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Nos Estados Unidos a profissão de paisagista já era consolidada no princípio do século XX, entretanto o academicismo imperava nas escolas de arquitetura. Com a vinda de arquitetos europeus modernos como Walter Gropius e paisagistas como Cristopher Tunnard e Richard Neutra, um movimento de reação contra o academicismo e a busca de uma linguagem moderna se inicia.

Thomas Church19 foi um dos mais importantes paisagista americano, professor e autor de livros sobre paisagismo, em sua teoria estabelecia três elementos que influenciavam nas formas de um jardim: 1- as necessidades e exigências do cliente, 2- as características dos materiais e das espécies vegetais utilizadas e 3- a expressão artística na concepção do espaço, semelhante ao que professava Tunnard em seu livro Gardens in Modern Landscape, as semelhanças também se estendem às obras realizadas.

Inicialmente Church projetava jardins com vocabulário eclético, aos poucos passou a se interessar pela linguagem moderna, utilizando traçados lineares e ortogonais. Em 1937 em viagem aos Estados Unidos conhece os arquitetos Le Corbusier e Alvar Aalto20.

A obra de Alvar Aalto com sua característica orgânica e curvas onduladas tiveram grande influência na sua concepção formal. A utilização de curvas e retas resultando em um efeito dramático de movimento passa a ser a expressão do trabalho maduro de Church.

No jardim Donnell, Somona, Califórnia, 1948 (fig.30 e 31), um de seus jardins mais famosos, vê-se a ilustração de suas idéias: a concepção de um ambiente artificial aplicado sobre o terreno. O deck de madeira solto sobre o terreno, a presença de rochas ali colocadas, e as pequenas árvores que perfuram o deck evocam o contraste do natural sobre o artificial. A conjunção de retas e curvas, do orgânico com o racional, o equilíbrio entre o geométrico e o irregular conforme preconizava Tunnard aparece neste projeto de forma engenhosa. O requinte dos detalhes, a forma amebóide e a escultura da piscina e o uso do mobiliário (fig.32 e 33) complementam a idéia de que o interior da residência foi trazido para o exterior e colocado no terreno como um tapete.

A ampliação definitiva do jardim como um ambiente da casa, que deve ser planejada, projetada, mobiliada e decorada como qualquer outra, como uma resposta ao

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Thomas Doliver Church (Boston, 1902-1978). Arquiteto paisagista titulado por Bekerley e Harvard, realizou aproximadamente 2.000 jardins. Autor de Garden are for the people: How to plan for Outdoor Living (1955). Foi um

dos mais importantes paisagistas modernos, criador do genuíno jardim americano.

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Hugo Alvar Henrik Aalto (Kuortane, Finlândia, 1898 -1976). Arquiteto finlandês cuja obra é considerada exemplar da vertente orgânica da arquitetura moderna da primeira metade do século XX, foi um dos primeiros e mais influentes arquitetos do movimento moderno escandinavo. No campo do design, tornaram-se célebres os projetos de cadeiras baseados na exploração das possibilidades de corte e tratamento industrial da madeira. Além disso, pode-se citar os cristais que desenhou, como o conhecido Vaso Savoy.

“viver ao ar livre” da vida moderna, a partir da obra de Church torna-se uma constante, embora já estivesse de forma incipiente no jardim de Bentley Wood, de Tunnard.

Fig. 30 - Jardim Donnell - planta baixa - 1948 Thomas Church

Fonte: adaptado de Álvares, 2007, p.235

Fig. 31 - Jardim Donnell - vista da piscina Disponível em:

www.landscapeandurbanism.blogspot.com

Fig. 32 - Jardim Donnell - vista do deck Disponível em: www.nucleoap.blogspot.com

Fig. 33 - Jardim Donnell - detalhe escultura Disponível em:

www.landscapeandurbanism.blogspot.com

Sobre Thomas Church, “Peter Walker e Melanie Simo consideram que na história do jardim moderno somente Christopher Tunnard, na Inglaterra e Roberto Burle Marx, no Brasil, promoveram rupturas comparáveis” (BARRA, 2006, p.79).

Bruno Zevi21, em Saber ver a Arquitetura conceituava arquitetura como sendo o espaço interior, considerando, entretanto que o espaço exterior das edificações faz parte do espaço interior da cidade. Dessa forma o exterior é também espaço interior. Muitos anos se passaram para que a prática arquitetônica produzisse espaços coerentes com esta afirmação.

Garrett Ekbo22, avança na concepção do paisagismo como construção artificial em projetos em que o jardim já adquire maior autonomia em relação à casa. Em 1950 publica seu livro Landscape for living, em que apresenta suas idéias de negação do pensamento tradicional sobre jardins como lugar de recreação vegetado e contra o debate sobre o formal e o informal e a sua compreensão do jardim como espaço de interação entre as pessoas e o lugar.

Em 1956 publica um novo livro: The art of Home Landscaping, no qual, de forma semelhante ao de Thomas Church expressa suas idéias de como projetar jardins. Estabelece quatro premissas para o desenho de jardins: 1- a forma da casa e do terreno, 2- os problemas técnicos relacionados à implantação da casa no terreno, 3- a função e o uso que desejam os moradores, 4- as propriedades físicas dos materiais utilizados. Também entendia que os jardins deveriam ter três qualidades: ritmo, equilíbrio e ênfase.(ALVARES, 2007)

Nos projetos do paisagismo moderno existe sempre uma relação de complementação ou extensão em relação à arquitetura, exceto em alguns projetos de Burle Marx. Nos projetos de Eckbo estas relações vão se diluindo, assim como a relação com os elementos naturais que vão se tornando progressivamente raros. A geometria do traçado dos jardins busca a desmaterialização dos limites regulares da casa por meio da profusão de formas, como numa colagem.

No Jardim Goldstone, Beverly Hills, Califórnia, 1948 (fig.34 e 35), a composição já não tem nenhuma relação com a arquitetura da casa, o uso dos materiais

21 Bruno Zevi (Roma, 1918 – Roma, 2000). Arquiteto italiano bastante importante no contexto da teorização e

introdução da historiografia da Arquitetura moderna. Exilou-se nos Estados Unidos e lá recebeu fortes influências da arquitetura orgânica e principalmente de Frank Lloyd Wright. Foi autor de diversos livros célebres sobre a arquitetura, incluindo Saper vedere l’architettura,1948 .

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Garrett Eckbo (1910 – 2000). Arquiteto paisagista norte-americano notável por seu livro Landscape for Living. Influenciado por Gropius, ele previsivelmente rejeitou os estilos históricos de desenho de jardins e partiu para criação de um estilo moderno. A partir de 1945, projetou vários jardins com plantas exóticas, sendo por isso associado à Escola Californiana. Mais tarde, passou a fazer projetos para fábricas, campus, e espaços urbanos na Califórnia.

e dos poucos elementos vegetais é no sentido de dar à composição a cor e a textura desejadas. A inspiração nas artes plásticas e na obra de Kandisnsky23 e Moholy-Nagy24 é evidente.

Fig. 34 - Jardim Goldstone - planta - 1948 Garrett Eckbo

Fonte: adaptado de Álvares, 2007, p.243

Fig. 35 - Jardim Goldstone - vista Fonte: Álvares, 2007, p.244