Dada multiplicidade de importadores torna-se necessário analisar qual a distribuição das emissões por destino e consequentemente qual a responsabilidade dos países que importam no quantitativo das emissões. A distância, para além da quantidade transportada e do tipo de transporte, condiciona a quantidade emitida de poluentes, pelo que se pretende analisar este factor.
Na Figura 5.59 podem ser observadas as emissões de CO2 para os períodos de tempo em análise (1975/76-1979/80, 1980/81-1984/85, 1985/86-1989/90 1990/91-1994/95, 1995/96- 1999/00, 2000/01-2004/05 e 2005/06-2009/10).
No primeiro período foram emitidas 4,2 milhões de toneladas (Mt) de CO2. A USSR, apesar de não ter sido o país que maior quantidade de algodão exportou (cerca de 3,4 Mt vs. 6,2 Mt exportadas pelos EUA), registou o maior nível de emissões de CO2. De entre as regiões analisadas, os países europeus foram responsáveis por 82% das emissões verificadas nesta região. Em relação aos EUA, 86% das emissões de CO2 estão relacionadas com o transporte para os países asiáticos. No Paquistão, a importação de 481 mil toneladas de algodão por parte da Ásia foi a maior responsável pela emissão de CO2 (92% das emissões).
Entre 1980/81 e 1984/85, o transporte de algodão conduziu à emissão de 4,8 Mt de CO2. A USSR foi o país a registar maiores emissões de CO2 (2,7 Mt), seguido dos EUA (1,8 Mt) e do Paquistão (271 mil toneladas). À semelhança do descrito anteriormente para os EUA, a Ásia foi o maior responsável pelas emissões de CO2 (84% das emissões totais), para a USSR foi a Europa (81%), e para o Paquistão foi a Ásia (81%).
No período seguinte, as exportações de algodão foram responsáveis pela emissão de 4,2 Mt de CO2. Apesar do decréscimo das emissões da USSR, ainda assim este foi o país que maior quantidade de CO2 emitiu, surgindo os EUA em seguida e por fim o Paquistão. Em relação às emissões por destino, o panorama manteve-se relativamente constante para a USSR e EUA. Em relação aos EUA a Ásia foi responsável pela emissão de 1,3 Mt de CO2. Em relação à USSR as importações da Europa conduziram à emissão de 1,6 Mt de CO2. Quanto ao Paquistão, a Ásia foi responsável por 66% das emissões de CO2 registadas por este país; as exportações para a Europa estiveram na origem de 33% das emissões do Paquistão.
De 1990/91 a 1994/95 as exportações de algodão causaram a emissão de 2,8 Mt de CO2. As exportações dos EUA revelaram-se como a maior fonte de emissões de CO2, às quais se seguiram as registadas na Austrália e as do Paquistão. Neste período de tempo, apesar do leque de importadores ter-se diversificado a Ásia revelou-se como o maior responsável pelas emissões verificadas nos três países. As importações por parte dos países asiáticos contribuíram para 83% das emissões dos EUA, 87% da Austrália e 86% do Paquistão.
Na segunda metade da década de 90, foram emitidas 2,5 Mt de CO2. Para os EUA e Austrália, os principais responsáveis pelas emissões encontram-se no continente asiático, representando cerca de 75% das emissões dos EUA e 84% das emissões da Austrália. Para a Argentina, os maiores importadores encontram-se na América do Sul, tendo os mesmos sido responsáveis por 58% das emissões de CO2; e a Ásia por 35% das emissões de CO2.
Figura 5.59: Emissões de CO2 resultantes do transporte de algodão, dos principais exportadores para os períodos de tempo em análise, por destino.
1975/76-1979/80 1980/81-1984/85 1985/86-1989/90 1990/91-1994/95 1995/96-1999/00 2000/01-2004/05 2005/06-2009/10
No período entre 2000/01-2004/05 registaram-se emissões na ordem das 3,8 Mt de CO2. O destino maioritário das exportações dos EUA foi a Ásia, a qual foi responsável por 73% das emissões de CO2. Verifica-se também um aumento, face ao período anterior, nas emissões devido ao transporte dos EUA até aos países europeus. Tal facto está relacionado com o aumento da quantidade importada (749 mil toneladas em 1995/96-1999/00 vs. 1,9 Mt em 2000/01-2004/05), que se reflectiu em 17% das emissões de CO2. Para a Austrália, a Ásia revela-se igualmente como o maior responsável (89% das emissões de CO2). Para a Grécia as maiores emissões devem-se ao transporte para os países europeus, que estiveram na origem de 62% das emissões de CO2, e parte para os países da Ásia (32% das emissões de CO2). No último período analisado, o transporte do algodão foi responsável pela emissão de 5,4 Mt de CO2. As exportações dos EUA revelaram-se como a maior fonte de emissões de CO2. No leque de importadores, a Ásia foi a região que mais contribuiu para as emissões dos três países, 76% dos EUA, 94% das emissões da Índia e 91% do Brasil.
Analisado o CO2, poluente que se revela de maior importância no sector dos transportes, será feita uma análise também ao PM, HC, NOX e SO2 (Figura 5.60).
Entre 1975/76-1979/80 foram emitidas 4,5 mil toneladas de PM, 2,5 mil toneladas de HC, 72,3 mil toneladas de NOX e 27,3 mil toneladas de SO2. Para os EUA e Paquistão o transporte de algodão para a Ásia foi o responsável maioritário das emissões de PM (88% e 92%, respectivamente), de HC (90% e 93% respectivamente), de NOX (88% e 92%, respectivamente) e de SO2 (88% e 92%, respectivamente). Para a USSR a Europa foi responsável pela emissão de 62% do PM e 83% de HC, tendo a Ásia contribuído para 77% das emissões de SO2.
