3. Teori og empiri
3.1 Motivasjonsteori
3.1.2 Selvbestemmelsesteorien
No trabalho da horta escolar, verificou-se que o componente da EA está fortemente inserido, servindo de tema transversal para abordar diversos assuntos, fatos já expressos por Netto (2005); Morgado e Santos (2008); Criib (2010); Araújo e Drago (2011); Silveira-Filho e colaboradores (2011); Pimenta e Rodrigues (2011); Azario e Martins (2012), evidenciando a íntima relação entre os temas. Nesse sentido, a EA não deve se restringir à divulgação de informações, é preciso que se estabeleça um vínculo permanente entre os educandos e o ambiente, estes podendo criar novos valores e sentimentos que façam com que repensem suas atitudes, preservando o meio em que vivem e possibilitando inferir a indispensável sustentabilidade, nos diversos aspectos que integram a vida.
A horta, inserida no ambiente escolar é um laboratório vivo, possibilitando a união entre a teoria e a prática de forma contextualizada, também, o desenvolvimento de atividades pedagógicas, EA e educação alimentar, auxiliando na promoção do trabalho coletivo e cooperativo e no processo de ensino-aprendizagem dos envolvidos, como destacado por Netto (2005); Morgado e Santos (2008); Pimenta e Rodrigues (2011); Azario e Martins (2012). Araújo e Drago (2011, p.138) elucidaram que horta escolar é “pensar, aprender, ensinar, criar e conscientizar”, comprovando mudança nos hábitos alimentares dos educandos e que, assim, passam a valorizar o seu ambiente, a apreciar o trabalho do agricultor e a adotar uma alimentação mais
saudável e nutritiva.
Silveira-Filho e colaboradores (2011) ressaltaram uma maior e melhor aceitação das hortaliças pelas crianças, ao passo em que as mesmas participaram de todo o processo de aprendizagem das culturas alimentares na horta e consumidas na merenda escolar. Isso ficou evidente neste trabalho, demonstrado com a cultura da rúcula, uma erva de folhas comestíveis com sabor característico, picante e melhor apreciada crua. A maioria dos alunos não a conhecia devido aos hábitos familiares, o que aguçou a curiosidade de todos, satisfazendo o apetite de alguns, que se arriscaram em degustá-la in natura nas atividades, despertando anseio de apresentá- las aos pais e cultivá-las em suas residências, assim, influindo no seu consumo pelas crianças.
Para Cribb (2010, p.56-57),
[...] Ao cuidar da horta os alunos adquirem novos valores, novas formas de pensar e mudam suas atitudes em relação aos cuidados com a vida. Já que, através do trabalho em equipe, da solidariedade, das práticas do cuidar, da cooperação desenvolvem o senso respeito e de responsabilidade, de autonomia e da sensibilidade em compreender que os ciclos ecológicos estão presentes na vida de todos os seres vivos e estes precisam de respeito, atenção e cuidado.
O postulado por Araújo e Drago (2011) clarificou que a horta didática pode desenvolver um importante fator no resgate da cultura agrícola e da região, assim como na elevação de consciência e da cidadania planetária. Os autores evidenciaram, que tal projeto deveria ser adotado por todas as escolas públicas nas séries iniciais, onde as hortaliças poderiam fazer parte da alimentação escolar, pois sensibilizam os alunos sobre a importância de uma boa alimentação, melhorando a capacidade física e intelectual dos educandos, provocando um maior interesse no conhecimento e nas relações estabelecidas com o ambiente no desenvolvimento da experiência da vida no planeta.
