7. Resultater
7.6 Diskusjon av resultatene
A seguir são apresentados alguns relatos dos participantes da orquestra tratando deste assunto, que foi muito mencionado nas rodas de conversa com os naipes:
Na minha visão de primeira, segunda, terceira, quarta voz dentro do naipe, com certeza não se trata de hierarquia. Eu acho uma coisa totalmente paralela, nada a ver, então se alguém ocupa a primeira estante é porque de repente tem mais facilidade para tocar agudo e se tratando de trombones, onde existe uma dificuldade maior para tocar as notas agudas, então acredito que a dificuldade é a mesma, tanto a primeira parte como segunda ou terceira. Muitas vezes, a nível de público, se confunde a primeira estante “Nossa deve ser o melhor do naipe”, mas não se trata bem disso. Claro que também existem diferenças de um solista. Aí sim realmente vai aparecer na partitura, no primeiro eventualmente, um solo justamente porque utiliza as notas agudas, ou segundo também, mas falando no trombone, o solo pode cair em qualquer voz (RC3 – Trombonista). Ainda em relação à hierarquia do naipe eu acho que aqui na orquestra, pelo menos no naipe dos trompetes, não tem mais essa sensação de que o quarto é o pior, porque eu lembro de quando eu entrei na orquestra eu começava a tocar, eu errava, aí o trompetista que estava do meu lado até falava “não tem problema, é só o quarto trompete, ninguém está prestando muita atenção, não é tão importante”, mas hoje a gente sabe que cada parte, apesar da região ser diferente, tem a mesma importância na música, não adianta tocar só o primeiro e não ter o segundo e o terceiro para dar apoio (RC3 – Trompetista).
Eu penso que isso vem muito principalmente dos metais, das culturas de banda e fanfarra, porque como são grupos que são montados para tocar rápido, quem toca melhor é o primeiro, quem toca mais ou menos segundo e quem está ali para fazer volume vai para o terceiro e quarto. Eu acho que isso vem na forma militar da coisa, por isso esse peso de hierarquia, mas concordando com o que já foi falado, acho que toda voz é importante, o solo pode estar em qualquer voz (RC3 – Trombonista).
Nos três relatos anteriores é possível apontar que os dois trombonistas e o trompetista pensam de forma semelhante em relação à divisão de vozes no seu naipe. Para eles, nenhuma voz é mais importante do que a outra e não
80 significa que a pessoa que estiver tocando a partitura do primeiro trompete ou primeiro trombone sejam os melhores do naipe. Segundo eles, o que está em jogo é a tessitura que os instrumentos alcançam, no caso dos trombones, por exemplo, há aqueles que soam melhor na região grave e outros que soam bem na região aguda ou média.
Essa visão dos/as musicistas da Orquestra Experimental que acabou de ser exposta pode ser bem diferente da visão de musicistas que estão acostumados com relações hierárquicas dentro de orquestras convencionais ou de outras formações musicais que delegam diferentes funções aos musicistas, a ponto de que os chefes de naipe, ou musicistas que tocam na primeira estante, recebam maiores responsabilidades e passem a receber salários maiores do que as outras pessoas do seu naipe. Essa condição não se aplica a esse grupo comunitário, mesmo porque nenhuma pessoa é remunerada e muitas delas procuram a orquestra não somente para evoluir no seu instrumento, mas também para se reunirem com pessoas que têm relações de amizade, ou porque sentem prazer em tocar coletivamente. Algumas pessoas revelaram também que consideram a orquestra como um espaço de
terapia. Todas essas percepções serão apresentadas no tópico “Percepções
sobre a orquestra”.
A seguir estão mais dois relatos sobre a divisão de vozes no naipe de Percussão e eletrônicos:
Se a pessoa quiser tocar um instrumento, for confortável para ela e não tiver problemas, a gente tenta maximizar o conforto mesmo, para aquela pessoa ter a oportunidade de tocar o instrumento que mais gosta ou que acha interessante naquela música, desde que isso não influencie na qualidade técnica de execução do instrumento então, por exemplo, tem músicas que são bem interessantes tocar na bateria, mas eu reconheço que não dou conta de tocar essas músicas, então a gente escolhe outras pessoas. Então a gente vai sempre conversar, é uma conversa muito aberta [...] sempre que possível a gente está revezando e com a bateria dá pra ver isso mais nitidamente, não tem uma pessoa só que toque a bateria em todas as músicas, ela está sendo dividida conforme alguém vai avançando, vendo que está em um nível que a outra pessoa consegue tocar ela vai lá e toca, isso acontece com os outros instrumentos também (RC4 – Percussionista).
Formamos um naipe que tinha também essa coisa legal de “ai, hoje eu toco essa música, hoje você toca” e a gente via “ai, essa pessoa tocou tão bem essa música, toca sempre”. No dia que ela não vinha, a gente tocava, então rolava isso, essa pessoa gosta tanto de tal música, toca ela, e a gente sempre ficava trocando e todo mundo tocava todas as músicas. Assim, não foi rápido, isso foi o processo do ano todo, o pessoal terminou o ano tocando todas as músicas, não
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poucos ensaios, foram todos os ensaios do ano, mas conseguiram chegar nisso no último concerto, todo mundo tocava todas as músicas (RC4 – Tecladista).
É interessante observar que a divisão de vozes nesse naipe acontece de forma natural, onde as pessoas têm a opção de escolher a parte que vão tocar, diferentemente de outros naipes da orquestra, onde as pessoas tocam uma parte específica, como violino 1 ou violino 2, clarinete 1 ou 2 etc. Através da observação participante foi possível perceber que em alguns naipes essa transição de uma partitura para outra é mais flexível e dificilmente alguém se sente desmotivado em não tocar uma parte diferente, embora algumas pessoas tenham falado sobre a melodia principal ser mais interessante de tocar, todas consideraram que a fusão das partes contribuem para que as músicas se completam e soem bem.
Na música você se sente parte tocando, então tem músicas que o clarinete 1 faz a melodia principal, aí claro que o clarinete 1 vai se sentir totalmente fazendo parte daquele clímax da música, então ele está lá tocando no clima, tem partes que não toca, mas as partes mais importante ele está lá, tem a presença do instrumento. É claro que o músico não pode se sentir, eu estou no clarinete 3, estou ansioso para tocar clarinete 1, isso é meio chato né, porque gera aquela coisa que todo mundo tende a estudar só o um, tocar só um, e é mais legal mesmo né, porque o arranjador não deu trabalho para o 2 e 3, então o músico não se sente parte. Uma coisa que eu vejo talvez como erro, talvez como diferença, tem arranjo que clarinete 1 toca na parte boa e clarinete 2 e 3 não tocam nessas partes. Às vezes, se todo mundo tocasse, ou nas partes mais calmas, que sejam notas mais bonitas assim, que dê mais segurança para o músico e ele se sinta fazendo parte do grupo e depois do concerto ele cumprimenta os familiares feliz por ter tocado, “não eu toquei sim, eu estava lá, você ouviu minha parte, legal né” (RC5 – Clarinetista).
No caso anterior, o clarinetista revela a sua insatisfação em relação a alguns arranjos que privilegiam o clarinete 1. Segundo ele, o fato de tocar o clarinete 2 ou 3 não precisa ser desmotivador, desde que o arranjador saiba explorar esses instrumentos, criando uma partitura mais interessante de ser tocada. No capítulo seguinte, algumas sugestões são apresentadas e é possível observar, com a comparação de trechos da partitura, o que foi feito na composição musical resultante deste trabalho, que levou em consideração as percepções e sugestões dos/as musicistas, inclusive deste clarinetista.
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