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Service and Deviation CIM

Transportation Network Management

12.1 CIM – Conceptual information models for multimodal travel information

12.1.5 Service and Deviation CIM

Por ser a mediação uma interação com objetivo específico de construir conhecimento, Feuerstein (1997a, 1980, 1975) e Feuerstein, Klein & Tannenbaum (1991) apresentaram doze características fundamentais para que ocorra a mediação. São elas: a) intencionalidade/reciprocidade; b) transcendência; c) significado; d) sentimento de competência e) regulação e controle do comportamento; f) compartilhamento; g) individuação e diferenciação psicológica; h) planejamento de objetivos; i) desafio; j) consciência da modificabilidade; k) otimismo; l) sentimento de pertencer.

Os autores concebem a primeira, a segunda, a terceira e a décima como características “universais”, isto é, se os critérios de intencionalidade/reciprocidade, transcendência, significação e consciência da modificabilidade ocorrem em uma situação de interação, significa que há mediação. O sentido de ‘universal’ destacado pelos autores é considerado por mim como significando critérios ‘suficientes’. Apesar de esses critérios de mediação serem considerados indispensáveis para uma interação se tornar uma EAM, todos os componentes ou características do comportamento do mediador são extremamente importantes em toda e qualquer interação baseada em estratégias de aprendizagem mediada. Abaixo, elenco as doze características de forma mais detalhada.

a) INTENCIONALIDADE E RECIPROCIDADE – significa demonstrar um objetivo claro por parte de quem ensina e vontade de aprender por parte de quem aprende. Por tratar-se de uma construção mediada do conhecimento, nem sempre faz parte do papel do professor ensinar; da mesma forma, como, aprender, nem sempre faz parte do papel do aluno; eles podem durante a aula trocar experiências e conhecimentos prévios distintos. Ao mediar a aprendizagem, o professor-mediador utiliza-se da intencionalidade quando orienta, selecionando, interpretando e focando a atenção do educando nos estímulos, bem como o aluno-mediado demonstra sua reciprocidade no querer aprender.

b) TRANSCENDÊNCIA – refere-se a uma visão maior daquilo que se está ensinando ou aprendendo para outras situações posteriores em outros contextos. Esse critério diz respeito à atitude do mediador de conduzir o mediado para além de contextos concretos ou de necessidades imediatas, de forma que ele aprenda princípios gerais e objetivos que não se limitem ao contexto do "aqui e agora" ou de uma situação ou contexto específico.

c) SIGNIFICADO – é construir com o aluno o aprendizado dos conceitos que façam sentido, que ele seja capaz de entender o porquê de se aprender determinado conceito, sua verdadeira necessidade. A mediação de significado conduz o educando a encontrar a razão de ser dos conteúdos estudados, quando a mediação está pautada na explicação dos fatos estudados de forma mais compreensiva. Na mediação de significado, reside toda transmissão mediada de valores, atitudes culturais e pessoais do mediador para com o mediado. É o fator da interação que mais mobiliza o aspecto afetivo, envolvendo toda a crença de mundo do mediador e do mediado.

d) SENTIMENTO DE COMPETÊNCIA – diz respeito ao sentimento de ter tido sucesso em realizar uma tarefa difícil; isso faz com que o aluno desenvolva um sentimento positivo em relação a si mesmo, já que o número de experiências bem sucedidas é grande. O mediador deve ter como ponto de partida aquilo que o mediado sabe, permitindo que este amplie seu conhecimento, e também deve valorizar os esforços do mediado em seu aprendizado. A necessidade de dotar o educando de competências adequadas para seu estágio de desenvolvimento, implica torná-lo capaz de aprender dados necessários para solucionar problemas. A mediação de competência oferece ao educando possibilidades de enfrentar certas situações, e para isso é necessário que o mediador passe para o educando o sentimento de domínio, criando situações necessárias a partir do desenvolvimento da autoconfiança. Vale ressaltar que o mediador tem o papel de preparar o mediado, instrumentalizá-lo, para fazer emergir o sentimento internalizado de competência.