Dentre os trabalhos analisados que realizaram atividades práticas ligadas à confecção de horta escolar, notou-se que eles mantêm a estrutura retangular para os canteiros da horta (NETTO, 2005; ARAÚJO; DRAGO, 2011; PIMENTA; RODRIGUES, 2011). Verificou-se, também, que alguns manuais educativos (IRALA; FERNANDEZ, 2001; FAO, 2006; FERNANDES, 2009) orientam a construção desse modelo linear de horta. Porém, no sentido de uma Permanente Agricultura, origem da palavra Permacultura criada por Bill Mollison e David Holmgren na década de 1970 (MOLLISON; SLAY, 1994; SOARES, 1998; HOLMGREN, 2007; 2013), para o resgate
de técnicas ancestrais de cuidado com a terra e produção de alimentos sadios, aliada aos conhecimentos modernos, trabalhando com as formas e padrões naturais à otimização da energia dos sistemas, assim, de forma natural nada é quadrado ou retangular neste mundo. Nesse sentido, “a permacultura envolve o planejamento, implantação e a manutenção conscientes de ecossistemas produtivos, que tenham a diversidade, a estabilidade e a resistência dos ecossistemas naturais” (GODOY et al., s/d, p.02-03).
Assim sendo, a horta escolar é uma ótima estratégia para a EA e alfabetização ecológica, visando promover reflexão e maior conexão dos educandos com o ambiente. O formato circular da horta mandala proporciona maior interação dos elementos que compõem o ambiente, aproveitando melhor o espaço, suas bordas e a otimização da água na irrigação, propõe a diversidade de espécies ao invés da monocultura dos sistemas lineares, demonstrando a inter-relação e interdependência dos organismos nos ecossistemas, dessa forma, estimulando a criatividade e promovendo o entusiasmo no trabalho com a terra, além, de desenvolver o senso crítico e fomentar a mudança de padrões insustentáveis arraigados no modelo vigente, essencial na formação dos cidadãos para a cultura sustentável.
Em Porto Alegre, a Rede Municipal de Ensino (RME) implantou, desde o início do milênio, a Permacultura como método de EA, no intuito da revitalização dos pátios de suas unidades escolares e a difusão das práticas ecológicas. Stumpf (2012) levantou junto aos educadores responsáveis pela implementação metodológica em dez escolas locais, as potencialidades e limitações dos fundamentos permaculturais para o ensino formal. Assim, obteve relatos de facilitação na aprendizagem, pois no pátio estão presentes todas as áreas do conhecimento, desenvolvendo a transdisciplinaridade em projetos conjuntos de horta orgânica. Com o incentivo a valores humanos de inclusão, cooperação e solidariedade, cuidado com si próprio e com os outros, a Permacultura promoveu mudanças de comportamento e envolvimento comunitário, resgatando saberes populares e possibilitando mais interação da escola com a realidade local. Além disso, fomentou a visão sistêmica dos alunos, na tradução dos padrões fundamentais da natureza aos princípios de design nos sistemas humanos, com a valorização dos ambientes e o aproveitamento de recursos, potencialmente elencados pelos educadores pesquisados.
As limitações referem-se à deficiência de recursos humanos, pela falta de formação dos professores e dificuldade de engajamento da comunidade escolar,
“principalmente devido a uma resistência para mudar padrões e estruturas já enraizadas”. Dessa forma, a autora concluiu que a Permacultura está sendo visualizada como estratégia potencial de contribuições à educação formal e ambiental e na formação geral dos cidadãos, em conexão com outros instrumentos e conhecimentos, constituindo-se “como uma abordagem que merece ser mais pesquisada, experimentada, explorada e difundida” em todos os âmbitos educacionais (STUMPF, 2012, p.13-14).
No livro Criando habitats na escola sustentável, Lucia Legan (2009) apresentou orientações para os educadores interessados em começar este movimento, utilizando a Permacultura como procedimento metodológico na educação para a sustentabilidade, desenvolvida através de seus princípios e práticas para a criação de escolas sustentáveis. Assim, recomenda-se aos educadores utilizar seu poder de interferir na realidade, fomentando a ecoalfabetização e assumindo a responsabilidade do cuidado com Gaia e seus habitantes, promovendo uma ética de parceria integrada, na qual se constituam capacidades de desvendar novos modelos culturais e econômicos para suprir as necessidades vitais dos organismos, garantindo a salubridade ambiental e alcançando melhoria na qualidade das vidas, em sua totalidade.