• No results found

Sentrale spørsmål som ikke er dekket av planverkene

14   Kommunikasjonsflyt og -kontroll

14.4   Sentrale spørsmål som ikke er dekket av planverkene

Rita, uma pré-adolescente de 11 anos de idade, chegou ao PAVAS com a queixa de ter sido abusada sexualmente pelo pai, várias vezes, a partir dos 10 anos de idade. Trouxe tal fato logo no primeiro encontro do grupo de triagem de crianças e adolescentes. Sua mãe, a sra. Cláudia, também apresentou a mesma história no

grupo de pais e/ ou responsáveis, dizendo não entender o que havia ocorrido, mas que “confiava” na sua filha e que havia colocado seu companheiro para “fora de casa”.

Este tipo de reação – colocar o companheiro para fora de casa e acreditar na história contada pela criança – é bastante comum nos casos de abuso sexual intrafamiliar. O momento da revelação torna-se, portanto, um marco de desestabilidade no sistema familiar, desorganizando-o e abalando sua estrutura.

Mãe e filha faltaram ao atendimento seguinte, retornando no terceiro atendimento, alegando terem tido problemas que impossibilitaram a vinda delas no encontro anterior. Compareceram também no último encontro dos grupos, quando ficou determinado que Rita ficaria em atendimento psicológico individual, enquanto a sra. Cláudia seria acompanhada pelo serviço social.

A partir desta definição tive um contato mais próximo com a genitora de Rita. Por meio de aproximações sucessivas consegui estabelecer com ela um vínculo de confiança que, possibilitou que ela me revelasse dados importantes de sua história de vida, que, a encaixavam nos critérios que tinha estabelecido para a definição da família a ser pesquisada.

Iniciei o trabalho buscando resgatar a história de vida da sra. Cláudia, por meio de uma entrevista semi-dirigida.

Cláudia contou que nascera em uma cidade pequena no interior de Minas Gerais e lá vivera na companhia do pai, da mãe, de duas irmãs mais velhas, uma irmã mais nova e um irmão que era o caçula. Cláudia ocupava a posição do meio. Todos trabalhavam na roça, na plantação de milho e feijão.

Até este momento, Cláudia apresentou uma forma de funcionamento de uma família nuclear, composta por pai, mãe e filhos, seguindo um modelo socialmente esperado e, de certa forma, padronizado.

Ela relatou que “mal tive infância; a gente não podia nem brincar porque o pai

ficava bravo, a gente tinha que trabalhar igual gente grande”. Seus dias eram então

exaustivos e ela lamentava que “nem deu para ver a infância passar... quando dava,

a gente fazia boneca de milho, mas, se o pai visse, a gente apanhava”.

Aqui começou a aparecer uma certa confusão nos papéis familiares, pois Cláudia e seus irmãos desenvolviam um papel espaço para o desenvolvimento de uma importante etapa de sua vida: a infância.

Surgiu também uma figura rígida de pai, que lhe impunha limites por meio da força física, impedindo-a da fantasia comum à sua idade.

Falou da mãe como alguém que a tudo aceitava, que não se impunha em nenhuma questão, afirmando que “a mãe não tinha boca, aceitava tudo calada...

mas uma coisa ela era, nossa, como ela era trabalhadeira”.

A mãe aparece como uma mulher frágil, que retroalimentava a figura rígida do pai, legitimando assim a construção de um modelo de família pautado na hierarquia do homem, tal como grande parte do modelo social apreendido. Uma das formas de interdependência deste subsistema estava calcada na submissão da mãe e excesso de poder do pai.

Segundo Keeney (1987, p. 109) este tipo de relação pode ser compreendida por meio da complementaridade cibernética, que procura reconhecer e identificar as diferentes maneiras pelas quais as partes se relacionam, ao mesmo tempo, que permanecerem distintas.

“Si se considera que estos dos lados, pese a ser diferentes, están relacionados entre si, uno se aproxima a um encuadre cibernético de las distinciones, y dicho encuadre permite que pueda verse a ambos como una ´imbricación´ de niveles, en que uno de los términos de la pareja surge del”.

