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Estimation of fisheries discards with an example from the Celtic Sea

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2.4 Modelling studies

2.4.4 Estimation of fisheries discards with an example from the Celtic Sea

A valorização das diferenças individuais na busca de uma sociedade mais acessível a todas as pessoas é, sem dúvida, uma busca de melhora constante que ainda encontra muitos entraves em alguns setores da sociedade. O sistema educacional deve ser um espaço de celebração da diversidade humana. Assim, esta pesquisa mostra um pouco da realidade encontrada em algumas escolas de uma cidade no interior do Estado de São Paulo, no que diz respeito à inclusão de alunos com deficiência em salas regulares, e, em especial, do ponto de vista das condições de trabalho dos professores de Educação Física.

Segundo informações da Secretaria de Educação, por meio da Divisão de Educação Especial, o município tem avançado muito nas questões envolvendo a inclusão de crianças com deficiência nas escolas regulares, procurando seguir as metas do governo federal, em busca da inclusão total. A própria secretaria admite que ainda tem muito o que melhorar e relata que a ausência de profissionais especializados é um dos complicadores neste processo. Reconhece, também, a dificuldade em organizar a formação continuada dos profissionais, e por este motivo tenta trabalhar com multiplicadores de informação – que não têm a efetividade desejada. O elevado número de alunos por sala no Ensino Fundamental também é um fator complicador para a educação dos alunos, pois nem o Município, nem o Estado, estão viabilizando a construção de novas escolas para, deste modo, aliviar as condições de lotação. Assim pode-se dizer que o Sistema Educacional reconhece que a inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares é fundamental para o desenvolvimento dos alunos, mas não tem suprido as demandas e necessidades de que a inclusão de crianças com deficiência precisa para contemplar uma educação de boa qualidade.

Os diretores das escolas, por sua vez, acompanham a Secretaria de Educação, sabem da importância, mas não se sentem preparados para este atendimento; sentem a necessidade de ter pessoas com formação especifica e especializada, seja para o atendimento direto com o aluno com deficiência, ou com a sala em que este se encontra, ou para auxiliar os profissionais da escola; apontam que recursos para a melhoria na acessibilidade das estruturas de escola existem, mas, mesmo assim, algumas unidades apresentam falhas neste aspecto.

As professoras de sala de recurso, de uma forma geral, podem auxiliar – e auxiliam – os professores de Educação Física, mas sua maior função e ocupação estão no atendimento individualizado nas salas de recurso, com os atendimentos em contraturno de alunos com deficiência. Um projeto piloto em ensino colaborativo vem sendo desenvolvido de

forma restrita, muito aquém do desejado, principalmente pela falta de profissionais especializados.

Os professores de Educação Física, em sua maioria, relatam que a maior dificuldade é a falta de estrutura para realizar seu trabalho; falta de materiais adequados e de apoio de profissionais especializados em Educação Física; grande número de alunos por sala de aula; falta de formação continuada dentro da rede de ensino. Os professores de Educação Física, pela grande angústia apresentada com relação às melhorias nas condições de trabalho, passam a impressão de que se encontram isolados ou desconectados do resto da escola, por não terem apoio, ou melhor, por não terem as informações que podem melhorar suas práticas. Um exemplo da falta de informação é o desconhecimento de que o professor de Educação Física Adaptada está para o professor de Educação Física assim como o professor de Educação Especial está para o professor de sala de aula. Esta informação poderia minimizar a angústia apresentada. É muito importante ter com quem compartilhar suas dificuldades e trocar informações sobre assuntos do dia-a-dia escolar.

Por este motivo as rodas de conversa foram muito bem aceitas pelos participantes – apesar de as presenças dos professores terem sido flutuantes; todos foram protagonistas em um espaço de dialogo sobre as práticas do cotidianos escolar. Todos se envolveram na busca da melhoria das condições de trabalho, que está intimamente relacionada ao desenvolvimento de uma Educação Física de boa qualidade em salas com alunos em processo de inclusão.

Para a realização desta pesquisa, foram encontrados alguns entraves, pois manter as obrigações profissionais e, ao mesmo tempo, as conciliar às obrigações de pesquisador não é uma tarefa fácil. A burocracia para se realizar uma pesquisa é muito grande, a começar pela autorização pelo comitê de ética (que, neste caso, fez com que as coletas de dados começassem tardiamente), bem como pela disponibilidade de algumas escolas em autorizar, ou não, a realização da pesquisa. A principal dificuldade em realizar esta pesquisa, porém, foi a de conseguir agendar datas para a realização das rodas de conversa: ora por não conseguir agendar datas com os responsáveis, que ao final sugerem contato direto com os diretores das escolas (caminho talvez mais fácil), ora por não avisarem em tempo hábil os professores de Educação Física.

Esta pesquisa engendrou a comunicação entre profissionais, constatada pela falta de comunicação como uma relação de poder; a discussão sobre inclusão de alunos com deficiência, que é sempre adiada; a visibilidade da viabilidade dos encontros entre professores de Educação Física; maior conhecimento sobre o processo de inclusão aos professores de

Educação Física; e possibilitou trocas de experiências e de atividades pelos professores de Educação Física.

Para que a inclusão de alunos com deficiência ocorra de forma benéfica, esta pesquisa sugere melhorias na divulgação de informações e serviços oferecidos à equipe escolar; melhorias na infra estrutura, de recursos humanos especializados e de recursos pedagógicos para a aula de Educação Física; redimensionamento nos números de alunos por sala; programas de capacitação, acompanhamento e supervisão contínua aos professores de Educação Física; materiais adequados para a prática das aulas de Educação Física; maior apoio aos professores de Educação Física por profissionais da área com especialização em Educação Especial; e oferta de rodas de conversa para a discussão de temas emergentes.

Despertar para o problema, não ressaltando a negatividade – ao contrário –, significa estar ciente das condições que são típicas de uma dada realidade e, especialmente, estar disposto a (re)conhecer a sua importância no jogo de interesses sociais, políticos e culturais. Significa, por fim, estar disposto a encarar o fato de que mudanças são necessárias quando se tem por objetivo valorizar a diversidade e a riqueza que emana dessas mesmas mudanças.

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