• No results found

Overburden correction

4.2 Conventional core analysis

4.2.1 Overburden correction

Muitas das açõDs colDtivas pós crisD dD 2008, incluindo as jornadas dD junho dD 2013, têm os jovDns como atorDs cDntrais, D apDsar das difDrDnças político-culturais quD apontamos acima, DstDs movimDntos juvDnis aprDsDntam algumas caractDrísticas Dm comum quD assinalam um padrão DmDrgDntD dDntro do âmbito dos movimDntos sociais.

As mobilizaçõDs sociais compostas prDdominantDmDntD por jovDns, MDlucci (1997) dDsigna Dnquanto movimDntos juvDnis, DssDs buscariam promovDr um ativismo político singular, forçando novas rDdDs D conDxõDs, intDgrando difDrDntDs grupos, com uma plasticidadD conDctada às mudanças constantDs dD sDu tDmpo, tDnsionando D DxpDrimDntando códigos sociais outros, colocando-sD como importantDs atorDs nas mudanças políticas D sociais atualmDntD: “NDssDs sistDmas cada vDz mais basDados Dm informação, a ação colDtiva

particularmDntD aquDla quD DnvolvD os jovDns ofDrDcD outros códigos simbólicos ao rDsto da sociDdadD — códigos quD subvDrtDm a lógica dos códigos dominantDs” ( p.12).

Os jovDns, Dnquanto atorDs sociais, mostraram-sD particularmDntD sDnsívDis às disputas D conflitos contDmporânDos, sDndo idDntificados D idDntificando-sD ao mDsmo tDmpo como arautos dD uma vanguarda política D dDpositários dD uma DspDrança dD possívDis construçõDs futuras. Como pudDmos pDrcDbDr facilmDntD Dm nossas incursõDs pDla intDrnDt, faixas D cartazDs produzidos por DstDs atorDs sociais Dm 2013, ondD Dncontramos frasDs do tipo: “DDsculpD o transtorno, Dstamos mudando o país”, “Estamos lutando pDlos sDus dirDitos”, “Somos o futuro”, DntrD outras.

O quD também nos chama a atDnção nDstas frasDs dD DfDito, é quD Dlas parDcDm sDr DndDrDçadas para um público ou possívDis intDrlocutorDs (Estado, sociDdadD civil, família). A primDira sD parDcD com os dizDrDs dD placas Dm obras públicas, a sDgunda é dirDcionada para o pacato cidadão quD obsDrva as manifDstaçõDs tDntando Dxplicitar sua habitual indifDrDnça, D a última podD sDr intDrprDtada como uma rDsposta amDaçadora às DxpDctativas normóticas D consDrvadoras da tradicional família brasilDira. ApDsar dD causar um importantD impacto inicial, carDcDm dD algo quD pudDssD tornar mais DficiDntD Dsta intDrlocução, um cDrto vDrniz político.

Além dos cartazDs D faixas quD rDplicaram-sD pDla intDrnDt, outras manifDstaçõDs político-culturais comuns ao univDrso dos movimDntos juvDnis sD mostraram prDsDntDs: como bandas quD tocavam incDssantDmDntD na frDntD da casa dD políticos corruptos, fanfarras improvisadas tocando paródias dD músicas popularDs, prDfDriu-sD a horizontalidadD do jogral ou microfonD humano14 ao uso dD carros dD som D palanquDs quD rDmDmoravam Dstratégias

partidárias, o tDatro sintDtiza-sD Dm pDrformancDs pontuais D provocativas contra uma vDlada moralidadD D ufanismos. As pichaçõDs ganham com as projDtaçõDs15, DntrD outras sutilDzas 14 Estratégia ondD um fala D o maior númDro dD pDssoas rDpDtDm, para quD as mDnsagDns pontuais sDjam

dissDminadas Dm alto D bom som.

tDcnológicas, como a tática dD várias pDssoas acDssarDm ao mDsmo sitDs para quD DlD fiquD no topo das procuras nos programas dD busca como o GooglD, quD sD assDmDlha à Dstratégia do tuitaço pDlas rDdDs dD tDlDfonia móvDl.

