2. Samfunnsutviklingen i Norge i perioden 1967-2010
2.3 Befolkningens utdanningsnivå
A Orquestra Experimental da UFSCar é um grupo comunitário composto por aproximadamente 100 integrantes. O número de pessoas varia frequentemente, já que o grupo é composto por alunos/as do curso de música e de outros cursos dessa universidade e também de pessoas da comunidade.
36 A cada ano o grupo é diferente porque, como grupo amador, as pessoas estão livres para ir e vir conforme suas próprias necessidades e interesses. Então, muitas delas ficam por muito tempo no grupo, porque esse é o espaço que encontram para sua prática musical, mas naturalmente há sempre um movimento de entrada e saída mais intenso no final e início do ano, quando as pessoas reveem suas prioridades e suas agendas. Esse movimento também acontece no decorrer do ano, mas com menos intensidade.
O critério para entrar no grupo é apreciar música e saber tocar pelo menos o básico de um dos instrumentos que integram a orquestra. Entre esses instrumentos estão: flauta transversal, flauta-doce soprano e contralto, clarinete, saxofone alto, saxofone tenor, trompete, trombone, eufônio, tuba, bateria, baixo elétrico, teclado, percussão, vibrafone, glockenspiel, xilofones Orff (soprano, contralto e baixo), violino, viola, violoncelo e contrabaixo acústico. Também é fundamental saber ler partitura porque é dessa maneira que o repertório da orquestra é desenvolvido.
A faixa etária deste grupo comunitário é bem ampla, assim sendo, jovens e adultos compartilham o mesmo espaço de prática musical e aprendem uns com os outros. Segundo Veblen (2013),
Existem algumas configurações comunitárias onde os jovens aprendem junto com os adultos, com um impacto significativo e sinérgico um sobre o outro, desafiando a noção tradicional de adulto como professor, modelo, ou especialista e criança ou adolescente como aprendiz novato (VEBLEN, 2013, p. 5). Tradução livre9
A pessoa que deseja participar da orquestra submete-se a um teste com a regente ou diretor musical do grupo, que avaliam o seu desempenho no instrumento e a direcionam ao seu respectivo naipe. Os requisitos básicos para fazer parte do grupo já foram descritos, mas além deles é preciso saber qual é o grau de desempenho de cada pessoa em seu instrumento. Por isso, é necessário que o/a interessado/a em participar da orquestra toque no teste para que se possa dizer que lugar ele/a vai ocupar no grupo de instrumentos, com quem ele/a poderá conversar e pedir ajuda caso tenha alguma dificuldade,
9 There are some community settings where the young learn alongside adults, with a significant
and synergistic impact upon each other, challenging the traditional notion of adult as teacher, role model, or expert and child or adolescent as novice learner.
37 com quem pegar as partituras, como e quando são os ensaios, seus compromissos e deveres com a orquestra.
Não há remuneração para tocar nesse grupo. É uma orquestra amadora e não profissional. Esse fato não implica na busca constante da boa qualidade musical no projeto.
2.2.1 Os primeiros passos em direção à pesquisa
Eu precisava me reapresentar ao grupo, agora como pesquisador, que trazia algumas curiosidades acadêmicas e científicas específicas que gostaria de compartilhar e desenvolver com aquele grupo. Foi preciso explicar o que era a pesquisa, explicar cada passo do que seria feito e especialmente, foi preciso pedir licença.
Sobre os procedimentos para entrada no contexto da coleta de dados e os primeiros encontros com os colaboradores da pesquisa, nos indica Bosi (2003), no caso de estudos que incluam entrevistas ou conversas:
Que devemos estar atentos a estudar e conhecer o assunto do qual iremos perguntar. Por isso a importância da revisão da literatura que antecede a entrada no campo prático da pesquisa.
Que as falas são portadoras de significações que nos aproximam da verdade.
Que ao silêncio dos colaboradores deveria corresponder o silêncio do pesquisador.