Quanto aos irmãos, lembrou apenas que não tinham muito contato entre si, que nem na hora do jantar podiam conversar, pois o pai ficava bravo com facilidade e a mãe “não queria que incomodassem o pai, então, mandava nós tudo ficar quieto,

que a janta era sagrada e a gente tinha que respeitar”.

Um dos pontos de destaque é a rigidez do pai. Os irmãos mantinham pouco contato entre si, já que durante o dia tinham de trabalhar e, no local de trabalho, não podiam conversar ou brincar. Durante a noite, também eram proibidos de conversar para não incomodar o pai. Como forma de manter a posição do pai, a mãe usava o simbólico religioso de que “o alimento é sagrado”, defendendo assim a decisão do companheiro de proibir a conversa.

Ao relembrar tal cena, Cláudia ficou com os olhos cheios de lágrimas e sorriu, como que pedindo desculpas por deixar que um fato de sua infância tomasse conta dela no atendimento. Ao retornar seus olhos em direção a mim percebe que está sendo acolhida, então, respira fundo e dá continuidade à sua história.

Cláudia contou que suas irmãs mais velhas saíram de casa muito cedo e que

“eu nunca entendi porque elas foram embora de casa, parecia que fugiam de alguma coisa”. Lembrou que, mal cresceram, elas se casaram, ambas com homens

mais velhos, quase da idade de seu pai. Relatou também que teve a mesma atitude:

“a falta de contato que a gente tinha em casa fez com que eu seguisse o mesmo caminho das minhas irmãs... mal fiquei mocinha já saí de casa”.

É importante destacar o funcionamento comunicacional neste ambiente familiar. Algo nesta família não podia ser dito. Instalou-se uma comunicação

analógica10, já que as irmãs partiam de casa sem dizer uma só palavra, deixando, entretanto, sem respostas o motivo que justificava o abandono da família. Todas as irmãs seguiram rigorosamente a pauta familiar, qual seja, ao se tornarem jovens adultas, casaram-se com homens mais velhos e saíram de casa para constituir suas próprias famílias. Cláudia justifica isto, apoiando-se na “falta de contato”, ou seja, não puderam conversar a respeito do motivo que as levava a sair de casa. Estava estabelecido o segredo, bem como, sua manutenção. Como não fora estabelecida a comunicação digital ou verbal – não ocorreu uma palavra para denominar o que estava ocorrendo com aquela família – a comunicação analógica deu as diretrizes que culminaram nas ações descritas.

Durante vários encontros Cláudia permaneceu nesta história, repetindo várias vezes que gostaria de ter tido melhor contato com suas irmãs e que não entendia direito o que havia levado, tanto ela quanto as irmãs, a saírem de casa tão cedo. Chamou-me a atenção a ênfase que ela dava a esta questão. Era como se ela quisesse me dizer, indiretamente, que algo havia favorecido a saída das irmãs e sua própria saída. Senti que ela me deixava “pistas” para que eu pudesse aprofundar sua história, ao mesmo tempo em que temia aproximar-se dela. Por mais de uma vez, Cláudia deixou para falar desta sua dúvida exatamente na hora de ir embora, ou seja, ao término de nossa entrevista. Nas duas vezes que isto aconteceu, ela não compareceu ao encontro da semana seguinte, demandando um contato por parte do serviço social para que ela retornasse ao atendimento.