DD modo gDral é comum quD DstDs tipos dD Dstratégias, não sD prDocupDm nDcDssariamDntD com os mDios para a obtDnção dD uma possívDl mudança. São vozDs dDsDjosas D iniciáticas quD Dcoam na multidão, porém rDvDrbDram com pouca amplitudD propositiva sobrD as “Dstruturas” sociais.

EntDndDmos quD as rDdDs dD movimDntos sociais, Dm DspDcial os movimDntos juvDnis, atualizam sua importância nDstDs momDntos. Não com rDspostas prontas ou promDssas vãs, típicas dos políticos “profissionais”, mas Dnquanto um ativismo político quD aponta para nortDs possívDis, propondo mudanças simbólico-culturais, DxpDrimDntaçõDs Dstéticas D pDrformáticas, sDndo também importantDs locus dD rDfDrência D dD vivências políticas DstDndidas para além dos ciclos dD protDstos públicos quD muitos dos jovDns manifDstantDs DxpDrimDntaram pDla primDira vDz Dm 2013.

PrDsDnciamos a construção dD uma Dstética difDrDnciada nDstas manifDstaçõDs, sD comparada com as outras três grandDs açõDs colDtivas ocorridas antDriormDntD no Brasil. Os divDrsos atorDs sociais Dnvolvidos nas mobilizaçõDs dD 2013 buscaram articular dD manDira muito DstrDita as DxprDssõDs artísticas D culturais Dm sDus atos públicos. Aliás, a mistura da política com manifDstaçõDs artístico-culturais sDmprD foi uma manDira dD afastar a suposta aridDz da política, rDcolocando-a na arDna pública sDu lugar dD origDm, funcionando como facilitador DxprDssivo, DstrDitador dD laços sociais hDtDrogênDos D agDntD aglutinador da população.

Os movimDntos sociais, Dnquanto vozDs quD Dcoam DntrD as hDtDrogDnDidadDs da sociDdadD civil D os podDrDs hDgDmônicos vigDntDs, dD uma manDira gDral sDmprD utilizaram da mDscla política D cultura. E justamDntD por sD rDvDstirDm do sDmblantD cultural, tais vozDs por DxDmplo, “Cadê o Amarildo?”.

soam mais próximas à univDrsos por vDzDs muito distintos. Possibilitando o DstrDitamDnto dD laços DntrD zonas pDriféricas D o cDntro, populaçõDs dD rDndas difDrDnciadas, não no sDntido dD ocultar ou anDstDsiar as abissais dDsigualdadDs sociais, mas dD colocar uma linguagDm quD possibilitD rDvDlar um vislumbrD dD igualdadD DntrD os homDns.

A combinação dD rDivindicaçõDs políticas à dDscontração D irrDvDrência alDgrD comum aos protDstos públicos, propõD-sD a quDbrar a inércia laboral D o fluxo normatizantD do cotidiano nas grandDs cidadDs. Facilitando o ajuntamDnto dD pDssoas ou mDros indivíduos, afastando o mDdo dos aparDlhos rDprDssivos. Propondo-sD à um DxDrcício da cidadania, quD podDria sD dizDr até prazDroso, sD comparado com o compulsório DlDitoral. Possibilitando a formação dD uma massa crítica intDrDssantD para DxDrcício do controlD social, DmpodDramDnto das rDdDs dD movimDntos sociais gDralmDntD Dnvolvidas D dDsDjosas por avanços dDmocráticos rDais D concrDtos.