Que as pessoas contam a sua verdade por isso não temos o direito de refutá-la.
Que ser inexato não invalida o testemunho.
Que a narrativa é sempre uma particularidade do colaborador que a busca em suas experiências internas. Esses fatos interiores são as riquezas de que o pesquisador se dispõe.
Que o depoimento deve ser devolvido aos autores. Se o pesquisador escreve, re-escreve, elabora, modifica; os colaboradores têm o mesmo direito de ouvir e mudarem o que narrarram.
Tendo como base as sugestões de Bosi (2003), fiz a entrada no ambiente da Orquestra Experimental, agora como pesquisador, convidando a todos para saberem do que se tratava minha pesquisa. Expliquei os dados que seriam coletados a partir de conversas com as pessoas que compunham cada naipe da orquestra, em pequenas rodas de conversa. Essas conversas seriam gravadas, depois transcritas, organizadas e antes da versão final do texto de
38 pesquisa seriam devolvidas às pessoas para que elas pudessem ouvir e conferir.
A ideia das rodas de conversa10 vem da sistemática que Paulo Freire
utilizava em seus círculos de cultura. De acordo com Brandão (2005), Paulo Freire tinha uma ideia diferente para os encontros que promovia com as pessoas em seus círculos de cultura. Em vez da organização tradicional, escolar, em que professor ou professora ficam na frente e depois vêm as fileiras de alunos, sentados uns atrás dos outros, Paulo preferiu colocar todas as pessoas em uma roda, sentadas uma do lado da outra, com a conversa começando sobre a vida deles. A essas conversas Paulo Freire denominou “círculo de cultura” e nesta pesquisa, as conversas feitas com os integrantes foram chamadas de “rodas de conversa”.
Tal como indica Brandão (2005), Paulo Freire adotava o círculo porque nele ninguém tem um lugar mais importante que o outro. Dessa forma, pesquisador e participantes da pesquisa são iguais e podem falar sobre o tema proposto do mesmo lugar.
A princípio todas as pessoas do grupo foram convidadas a participar das rodas de conversa, entretanto algumas delas não quiseram participar, por impossibilidade de tempo ou porque não se sentiram estimuladas a fazer parte da pesquisa. Tomou-se o cuidado de entrar em contato com cada naipe separadamente e organizar um horário após os ensaios do grupo a fim de que o maior número possível de pessoas pudesse participar dos encontros.
No início do terceiro semestre do curso de mestrado, quando as rodas de conversa foram realizadas, o grupo era composto por aproximadamente 80 instrumentistas. Entretanto, 57 pessoas participaram dos encontros. Entre estas pessoas:
21 são mulheres e 36 são homens;
34 delas cursam ou cursaram Licenciatura em Música na UFSCar; 23 se consideram musicistas da comunidade;
Seis tocam o instrumento da orquestra há menos de um ano (calouros do curso de música que entraram na orquestra tocando xilofone ou flauta-doce);
39 17 tocam o instrumento da orquestra entre um a cinco anos;
34 tocam o instrumento da orquestra há mais de cinco anos;
42 pessoas tocam um instrumento diferente daquele que tocam na Orquestra Experimental.
15 pessoas tocam apenas o instrumento que tocam na orquestra.
Em relação ao tempo em que as pessoas tocam na orquestra, entre aquelas que participaram das rodas de conversa, 10 frequentam a Orquestra Experimental há menos de um ano, 31 frequentam entre um a cinco anos, 10 frequentam o grupo entre cinco a 10 anos, cinco pessoas tocam entre 10 a
15 anos na orquestra e uma pessoa toca há mais de 15 anos nesse grupo.
As rodas de conversa foram realizadas na própria sala de ensaio da orquestra, que fica na UFSCar, na área sul do campus de São Carlos e tem
cerca de 100m2 de construção. Os encontros com os naipes ocorreram sempre
depois dos ensaios do grupo.