4 Organisering og sikkerhetsarbeid
4.4 Sikkerhetsarbeidet
5.1 - ANÁLISES DAS REDAÇÕES
A seguir, apresentam-se a pontuação geral das redações e a análise individualizada das duas escolas pesquisadas. Foi utilizada a escala de Hoffman (2002) adaptada por Ribeiro e Faria-Nascimento (2011).
Quadro 30:Pontuação das redações dos alunos surdos Subescala 1 Estrutura Dissertativa Peso x 10 Subescala 2 Estrutura do Parágrafo Peso x 3 Subescala 3 Correção gramatical Peso x 3 Subescala 4 Desenvolvimento da ideia principal Peso x 3 Subescala 5 Apresentação Gráfica Peso x 1 TOTAL Peso 20 Resultado Escola A 1.a 20 8.1 5.1 9.0 0.5 42.7 BOM 2.a 30 8.1 3.0 9.0 1.5 51.6 EXCELENTE 3.a 0 3.9 5.1 0 2.1 11.1 REGULAR 4.a 0 0 5.1 0 2.5 7.6 INSUFICIENTE 5.a 30 8.1 1.5 6.0 1.5 47.1 BOM Escola B 1.b 30 6.0 6.0 6.0 2.5 55 EXCELENTE 2.b 30 8.1 6.0 6.0 2.0 52.1 EXCELENTE 3.b 30 8.1 5.4 6.0 2.0 51.5 EXCELENTE 4.b 20 8.1 5.1 6.0 1.5 40.7 BOM 5.b 30 8.1 6.0 6.0 2.0 52.1 EXCELENTE 5.1.1 - Escola A Aluno 1A
É interessante observar na redação (anexo V), que o aluno faz uso de pseudônimo ao nomear o lápis azul como sendo o Mateus e o lápis rosa como sendo a Valdirene neste momento podemos lembrar o autor do realismo brasileiro Fernando Pessoa que ao escrever suas obras também utilizava a mesma técnica.
O aluno utiliza “pero” no lugar de mas, há hipótese de que pelo fato de ter estudado a língua espanhola, esteja acontecendo uma interferência na escrita da redação. Outra hipótese é quanto à utilização do artigo como identificador ou como algo que faz parte do nome.
Observa-se também a presença de:
• Parafrasia nas palavras: ortuo (outro) e amorado (namorado). • O uso incorreto do artigo em “a Mateus”.
Há uma tentativa de utilizar corretamente o pronome demonstrativo, porém ele não consegue fazer o uso correto em “O Mateus esta muito triste com dela”.
No texto não há rasura, porem o aluno não respeita o limite da linha.
Aluno 2A
Observa-se no texto (anexo V) a utilização do implícito, pois nos quadrinhos só aparece a figura da casa e o aluno fez citações de situações que por ventura poderiam estar acontecendo, como no exemplo: [...] sempre juntos no sofe ver televisa de amor
depois casa junto cama carinho de sexual [...]. que estão sempre juntos no sofá vendo
na televisão um filme de amor para depois irem juntos para cama fazer sexo.
Há uma tentativa de fazer o uso correto do pronome obliquo em “abandonar
mim” e um equivoco no uso da concordância nominal em: “ muitos coração fraco”.
Uso de concordância verbal inconsistente em: “Eu é muito triste”.
A hipótese é de que o aluno faz uso do artigo “a” e dos pronomes “Eu/Ela” para nomear os lápis na narrativa. Há presença de parafrasia na palavra: “perpeito” para
perfeito.
No texto não há rasuras, porém o aluno não respeita o limite da linha.
Aluno 3 A
Observa-se no texto (anexo V) a utilização de heterônimos, pois o aluno enfatiza a personalidade e sentimentos pessoais de cada personagem no momento em que fala “eu” ou do “Júnior”, Fernando Pessoa também fazia uso dessa técnica, pois no caso dele era o próprio Fernando Pessoa e mais três personalidades.
Há a hipótese de que o aluno divide a história em dois momentos, sendo que o primeiro é o de alegria e felicidade e o segundo momento em que ocorre uma situação que rompe toda felicidade. Isso leva o aluno a colocar um fim no primeiro momento. Na segunda parte ele relata a mudança de comportamento do personagem “Junior”.
A segunda hipótese é de que o aluno tenta montar um diálogo no desenvolvimento da história, como ele não consegue, a clareza do texto fica prejudicada.
Um fato marcante foi o emprego do neologismo semântico no momento em que escreve a palavra “exilir”. José de Alencar 12, escritor romântico do século XIX assim se manifestou a respeito do neologismo:
"Criar termos necessários para exprimir os inventos recentes, assimilar-se aqueles que, embora oriundos de línguas diversas, sejam indispensáveis, e sobretudo explorar as próprias fontes, veios preciosos onde talvez ficaram esquecidas muitas pedras finas, essa é a missão das línguas cultas e seu verdadeiro classicismo."