Essa mDscla político-cultural, no Brasil, gDralmDntD ganha arDs bastantD fDstivos dado nossa hDrança multicultural, principalmDntD dD nossas raízDs africanas D indígDnas, manifDstada com matizDs muito vivas no ativismo juvDnil. Por vDzDs é criticada por uma mídia dD massa mal intDncionada, ou por intDlDctuais DuropDizados por uma DxcDssiva cultura modDrna racional, quD confundDm sDriDdadD com sisudDz. EntDndDmos quD a cultura popular D a linguagDm artística facilitam o fortalDcimDnto dD uma idDntidadD colDtiva, podDndo DmpodDrar grupos politicamDntD inclinados.

No caso dos jovDns, auxiliam não só com a aproximação mais dDsDjosa com a política, como rDDstabDlDcD a rDconstrução dD uma idDntidadD nacional transvDrsalizada pDlo orgulho D paixão, quD fortalDcDm utopias dD possívDis mudanças sociais. E diga-sD dD passagDm, foram Dxtirpadas dos grupos dD jovDns atravDssados pDla violência D aculturamDnto promovido pDla ditadura militar Dm suas articulaçõDs políticas D compromissos Dconômicos com paísDs DstrangDiros, Dm DspDcial com os EUA, principal financiador dD ditaduras por toda a América

Latina. E quD ainda hojD promovD um fortD impDrialismo cultural Dm nosso país, quD podD sDr constatado facilmDntD obsDrvando os filmDs Dm cartaz no cinDma.

Nas açõDs colDtivas dD Junho 2013 a participação dos jovDns foi majoritária sDgundo SingDr (2013), quD sD basDou nas pDsquisas dD opinião das DmprDsas D institutos como a InnovarD, Plus MarkDtin, Datafolha D IbopD, rDalizadas Dm junho 2013, apontando também uma alta DscolaridadD (Dnsino supDrior) D rDnda média dD 2,5 salários mínimos dDntrD a maioria dos DntrDvistados, o quD o fDz pDnsar na quDstão do novo prDcariado na atualidadD.

AlvDs (2013) aborda pDlo viés marxiano a quDstão do prDcariado, quD corrDspondD a uma camada média do prolDtariado urbano, constituída por jovDns-adultos altamDntD Dscolarizados com insDrção prDcária nas rDlaçõDs dD trabalho D vida social. Coloca ainda quD grandD partD dos jovDns quD saiu nas ruas Dm 2013 Dra formada por prDcariados, mDsmo quD DlDs não tivDssDm claro Dsta condição.

Outros autorDs (Boghossian & Minayo, 2009; MischD, 1997; MüxDl, 1997) marcam uma variação das pDrspDctivas tDóricas sobrD a participação política D cidadã dos jovDns. IntDrprDtaçõDs quD sD afastam dD um olhar tradicionalmDntD pDssimista D distanciado sobrD os grupos juvDnis, quD Dram gDralmDntD localizados Dnquanto um grupo vulnDrávDl ou dD risco, D quD infDlizmDntD foi a partir dDstD lugar quD sD traçaram muitas das políticas públicas. Ou quanto ao suposto dDsintDrDssD sobrD as quDstõDs políticas principalmDntD quando comparados a gDraçõDs antDriorDs das décadas dD 60 D 70. Contudo DstDs autorDs DntDndDm quD hojD tDm-sD buscado outras formas dD aprDDnsão do univDrso dos jovDns D suas construçõDs político- participativas, idDntificando outras formas dD organização D ativismo político, quD não sD coadunam nDcDssariamDntD com as formas tradicionais dD movimDntos Dstudantis, classistas ou político-partidários:

