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2.6 Descripción de la instalación

2.6.2 Rutas y medios de evacuación

Com efeito, os fermentos de transformação estavam claros nos anos 20, quando muitos deles se definiram e manifestaram. Mas como fenômenos isolados, parecendo arbitrários e sem necessidade real, vistos pela maioria da opinião com desconfiança e mesmo ânimo agressivo. Depois de 1930 eles se tornaram até certo ponto “normais”, como fatos de cultura com os quais a sociedade aprende a conviver e, em muitos casos, passa a aceitar e apreciar.

(Antonio Candido) Aqui se reconhece uma Segunda Geração do Modernismo no Pará, já que, em 1938, outro grupo funda a revista Terra Imatura, que circula daquele ano até 1942, dirigida por Cléo Bernardo Braga33 e seu irmão Sylvio Leopoldo Braga,

33 Cléo Bernardo de Macambira Braga nasce em Belém (PA) no dia 11 de fevereiro de 1918. Fica

órfão de pai e vai morar com a avó materna em Santarém (PA). Aos doze anos, retorna a Belém a fim de continuar seus estudos. Depois, vai para o Rio de Janeiro, onde começa o secundário no Colégio Pedro II, mas outra vez volta a Belém. Ali conclui o Curso de Humanidades, no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré. Faz o curso de Direito na Faculdade de Direito do Pará, formando-se em 1943, na turma do poeta Ruy Guilherme Barata. Entre 1938 e 1940, funda e dirige a revista Terra Imatura com amigos, lançando novos poetas, prosadores e outros literatos, de um modo geral, do Pará, a exemplo de: Mário Couto, Ribamar Moura, Daniel Coelho de Sousa, Raimundo de Sousa Moura, Rui Coutinho, Garibalde Brasil, Nunes Pereira e Carlos Eduardo da Rocha. Desses autores, poucos têm suas obras conhecidas posteriormente no meio acadêmico do Pará, inclusive, o próprio Cléo Bernardo, que tem seu nome ligado, apenas, à revista Terra

Imatura. Contudo, ele também estampa vários poemas nessa revista. No Suplemento aqui

estudado, em 1946, publica um artigo sobre o livro de Dalcídio Jurandir Chove nos campos de

cachoeira. Espírito combativo, integra-se como voluntário à Força Expedicionária Brasileira, indo

lutar contra o nazi facismo, durante a Segunda Guerra Mundial, na Itália. Retorna a Belém, onde também vai lutar contra a política totalitária do governo do General Joaquim Magalhães Cardoso Barata, quando participa da Coligação Democrática Paraense. No ano de 1950, é eleito deputado estadual. Em 1951, Cléo Bernardo organiza, em Belém, um protesto chamado de “Marcha da Fome”, contra a situação de pobreza, sem solução, das camadas menos favorecidas, no governo do General Alexandre Zacarias de Assunção. Esse protesto é brutalmente esmagado pela polícia do Estado. Naquele mesmo ano de 1951, sai do partido Coligação Democrática Paraense e funda, juntamente com trabalhadores, estudantes e intelectuais do Pará, o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do qual assume a presidência e permanece nele até sua extinção pela ditadura militar em 1964, momento em que é preso e processado como “subversivo”. Posteriormente, é solto, mas é proibida sua atuação política pelos governos militares. Então, passa a colaborar com artigos no jornal O Liberal, de Belém. Falece em 7 de setembro de 1984, sem ver a democracia no Brasil. Após sua morte, em 1985, é editado, por Altino Pinheiro, o livro em três volumes A pé com a

tendo como redator-chefe José Maria Mendes Pereira e como principais colaboradores: Arthur Cezar Ferreira Reis34, Ruy Guilherme Paranatinga Barata35,

Bruno de Menezes, Machado Coelho, Stélio Maroja, Alberto Soares do Valle Guimarães, Adalcinda Camarão, Aloysio Chaves, Carlos Eduardo da Rocha, Fernando José Leão, Flávio de Carvalho, José Augusto Telles, Juracy Reis da Costa, Luís Faria, Mário Augusto da Rocha, Raul Newton Campbell Penna, Solerno Moreira Filho, Dalcídio Jurandir36 e Francisco Paulo do Nascimento

Meira, companheiros da Revista Terra Imatura e colaboradores do Suplemento aqui apreciado. (MENDES, 1985, s/n). Cléo Bernardo, além de publicar o artigo “Chove nos Campos de Cachoeira” sobre o livro homônimo de seu confrade Dalcídio Jurandir, no Suplemento aqui estudado, publica uma entrevista em 05/10/1947. Ver 2º Volume desta Tese, Anexos, itens 12.25 e 11.17 respectivamente.