No texto ocorre o uso de redundância na expressão “minha casa da Adriana”. E o gerúndio aparece em “namorando”, se analisarmos como período que o aluno quis expressar o transpassar do tempo a sua utilização é correta.
Na redação não há respeito ao número de linhas e o texto apresenta rasuras.
Aluno 4 A
Na redação, (anexo V) o aluno parece fazer certa confusão com sua vida pessoal, pois no início ele utiliza a expressão “abandonar-me” e continua escrevendo “quero
sim namorado ter”. O aluno parece colocar-se no lugar dos personagens, o que o faz
transformar a história em sua, reconta a história de acordo com sua própria experiência de vida.
Percebe-se que o aluno parece fazer generalização com os homens e as mulheres. É como se o lápis azul representasse os homens, e as mulheres, o lápis cor de rosa. É interessante perceber a redundância na expressão “acabou/ FIM”, a hipótese é de que o aluno utiliza esse mecanismo para dar ênfase a sua ideia. É importante destacar que há interferência da Libras, pois o aluno escreveu a frase em Português na estrutura da Libras.
Há inconsistência quanto a uso do plural, um exemplo é quando o aluno escreve
“Os homem”. Ocorre incorreção semântica na palavra “navio” para barco.
Observa-se que há inconsistência quanto ao uso de letra maiúscula no meio da frase, equivoco na pontuação, porém houve respeito a linha e ausência de rasura.
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12
2011 apud Nelson Bedin – professor de Português Disponível http://educacao.uol.com.br/portugues
Aluno 5 A
Foi fornecido pela pesquisadora um texto no qual já havia título e mesmo assim o aluno acrescenta novo título à história. Percebe-se que no texto (anexo V) o aluno inicia a frase com letra minúscula e salta linha sem necessidade. A hipótese é de que ele queira expressar a ideia de continuidade de acordo com os quadrinhos.
O aluno tenta fazer o uso correto nas pontuações e acentuação, porém há inconsistência em vários momentos. Percebe-se que há paragrafia nas palavras cassa, para casa, sexula para sexual, comuncar para comunicar.
É interessante observar que o aluno conseguiu resumir a ideia de forma objetiva e clara, conseguiu apresentar o quadro em poucas palavras e fez associação com o rio São Francisco que corta a Bahia.
Na redação houve respeito ao número de linhas, porém o texto apresenta rasuras.
5.1.2 - Escola B Aluno 1 B
O texto (anexo V) apresenta ideia resumida, porém clara em toda sequência de quadrinhos. É evidente a utilização de heterônimo, preposição e substantivo.
Na redação observa-se acertos e equívocos entre eles:
• Uso correto do artigo em “a chuva” “um lápis”, uso inconsistente do artigo em “a vermelho”.
• Uso correto do substantivo e plural em “as flores”.
• Na expressão “dentro da casa” o aluno utiliza corretamente o complemento do adjunto adverbial de lugar.
• Há tentativa de concordância verbal correta “Eu e ele fazemos”, porém é inconsistente. Nesse caso o correto seria nós fazemos.
• Conjugação verbal e nominal correta “Nos juntos andamos”. • Conjugação verbal equivocada “Os juntos com dormemos”. • Aparece a ordem inversa na expressão “triste muito”.
Percebe-se que o aluno sabe da existência das classes de palavras, mas não consegue empregar adequadamente. No texto não houve respeito ao número de linhas e apresenta rasuras.
Aluno 2 B
É importante lembrar que foi o único aluno que fez referência ao dia dos namorados, período em que ocorreu a aplicação do teste de redação, ver anexo V. Outra característica própria da redação é que no texto aparecem lamentações por diversas situações ali ocorridas e até prece, o lápis faz uma oração à Deus.
O aluno expressa o sentimento do lápis quando escreve “eu vou embora
viajar”. A hipótese é de que ela utiliza o pronome eu para ele o lápis. Ela cita o lugar
para onde ele vai “ São Paulo”
Há vários equívocos com relação ao emprego de artigo, preposição e pontuação. Porém não em sua construção. De forma geral, são exemplos:
• Uso correto do artigo “a namorada” uso inconsistente “o casa” • Uso correto de preposição “sozinho em casa”
• Uso inconsistente “sempre carinho no janela na chover”. • Aparece a ordem inversa na expressão “nervoso muito”
A redação apresenta rasura e não houve respeito ao número de linhas.