e) REGULAÇÃO E CONTROLE DO COMPORTAMENTO – refere-se à autonomia do aluno em sala de aula, o qual passa a assumir responsabilidade por sua aprendizagem. A regulação mediada cria flexibilidade e plasticidade para modificar o indivíduo no tocante à inibição e à iniciação. Ela acelera o comportamento por meio da orientação do indivíduo para a auto-reflexão, ou seja, a mediação de auto-regulação relaciona-se diretamente com a meta- cognição, ou ainda, a ação cognitiva do sujeito em pensar sobre a sua própria ação, implicando um controle de seus processos de funcionamento. A promoção desse controle é feita pelo mediador, que, em diversas instâncias, inibe fortemente a impulsividade e a resposta por ensaio e erro do mediado.

f) COMPARTILHAMENTO – significa que o aluno vai participar de atividades com os outros, em um processo mútuo de colaboração; desse modo, o professor pode conhecer a forma de pensar de seus alunos. A mediação de comportamento compartilhado está relacionada com a interdependência mediador-mediado e com a de indivíduos em geral. O ato de compartilhar desenvolve a empatia por meio da interação social. Esse critério desenvolve a capacidade do mediado de compartilhar, evocando o aspecto humanitário ao interagir suas experiências de vida.

g) PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO E DIFERENCIAÇÃO

PSICOLÓGICA – diz respeito à necessidade do indivíduo de tornar-se único, diferenciado dos demais sujeitos com os quais entra em contato, constituindo-se como indivíduo que se auto-conhece e que se deixa conhecer. Não obstante, o processo de individuação só pode ocorrer por meio dos relacionamentos com outros sujeitos, e do reconhecimento da diversidade dos indivíduos em termos de suas experiências de vida. O mediador deve incentivar respostas originais, reconhecendo as diferenças individuais e valorizando tanto as experiências passadas dos aprendizes quanto suas habilidades e estilos próprios de comportamento.

Feuerstein (1975) afirma que a diferenciação individual e psicológica pode melhor ser desenvolvida por meio de processo de mediação, que é precedido e acompanhado por compartilhamento de comportamento, evitando assim os

mediador deve enfatizar e questionar a posição do mediado frente ao meio em que vive, proporcionando reflexões que o remetem à própria singularidade.

h) PLANEJAMENTO DE OBJETIVOS – refere-se a uma situação na qual um aprendiz desenvolve esse tipo de comportamento, percebe a importância de mobilizar esforços suficientes para concretizar seus objetivos. Planejando, o aprendiz aprende a estipular metas e saber quanto tempo leva para conquistá-las, planejando o que deverá ser feito para alcançá-las. Mediar esse processo envolve encorajar e orientar o mediado para que defina o objetivo e estabeleça os meios, incluindo as metas necessárias, para alcançá-lo. Neste aspecto mediacional, o mediador induz sistematicamente a produção de representação antecipatória e a projeção das relações.

i) DESAFIO – se uma tarefa é difícil ou fácil demais, não causa no aluno a vontade de executá-la. Esse eixo é subjetivo, como os outros apresentados, porém de forma mais perceptível, já que, depende das experiências anteriores do aprendiz. Um desafio não é apenas exigir algo difícil, impossível de ser realizado, mas sim, fazer com que o aluno sinta-se feliz por conseguir realizar tal tarefa e que se motive para perseverar sempre, apesar dos obstáculos, das dificuldades. Alunos desafiados estão motivados internamente a aprender e investem maiores esforços na conquista dos objetivos de aprendizagem. A melhor maneira de se mediar o comportamento desafiador é permitir ao indivíduo que ele se depare com situações novas de uma forma gratificante. Para isso, cabe ao mediador encorajar o educando e evitar a super-proteção do indivíduo frente a novas necessidades.

j) CONSCIÊNCIA DA MODIFICABILIDADE - refere-se à

responsabilidade do mediado de estar continuamente verificando as mudanças que ocorrem com ele, seja em relação ao aprendizado, seja ao próprio desenvolvimento. Otimizar a natureza da inteligência é o critério de mediação estabelecido para a auto-modificação. Acreditar na modificabilidade do ser humano é um fator indispensável ao processo ensino-aprendizagem. A conscientização do ser humano como modificável implica acreditar na imprevisibilidade e na superação das expectativas.

k) OTIMISMO – nesse sentido, o professor incentiva o aluno a esforçar-se, pois acredita que ele seja capaz de realizar uma determinada tarefa.

l) SENTIMENTO DE PERTENCER – significa que, por ser o homem um ser social, o mediador deve acolher o mediado, estabelecendo um convívio harmonioso.

A seguir, apresento os critérios da interação com base nas diacussões teóricas de Kumpulainen & Wray (2002).