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As importações de produtos que sejam produzidos em locais distantes contribuem para o aumento dos impactes ambientais. Estes impactes ambientais podem ficar a dever-se aos métodos de produção dos produtos, com tecnologias mais poluentes ou tecnologias “mais limpas” e ao transporte dos mesmos, quer pela tecnologia dos transportes em si, quer pelo tipo de transporte, quer pela quantidade e distância percorrida.

A presente secção visa a análise das importações de algodão no continente europeu em 1975/76 e na actualidade, representada por 2009/10 (para anos posteriores os dados não se encontravam actualizados), de modo a perceber qual a evolução, ao nível da composição dos países exportadores, e quais os impactes ambientais associados às alterações. Dado que a análise dos custos e a análise das tecnologias empregues no processo produtivo não fazem parte do âmbito da presente dissertação, estes serão excluídos, avaliando-se apenas a distância e o tipo de transporte utilizado nas importações da Europa.

Em 1975/76, a Europa, representada pela Suécia, Portugal, Finlândia, França, Bélgica, Alemanha, Suíça, Itália, Reino Unido e Espanha, importou 913800 toneladas de algodão, oriundo dos quatro cantos do Mundo (ICAC). Em 2009/10, a Europa (representada pela Suécia, Portugal, França, Bélgica, Alemanha, Suíça, Itália, Espanha, Áustria, Grécia, Polónia, Reino Unido e Turquia) importou 1,14 Mt de algodão (ICAC). Na Figura 5.66 pode ser visualizada a origem do algodão importado pela Europa, em 1975/76 e em 2009/10.

Em 1975/76, o algodão era importado maioritariamente da Ásia, apresentando a América, a África e a Europa valores semelhantes. De entre os países asiáticos, o algodão provinha maioritariamente da USSR (23,3%), Irão (2,6%), Síria (2%) e Israel (1,9%); de entre os países europeus da Turquia (20,8%) e Grécia (1,2%) e; de entre os países africanos do Chade (3,2%), Egipto (3,3%), Moçambique (3,5%) e Sudão (4,7%). Da América do Norte o algodão era exportado dos EUA (6,3%), da América Central, do Guatemala (2,1%) e da América do Sul, da Colômbia (5,5%), Peru (1,9%), Paraguai (1,6%) e Brasil (1,7%).

Em 2009/10, a dependência da Europa sobre o algodão proveniente da Ásia manteve-se relativamente constante, sem no entanto, constituir a maior parcela das importações actualmente. Verificou-se uma diminuição significativa em relação à importação de algodão de África e da América do Sul e uma diminuição menos acentuada das importações de algodão do continente europeu e da América Central. Para este ano o principal interveniente nas exportações de algodão para a Europa foram os EUA, que exportaram cerca de 496810 mil toneladas de algodão. Da Ásia, a Europa importou maioritariamente dos países outrora

pertencentes à USSR (Azerbaijão, Turquemenistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão) (16,4%), da Índia (5,9%) e Síria (5,8%). O algodão importado de países europeus veio essencialmente da Grécia (14,0%) e da Turquia (1,7%). Da América do Sul, o principal exportador foi o Brasil, do qual a Europa importou 2,1% do algodão consumido. Dos EUA (América do Norte), foi importado 43,5% do algodão consumido na Europa.

Ao longo do tempo, a composição das importações da Europa veio a registar algumas alterações, as quais podem ser visualizadas na Figura 5.67. Para a construção da figura foram considerados os fluxos superiores a 50000 toneladas.

Além do aumento da quantidade de algodão importada pela Europa, verificou-se uma diversificação no leque dos principais exportadores. Dos exportadores em questão, de 1975/76 para 2009/10 apenas os EUA e a USSR, actualmente dissolvida, se mantiveram no panorama, tendo a Colômbia e a Turquia deixado de ser dos principais exportadores. Estes últimos foram “substituídos” pela Índia, Síria e Grécia.

Olhando para a composição actual dos exportadores vs. a composição antiga, percebe-se que as alterações ocorridas têm implicações a nível ambiental. De um panorama pautado por importações de carácter, maioritariamente, regional (USSR localizada na fronteira do continente asiático com o continente europeu, e Turquia na Europa), migrou-se para um panorama em que as exportações, na sua grande maioria, são de carácter intercontinental (EUA). Desta forma, anteriormente, a maiores quantidades de algodão estavam associadas menores distâncias, e actualmente, apesar do algodão vir também da Grécia e ex-USSR, as maiores quantidades são importadas dos EUA.

As alterações nos fluxos de importação maioritários, e a consequente necessidade de transporte por distâncias superiores, requerem a utilização frequente dos meios de transporte marítimos, que apesar de serem os mais eficientes a nível ambiental, dada a quantidade transportada, acabam por estar na origem de elevadas emissões de gases poluentes.

IMPORTAÇÕES 913800 t 1,14 Mt Ásia 32% 30% Europa 22% 18% América do Norte 8% 44% América Central 3% 0,002% Oceânia 0,01% 0,02% África 23% 5% América do Sul 12% 2% 1975/76 2009/10 Figura 5.66: Importações da Europa em 1975/76 e em 2009/10.

Apesar de grande parte das substâncias emitidas pelas embarcações acabar depositada nos mares, parte delas têm sido responsável por fenómenos de acidificação e eutrofização dos solos de países europeus. De acordo com SAR et al. (2008), em 2000, 22% dos ecossistemas florestais na EU registaram uma deposição de compostos enxofrados e azotados acima dos limites críticos para substâncias acidificantes e 73% dos sistemas terrestres ultrapassaram os valores limite para substâncias eutrofizantes.

De forma a reduzir as emissões atmosféricas das embarcações foi lançada a Directiva 1999/32/CE, a qual estabelece o teor de enxofre máximo permitido os combustíveis navais utilizados na EU. A Directiva 2005/33/EC, veio alterar a primeira, e introduziu o conceito de Zonas de Controlo de Emissões de SOX (SECAs), tendo estabelecido teores máximos de enxofre nos combustíveis de embarcações que operem no Mar Báltico, no Mar do Norte e no Canal da Mancha. Foram também estabelecidos os limites de emissão de NOX.

Contudo, dado que estas imposições já se revelaram insuficientes para mitigar os efeitos negativos no ambiente do transporte marítimo, e uma vez que as projecções realizadas apontam para o crescimento do comércio internacional, torna-se necessário aumentar a eficiência das embarcações e estabelecer normas de redução do teor máximo de enxofre, à escala mundial, mais ambiciosas.

Europa Turquia USSR EUA 240840 t 5600 km 65300 t 8700 km 1975/76 Europa Grécia Ex-USSR EUA 186920 t 5600 km 496810 t 8700 km 2009/10

Figura 5.67: Fluxos de importações de algodão para a Europa em 1975/76 e em 2009/10.

Índia

Síria Colômbia

6. CONCLUSÕES E ÁREAS DE MELHORIA