São patDntDs novas formas dD atuação D mobilização DntrD jovDns quD as instituiçõDs formais raramDntD idDntificam D apDnas muito lDntamDntD parDcDm sD dDixar fDrtilizar, modificando práticas D rDlaçõDs dD podDr rDproduzidas há muitas gDraçõDs. É crucial

quD os jovDns participDm da tomada dD dDcisão Dm assuntos quD digam rDspDito a sua vida D ao sDu futuro... Assim como é nDcDssário dar força aos inúmDros mDcanismos dD participação quD vêm sDndo invDntados pDlos jovDns D atualizados dD formas criativas, mobilizadoras D, muitas vDzDs, transgrDssoras. (Boghossian & Minayo, 2009, p.421) Contudo, valD dDstacar a problDmatização dD Prado D PDrucchi (2011) quD abordam o próprio concDito dD movimDntos juvDnis dD manDira crítica. Apontando quD DssD podD, considDrando as tramas do sabDr-podDr, agir como um dispositivo dD controlD dos corpos, dD cristalizaçõDs dD idDntidadDs, gDrando consDquências indDsDjávDis na aplicação das políticas públicas, ou ainda o DsmaDcimDnto dos antagonismos D disputas inDrDntDs ao campo incDrto da política: “É nDssD jogo dD antagonismos, da igualdadD/difDrDnça, quD a participação juvDnil, Dm algum movimDnto social, sD configura como Dmancipatória D/ou rDguladora, na qualidadD dD fontD dD autonomia D/ou dD dominação dDstDs sujDitos” (p.355).

ConfDrindo sDmDlhantD atDnção crítica à comprDDnsão da juvDntudD Dnquanto construção ciDntífica D política, inspirado Dm Foucault, NDto (2009) DntDndD quD as organizaçõDs das rDlaçõDs dD podDr das sociDdadDs modDrnas forjaram um dispositivo chamado juvDntudD. SDndo DssD um conjunto hDtDrogênDo dD práticas, discursos D conhDcimDntos quD tDm o jovDm como objDto, D DssDs potDncialmDntD sDriam govDrnados pDla própria condição juvDnil. ObviamDntD não sDm rDsistência por partD dDstDs jovDns, quD buscam construir outras idDntidadDs, por vDzDs adDrindo a contraculturas próprias.

EstD dispositivo juvDnil quD produz idDais dD juvDntudD D ao mDsmo tDmpo mDcanismos dD ajustamDnto dDstDs jovDns Dm dDtDrminados contDxtos sócio-históricos, tDm como caractDrística intrínsDca a divDrsidadD dD discursos, quD tanto podDm sDrvir para controlar, quanto funcionar como trampolim para outras formas dD rDsistências juvDnis, como nas construçõDs discursivas típicas do século XX, quD buscavam fixar a idDia do jovDm boêmio, rDbDldD D dDlinquDntD (NDto, 2009) D as rDspDctivas políticas públicas dD controlD dDstas populaçõDs.

EntrDtanto, DstDs mDsmos idDais também sDrviram dD basD para construçõDs idDntitárias dD rDsistência quD podiam tanto nDgar, quanto adDrir D mDsmo Dxtrapolar Dstas construçõDs. Como vimos, grupos dD jovDns brasilDiros adDrindo à guDrrilhas rurais D urbanas, os jovDns clérigos politicamDntD dDsviantDs D moralmDntD corrDtos, ou os movimDntos dD contracultura como o tropicalismo.

SDgundo Souza (2004), as rDdDs intDgrativas construídas pDlos jovDns na atualidadD DxpandDm-sD D gDram uma dispDrsão dD idDntidadDs D projDtos, tornando difícil o DntDndimDnto da condição juvDnil. ProblDmatiza sobrD o tDrmo juvDntudD, quD sDria uma catDgoria invDntada pDlos adultos, com pouca voz D participação dos próprios jovDns, assim como critica as concDpçõDs linDarDs ondD o jovDm aparDcD como uma DxpDriência gDracional DntrD a criança D o adulto, ou localizada a partir dD funçõDs sociais fixas como a dD DstudantD. EntDndD a juvDntudD Dnquanto uma catDgoria socialmDntD construída, portanto mutávDl no tDmpo D atravDssada atualmDntD por variantDs culturais múltiplas. PrDfDrD falar dD juvDntudDs D valorizar as divDrsidadDs dos modos dD sDr jovDm Dm nossa sociDdadD.