34 Arthur Cezar Ferreira Reis nasce em Manaus (AM), em 8 de janeiro de 1906. Entra para a

Faculdade de Direito do Pará, mas conclui seu curso, em 1927, na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro (RJ). Autor de vários livros, entre os quais Síntese da história do Pará (1942), O seringal e

o seringueiro: tentativa de interpretação (1953) e História do Amazonas (1989), em 1939 transfere-

se para Belém, onde passa a lecionar História em várias escolas, inclusive no Colégio Moderno (no qual Benedito Nunes estuda) e a colaborar em jornais da Capital do Pará. Arthur Cezar Ferreira Reis é também um dos colaboradores da revista Terra Imatura, além de tomar a frente da “Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, órgão em que Benedito Nunes passa a trabalhar. Anos depois, Arthur Cezar Reis transfere-se para o Rio de Janeiro, onde leciona em várias faculdades e exerce funções no alto escalão do governo federal.

35 Ruy Guilherme Paranatinga Barata nasce em Santarém (PA) em 25 de junho de 1920.

Bacharela-se em Direito, em 1943, pela Faculdade de Direito do Pará. É um dos redatores da revista Terra Imatura, na qual publica poemas, bem como é colaborador do Suplemento em foco, ali publicando, além de poemas, uma entrevista. É um poeta comprometido com as causas sociais. Exerce a função de jornalista nos periódicos A Província do Pará e Folha do Norte, de Professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Artes, posteriormente incorporada à Universidade Federal do Pará (UFPA), bem como a de deputado estadual por duas legislaturas, de 1947 e 1954, pelo Partido Social Progressista (PSP). Em 1959, entra para o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Esse poeta é perseguido tanto pelo governo de Getúlio Vargas quanto pelos da ditadura militar de 1964. Nesse período, o poeta é preso e depois aposentado compulsoriamente com menos de dez por cento do seu salário. Depois da anistia, é reempossado em seu cargo de Professor da Universidade Federal do Pará. Falece em 23 de abril de 1990. Deixa poemas dispersos em revistas, jornais e na gaveta, bem como os seguintes livros de poemas publicados:

Anjos dos abismos (1943) e A linha imaginária (1951). Postumamente, em 2000, é publicado o livro Antilogia com “Apresentação” de Benedito Nunes. Ver, a propósito, Paranatinga (1984), de Alfredo Oliveira e 2º Volume desta Tese, Anexos, itens 8.3 e 11.14.

36 Dalcídio Jurandir nasce em Ponta de Pedras, Ilha de Marajó, no Estado do Pará, em 10 de

janeiro de 1909 e morre, em 1979, no Rio de Janeiro (RJ). É autor de uma extensa e importante obra literária denominada de série Extremo-Norte, composta por dez romances: Chove nos

campos de cachoeira (1941), Marajó (1947), Três casas e um rio (1958), Belém do Grão-Pará

(1960), Passagem dos inocentes (1963), Primeira manhã (1968), Ponte do galo (1971), Os

habitantes (1976), Chão dos lobos (1976) e Ribanceira (1978). O autor escreve ainda o livro Linha do parque (1959), fruto de uma pesquisa a respeito dos antigos operários anarquistas do Porto do

Rio Grande (RS). Tal pesquisa é encomendada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao qual ele é filiado (SALES, 383-388). Verifica-se que Dalcídio Jurandir publica poucos textos nesse

Mendes37, que, a partir de 1946, é também colaborador, como crítico literário, no

Suplemento da Folha do Norte. Como diz Marinilce Coelho (2005, p. 93) sobre

Terra Imatura: “Essa revista foi significativa por expressar em suas páginas uma literatura mais preocupada com a realidade sociopolítica, já sem aquele caráter experimental e irreverente do primeiro instante modernista”.