No período seguinte as emissões de PM atingiram um valor de 5,2 mil toneladas, as emissões de HC foram de 2,8 mil toneladas, as emissões de NOX foram de 83 mil toneladas e as emissões de SO2 foram de 31,2 mil toneladas. Ao avaliar a composição dos destinos de exportação dos EUA percebe-se que à Ásia estão associadas as maiores emissões de poluentes, tendo a mesma sido responsável pela emissão de 86% do PM, 88% dos HC, 87% dos NOX e SO2. Para a USSR, a Europa contribuiu para 59% das emissões de PM, 81% das emissões de HC e 72% das emissões de NOX, sendo a Ásia a responsável pela emissão de 76% das emissões de SO2. No caso do Paquistão, o transporte de algodão para a Ásia foi responsável por 82% da emissão de PM e NOX, 83% da emissão de HC e 81% da emissão de SO2.
Em 1985/86-1989/90 foram emitidas 5,1 mil toneladas de PM, 2,5 mil toneladas de HC, 78,3 mil toneladas de NOX e 32,9 mil toneladas de SO2. Para os EUA e à semelhança do descrito anteriormente a Ásia revelou-se responsável pela emissão de 82% das emissões de PM e SO2, 86% das emissões de HC e 83% das emissões de NOX. No caso da USSR a Europa foi responsável por 59% das emissões de PM, 84% das emissões de HC e 74% das emissões de NOX, e a Ásia foi responsável pela emissão de 64% do SO2. Quanto ao Paquistão, mais uma vez a Ásia revelou-se como a maior responsável, tendo contribuído para 65% do PM, NOX e SO2 emitidos e 67% da emissão de HC.
Na primeira metade da década de 90, o transporte de algodão proveniente dos EUA, Austrália e Paquistão deu origem à emissão de 4,7 mil toneladas de PM, 1,8 mil toneladas de HC, 63,9 mil toneladas de NOX e 33,2 mil toneladas de SO2. No geral os países asiáticos foram os maiores responsáveis pelas emissões verificadas. No caso dos EUA, contribuíram para 87% das emissões de PM, HC e NOX e 88% das emissões de SO2. No caso da Austrália, foram responsáveis por 82% da emissão de PM, 88% da emissão de HC, 84% da emissão de NOX e 80% da emissão de SO2. No caso do Paquistão, contribuíram para 85% do PM e SO2 emitidos, 88% dos HC e 86% dos NOX.
1975/76- 1979/80 1979/80- 1984/85 1985/86- 1989/90 1990/91- 1994/95 1995/96- 1999/00 2000/01- 2004/05 2005/06- 2009/10
Figura 5.60: Emissões de PM, HC, NOX e SO2 resultantes do transporte de algodão, dos principais
O período entre 1995/96-1999/00 contou com a emissão de 4,3 mil toneladas de PM, 1,5 mil toneladas de HC, 57,1 mil toneladas de NOX e 30,5 mil toneladas de SO2. As exportações de algodão dos EUA para a Ásia contribuíram para 81% do PM emitido, 80% dos HC e NOX e 82% do SO2. As exportações de algodão proveniente da Austrália para os países asiáticos foram responsáveis por 81% das emissões de PM, 84% de HC, 82% de NOX e 80% de SO2. Em relação ao algodão exportado da Argentina, a América do Sul apresenta-se como a maior responsável pelas emissões geradas, tendo contribuído para a emissão de 52% do PM, 58% dos HC, 54% dos NOX e 50% do SO2. Ainda para a Argentina, a Ásia apesar de ter um contributo menor que a América do Sul foi responsável pela emissão de 41% do PM, 35% dos HC, 39% dos NOX e 42% do SO2.
Nos cinco anos seguintes (2000/01-2004/05), as exportações de algodão dos EUA, Austrália e Grécia deram origem à emissão de 6,5 mil toneladas de PM, 1,6 mil toneladas de HC, 76,6 mil toneladas de NOX e 50,7 mil toneladas de SO2. De entre o leque de importadores a Ásia foi o maior responsável pelas emissões dos EUA e Austrália, tendo a Europa sido a responsável maioritária das emissões da Grécia. No caso dos EUA, contribuiu para 77% das emissões de PM, 73% das emissões de HC, 75% das emissões de NOX e 79% das emissões de SO2. Para a Austrália, foi responsável pelas emissões de 87% de PM, 89% de HC, 88% de NOX e 86% de SO2. No caso da Grécia, os países europeus contribuíram para 57% das emissões de PM e SO2, 60% das emissões de HC e 59% das emissões de NOX; a Ásia contribuiu para 37% das emissões de PM, 34% dos HC, 36% de NOX e 38% das emissões de SO2.
No último período considerado, as exportações dos EUA, Índia e Brasil conduziram à emissão de 9,5 mil toneladas de PM, 2,1 mil toneladas de HC, 110,2 mil toneladas de NOX e 75,8 mil toneladas de SO2. No geral, o transporte para os países asiáticos foi a principal fonte de emissões. O transporte do algodão dos EUA encaminhado para a Ásia foi responsável pela emissão de 78% do PM e HC, 77% dos NOX e 79% do SO2. O transporte do algodão da Índia encaminhado para países asiáticos foi responsável pela emissão de 94% de PM, HC, NOX e SO2. O transporte do algodão do Brasil para a Ásia contribuiu para 93% das emissões de PM, HC, NOX e SO2.