6. Response measure. Evaluation criteria used to validate if the system responds to the stimulus as expected or required by the stakeholders
3.6 Data models
3.6.2 Service metadata
Para a análise do material empírico desta pesquisa a escolha foi à hermenêutica-dialética, por possibilitar a interpretação dos dados sob a ótica de um referencial teórico com uma ação objetivada que permite ultrapassar o discurso manifesto e compreender os significados que estão latentes (MINAYO, 2010a).
A dinâmica da vida é permanentemente estruturada em três dimensões: passado, presente e futuro. Portanto,
o homem instrui-se só pelos atos, pela exteriorização da sua vida e pelos efeitos que ela produz nos outros. Ele só aprende a conhecer- se pelos meandros da compreensão que é, desde sempre, uma interpretação [...]. A hermenêutica é o acesso do indivíduo à história universal, é a universalização do indivíduo (RICOEUR, 1989, p.93).
A hermenêutica, que se refere à interpretação e à compreensão, possui linhas de pensamentos, as quais podem ser organizadas em três grupos: teoria hermenêutica, filosofia hermenêutica e hermenêutica crítica. O primeiro está relacionado “a uma série de princípios e procedimentos metódicos para a interpretação de obras não contemporâneas”. O segundo tem em sua essência “uma série de princípios, conceitos e procedimentos oriundos da teoria hermenêutica, mas rompe radicalmente com sua aspiração objetivista, expandindo suas pretensões de universalidade do campo epistemológico” (AYRES, 2005, p.555). Por último, a hermenêutica crítica ou crítica dialético-hermenêutica, que não exclui a filosofia hermenêutica, contudo reconhece
limites na positividade linguística para fundamentar uma interpretação efetivamente emancipadora dos fatos humanos, [...] baseia-se em um distanciamento crítico que, a partir dos interesses
práticos de reconstrução da vida social, explora dialeticamente os valores negados nos processos de comunicação que geraram, ou geram, os discursos interpretados (AYRES, 2005, p.556).
Portanto, a hermenêutica-dialética envolve a crítica das ideologias, com inclusão da análise das contradições. A ideologia pode ser considerada como um processo de distanciamento e dissimulação que esconde o homem de si mesmo, como a posição de classe ou a forma de pertencer e participar em uma comunidade, também é um ato político (RICOEUR, 1989). Agora a “utopia, no sentido fundamental, é o complemento necessário da ideologia, a ideologia preserva e conserva a realidade […] A utopia […] é a expressão de todas as potencialidades de um grupo que se encontram recalcadas pela ordem existente” (RICOEUR, 1989, p. 381-383). Tanto a ideologia, como a utopia são maneiras de manifestação do imaginário social e coletivo (RICOEUR, 1989).
A dialética é considerada em dois movimentos diferentes, um no qual ao compreender se explica e outro se explica para compreender. A reciprocidade desses dois procedimentos aproxima o entendimento do caráter dialético das relações (RICOEUR, 1973).
Em síntese, o processo de análise da hermenêutica-dialética baseia-se em três verbos: compreender, interpretar e dialetizar (MINAYO, 2012). Mas o verbo compreender é o principal. Na prática, ao se reunir o pesquisador e o pesquisado, surge um ato de conhecimento hermenêutico (MINAYO, 2010b). Para a compreensão deste conhecimento é necessário além de perceber as singularidades existentes dos participantes do ato, também entender que a experiência e vivência de um ser, tanto do entrevistado como do pesquisador, estão contextualizadas em uma história coletiva, inserida em uma cultura (MINAYO, 2012).
O ser que compreende, compreende na ação e na linguagem e ambas têm como características serem conflituosas e contraditórias pelos efeitos do poder, das relações sociais de produção, das desigualdades sociais e dos interesses (MINAYO, 2012, p.263).
O verbo interpretar diz respeito à ação permanente de projetar as possibilidades do que foi compreendido, assim, vem após a compreensão, mas está nela presente e fundamentada (MINAYO, 2010b; MINAYO, 2012).
Por fim, ao se buscar compreender e interpretar é preciso exercitar também o entendimento das contradições, dialetizar. (MINAYO, 2012). Portanto, inclui-se nesta compreensão a análise das contradições, o estranhamento, para não apenas
desvelar o que se apresenta, mas também o desnudar da linguagem que está dominada pelo poder e pelas contradições na produção das relações sociais (MINAYO, 2010b).
No contexto deste trabalho o processo de análise dos dados empíricos por meio da hermenêutica-dialética passa por uma primeira imersão, com leituras da totalidade do material, sem reflexões, somente para impregnação dos discursos pela pesquisadora, tanto dos grupos focais como das entrevistas individuais (MINAYO, 2012). Os discursos dos participantes são formados por frases, mas são maiores que uma frase. Na sua codificação e decodificação procurou-se compreender tanto o acontecimento como o sentido do sujeito e de sua subjetividade (RICOEUR, 1988; 1989). Depois foram realizadas leituras flutuantes do material, agora mediadas por indagações e reflexões da pesquisadora, até a saturação (MINAYO, 2012).
Em sequência foram realizadas leituras transversais do conjunto do material, destacando o conteúdo relevante e organizando-os em categorias teóricas (pré- definidas) e empíricas (que emergiram). As categorias teóricas referem-se à organização (materialidade) das CIR, dos processos decisórios e da governabilidade dos atores sobre as decisões tomadas nas CIR. As categorias empíricas estão relacionadas a “arranjos” e “movimentos” que permeiam a produção das CIR. Para esta estruturação do material utilizou-se recorte e colagem do material em planilha do Microsoft Word. Após um processo exaustivo de tentar compreender, interpretar e desvelar as contradições abstraiu-se o sentido dos dados. A partir desse momento procurou-se não estar mais aprisionada às falas dos depoentes, buscando ultrapassar o nível descritivo do material empírico (MINAYO, 2012).
Por fim o material foi mediado com o referencial teórico, levando em conta o contexto no qual foi produzido (DESLANDES, 1997; MINAYO, 2010b). Isso é importante, pois “um dado descontextualizado fica corrompido no seu significado e compromete a validade na pesquisa qualitativa, o que é eticamente inaceitável” (VÍCTORA, 2011, p.110).
A análise dos dados empíricos, com o cotejamento do referencial teórico, permitiu elucidar questionamentos referentes às Comissões Intergestores Regionais (CIR), explicitados no roteiro de pesquisa (Apêndice A), mas também emergiram achados significativos sobre o tema investigado – gestão interfederativa.
tarefa reconstrutiva da hermenêutica, que diz respeito à sua aplicação não como um recurso metadiscursivo, isto é, uma reflexão que se debruça sobre os discursos já operantes na saúde, mas como princípio e atitude propiciadores da construção de novos discursos (AYRES, 2005, p.558).