3.4 Night dreams in The Vikings of Helgeland
3.4.4 Shame, guilt, embarrassment and pride in The Vikings of Helgeland
Ficha técnica
Praça José de Alencar Data: 1994 - 1996
Bairro do Catete - Rio de Janeiro – RJ Característica: Praça de bairro Arquiteto: PAA Planejamento Arquitetônico e Ambiental Ltda.
Jorge Mário Jaurégui - Arquiteto Colaboradores:
José Humberto Bertarelli, Renata Griner, Florência Chapuis, Janete de Oliveira Trolles, Marcos Carrión e Alexandre Costa - Arquitetos
Projetos técnicos:
Pedro Luiz A.L. de Andrade - Engenheiro agrônomo/paisagista Artur Apelbaum - Luminotécnica
Bitis Aflalo - Designer
Instituto de Tecnologia do cidadão - Engenharia de trânsito Atividade: Praça de recreação, lazer
Na intervenção realizada no Bairro do Catete, do qual faz parte a Praça José de Alencar, o ponto de partida foi “reconhecer e valorizar a importância histórica do bairro”. Nesse sentido a equipe de projetistas liderada pelo arquiteto Jorge Mário Jaurégui realizou uma série de melhorias recuperando calçadas, introduzindo um novo mobiliário urbano específico para o bairro, iluminando edifícios e monumentos. A Praça José de Alencar é uma homenagem ao escritor, José Martiniano de Alencar um dos expoentes do romantismo, fica na confluência das Ruas do Catete, Marques de Abrantes, Barão do Flamengo, Conde de Baependí e Senador Vergueiro.
Na sua inserção ao contexto urbano, recuperou-se o traçado original em rótula existente no início do século, inserindo a praça no eixo da Rua do Catete. Dessa forma a praça passou a se constituir em um marco visual no bairro. Por questões de trânsito de automóveis, é dividida em três partes, uma primeira com a escultura do escritor José de Alencar de autoria de Bernardelli73 ocupa um pedestal elevado no centro da rótula
73
José Maria Oscar Rodolfo Bernardelli (Guadalajara - México, 1852 - Rio de Janeiro - Brasil, 1931) foi um escultor e professor. No Brasil se formou e lançou suas obras. Naturalizou-se brasileiro em 1874. Deixou seu país natal em 1866, passando pelo Chile e Argentina e fixando moradia no Rio Grande do Sul. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde frequentou entre 1870 e 1876 aulas de escultura e de desenho de modelo vivo.Viveu alguns anos na Europa, estudando em Roma. De volta ao Brasil, passou a atuar como professor de escultura estatuária na Academia Imperial de Belas Artes e como diretor na recém-criada Escola Nacional de Belas Artes, que chefiou por 25 anos.
(fig.162), uma segunda parte ao lado de uma Igreja Metodista, onde existe um "playground" e por final uma "ilhota", onde se localizam postes de iluminação pública. A faixa destinada aos veículos que contorna a rótula é de paralelepípedos, o que induz a diminuição da velocidade e ao mesmo tempo incorpora o espaço da rua ao do pedestre, fazendo a união das ilhas e esquinas que constituem a praça. As faixas de pedestre que passam pela rótula em direção ao bairro de Botafogo pelo seu suave declive acentuam essa idéia de continuidade da praça.
Fig. 163 - Praça José de Alencar - Rio de Janeiro - RJ - 1994/1996 PAA Planejamento Arquitetônico e Ambiental Ltda.
Foto: Claudio Bergamini - 2008
Fig. 164 - Praça José de Alencar - mapa do entorno Fonte: Claudio Bergamini, 2009
Fig. 165 - Praça José de Alencar - Planta Fonte: Claudio Bergamini, 2009
O tratamento de piso e o mobiliário urbano também se encarregam de promover uma integração entre as outras praças do bairro, que também receberam restauração. No
Largo do Machado foi restaurado o projeto inicial de Burle Marx, a Praça São Salvador foi recuperada e alguns terrenos remanescentes das obras do metrô, receberam tratamento e equipamentos de pequenas praças, são unificados por uma linguagem comum.
No aspecto estético, o painel artístico representando animais recortados em chapas metálicas pintadas, que faz fundo à área do playground remete aos grafitis (fig.165 e 166), o próprio playground, uma estrutura metálica que sustenta uma plataforma de madeira de onde se estendem os brinquedos, é também uma escultura.
O desenho dos pisos é rigidamente geométrico, um macro grafismo. Na rótula, a área de calçada é de granilite rosa, sobre uma plataforma elevada de granilite cinza se ergue um pedestal de granito com desenho elaborado onde está assentada a escultura do escritor. A faixa de rolagem de paralelepípedos é interrompida pelas faixas de pedestre e pequenas faixas de granito claro desenhadas em sentido radial que reforçam o sentido monumental.
Na praça em si, uma malha de granito rosa disciplina o piso de granilite cinza, onde formas livres delimitam os canteiros, o playground e a loja de plantas. Esta mesma linguagem e materiais se estendem pelas outras três esquinas que compõem a praça e pelas ruas adjacentes em direção ao Largo do Machado. Na base das árvores uma grade metálica protege a árvore e auxilia na drenagem, detalhe que se repete nas calçadas do bairro promovendo uma linguagem uniforme.
Fig. 166 - Praça José de Alencar - playground Foto: Claudio Bergamini - 2008
Fig. 167 - Praça José de Alencar - painel artístico Foto: Claudio Bergamini - 2008
A iluminação da praça apresenta algumas peculiaridades, ao redor da estátua de José de Alencar, na rótula, seis postes inclinados iluminam a figura de forma profusa, o
que promove grande visibilidade sem ofuscamento para pedestres e veículos. Na ilha que se encontra em frente à rótula, sobre uma base circular revestida de mármore bege um poste inclinado (fig.167) aponta um refletor para o rosto da figura, como um holofote. Afora este exagero evidente, a iluminação do restante da praça é bastante equilibrada, com destaque para a iluminação do painel artístico, em que o refletor está dentro de um globo de metal pintado de vermelho que parece flutuar em frente ao painel.
Fig. 168 - Praça José de Alencar - base de refletor Foto: Claudio Bergamini - 2008
Fig. 169 - Praça José de Alencar - iluminação Foto: Claudio Bergamini - 2008
No aspecto ambiental, a farta vegetação e a loja de plantas introduzidas pelo projeto tornaram este cruzamento de vias que era bastante poeirento e desértico em um agradável espaço de convívio e lazer. A área do playground é bastante arborizada e o piso é de pissara, constituindo-se em uma contribuição à drenagem das águas de chuva, já que os pisos de concreto são impermeáveis.
Na conjunção dos aspectos funcionais, estéticos e ambientais, destaca-se o cuidado com a escala do pedestre. Por ser o cruzamento mais complexo e movimentado do bairro, os arquitetos se preocuparam não só com a questão da acessibilidade, mas também em criar um ambiente “amigável” priorizando o pedestre. Próximo às faixas de pedestres guarda-corpos com floreiras incorporadas sinalizam de forma poética o apreço à população do bairro.