Os participantes da revista Terra Imatura também deixam livros de ficção, como ocorre com escritor do Pará Dalcídio Jurandir, que vai residir no Rio

periódico, é nessa época que ele se muda para o Rio de Janeiro. Benedito Nunes, em 25 de março de 1961, escreve o artigo “Belém do Pará”, no jornal O Estado de São Paulo, na coluna “Crônica de Belém do Pará”, sobre o romancista Dalcídio Jurandir, tratando especialmente do livro Belém do

Grão Pará. Ainda a respeito de Dalcídio Jurandir, recomenda-se a leitura da Tese de Doutorado

defendida, em 2002, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), já publicada em livro,

Universo derruído e a corrosão do herói em Dalcídio Jurandir, da estudiosa Marli Tereza Furtado.

37 Francisco Paulo do Nascimento Mendes nasce em Belém em 10 de janeiro de 1910. Estuda na

Faculdade de Direito do Pará, onde ocupa o cargo de Bibliotecário. Depois segue a carreira do magistério, ministrando aulas de Português e Literatura Brasileira em vários colégios de Belém, tais como: Instituto de Educação do Pará, Colégio Moderno, Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré e Colégio Estadual Paes de Carvalho. Esse professor é de grande importância na formação de intelectuais paraenses daquele período, pois muitos dos literatos que publicam nos periódicos dos dois últimos movimentos modernistas de Belém ou são seus pares de geração ou estudam em colégios onde ele leciona e são seus alunos. Também crítico literário, contribui acentuadamente para o desenvolvimento da vida cultural de Belém do Pará. Quando a Universidade Federal do Pará (UFPA) é fundada, passa a lecionar Literatura Brasileira e Portuguesa na citada Instituição de Ensino Superior, sendo conceituado em entrevista, por Rui Barata, como “... uma das inteligências mais lúcidas e mais brilhantes” daquele momento. É amigo, entre outros, de Benedito Nunes, Mário Faustino, Max Martins, Ruy Barata, Haroldo Maranhão e Clarice Lispector, de cuja literatura Nunes vem a ser um dos estudiosos. Falece em Belém em 9 de maio de 1999, deixando o livro Raízes do

romantismo, de 1945. (NUNES, 2001, p.15-25). Segundo Nádia Gotlib, quando Clarice Lispector o

conhece em Belém, ele passa a ser ali seu interlocutor, emprestando-lhe livros, como Cahiers de

Malte Laurids Brigge, de Rainer Maria Rilke, e textos escolhidos de Proust. Em 25 de julho de

1944, antes de viajar para Nápoles, Clarice Lispector escreve uma carta da cidade de Natal (RN) a Lúcio Cardoso, pedindo-lhe que interceda em favor de Francisco Paulo Mendes para que ele venha a fazer conferências no Rio de Janeiro, conforme trechos da missiva: “Lúcio, vou lhe pedir de novo que você se interesse para que Paulo Mendes, de Belém, vá ao Rio fazer algumas conferências sobre Antero de Quental ou algum outro assunto. Sei que você gostará dele, sei que ele gostará de você. Se o Ministério da Educação pudesse fazer alguma coisa... Vou repetir seu endereço: F. Paulo Mendes, Vila Amazônia, Passagem Mac-Dowell, 25 – Belém – Pará” (MONTERO, 2002, p. 48). Francisco Paulo Mendes parece ter sido muito especial para Clarice Lispector, a qual, em seu livro Um sopro de vida (Pulsações), de 1978, relembra o professor na voz da personagem daquela narrativa, Ângela Pralini, quando esta fala de saudade e solidão: “Eu tenho medo do instante que é sempre único. Hoje, entrando em casa, dei um profundíssimo suspiro como se tivesse chegado de longa e difícil jornada. Pessoas desaparecidas. Onde estão? Quando alguém souber delas telefone para a Rádio Tupi. Cadê o desaparecido Francisco Paulo

Mendes? Morreu? Me abandonou, achou que eu era muito importante... E as muralhas da

China? Antes de Cristo quero vê-las. Eu quero dez anos de garantia. Tenho medo de ter fim trágico. Estou com fome. E então como três pétalas de rosa amarela” (LISPECTOR, 1999, p. 143- 144) (Grifos da autora da Tese). Ver 2º Volume destaTese, Anexos, itens 9.1.4 e 12.5.

de Janeiro, entrando para a militância política do Partido Comunista Brasileiro (PCB), e publica seu primeiro romance Chove nos campos de Cachoeira (1941), pela editora Vecchio, livro esse ganhador, em 1940, do prêmio Dom Casmurro; e Ruy Guilherme Paranatinga Barata38, que permanece no Pará, mas publica seu primeiro livro de poesia pela Editora José Olympio, do Rio de Janeiro.