Aluno 3 B
É interessante observar na redação (anexo V) do aluno 3 B que ele estrutura o pensamento na tentativa de dar voz aos personagens, quando escreve: “mas quero
matar de lápis amarela”
Observa-se na redação a mistura de letra cursiva com letra de forma, o uso do gerúndio, vários equívocos com relação à utilização da pontuação e do pronome. Há tentativa no emprego da flexão verbal em momentos em que ela acerta e outros não como é o caso em: “Eu estou sonhando” e inconsistência em “Ela é dentro a barco”.
Presença de parafrasia em “burco” para barco. No texto há rasuras e o aluno não respeita o limite da linha.
Aluno 4 B
O aluno consegue sintetizar a ideia principal em apenas uma linha,(ver anexo V). É interessante observar como ele utiliza o pronome “Ela” e “Ele”, a hipótese é de que ele utiliza para se referir a um substantivo próprio.
Observa-se a concordância verbal correta em: “Ela esta triste”, é inconsistente em: “Ele já chegar”.
No texto há presença de parafrasia na palavra paira para praia e de rasuras, porém o aluno respeita o limite da linha.
Aluno 5 B
A redação (anexo V) merece destaque em três pontos: o primeiro quando fez a utilização de reticências, a hipótese é de que ele queria expressar uma determinada passagem do tempo ou então para enfatizar em que período específico ocorreu. Exemplo claro pode ser observado no texto quando ele faz a marcação do tempo “conversa dia maço”, quer dizer que o fato ocorrido foi em março. E o segundo ponto quanto o aluno parece tentar montar um diálogo entre o personagem e Deus, no texto, pois há presença, mesmo que equivocado, de travessão, o qual nos leva a entender como uma prece. No terceiro ponto faz a referência ao sexo após o casamento, nos leva a identificar a formação religiosa e cultural.
Na redação é interessante observar a tentativa de utilizar a pontuação correta em todo o texto, exemplo para mostrar interrogação em “casamento como?” “como que
faz?”.
No texto, percebe-se a presença de parafrasia em “quardo” para quarto, “esquecou” para esqueceu. É o único aluno que pingou o “j”. Percebe-se no texto incorreção semântica na palavra “navio” para barco. Concordância correta “É só
sonho” e inconsistente “vamos inda.”
5.2 - VISÃO GERAL DAS REDAÇÕES
Com relação à estrutura do parágrafo observa-se que é uma característica própria de dificuldade global dos participantes da pesquisa concatenar um parágrafo com outro.
Com referência à estrutura do parágrafo os alunos da escola A obtiveram o rendimento melhor na sua formulação. Porém é importante deixar claro que há casos isolados em que os alunos não souberam estruturar o parágrafo.
Houve uma grande dificuldade para a maioria dos alunos quanto à organização no espaço destinado à escrita da redação. Podemos constatar rasuras, letra ilegível, falta de respeito ao número de linhas destinadas ao desenvolvimento da redação. O número de linhas oscilou entre 18 e 45. Houve caso em que o aluno colocou título na história, porém já havia título. O uso inconsistente para a letra maiúscula e minúscula como também mistura de letra de forma com letra cursiva, pontuação e acentuação indevida, estiveram presentes.
Observa-se que é comum a todos os alunos envolvidos no estudo, a dificuldade com o uso de conetivos.
Na escola A, alguns alunos se colocaram na história. O aluno parece abordar o seu íntimo, não conseguindo fazer referência ao outro ou a terceiros.
É interessante constatar nas redações a presença de ideias suplementares, resumidas e o uso do imaginário em casos isolados, os quais abordaram o implícito da linguagem visual e a própria leitura interna de cada quadrinho.
Os alunos da escola A, poderiam ter explorado mais a história ainda que os quadros sejam apenas uma referência para a redação. Alguns convencem apresentando o fato de que ocorre um problema em sua vida pessoal.
Enquanto que na escola B, alguns alunos utilizam o pronome de maneira inconsistente. Eles estão utilizando o “Nós” para indicar duas pessoas do discurso e “Eu” para indicar uma pessoa do discurso. Com isso, afeta no uso incorreto das flexões verbais levando a uma ideia confusa para o entendimento do leitor. Os alunos tendem a utilizar letra maiúscula no pronome, com o objetivo de indicar algo ou alguém.
É evidente nas redações a tentativa de concordância e regência verbal nos períodos. Tal afirmação é contraditória no momento em que houve um caso específico em que um aluno soube empregar corretamente a regência e a concordância, porém há momentos em que ocorre uma repetição excessiva do pensamento, prejudicando a coesão textual.
Nos textos aparecem rasuras além do uso inconsistente de letras maiúscula, letra cursiva e letra de forma. As três estão presentes em um único período, mostrando uma grafia confusa. Há momentos em que a letra maiúscula é utilizada para nomear o lápis, o mesmo como personagem da história.