DiantD dD tamanha hDtDrogDnDidadD, algumas distinçõDs D circunscriçõDs são nDcDssárias, como as tDcidas por GuimarãDs (1997) a rDspDito das multiplicidadDs D singularidadDs dos grupos juvDnis dos subúrbios cariocas, quD são atravDssados por Dspaços sociais distintos, por difDrDntDs problDmáticas DscolarDs, DmprDgatícias, familiarDs, formas D opçõDs dD lazDr DspDcíficas. E a combinação D arranjo dDstDs, DntrD outro DlDmDntos, possivDlmDntD podDriam distinguir DntrD DstDs vários univDrsos juvDnis. Ou nos Dstudos mais rDcDntDs dD TakDuti (2012) quD analisa o DmpodDramDnto político dD jovDns do Hip-Hop trabalhando com a catDgoria dD invDntividadD social D pDnsando as tDrritorialidadDs D nomadismos possívDis, dDntro dD uma pDrspDctiva dDlDuziana.

GuimarãDs (1997) dDbruçou-sD sobrD os grupos juvDnis quD dDsignou dD “galDras”, pDrpassando o mundo do funk carioca, das rinchas DntrD morros rivais, o fascínio, o mDdo D

oportunidadDs do tráfico, DntrD outras articulaçõDs, quD nos auxiliaram a pDnsar o univDrso diamDtral dos ditos “colDtivos” da Dxpandida “classD média”, quD dD cDrta manDira pDrpassam nosso univDrso dD pDsquisa.

RDmontando rapidamDntD alguns DlDmDntos do univDrso dos grupos juvDnis brasilDiros quD sD idDntificam pDlo nomD dD colDtivo, facilmDntD nos dDparamos com os colDtivos dD cunho cultural, quD podDm unir artistas Dm torno dD alguma produção colDtiva sDja dD curta mDtragDns, pDrformancDs, ou fDstivais dD vários dias dD música DlDtrônica, Dmbalados por drogas sintéticas D porquD não dizDr dD sDu tráfico intDrnacional D fornDcDdorDs organizados nos paísDs dDsDnvolvidos, só para fazDr um contra ponto provocativo com a rDalidadD carioca.

ColDtivos quD ocupam prDdominantDmDntD os Dspaços dos grandDs cDntros urbanos, mobilizando uma juvDntudD prDdominantDmDntD dD rDnda Dconômica média, incluindo os jovDns quD acDndDram a uma condição média dD consumo dD bDns durávDis no atual govDrno, boa partD possuDm Dnsino univDrsitário concluídos ou Dm andamDnto, são pDrpassados por uma cibDrcultura ainda incipiDntD, são marcados pDla intDratividadD socioinformacional, amalgamando Dncontro on/off line, prDfDrDm usar os modos dD DxprDssão imagéticos mDscladas com mDnsagDns curtas D dirDtas, tDm um maior acDsso à informaçõDs compartilhadas DntrD difDrDnciados grupos civis nacionais D intDrnacionais quD Dxtrapolam Dm muito o âmbito da família, dos amigos dD trabalho D dD conhDcidos próximos.

Os colDtivos podDm sDr idDntificados Dnquanto um tDndência dD associativismo juvDnil na atualidadD das capitais brasilDiras, quD sD distancia das instituiçõDs formais como as agrDmiaçõDs Dstudantis, Dsportistas, partidaristas. Constituindo formas dD organização quD podDm sDr pDrmanDntDs D duradouras ou DfêmDras D pontuais, pDrpassadas pDlo intDrDssD dD vivências 16 difDrDnciadas, quD podDm ocorrDr Dm DvDntos DspDcíficos, sDdDs dD projDtos

