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Casebeskrivelse – Klimanøytral bydel på Brøset

Tem-se verificado um crescimento no comércio internacional de algodão, movido maioritariamente pelas economias dos países asiáticos. Estes países, ao longo do tempo, revelaram-se como os principais actores no que diz respeito ao consumo de algodão. Este facto vai de encontro com as evidências encontradas na literatura, relativas à relocalização das indústrias têxtil e de vestuário, outrora localizadas maioritariamente na América do Norte e na Europa, que migraram progressivamente para os países asiáticos. Os factores associados a essa relocalização estão centrados essencialmente em questões de carácter ambiental, questões económicas e questões relacionadas com direitos laborais. O fenómeno da relocalização pode verificar-se na íntegra, ou seja, as empresas movem toda a sua cadeia de produção para o novo destino, ou em parte, fragmentando assim o processo produtivo. Este último processo é bastante frequente na ITV e conduz à especialização de determinados países em determinadas etapas do processo produtivo, conferindo-lhes vantagem competitiva. Dado que a ITV se caracteriza por ter impactes significativos no ambiente e por depender essencialmente do factor trabalho, legislação, normas e políticas ambientais mais débeis, custos de mão-de-obra inferiores e parca legislação relativa a horas de trabalho e trabalho infantil estarão na origem da migração das indústrias para uma nova localização, onde beneficiem desses “atractivos”. A título de exemplo dos custos associados à produção de uma camisa, veja-se a Figura 5.64, que ilustra a diferença os EUA e o Bangladesh. No Bangladesh, os custos associados à mão-de-obra são substancialmente mais reduzidos, o que cumulativamente aos custos mais baixos nas outras etapas permite a produção de produtos a um preço muito inferior.

Figura 5.64: Custos associados à produção de uma camisa dos EUA e no Bangladesh, em

US$ (CNN, 2013).

Cada vez mais se torna frequente um consumidor adquirir produtos fabricados em países asiáticos, entre os quais produtos têxteis e de vestuário. Olhando em particular para os EUA, principal exportador de algodão a nível mundial, verifica-se que as importações de vestuário (de algodão) proveniente da Ásia têm vindo a aumentar ao longo do tempo, conforme se pode visualizar na Figura 5.65.

Figura 5.65: Importações dos EUA de peças de vestuário de algodão da Ásia (OTEXA, n.d.).

Este aumento deu-se devido, entre outros factores, à diminuição das barreiras impostas, durante o período de vigência do MFA e do ATC, às importações de determinados países asiáticos (China, por exemplo).

Perante estes factos, e assumindo que todo o algodão exportado dos EUA para os países asiáticos regressa ao país sob a forma de t-shirts, tentou-se perceber quantas t-shirts de algodão seriam importadas pelos EUA ao longo do tempo. Assumiu-se que para produzir uma t-shirt com um peso de 250 gramas (g), são necessárias 400 g de algodão (Søren Laursen et al., 2007). De forma a colocar a quantidade de t-shirts importadas pelos EUA, na ordem dos milhares de milhão, num número acessível e de “interpretação imediata”, determinou-se o número de t-shirts por habitante por ano (hab.ano).

Na Tabela 5.19 pode ser consultada a quantidade de algodão exportada dos EUA para os países asiáticos, o número total de t-shirts possíveis de confeccionar e o número de t-shirts à disposição de um consumidor americano, por ano.

Tabela 5.19: Algodão exportado dos EUA para o continente asiático, número de t-shirts

confeccionadas e número de t-shirts por habitante por ano.