Conclui-se que os alunos desempenham um desenvolvimento na habilidade escrita com desenvoltura, conseguindo desenvolver um raciocínio sequencial. Na verdade, eles não conseguem empregar corretamente as regras gramaticais.
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5.3 – SÍNTESE DOS RESULTADOS
Destacam-se, a seguir, as principais informações colhidas pela pesquisa, de acordo com os objetivos da mesma.
As duas turmas de alunos pesquisadas têm quatro aulas de Português no período de uma semana. As professoras se comunicam em Libras com os alunos surdos e há interação em sala de aula no momento da explicação. Porém a prática pedagógica observada na Escola A difere da pratica pedagógica da escola B.
A prática pedagógica observada na escola A difere do que é dito pela professora, quanto ao uso de recursos visuais e atividades desenvolvidas em sala de aula pelos alunos surdos. A professora utiliza um vocabulário restrito e é permissiva quanto ao horário, cobrança de trabalho e ou realização de provas. A atuação da professora reflete no resultado das redações, pois os alunos da escola A tiveram um resultado inferior aos alunos da escola B.
As coordenadoras entrevistadas consideram como positivo na unidade especial: a comunicação e integração dos alunos surdos, pois eles conseguem acompanhar o conteúdo. Além disso, foi destacado o empenho das professoras, que fazem cursos para se atualizarem e aperfeiçoarem.
As duas escolas procuram atender, de acordo com suas possibilidades, ao professor que chega à escola sem saber Libras e tem que trabalhar com alunos surdos. A primeira oferece um curso, no horário da coordenação, ministrado por um professor surdo lotado na escola; a segunda faz um trabalho de sensibilização organizado pelas intérpretes, também no horário da coordenação, para mostrar aos professores que estão chegando à escola que os alunos surdos são capazes de alcançar resultados. A intenção é oferecer apoio.
As coordenadoras concordam que a escola e os alunos surdos só têm a ganhar se chega à escola um professor que sabe Libras, pois quando o intérprete não está presente, o professor que sabe Libras irá auxiliá-lo.
As professoras realizaram cursos de especialização para atuar com os alunos surdos, possuem experiência profissional superior a quatro anos, sendo o número de alunos atendido por elas superior a cinco alunos surdos. As duas utilizam a Libras para se comunicar com os alunos surdos.
Quanto à metodologia, elas informaram utilizar com frequência o recurso visual para ensinar e citam os exemplos de gravuras, fotos, cartazes ou transparências. Além da Língua de Sinais, procuram trabalhar sempre com a realidade do aluno. Dos alunos atendidos pelas professoras, a maioria não são oralizados e elas pensam que não é importante o aprendizado da fala, afirmando que não se deve forçá-los. Acreditam que o treino da fala depende da vontade do aluno.
As professoras reconhecem que os alunos não escrevem bem o Português e as duas concordam que os alunos têm pobreza de vocabulário e dificuldade na estruturação de frases e orações. Elas afirmam que se empenham para que os alunos escrevam corretamente o Português, na mesma estrutura dos alunos ouvintes, com frases contendo sujeito, verbo e objeto.
As duas afirmam que tem o hábito de solicitar redação para os alunos surdos, pois acreditam que o aluno demonstra por meio da escrita o que pensa e/ou aprendeu. As professoras dizem não saber quais os critérios utilizados pelo CESPE para corrigir as redações dos alunos surdos e utilizam seus próprios critérios, procurando valorizar a mensagem do texto para depois verificar os erros gramaticais. Se fossem convidadas pelo CESPE para atuar na correção de redações, utilizariam os mesmos critérios da sala de aula.
Com relação às dificuldades que as professoras sentem ao ensinar os alunos surdos, as duas expressam preocupação, pois os alunos chegam ao ensino médio sem os pré-requisitos que elas desejavam que eles tivessem.
As professoras afirmam ter apoio necessário ao seu trabalho, tanto da direção quanto da coordenação pedagógica.
Na estrutura dissertativa, percebe-se que os alunos da escola B tiveram um melhor desempenho no desenvolvimento de suas narrativas.
Quanto à correção gramatical, há uma diferença perceptível entre as redações das duas escolas. Tal fato se concretiza no sentido de que, na escola B, os alunos
mostram nas redações as flexões verbais, regência, ordenação de palavras e até o uso correto de conectivos dentro de uma frase, enquanto que nos textos da escola A encontram-se estruturas deficientes.
A partir dos depoimentos colhidos, observações efetuadas e evidências contidas nas redações, pode-se inferir que o aprendizado da modalidade escrita do idioma acontece entre os alunos surdos, variando, consideravelmente, segundo a metodologia adotada e vale destacar que a comunicação com a maioria da sociedade, que não domina Libras, depende da comunicação escrita.