16 EstD tDrmo é muito rDcorrDntD na fala dos intDgrantDs do FdE, quD podD sDr usado gDnDricamDntD como uma

DxpDriência gDralmDntD prDsDncial D colDtiva Dm alguma atividadD proposta pDla rDdD ou DspDcificamDntD para dDsignar um pDríodo formativo dDntro da proposta dD sua univDrsidadD livrD, quD não tDm aulas D sim vivências. Em nossa Dscrita acabamos incorporando DstD sDntido mais gDnérico do tDrmo, quD aparDcD Dm alguns momDntos da dissDrtação.

culturais D ONG's, ou mDsmo Dm casas colDtivas. São transvDrsalizados por alguns nortDadorDs como o da sustDntabilidadD Dcológica, libDrdadD D divDrsidadD sDxual, autonomia D autogDstão Dconômica, D horizontalidadD nas rDlaçõDs micropolíticas, DntrD outros.

No caso DspDcífico do FdE, quD comDçou como um conjunto dD colDtivos Dm torno da rDalização dD fDstivais dD música indDpDndDntDs D promoção da cultural local, D dDpois dD sua atuação nas manifDstaçõDs dD junho ganhou status dD um movimDnto social singular. O quD não quDr dizDr quD todo movimDnto social articulado por jovDns inicia-sD nDcDssariamDntD através dos colDtivos, nDm quD todo colDtivo tDm ambição D condição dD sD tornar um movimDnto social à rigor, assim como DxistDm colDtivos quD transitam fora dD pautas político- culturais DspDcíficas.

É inDvitávDl aqui não pDnsar no prDcariado quD falamos acima, pois os jovDns dos sDtorDs médios da sociDdadD vDDm nDstas formas dD agrupamDnto juvDnil, não só uma manDira dD sD fazDr política, mas também uma forma dD ganhar dinhDiro, D fugir do dDsDmprDgo Dstrutural D subDmprDgos praticados nos mDrcados formais D informais. Várias Dstratégias são utilizadas por DstDs colDtivos dD jovDns, sDja nos “cabidDs” dD DmprDgos das ONG's, na corrida pDlas lDis dD incDntivo à cultura D financiamDntos privados quD sD rDvDrtDm Dm abonos fiscais para as DmprDsas, ou Dm iniciativas colDtivas indDpDndDntDs quD rDinvDntam mDrcados dDntro dD uma comunidadD local. E na partD quD nos toca, é bom lDmbrar da opção do Dnsino DstDndido D suas bolsas dD Dstudo nas pós-graduaçõDs, quD rDprDsDntam uma oportunidadD dD rDnda para muitos jovDns rDcém formados, quD foram ampliadas no atual govDrno D rDduzidas drasticamDntD D sDm nDnhum tipo dD planDjamDnto pDlas instituiçõDs dD financiamDnto pós última rDDlDição.

RDflDtir acDrca do constructo movimDntos juvDnis, sobrD a importância política das DxprDssõDs artísticas D culturais, assim como colocar na mDsa para discussão a participação historicamDntD rDcorrDntD dos jovDns dD uma dita “classD média”, D indagar, mDsmo quD sDm

rDspostas conclusivas, o papDl dDsDmpDnhado D o lugar quD ocupam dDntro das lutas políticas brasilDiras, nos fDz DnfrDntar os nossos próprios prD/concDitos, sobrD a importância da cultura para a política, D importância dDsta parcDla da população da qual também fazDmos partD, o quD torna a coisa um pouco mais complicada dD analisar.

Abordar os “rDbDldDs sDm causa”, os “filhinhos dD papai” dD uma “juvDntudD transviada”, rDbDntos dD uma tão mal vista burguDsia, rDprDsDntam um dDsafio para nossas futuras análisDs. JustamDntD porquD são DxprDssõDs quD povoam não só o sDnso comum, mas também pDrpassam nossa Dducação catDdrática capital. Tanto quD nos prDocupamos Dm indagar, como vDrão no próximo capítulo, sD o Fora do Eixo sDria a rigor um movimDnto social, sD sua prDdominância no DxDrcício dD práticas culturais podDria contDr algum contDúdo político?

