „Leia Julien Green, leia François Mauriac, ou então leia Rainer Maria Rilke, pelo qual ele era apaixonado. Então surgiu esse espírito comum que, como todo espírito comum, era um pouco faccioso, pois nós cultivávamos esses autores e detestávamos outros. Esse grupo era formado por duas gerações diferentes: uma geração mais velha, da qual participavam Francisco Paulo Mendes, Rui Barata – que era poeta -, Paulo Plínio Abreu - que morreu cedo -; e a outra geração, que era formada por mim, Mário Faustino, Max Martins, Cauby Cruz – que também morreu cedo e era poeta” (NOBRE; REGO, 2000, p. 73-74). Benedito Nunes, nessa entrevista, faz a diferença entre a geração mais velha, ou seja, a dos componentes que vêm da revista Terra Imatura, inclusive Mendes, que Levy Hall de Moura, em sua entrevista de 1947, o coloca em uma geração anterior a essa. Porém, o que Nunes observa é que Mendes começa suas críticas juntamente com o grupo que publica na citada revista. A percepção de Nunes está de acordo com o que é publicado nesse período.
nossa liberdade está em admitir o desenvolvimento das tendências de cada um, dentro, é claro, das conquistas do pensamento moderno. Esta revista insistindo em precisar os traços comuns que se encontram no trabalho dos escritores paraenses atuais, afirma a existência de uma geração, - a geração daqueles que se encontram nesta revista (Encontro, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 9.1.1)
A revista Encontro fica apenas em um número78. Todavia, diferentemente do Suplemento Folha do Norte, que publica textos de diversas tendências, inclusive poemas de escritores parnasianos79, traz uma espécie de editorial que liga as duas agremiações de literatos (“Novos” e “Novíssimos”) aos mesmos propósitos literários, ou seja, de serem uma geração moderna, mostrando que ali só publicam aqueles que se encontram sintonizados com a corporação: “Encontro fará sentir, através delas [agremiações], um esforço comum, que caracteriza a existência de uma geração de espírito (...)” (Encontro, 2º Volume desta Tese, Anexos, item 9.1.1).
A maioria dos colaboradores da revista Encontro é constituída dos literatos vindos de Terra Imatura e dos principais nomes do Grupo dos
Novíssimos. Porém, todos são pertencentes ao Suplemento em estudo, a saber:
78 Marinilce Coelho faz a seguinte observação sobre a revista Encontro, a partir de uma entrevista
de Benedito Nunes, dada à pesquisadora em abril de 1999: “Graficamente a revista foi considerada um “desastre” para os diretores, que nem se ocuparam em divulgá-la, como era a intenção primeira. Mário Faustino tinha a tarefa de divulgar a revista paraense no Rio de Janeiro, no entanto, quando as recebeu pelos correios, telegrafou aos amigos, desistindo da tarefa”. Ver COELHO, 2005, p. 109-124. Porém, acredita-se haver outras questões mais sérias para os dirigentes não levarem adiante o projeto da revista, que realmente tem problemas na parte gráfica, ou melhor, na organização dos textos na revista. Isto porque, no sumário, constam os títulos das seções com número de página, mas, no corpo da revista, a maioria desses títulos não são