Neste momento do encontro Cláudia reproduziu um padrão já conhecido. O da linguagem analógica, ou seja, não conseguia verbalizar o que ansiava por dizer, deixando no ar algumas informações que poderiam ser interpretadas de diferentes formas por mim. Cláudia tinha conhecimento da pauta que regia a relação dela com as irmãs, porém consciência do fato não implica em consciência da dinâmica existente em torno da pauta. Buscava, entretanto, tomar forças para entrar em

10

A comunicação analógica é uma forma de comunicação não verbal. Todavia não se restringe somente aos movimentos corporais. Para Watzlawick (1967, p. 57) “(...) o termo deve abranger postura, gestos, expressão

facial, inflexão de voz, seqüência, ritmo e cadência das próprias palavras, e qualquer outra manifestação não verbal de que o organismo seja capaz, assim como as pistas comunicacionais infalivelmente presentes em qualquer contexto em que uma interação ocorra”.

contato com ela (a pauta), ao mesmo tempo em que, tal como funcionava sua família, regressava ao estado inicial de acomodação, qual seja, de não entrar em contato com sua própria história e verdade. É por conta disto que, nos encontros, sempre retornava ao mesmo ponto, sem conseguir grandes avanços.

Em um dos encontros, Cláudia disse que estava se lembrando de uma coisa, da qual não tinha muita certeza. Perguntei se ela gostaria de falar a respeito e ela respondeu que “é melhor deixar pra lá... acho que foi só um sonho”. Novamente, perguntei do que se tratava, se ela tinha condições de falar sobre este sonho. Neste momento, pareceu que Cláudia encheu-se de coragem e começou a falar sem muita pausa. Contou, muito ansiosa: “eu tinha acabado de completar 11 anos de idade e

meu pai me falou assim: vamos lá, coloca sua roupa mais bonita que nós vamos na cidade. Eu fiquei super feliz, porque meu pai nunca tinha me chamado para ir na cidade com ele, nós vivíamos na roça e um passeio deste era quase impossível. Imediatamente me troquei e fui falar com ele. Ele pegou minha mão e fomos para a cidade. Chegando lá, ele disse que iria escolher um presente para mim, porque eu já tinha me tornado mocinha e merecia um bom presente. Ele comprou (me lembro como se fosse hoje) um estojo de maquiagem e me deu de presente. Foi o momento mais feliz da minha vida”.

Após estes relatos, Cláudia disse que sua irmã havia ganhado o mesmo tipo de presente quando tinha aproximadamente sua idade; em seguida, insistentemente começou a olhar para o relógio, demonstrando estar impaciente para sair da sala.

Quando perguntei o que tal lembrança lhe causara, Cláudia respondeu que

“fiquei meio confusa...não sei por que”. Percebendo sua angústia, perguntei como

poderia ajudá-la. Cláudia respondeu que gostaria de ir embora e pediu para que nos víssemos novamente na semana seguinte. O pedido de um novo encontro não fazia sentido, uma vez que costumeiramente nos encontrávamos todas as semanas.

Na semana seguinte, diferentemente das vezes anteriores, em que ao se aproximar de seu conflito interno, costumava faltar no encontro posterior, Cláudia compareceu e iniciou a entrevista dizendo que “fiquei com uma impressão estranha

no outro dia. Eu lembrei, quer dizer, lembrei não, eu acho que um dia eu sonhei que eu acordei com meu pai deitado em cima de mim. Não sei porque eu lembrei disto”.

Pedi que ela me falasse mais a respeito. Cláudia começou a contar então que “no

dia que meu pai me deu o estojo de maquiagem, quando chegamos em casa, ele me pediu para pintar meu rosto para ele ver. Eu fui lá e pintei e ele me falou que eu havia ficado muito bonita, que eu tinha me tornado uma mocinha. Quando chegou a noite, tive a impressão de ter acordado com ele no meu quarto, deitado em cima de mim. Eu me lembro que eu gritei e empurrei ele. No dia seguinte, quando eu acordei, eu não sabia se isto tinha acontecido mesmo ou se eu tinha sonhado. Lembro que olhei para ele na mesa do café e ele agiu como sempre agia, sem dar atenção nenhuma para a gente”.

Apesar da aparente confusão, Cláudia acabara de relatar uma cena incestuosa vivenciada com seu pai. Sentia a dificuldade em saber se havia sido sonho ou realidade. A indiferenciação entre o sonho e a realidade, entre ela e o pai, provocou um processo de simbiose, processo este que a manteve presa afetivamente à família, ao longo de vários anos, mesmo tendo procurado uma fuga física, ao ir morar com seu companheiro. O sistema que aprisiona as pessoas às famílias é muito mais forte que qualquer tentativa de abandono deste. Ele não age meramente sobre as relações físicas; ao contrário, se concretiza e se fortalece por meio das emoções e dos sentimentos.

