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Scottish Nephrops discard sampling scheme

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2.1 Commercial catch sampling projects

2.1.11 SCOTLAND

2.1.11.3 Scottish Nephrops discard sampling scheme

A Roda de conversa 1 teve a participação de três professores de Educação Física (Alê, Bia e Duda) e o pesquisador (M). Foi surpreendente a desenvoltura com que conversavam, todos aparentemente se sentindo à vontade. As atividades programadas pelo pesquisador para aumentar a interação e participação não foram realizadas, pois não se fizeram necessárias, vista a descontração na conversa.

Não tiveram, a priori, oportunidade de conversar sobre a realidade escolar frente à inclusão de alunos com deficiência, já que nas entrevistas iniciais relataram a falta de recursos (materiais e humanas) para desenvolver seu trabalho.

A seguir, alguns trechos da Roda de Conversa 1, referentes aos temas ‘estrutura escolar’, ‘aspectos legais’, ‘a família do aluno’ e ‘a radicalização da inclusão’.

Estrutura escolar

A falta de estrutura para trabalhar em turmas com alunos em processo de inclusão foi o assunto mais debatido.

[...] eu acredito que boa parte física e a parte humana da escola não está preparada. (Alê)

[...] porque existe um certo limite [número de alunos por sala] quando se tem um deficiente dentro de uma sala e isso não esta sendo respeitado, mas fica a cobrança. [...] acho que no máximo uns 20. (Duda)

Agora, realmente, coloca o aluno ali e não se pensa nada disso, nem em número, nem na preocupação se ele realmente vai aprender. A verdade é essa. (Duda)

A gente esta cansado de ver quando chega lá para setembro o professor não aguenta mais ficar ali dentro, esta todo mundo tirando licença. Por quê? O nível de stress já esta lá em cima, num tem estrutura para aguentar aquilo ali. Por quê? Junta isso, junta aquilo [...] (Bia)

[...] você escuta todos os professores gritando e você se pega gritando de vez em quando. Eu acho horrível o que a gente faz, mas é assim que acontece. Essa é a realidade de nossa escola. (Bia)

Com estes relatos pode-se notar que as escolas, segundo as professoras, estão muito aquém do esperado em relação ao ensino inclusivo. Os professores apontam para o número excessivo de alunos por turma em processo de inclusão do aluno com deficiência, carência nos recursos humanos e estruturais, e relatam, também, o quanto os professores ficam exaustos ao fim do ano letivo.

Aspectos legais na inclusão de alunos com deficiência

As professoras também mencionaram alguns aspectos legais na inclusão de alunos com deficiência na rede regular de ensino:

[...] coloca pela lei, até ela chegar e realmente essa lei ser cumprida, existe muito tempo. Então, eu volto a falar, existe uma questão muito longe desse poder político, é a questão realmente na prática para acontecer. Porque de fato, qualquer família que tenha uma criança, tenha uma pessoa deficiente, ela tem todo direito de procurar a lei, mas enfim, na prática isso está longe de acontecer, pelo menos nesse período. (Duda)

O professor diz que existe uma lentidão entre se pensar a lei, sua promulgação, efetivação e finalmente a lei contemplar seus beneficiários. Isso porque a inclusão já existe há mais de 15 anos, leis vão sendo aprimoradas, chegam ao conhecimento da população, mas, infelizmente, as escolas não estão preparadas para o atendimento a estas crianças.

A família do aluno

A família tem papel importante na educação das crianças, mas os professores relatam a seguinte realidade:

[...] os pais precisam acompanhar mais de perto, para ver se o filho está bem. (Alê)

[...] tem pais de deficientes que cuidam muito bem, ao contrário de alguns ditos normais que não se importam com nada, e então a situação vai caminhando de uma forma pior. (Duda)

[...] não passa o aluno, para você ver. Vai ver o pai o que ele faz? Eu tenho aluno de quinto ano que não sabe ler nem escrever. (Bia)

Nota-se que os professores tem percebido, cada vez mais, a ausência do acompanhamento e incentivo familiar na educação das crianças. Carvalho (2011b) salienta que uma das funções da escola inclusiva é criar de vínculos mais estreitos com as famílias, levando-as a participar dos processos decisórios em relação à instituição e a seus filhos.

Radicalização da inclusão

A radicalização da inclusão de alunos com deficiência tem sido debatida por diversos autores, como Glat e Pletsch (2011) e Denari (2011), e traz o seguinte questionamento: será que a matrícula de crianças com deficiências mais severas em escolas regulares, nas condições em que se encontram, é a melhor opção para o desenvolvimento deste aluno? Seguem alguns trechos que, aparentemente, se enquadram nesta situação:

[...] precisa ser analisado o que realmente é inclusão. Tem caso[s] que não são inclusão, estão dentro da escola e não existe socialização. Nada é feito com aquela criança, ela não progride e nem se socializa, mas ela está ali dentro. Então é necessário analisar o que é inclusão. [...] porque o objetivo não é este, colocar ali para nada. [...] isso pode afetar as crianças que estão ali dentro, prejudicar as crianças que estão ali dentro [...] (Duda)

[...] um acompanhamento paralelo para que ele possa estar mais próximo da realidade dele, e para ele progredir, porque o que acontece muito nesta situação, é que ele está de corpo presente, mas não adianta nada, [...] isso não é inclusão. (Duda)

[...] ele não faz nada, tem uma pessoa o tempo todo com ele, então não é inclusão, isso. Ele não tem conscientização nenhuma, ele passa o tempo todo sozinho porque não pode ficar junto. Se ele ficar junto é só problema. Não tem como resolver isso. (Duda)

[...] ela é simplesmente um corpo parado [...] já estralei os dedos perto do ouvido dela, ela não faz nenhuma reação. (Alê)

São relatadas situações (de certa forma até um pouco preconceituosas) pelas quais os alunos com deficiência estão passando: uma inclusão marginal, na qual os alunos não estão recebendo o atendimento necessário para seu desenvolvimento.

Relatam que um profissional da escola acompanha o aluno, que fica sozinho pela escola, por não conseguir se socializar com os demais alunos. Será que este profissional tem formação adequada para este atendimento, ou será que este só esta ocupando o tempo deste aluno, com o objetivo de não causar problemas na escola? Ou, ainda, é este realmente o propósito mascarado da inclusão? Apenas socializar? São questões contundentes cujas respostas, certamente, virão a seu tempo – um tempo que exige reflexão e repaginação do processo inclusivo.

Diante de muitas conversas sobre as dificuldades encontradas pelas professoras, surgiu naturalmente a proposta para a próxima roda de conversa, quando Alê diz:

[...] eu trabalhei quatro anos na Secretaria de Educação né? E tem o Departamento de Educação Especial né? Eu gostaria muito de ter essa troca. Eu acho que seria legal a gente tentar, marcar um dia – acho que pode ser na próxima reunião, não sei – para a gente ver esse lado da organização, também. [...] também tem toda suas limitações né? Mas eles fazem o seu trabalho dentro dos limites. Muito interessante é que eles nunca chamaram para conversar com a gente como é que é? (Alê)

Foi muito interessante a proposta da troca de informações entre a Divisão de Educação Especial e os professores de Educação Física – algo que segundo Alê nunca tinha acontecido. Isso mostra a falta de comunicação do setor responsável pela Educação Especial com os professores de Educação Física que ministram aulas com alunos com deficiência.

O pesquisador conseguiu articular a participação da responsável, na época, pela Divisão de Educação Especial, na Roda de conversa 2.

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