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6. Resultater

6.2 Motivasjonsfaktorer

6.2.4 Kropp & Selvbilde

Devido à ineficiência do serviço de coleta de lixo municipal no distrito de Gurugi, onde localiza-se a comunidade de Ipiranga, moradores locais costumam incinerar os resíduos sólidos domésticos. Outros resíduos são descartados em terrenos sem construções e acabam se espalhando pela comunidade ou são depositados junto ao muro da escola municipal local à espera da coleta pública. Isso causa transtorno aos alunos e prejuízos à escola, verificando-se já o afundamento do muro, ocasionado pelo acúmulo do lixo no local (Figura 13).

Figura 13. Escola Municipal do distrito de Gurugi, Paraíba, o seu entorno serve de depósito de lixo.

Foto: Wellington Paes (2012).

Evidenciado na Figura 14, a prática de “queimar o lixo” acaba por ser recorrente na comunidade de Ipiranga, favorecendo a continuidade de hábitos culturais antigos, que na modernidade tornaram-se insalubres ao ambiente e suas vidas.

Figura 14. a) Local de depósito e queima de lixo; b) Amontoamento e queima, por residente local, de resíduos naturais e humanos espalhados na comunidade de Ipiranga no Conde, PB.

Fotos: Wellington Paes (2012).

Esses fatos levaram o pesquisador a participar de algumas reuniões junto à AMCNI no território quilombola, para propor alternativas aos moradores da comunidade na minimização de alguns dos problemas enfrentados, perante o descaso do poder público para com a realidade local, demonstrado na Figura 15. Aproveitaram- se essas ocasiões, para se falar sobre o descarte de resíduos e a possibilidade de seu reuso, com a demonstração de artigos do trabalho “Arte Mutante” e apresentaram- se algumas oficinas que poderiam ser desenvolvidas junto aos moradores da comunidade, para a resolução desses aspectos negativos que afligem a população, que é o caso do volume e disposição inadequada de resíduos sólidos, evidenciados pela carência de coleta no distrito de Gurugi.

Figura 15. Participação em reunião na comunidade de Ipiranga, PB.

Dentre os presentes nas reuniões, em média quinze pessoas, ou seja, cerca de 10% dos representantes familiares da comunidade, sendo a maioria de mulheres, 20% dessas aceitaram o desafio de serem autores de evolução e transformar seus resíduos em arte, minimizando a disposição imprópria dos mesmos no ambiente quilombola. No trabalho com essas famílias da comunidade quilombola de Ipiranga, foram desenvolvidos trabalhos educativos de percepções histórico contemporâneas, de atitudes e práticas cotidianas, entre outros, e atividades práticas de fomento à habilidades e criatividade, com rodas de conversa e oficinas de reutilização de materiais, possibilitando o reaproveitamento de parte do descarte de garrafas plásticas e outros resíduos da comunidade, para a produção de bens artísticos e utilitários.

Nas oficinas, confeccionaram-se duas vassouras de garrafas plásticas tipo Pet de 2 litros, reaproveitando cerca de trinta garrafas descartadas pela comunidade quilombola, apresentadas nas Figuras 16 e 17.

Figura 16. As duas vassouras produ-

zidas em Ipiranga, uma delas com o Figura 17. A vassoura confeccionada em oficinas cabo reutilizado de outra vassoura. na comunidade de Ipiranga sendo utilizada.

Foto: Wellington Paes (2012).

Reutilizaram-se outras trinta e duas garrafas Pet de 2 litros, com o desenvolvimento da oficina de confecção de pufe com garrafas plásticas e câmaras de pneus, rejeitadas na comunidade negra, para a produção de uma peça demonstrativa dessa mobília artesanal, exibidos nas Figuras 18 e 19.

Figura 18. a) Corte do gargalo da garrafa; b) Amarração das garrafas plásticas, com tiras de borrachas de câmaras residuais de bicicleta, na oficina de confecção de pufe em Ipiranga no Conde, Paraíba.

Fotos: Wellington Paes (2012).

Figura 19. O pufe encapado pela professora participante das oficinas, podendo ser colocado uma cobertura estofada ou utilizá-lo dessa forma, como demonstrado por sua filha em outro momento das oficinas na comunidade de Ipiranga no Conde, PB.

Aproveitando-se os gargalos das garrafas plásticas, cortadas para a produção do pufe, fez-se a confecção de borboletas coloridas, demonstrados na Figura 20. Figura 20. a) Confecção e pintura das borboletas e produção do pufe de garrafas Pet, em oficinas na comunidade de Ipiranga no Conde, Paraíba; b) Participante das oficinas exibindo a borboleta que confeccionou; c) As quatro borboletas produzidas nas oficinas de arte com reuso de resíduos sólidos.

Fotos: Wellington Paes (2012).

Outra oficina desenvolvida, foi a de confecção de Mandalas em Fios “Olho de Deus”, com a reutilização de palitos de madeira, hastes de guarda-chuvas e gravetos, evidenciadas na Figura 21. Essa é uma técnica indígena ancestral, que proporciona equilíbrio, reflexão, meditação e serenidade aos construtores e é um símbolo de proteção espiritual e ambiental aonde estiver alocado.

Figura 21. a) Participante das oficinas confeccionando uma mandala de fios com reuso de palitos; b) A produção das Mandalas de Fios “Olho de Deus”; c, d e e) A presidente da AMCNI; A professora e contadora da AMCNI e sua filha, respectivamente, demonstrando os colares mandalas “Olho de Deus”, confeccionados por elas nas oficinas realizadas na comunidade de Ipiranga no Conde, PB.

Fotos: Wellington Paes (2012).

Apresenta-se descrito na Figura 22, todo o processo de confecção da vassoura com resíduos de garrafas plásticas, efetivado nas oficinas com o grupo da comunidade quilombola de Ipiranga na Paraíba.

Figura 22. Confecção das vassouras a partir de garrafas plásticas descartadas. a) Garrafas tipo Pet de 2 litros, resíduos da comunidade; b) Corte em tiras com ≈ 5mm; c) Garrafas cortadas e separadas por modelo ou semelhança, utilizou-se cerca de 15 por vassoura; d) Retirada do gargalo das garrafas, exceto de duas, e encaixando-se as garrafas sobre uma dessas com gargalo, depois coloca-se a outra com gargalo por cima de todas; e) Furando as garrafas, fez-se dois furos paralelos e transpassados; f) Passando arame pelos furos, apertou-se para ficar no formato de vassoura; g) Vassoura semi pronta, colocou-se um cabo de vassoura e pregou; h) A vassoura de garrafas Pet pronta, confeccionada nas oficinas de reuso de materiais na comunidade quilombola de Ipiranga no Conde, Paraíba.