Ao concluirmos a série de ensaios que integram este trabalho e após termos elaborado os respectivos cálculos temos, salvo melhor opinião, fortes razões para ficarmos satisfeitos com os resultados obtidos. Se, já anteriormente considerávamos as técnicas de propor ção como uma modalidade de trabalho muito interessante para as experiências de digestibilidade, hoje olhamo-las ainda com mais entu siasmo. É que, em face dos bons resultados alcançados com a utili zação das substâncias cromogéneas nos ensaios com suínos, vemos mais ampliado o campo da sua aplicação e sobretudo, em condições que de certo modo consideramos mais vantajosas, quando comparadas com outras técnicas de proporção.
Um primeiro ponto que ressalta da observação dos nossos resul tados é a pequena variação individual, entre os 6 animais de cada ensaio, para os C. U. D. dos diversos princípios imediatos. Este facto é aliás evidenciado pelos valores do erro padrão (s) de cada uma das estimativas, se compararmos os nossos valores com o erro padrão das estimativas obtidas por outros autores, que, tal como nós, tra balharam com grupos de 6 animais, como se pode ver no Quadro n.° 6.1.
202 ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA QUADRO N.° 6.1
Comparação dos valores do erro padrão «s» das estimativas dos coeficientes de digestibilidadc em experiências com 6 suínos
Princípios imediatos
Valores do Erro Padrão «s» das estimativas
Wõhlbier e col. (56) Watson e col. (51) Nehring e Franke (57) Nossos ensaios n.° 1 n.° 2 n.° 3 Matéria Orgânica ... 0,8 0,50 0,25 0,19 0,40 0,67 Proteína Bruta ... 1,6 1,19 0,31 0,84 0,62 1,17 Gordura Bruta ... 6,9 1,21 1,82 0,88 0,94 1,52 Subst. Ext. n/ Adotadas 0,6 0,55 0,11 0,13 0,39 0,44 Fibra Bruta ... 5,2 0,55 1,55 1,31 1,19 2,05
A uniformidade nos resultados individuais, é uma consequência imediata da semelhança da composição do excreta fecal dos vários animais para o mesmo regime alimentar e sobretudo, da pequena variação observada em cada um dos ensaios para as razões «a„», como se pode verificar no Quadro n.° 6.2.
QUADRO N.« 6.2
Valores individuais das razões «a„» nos 7 ensaios deste trabalho
Ensaio n.° Indicador Referência do animal A B C D E F 1 óxido de crómio 0,146 0,141 0,147 0,151 0,141 0,136 2 óxido de crómio 0,237 0,230 0,256 0,248 0,228 0,243 cromogéneo 0,234 0,228 0,230 0,244 0,253 0,241 3 óxido de crómio 0,281 0,271 0,270 0,271 0,245 0,293 cromogéneo 0,297 0,278 0,245 0,259 0,255 0,268 4 cromogéneo 0,245 0,279 0,260 0,254 0,281 0,259 5 cromogéneo 0,267 0,287 0,245 0,266 0,251 0,271 6 cromogéneo 0,252 0,276 0,234 0,267 0,249 0,240 7 cromogéneo 0,247 0,264 0,245 0,271 0,246 | 0,243
Como é evidente, é o rigor da estimativa das razões «an» que melhor nos permite avaliar da eficácia de uma técnica de proporção,
, Teor do indicador no cUimento na medida em que e o quociente ---
Teor do indicador nas fezes aquele que traduz, ou deve traduzir, a aptidão digestiva do animal, em relação à substância seca global do regime alimentar. Por isso, é da maior importância o rigor da determinação analítica do indi cador, a sua forma de administração, o conhecimento do seu regime de excreção e o planeamento correcto da colheita das amostras de fezes, tudo se conjugando para que os valores encontrados, sejam representativos da excreção média desse mesmo indicador, durante o período de colheita de fezes. É verdade que também a relação
% do Princípio imediato nas fezes . _ . . ,
--- --- influi no rigor da determi- % do Princípio imediato no alimento
nação dos C. U. D. Mas esta influência é, na sua maior parte, inde pendente do método ou da técnica de proporção que se utiliza. É ne cessário, porém, ter em consideração que as amostras de fezes, com vista às determinações analíticas dos princípios imediatos, têm de ser representativas da composição média das fezes excretadas durante o período experimental. Deste modo, sabendo-se que a composição do excreta fecal varia ao longo do dia, é necessário, ao estabelecer o plano de colheita de amostras de fezes, ter em consideração, simul tâneamente, a variação da composição fecal e o ritmo de excreção do indicador, conforme tivemos oportunidade de discutir amplamente no Capítulo I. Os trabalhos de MOORE e col. (57) e (58) vieram elucidar muitos pontos obscuros desta matéria, muito embora o pro blema já anteriormente tivesse sido abordado por CRAMPTON e LLOYD (51), KANE e col. (52), HARDISON e col. (53), SMITH e REID (55) e CLAWSON e col. (55). Mas a verdade é que a própria variação individual nos dificulta a elaboração de um programa abso lutamente seguro.
Cremos todavia, que o programa que adoptámos é talvez o mais isento de críticas, em comparação com todos os que conhecemos citados na bibliografia da especialidade.
Aliás os resultados obtidos vêm de algum modo confirmar esta nossa convicção. Assim, é interessante notar que ao determinarmos os C. D. U. do milho, usando o óxido de crómio como indicador, obti vemos resultados muito semelhantes àqueles que para outra amostra do mesmo cereal, havíamos obtido em trabalho anterior, COSTA (58).
204 ANAIS DO INSTITUTO SUPERIOR DE AGRONOMIA
Nos quadros n.os 6.3 e 6.4 procurou-se fazer um confronto entre os valores obtidos nos nossos ensaios para os C. U. D. dos alimentos estudados e os que constam de tabelas de uso bastante corrente, mesmo no nosso país. Fizeram-se igualmente as estimativas pelo processo indicado em SCHNEIDER e col. (51) e (52). Como é evi dente, verificam-se diferenças sensíveis entre os valores em confronto, mas não há razões para considerar, de uma maneira geral, os nossos resultados menos realistas do que os de qualquer dos autores men cionados, até porque diferenças igualmente notáveis se podem obser var entre os valores apresentados por esses mesmos autores. Entre outros aspectos, é necessário ter em consideração que os valores indicados se referem a produtos de composição químico-bromatológica diferente, em alguns casos, mesmo bastante diferente.
No que respeita aos valores referidos por MORRISSON (48) deve notar-se que os C. U. D. da tabela deste autor resultam de expe riências de digestibilidade conduzidas com ruminantes. Apesar disso os valores das tabelas de MORRISSON (48) são muitas vezes usados para calcular os princípios nutritivos digestíveis dos alimentos desti nados a suínos. Neste caso consideramos muito preferível trabalhar com os valores das tabelas de SCHNEIDER (47). Quando se trate de alimentos cuja composição centesimal se aproxime dos valores médios de composição dos alimentos indicados nas tabelas de SCHNEIDER (47) a correcção dos C. U. D. feita segundo o processo de SCHNEIDER (51) parece-nos ser de aconselhar. Quando esta condição se não verifique, as estimativas feitas por este processo podem conduzir a valores duvidosos ou mesmo aberrantes, como se pode verificar nos Quadros n.os 6.3 e 6.4 para alguns alimentos, nomeadamente o bagaço de algodão e a farinha de carne.
6.2 — 0 INDICADOR CROMOGÉNEO E A TÉCNICA PROPOSTA