Período Algodão exportado para a Ásia (Mt) Total de t-shirts (x109) T-shirts por habitante

por ano 1975/76-1979/80 5,06 12,7 11 1980/81-1984/85 5,17 12,9 11 1985/86-1989/90 4,42 11,1 9 1990/91-1994/95 5,48 13,7 11 1995/96-1999/00 3,97 9,9 7 2000/01-2004/05 6,96 17,4 12 2005/06-2009/10 9,56 23,9 16

Ainda que número de t-shirts, por habitante por ano, estimado seja superior ao número de t- shirts consumido na realidade, os consumidores tendem a adquirir outros produtos têxteis e de vestuário de algodão importados, pelo que a “forma” t-shirt serve apenas como indicador dos produtos têxteis no geral. Esta análise foi levada a cabo para determinar quais os ganhos ambientais caso a produção das t-shirts ocorresse nos EUA.

A cada t-shirt consumida nos EUA está associada uma pegada carbónica de 155 gramas de CO2, relativa ao transporte do algodão para a Ásia e das t-shirts para os EUA. Para além de se evitar esta pegada carbónica, esta t-shirt seria dotada de um volume de água virtual (azul) inferior caso fosse produzida nos EUA. O volume de água virtual azul do algodão, cultivado nos EUA, necessário para uma confeccionar uma t-shirt é de 0,540 metros cúbicos (m3), ao qual acrescem 0,220 m3 para as etapas de confecção da t-shirt nos EUA (Chapagain et al., 2005). No entanto, e dado que as necessidades hídricas variam consoante o tipo de processos empregues, a mesma t-shirt precisaria de 0,230 m3 para ser confeccionada na China, 0,280 m3 na Índia, 0,350 m3 no Paquistão e 0,370 m3 no Uzbequistão (valores calculados com dados retirados de (Chapagain et al., 2005)).

Na literatura, os estudos de análise de ciclo de vida de t-shirts de algodão, apontam a fase de transporte como minoritária em relação à emissão de CO2. Mas, ao olhar para o ciclo de vida de um t-shirt no seu todo, a dimensão das emissões de CO2 aumenta consideravelmente, e as fases que mais contribuem são a fase de utilização por parte dos consumidores, a fase de confecção da t-shirt e a fase de cultivo do algodão.

De uma forma geral o preço de uma t-shirt é a soma dos custos associados a cada etapa de produção do artigo, mais o lucro ao longo da cadeia de distribuição. Contudo ao decompor-se as várias parcelas dos custos verifica-se a ausência de uma parcela alusiva aos impactes ambientais causados pela produção da matéria-prima e da t-shirt. O facto dos custos ambientais não serem internalizados pode conduzir a comportamentos com implicações negativas no ambiente. Na Ásia, em determinadas regiões (China, Bangladesh, por exemplo) já foram identificados casos de poluição dos corpos de água devido a descargas de efluentes contaminados das fábricas têxteis e de vestuário. Este exemplo mostra que se o preço das t- shirts reflectisse os custos ambientais associados à sua produção, provavelmente, as importações de t-shirts made in Ásia diminuíriam.

A internalização dos custos ambientais, provavelmente conduziria a alterações no processo produtivo (adopção e aquisição de processos e equipamentos mais eficientes) e nos fluxos de comércio. As indústrias actualmente localizadas na Ásia migrariam para os EUA, e assistir-se-

ia a uma nova relocalização das unidades fabris, passando a produção a ser local, com consequente diminuição da dependência dos produtos têxteis confeccionados nos países asiáticos.

Ainda que os maiores ganhos sejam a nível ambiental, a incorporação dos custos ambientais no preço dos artigos têxteis, permitiria também revitalizar o sector dos têxteis e de vestuário dos EUA, permitindo aos consumidores a aquisição de produtos nacionais.

A consciencialização e informação dos consumidores é outra área a actuar. Dado que uma t- shirt em média dura dois anos, vai sofrer lavagens, vai ser passada a ferro e possivelmente seca com recurso a máquinas de secar. A manutenção é considerada como a fase com maiores impactes ambientais, dadas as emissões de CO2 e volume de água gasto, pelo que é necessário que os consumidores façam uma correcta manutenção (lavagens com água fria, evitar a utilização do ferro de engomar e secar a roupa ao ar livre).

5.4. Composição das importações de algodão na Europa e consequências