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In document “We owe it to the Cow” (sider 30-34)

Como visto, a democracia evoluiu muito nas últimas décadas. A construção de um sistema em que cada um dos indivíduos é convocado a participar (votar), escolher seus representantes e com isso influenciar, mesmo que indiretamente, na política, é a base do processo democrático.

No entanto, a efetividade desse sistema é muitas vezes questionada, seja pela

vulnerabilidade do processo às falhas e desvios, como a manipulação de eleitores, compra de votos e outros, seja pela ineficácia e deficiência das instituições públicas das quais estes

representantes farão parte diretamente ou a partir de indicações, casos de favorecimento de pessoas ou grupos e casos de corrupção são exemplos disso.

Ao se ter em vista este contexto e a análise que o sujeito faz da importância de sua participação, acredita-se que os indivíduos que se percebem como atores importantes no contexto político, que acreditam que suas ações neste campo surtem efeito, tendem a

participar mais desse processo em comparação com aqueles que não acreditam que suas ações tragam algum resultado. Da mesma forma, aqueles que acreditam que os políticos ou as instituições políticas são sensíveis às demandas da população também tendem a participar mais em comparação com aqueles que não acreditam. Assim, ao analisar os fatores no nível do indivíduo que impactam na participação política, mostra-se coerente destacar a

importância da percepção de eficácia do indivíduo.

Campbell, Gurin e Miller (1954) acreditam que a eficácia política é a percepção de que as ações políticas do indivíduo têm, ou podem ter, impacto sobre o processo político, especificamente, que vale a pena o indivíduo exercer seu papel civil. Esta definição que focava essencialmente em uma dimensão, a percepção do indivíduo sobre a sua influência no sistema político, foi, na década de 1970, substituída por uma mais precisa, composta por duas dimensões. A primeira dimensão, eficácia política interna, representa a percepção do

indivíduo acerca de seu poder ou habilidade para participar do contexto político. A segunda dimensão, eficácia política externa, apresenta um novo componente, mais responsivo, que representa o quanto o indivíduo percebe os políticos, ou o sistema político, como sensível às demandas individuais (McPherson, Miller, Welch & Clark, 1977).

Assim, enquanto eficácia interna foca no grau de influência que as pessoas percebem que podem exercer, em função de suas próprias capacidades, a eficácia externa foca no grau de influência que as pessoas percebem que podem exercer, em função do funcionamento atual do sistema político (Caprara, Vecchione, Capanna & Mebane, 2009).

Segundo Caprara et al (2009), uma série de estudos mostraram que a eficácia política interna tem papel importante em promover formas tradicionais e não tradicionais de participação política (Abramson & Aldrich, 1982; Finkel, 1985; Madsen, 1987; Milbrath & Goel, 1977; Morrell, 2003; Pollock, 1983). Pois, a não ser que a pessoa acredite que pode produzir o resultado desejado, pouca iniciativa terá para enfrentar tarefas desafiadoras, perseguir metas ambiciosas e para perseverar frente a dificuldades (Caprara, Vecchione, Capanna & Mebane, 2009). Outros estudos evidenciaram que eficácia política interna se correlaciona com competência percebida e diversos indicadores de engajamento civil (Zimmerman, 1989) e interesse por política (Craig & Maggiotto, 1982; Morrell, 2003). Eficácia política externa, por sua vez, foi associada a confiança geral no funcionamento do sistema político e das instituições (Niemi, Craig & Mattei, 1991).

Segundo Schulz (2005), a estabilidade da eficácia política tem sido questionada e investigada e resultados diferentes têm sido encontrados. Enquanto alguns autores alegam que tanto a eficácia interna como a externa são relativamente estáveis ao longo do tempo (e.g. Abramson, 1983), outros evidenciam que a eficácia interna é menos volátil que a eficácia externa (Acock & Clarke, 1990; Gurin & Brim, 1984).

Acredita-se que a eficácia interna é menos influenciada por fatores contextuais do que a eficácia externa, isso pois a confiança na habilidade pessoal de exercer influência no

contexto político é menos volátil do que a confiança na resposta do sistema político (Finkel, 1985).

A dimensão interna da eficácia política pode ser vista como relacionada a noção mais geral de auto-eficácia: a percepção do indivíduo de suas capacidades de organizar e executar ações importantes para alcançar determinados tipos de performances tem influência nas escolhas do indivíduo, seus esforços, perseverança e emoções relacionadas à tarefa. Este conceito de auto-eficácia constitui um importante elemento da teoria social cognitiva de

Bandura sobre o processo de aprendizagem, em que o aprendiz direciona sua própria aprendizagem (Bandura, 1993).

Bandura (1993) evidencia que a crença de controle percebida pelo indivíduo varia em função de domínios, atividades e circunstancias. Acredita que no caso da eficácia política, a crença de controle do indivíduo está associada a experiências pessoais ou a percepção sobre a experiência de outros com relação à participação política. Ao analisar a percepção de auto- eficácia, evidencia que a avaliação sobre a própria habilidade para agir está relacionada a expectativas sobre os resultados destas ações, mas elas não são equivalentes. Assim, apesar de uma alta auto-eficácia, se o indivíduo acredita que suas ações terão pouco efeito, ele tende a não agir. Distinção que se coaduna com a ideia de auto-eficácia interna e externa.

Apesar da alta correlação entre auto-eficácia e eficácia política, a eficácia política é um determinante direto e proximal da participação enquanto a auto-eficácia é amplo e distal. O conceito de auto-eficácia é mais estreitamente relacionado à auto-estima, enquanto que a eficácia política é conceitualmente e operacionalmente mais relacionada à política e ao processo político.

Acredita-se assim, que tanto a eficácia interna como a externa estão relacionadas a decisão do indivíduo de participar ou não politicamente e por isso estes fatores serão considerados no modelo que será investigado. Assim, estabelece-se outras duas hipóteses:

H7: Eficácia Interna se relacionará positivamente com as formas de participação política.

H8: Eficácia Externa se relacionará positivamente com as formas de participação política.

Outro fator a ser considerado são as predisposições políticas, que serão apresentadas a seguir.

In document “We owe it to the Cow” (sider 30-34)