Foi possível perceber que Cláudia estava confusa com a história revivida, mas que, de uma forma muito particular, sabia o que havia acontecido naquela noite. Naquele momento, não era possível entrar em contato com o abuso sexual sofrido; por isso, misturava a realidade com o sonho.

Furniss (1993, p. 35) explica confusão que Cláudia apresentou entre sonho e realidade. Segundo ele:

“As crianças tentam sobreviver ao abuso de diferentes maneiras. Algumas fingem que não são elas que estão sofrendo abuso e tentam ver o abuso a distância, como Summit descreveu. Outras tentam entrar em estados alterados de consciência, como se estivessem dormindo. Uma outra maneira de normalizar é fingir, durante o intercurso, que a parte de baixo do corpo não existe. Essas são apenas algumas maneiras extremas com que algumas crianças tentam anular o abuso no próprio processo, dissociar-se da experiência e criar um estado pseudonormal que lhes permita sobreviver ao abuso. Ao tentarem anular a experiência, elas criam uma disposição complementar ao desejo da pessoa que abusa de negar o abuso em processo como uma interação ilegal.”

Ficamos alguns minutos em silêncio, pois parecia que Cláudia estava entrando em contato com sua infância. Percebi em seu olhar um misto de nostalgia e dor e, de repente, ela retomou a fala, dizendo: “Sabe, eu sei sim o que aconteceu

naquele dia. Meu pai aproveitou que eu estava ficando mocinha e foi bulir comigo. Ele deitou em cima de mim e tentou ter relação sexual comigo. Eu lembro até hoje do seu peso em cima de mim... eu era uma menina magrela e pequena e ele um homem alto e forte. Eu tentei empurrar ele, mas eu não consegui, ele era muito pesado eu não tinha força... Eu não tinha culpa de ter virado mocinha e me tornado uma mulher para o meu pai. Eu lembro que doeu, ele tentou fazer algo comigo e doeu muito. Depois daquela noite, ele passou a ir na minha cama com freqüência e, daí, eu fingia que estava dormindo para ver se passava mais rápido”

.

Cláudia, naquela ocasião, utilizava como refúgio para sua dor a negação da realidade, entrando num processo de anulação, agindo de forma complementar ao seu abusador. Enquanto ela dormia, ele podia satisfazer seu desejo e tomá-la como mulher. Ao acordar, a cena do café da manhã, na qual tudo permanecia como antes, remetia Cláudia novamente ao lugar de filha e seu “amante”, ao lugar de pai.

Ao relatar esta história, foi possível perceber um certo alívio no semblante de Cláudia, ao mesmo tempo que muita mágoa. Ela continuou: “ele me tratava como

noite, por várias vezes, ele me visitava no quarto. Tinha vezes em que ele punha a mão na minha boca para eu não gritar”.

É interessante observar a afirmativa de que o pai a tratava da mesma forma que a seus irmãos, brigando com ela durante o dia e à noite indo deitar-se com ela. É possível subentender que ela, inconscientemente, sabia que o pai também havia abusado de suas irmãs. Por meio da comunicação verbal trouxe sua mágoa em relação à atitude de seu pai e, ao mesmo tempo, de maneira analógica, demonstra raiva por pensar que talvez sua história tivesse acontecido com suas irmãs.

Cláudia contou que um dia resolvera contar para a mãe o que estava ocorrendo, mas não teve a resposta que esperava. Segundo ela, sua mãe somente disse “se você continuar falando mentira, eu mesma vou te bater e, quando seu pai

chegar, vou contar o que você anda falando dele”.