Esse pequeno panorama da Literatura Modernista no Pará demonstra a situação histórico-literária que se desenvolve em Belém (PA), a partir de 1923, considerando-se os manifestos, os poemas e as discussões que ali já se fazem sobre o Modernismo brasileiro e publicam-se nas revistas Belém Nova e Terra

Imatura igualmente considerando-se os livros surgidos a partir dessas realizações.

Assim é que, quando cessam as publicações da revista Belém Nova, em 1929, ano em que Nunes nasce, cada um dos colaboradores do referido periódico trilham caminhos diferentes. Uns continuam suas produções no Pará sem a vinculação com o grupo de 1923, como Bruno de Menezes, que posteriormente colabora em Terra Imatura e no “Suplemento” aqui estudado; outros publicam na Capital Federal ou em São Paulo.

Percebe-se, ainda, que, em relação a uma arte como a literatura, sobre a qual os estudos acadêmicos geralmente são feitos somente muitos anos depois da produção ficcional e poética, principalmente em se tratando de textos publicados em jornais e revistas, não sistematizados em compêndios no “calor da hora”, os conhecimentos permanecem, em geral, desconhecidos. Até porque, como bem observa Antonio Candido (2000, p. 182): “Não se pode, é claro, falar em socialização ou coletivização da cultura artística e intelectual, porque no Brasil as suas manifestações em nível erudito são tão restritas quantitativamente que vão pouco além da pequena minoria que as pode fruir”.

38 Manuel Bandeira, em seu livro Apresentação da poesia brasileira, seguida de uma antologia de

versos, da Edições de Ouro, insere o nome de Ruy Barata na geração de 1945 (p. 178). No entanto não apresenta nenhuma composição do poeta, como o faz com vários autores dessa geração. Observa-se que, na segunda edição ampliada dessa obra pela Livraria-Editora da Casa do Estudante do Brasil não consta o nome do poeta paraense. Já a edição da mesma obra editada pela Cosac Naify, em 2009 (p. 212) consta o nome de Rui Barata. Talvez a edição da Cosac Naify esteja cotejada com a 1ª edição.

Daí se constatar o seguinte: embora haja duas gerações modernistas anteriormente à geração de Benedito Nunes, em que poetas, cronistas, romancistas e críticos de Belém se espelham no Modernismo paulista para discutirem a literatura produzida no Brasil; e os principais modernistas situados no eixo São Paulo – Rio de Janeiro, como Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, já tenham publicado livros fundamentais da literatura modernista brasileira, a exemplo de Pauliceia desvairada (1922), Macunaíma (1928);

Memórias sentimentais de João Miramar (1924), Pau Brasil (1925); Ritmo dissoluto (1924) e Libertinagem (1930), respectivamente, essas obras não

iluminam de início os jovens da Academia dos Novos, que começam o seu fazer literário, ainda como parnasianos, em 1942, não sendo, portanto, inicialmente herdeiros da mentalidade artístico-literária deixada tanto pelos modernistas de 1922 quanto pelos precursores do Modernismo paraense da Belém Nova. Nesse sentido, veja-se o comentário de Nunes (2005, p. 291):

A minha geração incorporou extemporaneamente esse movimento (o Modernismo), restaurando as suas fontes, paulistas principalmente e seus derivados cariocas e mineiros, sem entreter a menor relação com os pioneiros paraenses de Belém Nova, excetuando Bruno de Menezes, para nós tão só o autor da poesia da negritude em Batuque (1931), original contraponto à poesia servonegra de Jorge de Lima. Muitos dentre os pioneiros modernistas do Pará, na década de 20, como Eneida de Moraes, tomaram um Ita no Norte, emigrando para o Rio de Janeiro.

