7. Resultater
7.4 Sensitivitetsanalyse – hvor robuste er resultatene?
Durante as rodas de conversa os participantes da pesquisa mencionaram algumas das suas dificuldades técnicas como limitações com o
instrumento – por exemplo, a limitação de tocar somente na primeira posição
do violino ou dificuldades para afinar em regiões agudas do instrumento – e
também dificuldades relacionadas a outros assuntos como teoria musical, por não terem tido contato em sua formação musical.
Desde que entrei encontro um desafio que é conseguir fazer o que é pedido, mas não saber como, por ainda não estar naquele nível, e isso me ajuda a evoluir enquanto instrumentista. Acho muito bom, pois tenho pra quem pedir ajuda ali no naipe, e essa ajuda é muito valiosa(RC6 – Flautista).
Aquelas notas agudas acho um pouco difícil, mas sei que só com o tempo. Também não consigo tocar lá em cima uma coisa que eu acho que dificulta (RC1 - Violinista).
É porque a minha teoria foi bem escassa, por exemplo, de uma música hoje que era a três por dois, eu peguei ela pelo ouvido, que era os violinos que estavam tocando e não pelo compasso da regência porque tenho dificuldade de entender o tempo das notas que ela estava regendo. Quando vai passar a escala, por exemplo, sol maior. Quais as notas da escala? Só Deus sabe, não é? [Risos] (RC1 - Violinista).
Eu acho que o legal aqui do naipe é cada um reconhecer a própria
dificuldade sabe, a pessoa olha para partitura e pensa “não, acho
que eu não vou conseguir fazer isso aqui” e pedir ajuda sabe, eu acho que o naipe está bem unido nessa questão (RC4 – Percussionista).
Algumas dessas falas talvez evidenciem a diferença de níveis de conhecimento musical e tipos de formação musical dentro de um mesmo naipe da orquestra. Como foi visto no tópico sobre formação musical inicial, a Orquestra Experimental contempla pessoas que aprenderam música em conservatórios, escola livre de música, projetos sociais, instituições religiosas ou que aprenderam sozinhas, com influência da família e/ou amigos. De certa forma, essa variedade de vivências musicais enriquece esse grupo comunitário
76 como um todo, pois dele decorrem muitos processos educativos entre os/as musicistas participantes. Alguns deles são apresentados e analisados neste tópico.
Em entrevista com o diretor musical do grupo, o pesquisador perguntou se um nível técnico muito iniciante impede que uma pessoa se insira no grupo, e se a orquestra já disse não a alguém, ou seja, se não aprovou a entrada ou permanência de um/a musicista no grupo. O diretor explicou:
Eu infelizmente acho que ainda impede, porque a gente ainda não consegue trazer para os arranjos essa facilidade para o iniciante, eu acho que são poucos os arranjos que realmente quem está iniciando no instrumento consegue tocar inteiro. A maioria dos arranjos tem uma ou outra dificuldade que ele tem que ser excluído naquela dificuldade, mas isso é uma coisa que realmente nos preocupa, porque gostaríamos de saber como inserir eles né, ou preparar eles para depois serem inseridos melhor tecnicamente ou tentar inserir do jeito que eles podem ajudar do jeito que eles tocam mesmo né. Pelo menos que eu saiba nunca aconteceu de alguém dizer não para um músico. Normalmente essas pessoas se excluem mesmo né, elas chegam ali, não conseguem, às vezes tem algumas dificuldades e elas mesmas acabam desistindo, mas assim, para você ter uma ideia, uma das maiores preocupações que eu tenho hoje com a orquestra é justamente a coisa de muitas pessoas que entram com um nível técnico baixo, saírem daqui sem terem melhorado tecnicamente, então eu vejo muitos ali dentro que entraram, que já tocam há muitos anos aqui, eu não vejo um crescimento deles tecnicamente, e eu gostaria muito que eles tivessem uma evolução, mesmo que fosse pequena, e isso é a coisa que mais me incomoda hoje assim, de eu ver a pessoa que entrou há dois anos e ela continua a mesma pessoa tocando (Entrevista com o diretor musical da orquestra).
Foi possível observar na fala do diretor musical que há uma preocupação por parte dele com as pessoas que estão começando a tocar um instrumento. No olhar do diretor, algumas pessoas não conseguem aprimorar seus conhecimentos musicais, mesmo tocando há anos na orquestra e isso o preocupa. Ao pesquisador, essa afirmação não pode provar se essas pessoas realmente não evoluíram em nenhum aspecto musical enquanto tocaram na orquestra. Entretanto, são justamente essas pessoas que apontam suas dificuldades técnicas no instrumento que merecem atenção maior por parte dos gestores do grupo.
Após essas considerações do diretor musical, o pesquisador perguntou sobre o que poderia ser feito para que os/as musicistas iniciantes recebessem uma atenção maior da orquestra e ele explicou:
Eu acho que tem que ter uma atenção maior, tem que ter pessoas preparadas dentro da orquestra também para poder orientar essas pessoas. A orquestra é muito grande, a demanda é muito grande,
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então a gente teria que ter uma equipe maior mesmo. Acho que ter uma pessoa para sentar ali do lado, para dar um auxílio mais direto para eles, ou em algum momento a gente fazer ensaio de naipe, que daí a pessoa trabalha um pouco mais essa técnica (Entrevista com o diretor musical da orquestra).
Assim sendo, espera-se com este trabalho, possibilitar uma conexão maior entre os/as musicistas e os próprios gestores do grupo, no que diz respeito às solicitações dos participantes nas rodas de conversa e, de forma geral, das suas opiniões sobre o repertório, dificuldades pessoais, críticas e sugestões.
É importante ressaltar que embora o tema “reconhecimento da própria dificuldade” seja analisado como um processo educativo, ele também pode ser tratado pertinentemente como processo de humanização, porque toda vez em que qualquer pessoa tem consciência das suas próprias limitações, das suas próprias dificuldades e tem a coragem de compartilhar isso no coletivo, ela está dando um passo adiante da sua própria humanidade. O caminho contrário ao desenvolvimento da humanidade seria o caminho da arrogância, da prepotência, da ignorância, da inconsciência, do travamento, da vaidade, do orgulho, enfim, de todos os traços negativos do caráter.