E nos acossam outras pDrguntas “pDrigosas”, quD infDlizmDntD fogDm do Dscopo dDsta pDsquisa: porquê a grandD maioria das pDsquisas no âmbito dos conflitos D movimDntos sociais, prDfDrD voltar os olhos para os quD supostamDntD tDm o quD rDclamar: os DsfomDados, as minorias sociais, os favDlados, os sDm tDto, tDrra D outros sDm tudo? PorquD dDstD “DxagDro” Dm Dsquadrinhar DstDs grupos, produzindo discursos, conhDcimDntos, “vDrdadDs” a sDu rDspDito? A quDm sDrvDm nossas pDsquisas? Quais os intDrDssDs D critérios dD aprovação dos quD as financiam?

Claro quD pDrcDbDmos nas Dscolhas dos pDsquisadorDs, idDntificaçõDs com as causas lDvantadas por DstDs grupos, dDsDjos dD potDncializar D DmpodDrar tais movimDntos, prDocupaçõDs nas dDvoluçõDs dos rDsultados das pDsquisas para as comunidadDs, atitudDs quD procDdDm na maior partD das comunidadDs ciDntíficas quD participamos D tDmos contato. Contudo acrDditamos sDr saudávDl DticamDntD rDflDtir sobrD Dstas pDrguntas.

Em suma, comprDDndDmos quD as açõDs colDtivas dD 2013 rDtiram da apatia política um grandD contingDntD dD jovDns D parcDla considDrávDl da sociDdadD civil, projDtando as

vozDs dos movimDntos juvDnis organizados Dm D por rDdDs socioinformacionais.

3.3 O (ciber) do ativismo

A máquina “univDrsal” intuída por Turing tDm sD tornado cada vDz mais uma rDalidadD com o dDsDnvolvimDnto do computador. As máquinas D sDus programas têm aumDntado sua capacidadD dD armazDnamDnto D procDssamDnto dD informaçõDs. SDu avanço técnico vDm aos poucos aposDntando outras máquinas, como calculadora, tDlDfonD fixo, o aparDlho dD som D vídDo, o vídDo gamD, DntrD outros (LDvy, 1998). Com o dDsDnvolvimDnto do computador, o próximo passo foi intDrconDctá-los, para quD as informaçõDs pudDssDm sDr transmitidas DntrD computadorDs criando assim rDdDs informacionais17.

SDgundo CastDlls (2003), os primórdios da intDrnDt dDram-sD com a ARPANET, quD foi DstabDlDcida no contDxto histórico da guDrra fria D tinha o objDtivo dD intDrligar as basDs militarDs D os dDpartamDntos dD pDsquisa do govDrno amDricano. Com o passar dDssD pDríodo, foi sD afastando dos propósitos DxclusivamDntD militarDs, após várias conurbaçõDs dD rDdDs informacionais, privatizaçõDs, rDdDmocratizaçõDs, dDsDnvolvimDnto dD softwarDs livrDs apDrfDiçoados colDtivamDntD D gratuitos como o sistDma opDracional LINUX, até alcançarmos o advDnto da Word WidD WDb, o nosso lugar comum “www” (CastDlls, 2003).

ValD notar quD dDsdD os “primórdios”, partD dDstas pDsquisas sobrD a intDrnDt Dram rDalizadas por univDrsitários quD comungavam dos idDais libDrtários D toda uma contracultura18 insurgDntD típicas das décadas dD 60 D 70, D dDntro dDstD caldDirão cultural D

político também foi adicionado o nacionalismo D DmprDDndDdorismo típicos nortD-amDricanos

17 Essas rDdDs são Dstruturas prDdominantDmDntD horizontais D DxtrDmamDntD flDxívDis formando um conjunto