Contudo, ainda de acordo com o ensaísta do Pará, é o poeta Max Martins quem primeiro se dá conta da diversidade cultural entre os literatos da

Academia dos Novos e os do eixo Rio-São Paulo, em particular, tratando-se de

arte verbal, especialmente da produção em versos:

Max Martins, honra lhe seja feita, antecipou-se a esse processo de geral conversão estética. Bancando o Graça

Aranha, gritou Morra a Academia! Numa sessão solene. E saindo espaventosamente da sala, ou do recinto, conforme dizíamos, foi sentar-se no banco público fronteiro à minha casa, sede do silogeu, onde esperou a saída dos confrades para a costumeira badalação em bando pelas ruas da cidade (NUNES, 1992, p. 18).

Portanto, a consciência do Modernismo no Brasil, para esse grupo de autores iniciantes do Pará, como reconhece Benedito Nunes, só vem a acontecer em 1945, após a morte de Mário de Andrade, porquanto, segundo aquele, semelhantes jovens iniciantes nas letras desconhecem A Semana de Arte

Moderna ocorrida em São Paulo, no ano de 1922, e o que transcorre no seu

Estado durante as décadas de 1920 e 1930. Esse fato é justificado por Benedito Nunes da seguinte forma:

Vivíamos, durante a Segunda Guerra Mundial, uma época de isolamento provinciano; sendo o transporte aéreo precário e raro. Belém ligava-se às Metrópoles do Sul quase que só pela navegação costeira do Ita. Isso tudo justifica, mas não explica nosso retardamento literário de jovens versejadores acadêmicos. Pois fundamos nossa própria Academia com poltronas austríacas, lustre, patronos ilustres, posse solene e discurso de recepção. Só começaríamos a modernizar-nos depois da morte de Mário de Andrade, em 1945 (NUNES, 1992, p. 17-18).

Outra explicação para essa questão levantada por Benedito Nunes pode ser encontrada no próprio Suplemento aqui estudado, ou seja, nas dezoito entrevistas de poetas, contistas, críticos da capital paraense, sobre literatura modernista no Pará, no Brasil e no mundo, especialmente sobre poesia moderna, entrevistas essas veiculadas de 1947 a 1948, conforme se verifica adiante39.

39

O “Suplemento Arte Literatura” veicula, de 1946 a 1950, em termos de cultura geral (literatura, artes plásticas, música, cinema, filosofia, entre outros temas), sessenta e três entrevistas de autores do Centro-Sul do Brasil, do Exterior e dos escritores do Pará. Dessas entrevistas, dezoito são feitas com alguns dos literatos paraenses ou que residem em Belém do Pará, sendo elas

Após desfeita a agremiação da Academia dos Novos, em 1945, e criado o “Suplemento Arte Literatura”, em 1946, por Haroldo Maranhão, Benedito Nunes é convidado para integrar o corpo de colaboradores daquele encarte jornalístico, cuja equipe de elaboração congrega os jovens poetas estreantes em um jornal importante da capital paraense, vindos da aludida Academia, já convertidos todos ao Modernismo, bem como os poetas e críticos modernos mais experientes do Pará, como se pode ver a seguir.

publicadas de 1947 a 1948. A primeira dessas entrevistas é de Ruy Barata (20/07/1947), dada em Fortaleza, mas republicada em Belém. As outras dezessete entrevistas são enfeixadas na coluna “Posição e Destino da Literatura Paraense”, na qual, a cada dia, são geralmente entrevistados dois intelectuais de gerações diferentes, a saber: Cléo Bernardo e Remígio Fernandez (05/10/1947); Cecil Meira e Georgenor Franco (12/10/1947); Levy Hall de Moura e Sultana Levy (26/10/1947); Bruno de Menezes e Romeu Mariz (02/11/1947); Stélio Maroja e Edgar Proença (16/11/1947); Otávio Mendonça e Raimundo de Sousa Moura (23/11/1947); Max Martins e Geraldo Palmeira (07/12/1947); Paulo Plínio Abreu e Ruy Coutinho (14/12/1947); Benedito Nunes (1º/01/1948). A última entrevista da série é feita somente com Benedito Nunes. Ver as entrevistas no 2º Volume desta Tese, Anexos, itens 11.17 a 11.25.

2.3 Terceira Geração - O Modernismo no Pará dos Anos de 1940: O Lugar de