No momento da revelação a genitora de Cláudia negou o ocorrido e ameaçou-a, tanto de castigá-la quanto de contar ao seu algoz a história apresentada. A mãe dela procurou manter-se leal tanto ao subsistema ao qual estava diretamente ligada, quanto ao sistema total, uma vez que, provavelmente, também estivesse envolvida num processo de indiferenciação, já que sua relação complementar ao seu marido ajudava a manter o sistema estruturado e organizado dentro daquilo que lhe era conhecido.

Cláudia sentiu-se sem ninguém, sozinha diante de um problema tão complexo; então, recorreu a uma de suas irmãs mais velhas, para buscar um possível apoio. A irmã disse que entendia bem o que Cláudia havia lhe contado, pois isto já havia acontecido com ela. Disse ainda que desconfiava que o mesmo poderia ter ocorrido com a outra irmã mais velha, mas, que ela jamais iria contar pois era a preferida do pai.

Diante disso, Cláudia sentiu-se fortalecida para falar de novo com a mãe e pediu à irmã que a acompanhasse. A irmã disse que não queria mais tocar neste assunto, pois na época havia contado para a mãe e esta nada havia feito. Disse que a única saída para Cláudia seria casar-se e esquecer aquela história.

Cláudia disse ter ficado inconformada com tudo o que ouvira. No ato da entrevista, como se estivesse conversando com a própria irmã, disse: “como pode,

aquele velho nojento e safado mexeu comigo e com a minha irmã e nós que temos que sair de casa”. Disse que voltou a procurar a mãe, para cobrar dela alguma

posição; desta vez, contou a história de sua irmã. A resposta da mãe foi como prometera, ou seja, deu-lhe uma surra e, à noite, quando o pai chegou em casa, contou-lhe o que Cláudia havia dito. A menina apanhou de novo e foi chamada de mentirosa. Cláudia relatou a cena muito emocionada “aquele velho fingido me bateu

de corda e disse que eu não devia mais falar este tipo de coisa... Ele bateu demais, eu fiquei toda marcada e minha mãe ficou só olhando. Teve um momento que ele não parava mais de bater e minha mãe pediu para ele parar porque eu já tinha levado bastante. Então ele parou e saiu da casa. Minha mãe veio me agradar, dizendo que tinha feito isto pro meu bem, que eu tinha que parar com aquela história, se não os vizinhos iam acreditar, e que não havia nada para ser feito mesmo, que o pai era mais forte que todo mundo e que, mesmo que fosse verdade, não tinha o que ser feito”.

A genitora de Cláudia deixou claro que sabia que a história apresentada pela filha era verdadeira, mas, mostrou-se impotente diante de tal situação.

Cláudia, reconhecendo sua fragilidade tentou unir-se ao seu subsistema, procurando a irmã, a qual relatou que sofrera o mesmo tipo de abuso. A irmã por sua vez também se mostrou leal ao sistema, ditando que Cláudia seguisse a mesma pauta que ela seguiu e sua outra irmã haviam seguido, qual seja, sair do sistema sem romper sua lealdade. Aqui, houve uma escalada simétrica dos fatos, que culmina na saída de casa das filhas abusadas e na permanência do pai abusador e de sua esposa. Todos os membros da família demonstravam claramente o desejo de

evitar o conflito, reproduzindo desta feita uma retroalimentação negativa, corrigindo os desvios – saída das filhas do espaço doméstico – e mantendo as variáveis essenciais do sistema dentro de seus limites críticos – o casal, pai e mãe, permanece unido e, de certa forma, intacto aos acontecimentos.

Cláudia contou que, “na mesma noite que eu apanhei, aquele velho sujo veio

na minha cama, tampou minha boca, subiu em cima de mim e doeu muito mais que as outras vezes.... Parece que, de tanta raiva, ele não se preocupou se iria me machucar ou não; ele só fez e jogou depois um caldo quente e branco em todo o meu corpo, ele nunca tinha feito assim. Depois, ele saiu e eu fiquei chorando, lamentando o dia que nasci mulher....”.

A lealdade da mãe ao sistema legitimou a atuação do pai. Houve uma mudança no sistema, já que o que até então ocorria às escondidas, deixou de ser